Restaurante | ida&volta
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14/01/2010 - 20:25

Feliz lugares de 2009 para repetir em 2010

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shifu
Comida chinesa no Chi-fu, meu restaurante favorito em Sampa

Primeiro era o fim do ano – correria, sabe como é  -, depois 2010 começou com tragédia de sobra (e consequentemente muito trabalho para a jornalista aqui). E assim vou indo de desculpa em desculpa e nunca apareço no ida&volta, nem que seja para desejar “feliz ano novo” antes que seja tarde.

E certamente é tarde para vir com mais uma listinha de 2009, mas azar, é com ela que eu vou recomeçar, de novo. E para isso tenho uma boa desculpa, porque escolhi 10 lugares que fui em São Paulo em 2009 e que não quero deixar de frequentar de jeito nenhum em 2010. Ou quem disse que mais do mesmo também não traz felicidade?

Chi-fu, na Liberdade
A melhor comida da China fora da China, com o melhor custo-benefício da vida. É uma confusão, a decoração é over e brega, as garçonetes quase não falam português, o cardápio tem erros, a conta vem em chinês (de verdade!), mas não tem como não sair muito satisfeito de lá pagando em torno de R$ 40 por pessoa. Dica: o programa é do tipo “quanto mais gente, melhor”, para poder experimentar vários pratos e não ter que dividir um dos mesões redondos com clientes desconhecidos.
Onde fica: Praça Carlos Gomes, 168

Mercearia São Pedro, na Vila Madalena
O boteco mais diferente dos botecos da Vila. Não porque é disputadíssimo, principalmente no verão, nem porque tem o melhor atendimento (pelo contrário, como no Chi-fu, a coisa também fica bem confusa por lá), nem porque a cerveja vem bem gelada e até uma certa hora os garçons passam com bandejas de pastel de carne, palmito, queijo e carne seca maravilhosos, por R$ 3 cada.  Mas o bar que também é  uma mercearia, locadora de filmes e livraria tem um baita astral descontraído, meio alernativo, sem ser metido.
Onde fica: Rua Rodésia, 34

Filial, na Vila Madalena
Neste caso, o atrativo é que o boteco é bem parecido com vários outros da Vila, arrumadinho, com um chão quadriculado e caricaturas de músicos das antigas nas paredes. Os garçons são muito ágeis e não deixam faltar chopp na mesa, e o cardápio é cheio de petiscos típicos e gostosos, como bolinho de arroz e caldinho de feijão, meus preferidos.  O destaque vai para o chopp escuro mais bem tirado da cidade, espumoso, quase com gosto de chocolate.
Onde fica: Rua Fidalga, 254

Rua João Cachoeira, no Itaim Bibi
Tem coisa melhor que uma rua de comércio de roupinhas, bijuterias, coisas para casa, artigos infantis, bem pertinho de casa com preços tri amigáveis? Pois é, na terra do shopping center, eu sou muito mais o shopping a céu aberto (como diz uma placa na calçada) da João Cachoeira.

Madureira Sucos, no Itaim Bibi
Entre as lojas da João Cachoeira, está o meu lugar natureba de coração. Tem sucos e sanduíches dos mais variados e decoração praiana para nenhuma padaria do Rio botar defeito. No segundo andar, ainda tem um mesão que pode ser compartilhado, super astral, para ficar ali lendo jornal e passando o tempo.
Onde fica: Rua João Cachoeira, 217

Beth, Cozinha de Estar, no Itaim Bibi
O bistrô também entra na categoria “perto da minha casa”, mas vale o deslocamento mesmo para quem mora em outros bairros. A casa oferece um cardápio com alguns pratos fixos por dia, como a feijoada (a melhor que comi em São Paulo) nas quartas e sábados, e outras variações especialíssimas da Beth, que comanda a cozinha e serve o buffet diferenciado para os clientes, sempre simpática e prestativa.
Onde fica: Pedroso Alvarenga, 1061

