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07/08/2008 - 08:38

Primeiro de Agosto de 1914, o início da 1 Guerra Mundial

A 1 de agosto de 1914 teve início o conflito armado mais traumático da história recente.

Muitos, e eu mesmo durante muto tempo, imaginam que a Segunda Guerra Mundial foi o evento bélico mais significativo e traumático da história contemporânea.

Esse imaginário se formou graças a diversos motivos: ao fato de ter o nazi-fascismo como inimigo direto, por causa do genocídio contra judeus, ciganos, etc, por conta do mundo pós Guerra dividido em dois gigantescos blocos.

Obviamente que ninguém está estabelecendo uma disputa entre qual foi o pior conflito da história, para os afetados – direta e indiretamente – por cada um dos conflitos isso é uma indignidade e um desrespeito com o sofrimento do outro.

Mas trata-se de uma mudança de parâmetro, de escala de conflito, de impacto sobre as populações.

Quando estourou a Primeira Guerra Mundial o mundo ocidental vinha do chamado “século burguês” ou da “era das luzes”. Após as revoluções burguesas no final do século XVIII e dos conflitos até meados do XIX, a Europa havia entrado em uma era de relativa estabilidade.

Mesmo os conflitos gerados pelo surgimento do movimento operário e do comunismo criavam conflitos locais e curtos, sem ameaçar a estabilidade a médio prazo.

Esse período foi marcado por uma constante revolução tecnológica, por uma certa arrogância científica no qual se ufanava dos feitos humanos. O luxo financiado com dinheiro da burguesia em expansão invadia os salões fazendo reviver quase o esplendor da nobreza antes das revoluções do final do século XVIII e começo do XIX.

A Guerra Frnco-Prussiana foi um prelúdio do que viria a partir de 1914, mas ninguém podia saber disso. Quando o assassinato do Arquiduque Frederico Ferdinando da Áustria-Hungria, em Sarajevo, precipitou os acontecimentos que fizeram eclodir a guerra apenas parte das pessoas tinha noção de como suas vidas, e o mundo, mudariam radicalmente.

Até o começo da Primeira Guerra Mundial os conflitos eram contados em dezenas, as vezes centenas de milhares de mortos, dessa vez eles seriam contados em milhões.

Cargas de cavalaria – de Hussardos – investiam contra tanques, grupos de guardas eram bombardeados por aviões ou queimavam sob efeito de gases mortíferos, invenções do tal “progresso científico” que fazia o orgulho da burguesia européia.

A Primeira Guerra Mundial foi um rito de passagem do mundo contemporâneo, foi a perda definitiva da inocência. Um estadista disse “as luzes da Europa se apagaram e não voltaremos a vê-las se acenderem nesta vida”. Estava certo.

Hoje cresce a adesão dos historiadores a interpretação que vê as duas Guerras Mundiais como um único conflito, separados por um armistício de duas décadas. Em verdade a Segunda Guerra Mundial tinha seus motivos em grande medida, mas não somente, ligados diretamente ao revanchismo das nações perdedoras do primeiro conflito, humilhadas e deixadas em situação precária pelos vencedores.

Recentemente foi lançado um filme sobre o primeiro natal passado nas trincheiras entre a França e a Alemanha na Primeira Guerra Mundial: “Feliz Natal” (Joyeux Nöel). Lindo, um dos melhores filmes que vi em alguns anos.

Naquele Natal de 1914 as tropas presas nas trincheiras saíram para confraternizar e realizar uma trégua natalina – o que foi verdade -, o filme aborda a guerra sem ser um “filme de guerra”, com muita sensibilidade e sem os maniqueísmos que geralmente imperam nos filmes de conflitos.

Para quem quiser dar uma olhada mais a fundo na história do conflito recomendo “História ilustrada da Primeira Guerra Mundial” de John Keegan, “A Sagração da Primavera” de Modris Eksteins e o acompanhamento jornalístico feito por Julio de Mesquita na Europa e editado há alguns anos em quatro volumes fartamente ilustrados.

Quem preferir romance pode ler “Nada de novo no front” de Erich Maria Remarque ou “Adeus às armas” de Ernst Hemingway, ambos maravilhosos.

Autor: indianasilva - Categoria(s): Direitos Humanos, História contemporânea Tags: , , , , ,

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