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05/03/2009 - 08:36

Arqueologia como rotina e como modo de vida

Desde que fui trabalhar com arqueologia algumas coisas me chamam a atenção no comportamento dos arqueólogos enquanto grupo, enquanto “bando”.

 

É claro que são considerações de um historiador, uma visão parcialmente “de fora”, e, talvez, eles não concordem com algumas delas (talvez porque jamais “pensaram” a respeito delas).

Toda profissão tem sua cultura particular, um conjunto de elementos que formam e dão unidade ao “bando”, é algo bastante antropológico em verdade. É como a preocupação que médicos e advogados tem em serem chamados de “Doutores” sem jamais terem feito um doutorado, faz parte da cultura da profissão e ir contra ela implica em ser visto como alguém estranho. Quanto mais se rebele contra essas “tradições” das profissões menos te verão como um deles.

E isso acontece com todos os grupos humanos. Historiadores costumam alimentar um gosto particular por literatura, música e cinema. Não que escrevam bem, sejam bons músicos ou façam cinema, mas se ao conversar com outro historiador ele não conhecer nada dessas áreas certamente lhe olharão meio torto.

Com os arqueólogos ocorre a mesma coisa.

Escavando no sul de Minas Gerais, olho para o campo e vejo três figuras. De longe parecem versões mais ou menos gordinhas e com ligeiras diferenças de altura da mesma pessoa.

Rodolfo, Pedro e Vinícius. Rodolfo é geógrafo especializado em geomorfologia (o estudo da formação do relevo terrestre, dos marcos geográficos como montanhas, cordilheiras, rios, etc). Pedro, português, é historiador e antes de desembarcar em São Paulo passou uma temporada com sua esposa brasileira na terra natal dela, no nordeste. Vinicius, estudante de história do interior de São Paulo, já trabalhou com toda especie de arqueologia existente no Brasil, de pré-história a lixo industrial.

Rodolfo é um bonachão, tranquilo ao extremo, anda para lá e para cá com uma prancheta e um equipamento de GPS anotando dados do terreno e, sobretudo, em que pontos do terreno os objetos foram encontrados. No final das contas a responsabilidade de organizar tudo isso “espacialmente” é dele, bem como dizer ao restante do pessoal como aquele terreno se formou, o que ajuda e muito a saber mais sobre o grupo humano que produziu o material arqueológico escavado.

Pedro é o diretor da escavação. É o mais velho, tem lá seus trinta e poucos anos, e tão tranquilo quanto Rodolfo (ou Dorfo). É um sarrista a moda portuguesa, com muita sutileza. Muito sério no trabalho, mas capaz de tornar o convivio em algo mais suave, apesar da “brutalidade” do trabalho.

Vinicius, o terceiro, é um gozador em tempo integral. Tem seus vinte e muitos anos e o humor característico dos moradores do Vale do Paraíba em São Paulo. O tempo todo está tirando com a cara de alguém, pesquisador ou trabalhador assistente de escavação. Acentuou sua verve cômica trabalhando com braçais no centro oeste do Brasil.

Uma coisa que me impressionou desde o início é o quanto a arqueologia é um universo “masculino”. É claro que existem arqueólogas, muitas aliás, mas quando elas entram no trabalho de campo se estabelece um código de conduta, de comportamento, que é muito masculino. As brincadeiras, a forma de se relacionar, de falar, é tudo muito da cultura masculina. Nesse sentido a arqueologia me lembra muito a política, outro universo no qual prevalece uma cultura masculina.

Isso não tem nada a ver, vale lembrar, com machismo. As mulheres são respeitadas da mesma forma, tem as mesmas oportunidades, mas invariavelmente, as que sobrevivem no meio, se masculinizam no trato.

Os homens, por sua vez, se mantém numa eterna sensação de “juventude”, talvez acentuada pela impressão de que a vida é uma sucessão de viagens e escavações. Não é. A arqueologia feita nas universidades escava muito pouco, a grande maioria do tempo é gasta em laboratórios e bibliotecas. Mas na arqueologia de “contrato” ou de “salvamento”, aquela que é feita fora das universidades, é comum que um arqueólogo fique meses, as vezes anos, pulando de escavação em escavação.

