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29/11/2008 - 20:47

A Índia moderna e o terrorismo

Boa parte do mundo ficou chocada nesta semana com o conjunto de ataques realizados por extremistas islâmicos a cidade de Mumbai na Índia.

Para nós, brasileiros, os ataques na Índia dividiram espaço na mídia com a tragédia de Santa Catarina que, ao que tudo indica, está longe de acabar e não ficará sozinha, trazendo junto Rio de Janeiro e Espírito Santo.

 

A Índia – país, nação – é uma invenção absolutamente moderna e muito ligada a figura de Mahatma Gandhi. Quando fui ler pela primeira vez a respeito da Índia, há uns dez anos, a supresa inicial foi a de perceber que falar em Índia antiga fazia tanto sentido como falar em Grécia antiga.

 

Tanto uma quanto a outra, na realidade, eram formadas por inúmeras unidades autônomas. No caso do mundo grego eram as Cidade-Estados, na mundo hindú reinos e principados. Só que, para o caso indiano, há uma agravante ainda maior na sua complexidade histórica.

 

Enquanto o mundo grego era composto majoritariamente por uma etnia – não que não houvesse outras, mas de menor proporção e influência – no mundo indiano centenas de etnias disputavam espaço, compondo de modo diverso cada um dos reinos e principados. Além disso há o complexo sistema de castas do hinduismo que indica a posição, profissão, acesso que cada indivíduo tem na sociedade.

 

Para complicar ainda mais, nos séculos VII, VIII chegaram até ao sub-continente indiano os muçulmanos e, depois, os cristãos. Esse concerto de coisas pasosu a ter uma feição mais unitária quando os ingleses dominaram a Índia e durante séculos controlaram seus povos.

 

Obviamente que isso não justifica a presença inglesa na região, mas indica uma dos efeitos: o fortalecimento do sentimento nacionalista indiano. Em meados do século XIX grupos indianos se levantaram contra a dominação inglesa, mas foram dominados novamente.

 

Essa situação se estendeu até 1947 quando, no pós guerra, Mahatma Gandhi liderando a campanha de Desobediência Civil obteve a independência da Índia. Na campanha pela independêcia indiana, Gandhi concluiu que adotar os mesmos princípios do levante armado de um século antes seria um equívoco e convocou a população indiana a desrespeitar pacíficamente as normas, regras e leis impostas pelos britânicos (as quais chegavam ao limite de obrigar os indianos a comprarem sal inglês).

 

Depois de um longo processo a Inglaterra se retirou do “Vice Reino da Índia”, encerrando a “era de ouro” do colonialismo inglês (ao menos para os ingleses).

 

Entretanto na própria retirada inglesa a Índia rachou em duas, com o surgimento de um país para abrigar sua gigantesca população islâmica, o Paquistão. Vai daí que as relações entre os dois países jamais foi pacífica (sobretudo na disputa pela mineralmente rica região da Cashemira).

 

Tempos depois uma segunda disputa levou a ciraçao de Bangladesh, outra nação islâmica. Com estas disputas políticas acirradas – e depois animadas pelo belicismo atômico – islâmicos e hindus passaram a se hostilizar ainda mais. O crescente radicalismo islâmico no Afeganistão (fronteira com o Paquistão) deu refúgio, armas e treinamento para as investidas no Oaquistão e, agora, no coração da Índia.

 

Como se vê a situação é muito mais complicada e preocupante do que geralmente a população comum do ocidente costuma perceber. E, da mesma forma, isso nos indica que a solução através da força está longe de ser eficaz.    

Autor: indianasilva - Categoria(s): História contemporânea, História do oriente Tags: , , , ,

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2 comentários para “A Índia moderna e o terrorismo”

  1. Cristovam - Poconé Mato Grosso disse:

    Quanto mais velha a cultura, mais difícil a solução, por meios internos, quanto mais se misturam política e religião, mais complexo se tornam os problemas – os que vemos já é difício, imagine o que não vemos – Quanto mais tecnológico o país e servido por cultruas e religiões adversas, mais tempo demora a solução, seja ela pacífica ou armada.

  2. Tito disse:

    Cultura antiga, várias etinias, casta e sub-castas, sistema religioso copmplexo, armas atômicas, fanatismo e uma elite que não abre espaço para a grande maioria da população, só pode dar em MERDA.

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