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01/12/2008 - 19:48

Feliz Natal…o filme

Capa do filme Feliz Natal

Feliz Natal…

Por enquanto, ao menos até o dia 25, é o nome de um filme fantástico, um dos mais belos que vi nos últimos tempos.

Em 1914 eclodiu a Primeira Guerra Mundial colocando em lados opostos austríacos e alemães de um lado, ingleses e franceses de outro. Mesmo com ingleses e franceses sendo adversários históricos, curiosamente, nas duas guerra mundiais (ou na Grande Guerra – 1914 a 1945, de acordo com alguns historiadores) eles lutaram lado a lado.

Mas o mundo, no final do ano de 1914, ainda era o mundo do século XIX, das antigas convenções, das antigas etiquetas e da antiga guerra, muito diferente do que apareceria depois.

Apesar de toda guerra ser brutal, até 1914 um código de conduta quase cavalheiresco imperava nos exércitos. Estar nos exércitos, ao menos para os oficiais – muitos deles nobres – era uma honra e uma tradição secular familiar.

Nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, no final do ano de 1914, um fato que hoje soa quase surreal ocorreu entre os exércitos inimigos.

Na noite de natal o exércitos acordaram uma trégua festiva, afinal, como escreveu o historiador Jacques Le Goff, se há algo que pode ser identificado como fundador e unificador da cultura européia, este algo é o cristianismo.

Independentemente do lado que defendiam na guerra todos, ou quase todos, eram cristãos.

Durante a trégua os soldados de ambos os lados sairam das trincheiras para confraternizar com os adversários, com quem, até há pouco, trocavam balas. Cantaram canções natalinas, compartilharam o pouco que tinham, mostraram fotos de família.

No dia seguinte ainda disputaram partidas de futebol até que, lembrados pelos seus superiores – em seus quartéis generais aquecidos e perto de suas famílias – foram obrigados a voltar para a carnificina. A sequencia da história foi horrível e inaugurou a era da guerra total, na qual dizimar o adversário é sinônimo de vitória.

O filme Feliz Natal conta esta história de um modo sensível. É um filme de guerra contra a guerra, bem ao gosto dos europeus.

Sem grandes cenas de batalha, sem cenários gigantescos e sequências interminaveis de balas e explosões como O Resgate do soldado Ryan, Feliz Natal (Joyeux Nöel no original, produção de um monte de países) investe na qualidade da história e na sensibilidade do público. Lindo demais, e um ótimo filme para ver e perceber como os sentimentos podem ser tão contraditórios na vida.

  

Autor: indianasilva - Categoria(s): História contemporânea, História e cinema, Sem categoria Tags: , , ,

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