Cinema Frei Caneca, na Consolação
Não é a melhor sala da cidade (as do Bourbon Pompéia e do Belas Artes são bem mais confortáveis, só para citar dois exemplos), mas a programação variada, a localização central e perto da Paulista, e o desconto para correntistas do Unibanco fazem com que seja o que mais frequento.
Onde fica: No shopping Frei Caneca, na Rua Frei Caneca, 569

Astronete, na Consolação
Quando se está por fora de qual é a melhor festa da cidade, o inferninho Astronete sempre é uma boa opção para dançar sem medo de cair numa balada de música eletrônica (não adianta, eu não sou moderna) ou de playboy. Nem muito grande, nem muito pequeno, tem bons Djs, drinks bacanas e chopp Guiness e Erdinger que ajudam na animação.
Onde fica: Rua Matias Aires, 183

Estúdio SP
Lugar muuito legal para shows dançantes, mas tudo depende da programação, claro. Para melhorar, fica na Augusta, que também podia entrar nesta lista de lugares “so fun” para ir sempre.
Onde fica: Rua Augusta, 591

Livraria Cultura, na Bela Vista
Uma passadinha na Cultura em qualquer lugar sempre faz bem, mas se for no Conjunto Nacional, na Paulista, antes ou depois de ir a algum dos cinemas da região, melhor ainda.
Onde fica: Avenida Paulista, 2073

***

Em tempo: feliz 2010 para todos nós! De minha parte, espero, além de voltar a estes lugares, conhecer novos e bacanas para continuar com assunto para escrever por aqui.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Turista em São Paulo, Vivendo em São Paulo Tags: , , , , , , , , , , ,
26/10/2009 - 03:14

Drink Blow

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O post que eu pensei (mas não escrevi) no início da madrugada de sábado, quando cheguei em casa vinda do restaurante bacana Skye, teria sido bem mais divertido do que o que vai sair agora. A noite de sexta-feira tinha sido ótima, na companhia  das amigas queridas Cacá e Rita Chang e Léo Camargo, na cobertura do hotel também bacana Unique.  Acontece que na noite de sábado, depois de fazer outros programas legais, eu sofri um assalto (tá tudo bem, ficaram os dedos), e ainda não tô conseguindo abstrair o baixo astral pelo ocorrido para descrever a experiência como a senti e como mereceria ser contada.

tati skyeProvavelmente, abusaria de adjetivos e pontos de exclamação para falar da vista bacana que se tem do parque Ibirapuera e de boa parte de São Paulo lá de cima. Talvez  arriscaria algum comentário sobre o ambiente descolado, que tem uma parte fechada e outra aberta, cercada por vidros que criam uma sensação de aconchego em relação à cidadona que tá lá embaixo (além de amenizar o vento). Empolgada porque tínhamos uma novidade boa para comemorar, porque a noite tava linda e porque era sexta-feira, eu falaria ainda bebinha dos drinks maravilhosos que a gente experimentou (diante de uma variedade enorme no cardápio, cada uma escolheu um) e escreveria aqui a receita do melhor da noite.

blow

Mas como anotei os ingredientes, copiados do cardápio (para a vergonha da Léo!), numa moleskine que se foi junto com a minha bolsa, vou ter que me contentar em postar o registro fotográfico e o nome do drink (que assim como o gosto delicioso, meu mau humor não conseguiu apagar da memória). É o Blow. Bem mulherzinha. Bem bom.

Onde fica o Skye:

Rua Brigadeiro Luís Antônio, 4700
São Paulo – SP

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Turista em São Paulo, Vivendo em São Paulo Tags: , ,
06/05/2009 - 15:51

Arquitetura e polpettone no Higienópolis

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Back in 2001, me achando com os amigos Lê e Fer no edifício Bretagne, no bairro Higienópolis, SP

Quando bateu inveja na Cássia do meu encontro com o Riq Freire em São Paulo, eu prometi que ia tirar uma foto e mostrar para ela. Fiquei tão entretida com o bom papo que não tirei, e também não tirei nada muito publicável do nosso passeio a pé por Higienópolis.