Com isso formam uma tribo da qual já falei aqui. Todo mundo se conhece mais ou menos no meio e há, é claro, a cadeia alimentar do ramo, na qual se tem uma idéia de quem pode mais ou menos. Sobreviver a lei da selva, literalmente, não é nada fácil.

As três figuras parecidas – todos de roupa bege, de barba e bigode, de chapéu de palha na cabeça e óculos – são sobreviventes e conseguiram em grande medida se libertar dessa sensação de “eterna juventude”, se tornaram profissionais de verdade.

O risco dessa cultura da liberdade, da juventude experimentada eternamente, é que muitas vezes leva os ingressantes a se esquecerem que antes de qualquer coisa a arqueologia é uma profissão, que a arqueologia também é um ramo instável e que somente aqueles que possuem “planos” de carreira sólidos conseguem viver dela.

Não existe uma solução universal, mas há alguns princípios que configuram aqueles que ultrapassam a barreira da “arqueologia como curtição”. Ter planos paralelos que consigam completar ou se valer da arqueologia é uma boa estratégia.

Rodolfo é pesquisador de geomorfologia e usa a arqueologia para ter acesso a dados privilegiados. Pedro toca sua pesquisa pessoal paralela e se habilita para o ensino universitário. Vinicius é historiador e no aperto volta para a antiga área. Os três adoram a arqueologia e “vivem dela”, mas não vivem só dela.

Mas há o outro lado, mesmo entre os muito competentes. Há amigos meus que estão há cinco ou seis anos saltando de lá para cá, como ciganos. Isso cansa um dia. Você chega certo dia no quarto de um hotel qualquer, muitas vezes no meio do nada, e toma um “choque de realidade”.

Ai começa a fazer a contabilidade dos anos de arqueologia, e da própria vida: o que ganhou? o que perdeu? o que aprendeu valeu a pena?

E não vai consolar muito dizer, como o poeta, que tudo vale a pena se a alma não é pequena. Chegar a conclusão de que nos ultimos anos sua vida tem sido uma incessante troca de companhias, longe da família, as vezes tendo perdido a namorada (o), o que é relativamente comum depois de tantos meses fora de casa, não é um resultado muito bom se não pensou nisso com alguma antecedência.

O retorno nem sempre é fácil, implica em recuperar relações deixadas como terreno baldio, com mato a crescer, retomar estudos. Muitos abandonam amargurados a arqueologia e a maldizem pro resto da vida, quando, na realidade, foram co-responsáveis pela situação toda.

Mais do que os riscos de acidentes em campo, animais perigosos, clima implacável, creio que o maior risco da arqueologia é seduzir como sereia espíritos ansiosos por experiências limite, e depois de muito tempo cobrar o preço por isso, que as vezes pode ser bastante caro.

Isso não é para soar desistimulante. A arqueologia é fantástica, as experiências são únicas e enriquecedoras, tudo é muito sedutor. O necessário é saber do preço que se cobra por isso e buscar uma visão mais realista, mais responsável com relação a própria vida.

Como diz um ditado popular: Todo mundo vê as pingas que tomo, mas não os tombos que levo.  

Autor: indianasilva - Categoria(s): Arqueologia, Carreira e história Tags: , , ,
19/02/2009 - 10:19

Em buracos no Mato Grosso

O Mato Grosso foi a escola de arqueologia prática para muita gente. Eu entre elas. Não é muito fácil, mesmo no Brasil, encontrar áreas relativamente preservadas onde se possa escavar tranquilamente. O Mato Grosso ofereceu, e oferece, ainda essa possibilidade para muito arqueólogos brasileiros, em começo de carreira.

 

Sempre que eu chegava a Cuiabá, ou à alguma cidade do interior do estado, havia uma legião de novos arqueólogos e arqueólogas sedentos por cair no primeiro capão de mato que vissem pela frente. Eu, como sempre fui tido como um “tipo tranquilo” pouco me alterava com as novas oportunidades. É claro que sempre achei o máximo – a não ser quando, literalmente, ”dava merda” -, mas com os pés no chão.

