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25/06/2009 - 07:30

A ponte caiuuuuuuuuuuuuu

As festas juninas estão entre as mais brasileiras das festividades populares e por diversos motivos. De norte a sul, apesar das diferenças de cada lugar, o mês de junho é tradicionalmente mês de fogueiras, quentão, vinho quente, paçoca, pé-de-moleque, pipoca, quermesse, mastro de santo, pau-de-sebo, fogos, rojões, e mais um monte de outras coisas “juninas”. Era também de balões até que a prática – por perigosa que é – fosse proibida.

 

Em algumas regiões o São João é esperado como a maior festa do ano. No sertão nordestino se não há São João o ano não termina, e não é a toa que Campina Grande na Paraíba e Caruaru em Pernambuco disputam palmo a palmo o título de maior São João do mundo (parece que, atualmente, Campina leva vantagem).

Como toda manifestação cultural o São João mudou muito daquele que seus avós conheceram, e continuará mudando, incorporando novidades, como as quadrilhas de “demonstração” que não haviam antigamente, ou com o quase desaparecimento das bandas de pífano e do “pau-de-sebo” (um jogo no qual um tronco de árvore sem a casca era ensebado com gordura e em seu topo havia uma “prenda”, ganhava-a quem conseguisse escalar o bendito do tronco).

Apesar das origens das festas juninas serem européias no Brasil elas ganharam uma expressão própria e tomaram uma forma de diversão que é muito peculiar. Por isso vejo estas festas como profundamente brasileiras. 

Aqui incorporamos na região de São Paulo a música caipira, no nordeste o forró, o xote. Incorporamos também as comidas “típicas”, a grande maioria delas de origem indígena ou uma mistura de comida indígena com a portuguesa. Os doces são uma mistura de amendoin – alimento originário da Amazônia – com o açúcar ou a rapadura que era produzida nos engenhos desde o início da colonização. A pipoca e as outras comidas de milho estão na mesma situação: alimento originário dos Andes e que se espalhou pelas Américas.

O quentão é da mistura do açúcar dos engenhos com a cachaça dos alambiques, aquecido para segurar a “friagem” das noites de inverno.

Os santos comemorados – Santo Antonio, São João e São Pedro – são heranças da profunda religiosidade católica portuguesa, a qual também deu uma explicação “Cristã” às fogueiras pagãs, que antes da chegada do cristianismo a Europa faziam parte da comemoração do solstício de verão (o dia mais longo do ano). Para os católicos as fogueiras lembravam o acordo feito entre Maria e Isabel (primas e mães de Jesus e João Batista respectivamente) de que esta acenderia uma fogueira no topo de uma montanha para avisar do nascimento do “Batista”.

As quadrilhas, por sua vez, são interpretações populares das danças marcadas de salão, originárias da França e de outras regiões da Europa nos séculos XVII em diante. Como os camponeses usavam roupas fortes, coloridas, muitas vezes de xita (como no nordeste brasileiro) as roupas de São João acabaram por incorporar isso também. As figuras de caipiras muitas das vezes eram representadas com a inconfundível camisa xadrez com “butina” ou de pé no chão, completado com uma calça de cor diferente e um chapéu de palha tombado na testa.

Sempre há as peculiaridades locais, mas no geral as festas juninas mantêm o conjunto de referências que as fazem um único corpo.

E não há quem não se lembre dos “casamentos de quadrilha” com toda sua encenação: um padre falando de modo quase incompreensível, lembrando os padres italianos que vinham para os interiores do Brasil, e o pai da noiva, armado de espingarda para garantir a reparação do mal feito a sua filha (uma nota aos antigos códigos morais).

E o marcador, uma figura que também veio dos bailes de salão das cortes européias, gritando: Olha a cobra, A ponte caiuuuuuu….

Tudo vindo de lugares distantes, mas tudo absolutamente brasileiro pela sua característica cultural mais marcante: a mistura e a capacidade de renovação das tradições.  

Autor: indianasilva - Categoria(s): História da cultura, História do Brasil Tags: , , ,
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