Pena, porque o bairro é muito gostoso, arborizado, ainda com prédios antigões e estilosos da década de 60, 70 (e não os horrendos+modernos+janelas minúsculas+padrão+São Paulo). Tem até um shopping bonito onde as pessoas passeiam com cachorros, o Pátio Higienópolis, o que é raro, éounãoé? E pena também porque o Riq me levou no Jardim de Napoli para comer (sim, os programas em SP sempre incluem comida) o famoso polpettone, que ficaria muito bem na foto aqui.

A receita inventada pelo atual dono da cantina Antonio Buonerba, filho do imigrante italiano Francesco Buonerba que começou o negócio familiar em 1949 vendendo pizzas para os vizinhos, é mantida em segredo, mas como bem definiu o Riq, é uma covardia, porque tem muita coisa boa num prato só: bolo de carne frito e achatado, recheio de queijo mozzarella e molho de tomate em cima. #Prontofiqueicomfome

Onde fica

Rua Dr. Martinico Prado, 463, e no Shopping Higienópolis, na Avenida Higienópolis, 618, 2º piso, onde só são servidos os polpettones num esquema fastfood.

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Para não dizer que não falei de fotos, ilustro este post com cliques feitos em 2001 no edifício Bretagne, uma construção de 1959 que chegou a ser ponto turístico na cidade projetada pelo arquiteto de fato (mas não propriamente formado) João Artacho Jurado. O meu amigo chique Lê Bier morou no condomínio localizado no número 938 da Avenida Higienópolis – uma das paradas do meu passeio com o Riq -, considerado o primeiro em São Paulo com opções de lazer para moradores dentro do prédio. Tem “até piscina”, veja só, e a festa de inauguração contou com a presença do ator Roy Rogers e da então miss Estados Unidos. Muito tempo depois, não pude deixar de registrar minha presença no cenário cinematográfico!

Nas redondezas, pelo menos outros dois edifícios do mesmo arquiteto são clássicos e valem um olhar atento: o Cinderela, na Rua Maranhão, 163 (esquina com Rua Sabará), e o Parque das Hortênsias, na Avenida Angélica, 1106.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Turista em São Paulo Tags: , , ,
06/05/2009 - 01:27

Mais no Bom Retiro: comida grega da boas

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Mais de 10 dias de silêncio depois e eu volto aqui com um papo Bom Retiro de novo. Azar, só de lembrar da comida grega que comi no meu último dia em São Paulo me deu fome. Sim, a Léo, a anfitriã gaúcha mais paulista que eu conheço (a moça esqueceu de falar “tu” no primeiro dia por lá) não achou suficiente que eu experimentasse as burekas búlgaras e me levou no domingão retrasado para conhecer o tradicional Acrópoles.

O restaurante inaugurado em 1959 é uma salona vertical, com as mesas dispostas bem pertinho umas das outras e espaço para um corredor no meio, sem janelas, barulhento, bagunçado. Quase um pé-sujo ou roots, como se diria por aqui. Na porta, a recepção é feita pelo simpático – e aos 90 anos, já um pouco atrapalhado – Thrassyvoulos Petrakis. O seu Trasso comanda o espetáculo anotando nomes para a lista de espera e algumas vezes confundindo a ordem dos clientes também, enquanto ordena aos demais:

 - Espera.

Esperamos e entramos, onde hoje o filho do proprietário já é dono do campinho. Nas paredes, entre colunas de gesso na cor azul, fotos amareladas de paisagens conhecidas gregas e garrafas de azeite de oliva, recortes de reportagens elogiosas ao grego mais popular de Sampa garantem que o que vem pela frente é bom.