Quando cheguei em Lucas do Rio Verde estava acompanhado de Luigi e Kleid. O primeiro um arqueólogo velho de guerra, gente boníssima, que hoje se tornou professor de uma universidade federal na Bahia. Kleid seguia os rumos do irmão mais velho, já arqueólogo. Goiano de nascimento era um tipo igualmente tranquilo.

Certa vez, na cidade de Brasnorte, o prefeito recomendou que cortasse o cabelo e tirasse o colar de coquinhos do pescoço, caso contrário seria confundido com gente de ONG e, consequentemente, um alvo móvel. Kleid nem cortou o cabelo nem tirou os coquinhos do cangote, e nem por isso morreu. Há muito de cachorro que ladra e não morde por ai. O que não significa que não haja os que mordam de verdade.

No primeiro dia em que estavamos na cidade fizemos uma incursão a nossa área de escavação. Uma hora e tanto a pé ladeira a baixo – o que significa uma “ladeira a cima” na volta – cortando uma floresta de tabocas.

Malditos bambuzinhos que batem por todos os lados e que, quando cortado, se tornam espetos no chão como uma armadilha de vietcongue. Terríveis. Uma vez que escorregue e caia num tabocal terá problemas sérios.

Terminado o tabocal, pensamos, tolos, que os flagelos haviam passado. Entramos num maldito pântano na beira do rio onde estávamos. Pelo menos não batia na cara nem espetava. Mas atolava como os diabos. A certa altura enfiei meus pés no tal que fiquei com lama pelos joelhos. Para sair só de gatinhas. Arranca uma perna, depois outra, engatinha no pântano até uma área mais fime e dai recomeça a caminhada. Numa dessas minha bota ficou.

Porcaria de bota, aliás, de solado colado, cuja lama ácida – por conta do material biológico em decomposição – derreteu a cola. Kleid e Luigi, mais leves, bem mais leves aliás, indo a frente. Mas, em compensação pegando todas as bolotas de formigas que haviam.

A certa altura paramos no charco, eram umas 11:30 da manhã. Havia tanta formiga que ficamos dentro de poças d’água na tentativa de escapar um pouco delas. Mas existem algumas especies que devem ter sido treinadas pela marinha, pois atravessaram as poças e começaram a subir por nossas calças, mordendo tão doloridamente quanto torquesas.

Por incrível que pareça Luigi e Kleid estavam se divertindo muito. Parei e pensei: Que tipo de maluco é esse que sente prazer com o sofrimento? Ok, masoquisatas não são novidade, mas mesmo no sofrimento há limites de conforto. E alí não havia nenhum.

Depois de umas tantas horas chegamos ao local indicado pelo satélite e tão logo começamos a trabalhar as ferramentas quebraram todas, indicando que, qualquer pessoa de bom senso, deveria tomar o caminho de volta e esperar a ziquezira passar.

Mas arqueólogos são conhecidos pela falta de bom senso. E graças  Deus não escalam montanhas, senão morreriam como moscas devido a sua ausência quase absoluta de prudência e bom senso.

Depois de outras tantas horas Luigi e Kleid retornaram, eu já havia pegado o caminho da roça há tempos, sem bota, andando descalço como um flagelado, mordido por todos os lados, imprestável.

No final, apesar do absurdo ainda temos algo que chamamos de “ciência” e que jovens como Kleid acham divertido. No final das contas eles dizem: Melhor estar aqui do que num escritório fechado vendo concreto.

Isso alimenta as levas e mais levas de jovens que se enfiam nos buracos da arqueologia, grande parte deles no Mato Grosso.

Quando cheguei lá pela primeira vez o estado havia se tornado um grande canteiro de obras, com hidrelétricas brotando como cogumelos em todos os cantos, e arqueólogos trabalhando em cada uma dessas obras para salvarem um pouquinho do passado.

Antes do Mato Grosso o grande canteiro havia sido o Tocantins, e , agora, o Pará surge como a próxima bola da vez. O triste disso é que a arqueologia parece acompanhar o rastro da destruição. Nem sempre, é verdade, mas em boa parte das vezes. Tentando, aqui e ali, diminuir a desgraça toda.

E com isso enfiando dezenas de jovens, e não tão jovens, da estranha tribo, em buracos de escavação pelos sertões do Brasil. 

 

Autor: indianasilva - Categoria(s): Arqueologia, Carreira e história Tags: , , ,
15/02/2009 - 12:13

A estranha Tribo dos Arqueólogos

Todos os anos, em verdade a cada semestre, centenas de jovens em idade universitária desembarcam no centro oeste do país, nas florestas amazônicas, no sertão nordestino, nas praias de Santa Catarina. Seu objetivo imediato: passar algumas semanas numa escavação arqueológica de verdade, entre trincheiras, sondagens, aparelhos GPS, pás, peneiras, baldes, trenas, metros, barro e mosquitos, muitos mosquitos.

 

Aqueles que estão ali pela segunda vez talvez tenham aprendido algumas lições práticas e tenham providenciado também roupas longas – mesmo sob o sol escaldante – largos chapéus de palha, protetor solar, repelente de insetos, botas resistentes, capas de chuva, aparelhos tocadores de MP3.

Mas boa parte deles estará ali pela primeira vez e, mesmo com os demais sabendo do sofrimento alheio, terão de passar sozinhos pelas provações de seu primeiro campo.

Por incrível que pareça as garotas – em geral mais inteligentes do que os rapazes – gostam tanto dessa experiência quanto eles e chegam em quantidade equivalente. Todas muito meninas, tanto quanto os rapazes (embora alguns exibam vastas cabeleiras e barbas, conquistadas a custo durante seus primeiros anos de curso universitário em humanidades).

Com algum tempo vão aprender também que barbas e cabelos longos tem benefícios e desvantagens. Se estiver sendo atacado por insetos ou sob um sol de rachar mamona a barba e o cabelo vão te proteger e diminuir a área exposta. Por outro lado, o calor será maior e se trombar com um cacho de formigas, carrapatos, micuins ou qualquer coisa que entranhe em seus pelos se arrependerá amargamente de não ter raspado até o último fio do seu corpo.

Pergunto a um deles: O que te fez buscar a arqueologia?

“Nenhuma outra atividade me ofereceria a oportunidade de conhecer lugares tão distantes sem ter de gastar nada, aprendendo e ainda ganhando alguma coisa. Além do mais os campos de arqueologia são o mais próximo que você terá de uma experiência comunitária com gente da sua idade.”

A verdade é que alguém que sobreviva aos dois primeiros anos da arqueologia tem grandes chances de se tornar um grande conhecedor do país e mesmo de lugares mais distantes, como América Latina, Oriente Médio, Grécia. E isso sem ter que depender dos recursos familiares.

Mas há sempre num acampamento de arqueólogos – ou mesmo numa pensãozinha pouco recomendável perdida no oco do mundo – muita gente que foi atraída pelos filmes de aventura. Tesouros, templos escondidos, canibais e coisas do tipo ainda povoam as cabecinhas juvenis de muitos que chegam as salas de aula de arqueologia, mas, mesmo depois de um ou dois semestres de aula, os sonhos não se dissipam totalmente. Nunca vi nenhum destes jovens não ficar absolutamente eufórico diante da escavação de uma urna funerária, de um enterramento. Sem contar os que se dedicam à arqueologia clássica, à egiptologia ou à subaquática, escavando navios afundados, resgatando “tesouros de pirata” (embora não possam ficar com um dobrãozinho sequer).

Eles levantam de manhã, por volta das seis da matina, põem roupa surrada, tomam café, passam protetor nas partes expostas, arruma ma roupa de modo a não deixar espaço para insetos entrarem, tomam um banho de repelente, arrumam a mochila, preparam o lanche, conferem o equipamento pessoal, as anotações, metem o chapéu na cabeça e vão para o transporte coletivo, em geral uma Kombi caindo aos pedaços. Muito tempo sacolejando até o ponto mais próximo da escavação, dividindo espaço com trabalhadores braçais contratados na região, para fazerem o esforço mais bruto. Chegam ao lugar, e então mais uma longa caminhada, que pode durar até hora ou mais. Por volta das oito ou nove da manhã estão finalmente escavando.

Depois de algum tempo cada um está ensimesmado em sua tarefa. No ouvido os fones tocando em geral heavy metal, um ou outro com um gosto musical mais alternativo, MPB, música etnica, Banda Calypso, já ouvi de tudo nos fones de companheiros.

Mas há sempre os hiperativos.

Daniel, turismólogo de formação abandonou a carreira de preparação de viagens para se meter no meio do mato. Mineiro do sul, de sotaque curioso, pula de um lado para outro nas escavações. Barbudo, cabeludo, sempre de macacão, pula numa trincheira, anota algo, pula pra fora, corre atrás de uma trena, bate uma foto da escavação, faz anotações, corre e comenta algo com o chefe de campo, pula de novo pra dentro da trincheira e vai assim até o horário do almoço, quando para por vinte minutos para rapidamente engolir seu sanduíche.

Se deu bem na arqueologia, passa suas temporadas, apesar de ainda não ser um “arqueólogo ao pé da letra”, entre o Chile, Estados Unidos e os sertões do Brasil, apesar da ausência do diploma (o que o impossibilita de “assinar” os relatórios de campo) é bastante respeitado na tribo.

Há outros, como Levi, de família judaica que sabe lá Deus porque veio parar na arqueologia, embora seja um caso que poderíamos chamar de “vocação”. Desde pequeno fantasiava com escavações milagrosas. Depois rodou a Europa, América Latina e foi parar nos Estados Unidos. Levi é “low profile” no trabalho, embora seja o tipo esquentado, do que dá uma cadeirada na cabeça de um caboclo que tenha lhe ofendido num bailão no centro oeste. Além do mais é fã incondicional de todo tipo de música tida como “brega”. Seu MP3 nunca é disputado pelos demais (talvez seja uma estratégia dele).

Gilberto, por outro lado, é um caso especial. Morador de Carapicuiba em São Paulo, negro, se tornou um especialista em Grécia do período clássico, lê grego e latim, fala fluentemente francês, inglês, espanhol e grego moderno. É um lorde inglês que venceu todas as apostas contrárias que a vida fez a seu respeito. Esteve na Grécia mais vezes do que a maioria dos classicistas de sua idade – e muitos até bem mais velhos.

Mas, curiosamente, essa massa disforme de personalidades convive – nem sempre pacificamente – numa escavação. E sem contar com os que acabaram de chegar e tem a nítida impressão de que foram embarcados por engano num Navio Pirata, cheio de gente mal encarada, suja e falando um dialeto próprio cheio de brincadeiras particulares, extraídas de episódios lendários compartilhados pela tribo.

Por incrível que pareça esta turba de gente estranha está ali para fazer ciência, embora quase nenhum tenha a principio partido para esta vida para “fazer ciência”. A ciência é uma consequência de uma escolha de “estilo de vida”, o que se assemelha, em verdade, muito ao mundo dos alpinistas. Ninguém vai se tornar alpinista por que quer desenvolver novas técnicas, novos equipamentos, mas porque quer abraçar uma “idéia” a respeito da vida.

E tanto quanto a escalada a pratica de campo na arqueologia pode se tornar um vício, capaz de destruir relações pessoais, de criar problemas sérios de ordem psicologica e social, mas são casos extremos.

Mas, ainda assim, verá, no final do dia, aqueles mesmos sujeitos, ainda mais sujos, mais cansados, mais barbudos e cabeludos, mais estropiados voltarem também mais felizes em Kombis precárias para seu alojamento, alimentar o anedotário arqueológico e as lendas da tribo.

 

Autor: indianasilva - Categoria(s): Arqueologia, Carreira e história Tags: , , ,
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