Seguindo as dicas da Léo pedi a entrada deliciosa (e abri mão da salada grega com um certo pesar) com pão (não grego, é preciso que se diga), polvo a vinagrete, cebola, azeitonas e pastinhas variadas.

Na hora do prato principal, o pedido é feito direto na cozinha, no fundão. Matei a saudade de comer a moussaka, um prato de berinjela, carne e batata. A Léo foi em outro tradicional da casa, o carneiro assado à moda grega.

 

Ambas comemos demais e mesmo assim deixamos comida no prato. A conta não chega a ser barata, em torno de R$ 55 por pessoa. “Mas meu, de verdade”, como diria a falante da língua paulistana Léo, saímos de lá satisfeitíssimas.

 
Onde fica no Bom Retiro
Rua da Graça, 364

Onde fica no Jardins
50 anos depois da inauguração, o Acrópoles ganhou uma filial. As filhas do seu Trasso abriram uma casa com o mesmo cardápio, mas não exatamente o mesmo preço, na R. Haddock Lobo, 885, também em SP.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Turista em São Paulo Tags: , , ,
22/04/2009 - 11:55

Bom Retiro também é bom para comer bureka

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Cheguei aos tradicionais folhados típicos da Bulgária ao tentar experimentar outra tradição, o restaurante judeu Shoshi Delishop (Rua Correia de Mello, 206). Queria lanchar e, indecisa com o cardápio, pedi uma ajuda à proprietária da casa, que – muito enfática – me disse não fazer lanches e que eu deveria ir ao restaurante de burekas do filho dela. A senhora inclusive mandou uma funcionária me guiar e foi tão firme e determinada no conselho, que achei melhor obedecer. Valeu a pena.

Não consigo passar por São Paulo sem fazer uma visita básica ao bairro Bom Retiro, o paraíso para compras de roupinhas baratas. Repeti o programa sexta-feira, mas não repetirei o post que escrevi no ano passado e continua valendo aqui. Vou apenas fazer um adendo para uma descoberta chamada bureka.

A algumas quadras, estava a Casa Búlgara (Rua Silva Pinto, 356), onde se servem as tais burekas, bem quentinhas, acompanhadas por um molho de pimenta verde saboroso. São salgados folhados com diferentes recheios – queijo, batata (os mais tradicionais), carne, carne com berinjela, gorgonzola, espinafre, frango e até chocolate. Cada uma por R$ 2. O lanche perfeito para uma pausa nas compras.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Turista em São Paulo Tags: , ,
13/04/2009 - 00:36

Feliz Páscoa em Gramado

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Eu bem que tentei conhecer o novo e moderno Zoo de Gramado nesta Páscoa. O passeio estava na programação do feriado entre amigos desde antes da viagem, mas passou de sexta para sábado, para domingo e definitivamente para uma próxima ida à serra gaúcha. A visita aos bichinhos da fauna brasileira acabou substituída por programas gastronômicos e por dar tempo à preguiiiça (não necessariamente nesta ordem). Dá uma olhada no roteiro e diz se eu preciso me arrepender?


No restaurante Colina Verde, vista linda e bolinhos de aipim deliciosos

1 - Sexta perto do meio-dia, a subida para a Serra a partir de Porto Alegre deu-se pelo caminho mais longo - a BR-116, Via Nova Petrópolis - mas também mais bonito e onde está o indicadíssimo Colina Verde. A comida é colonial (diz o Guia Quatro Rodas que é a melhor do Brasil) e o cardápio mistura pratos alemães e italianos. Na sexta santa, tinha mais peixe do que normalmente, mas não faltaram os tradicionais matambre recheado, carne de porco e a linguiça alemã, para os menos católicos. Da mesa cheia, o que mais gostei foi do pão da entrada (parecia de batata), do bolinho de aipim e da linda vista do alto da colina. 

2 – A noite foi dedicada à tradição: bacalhau feito em casa pelo Sérgio. Delicioso. 

3 – Sábado começou com café da manhã na rua principal de Gramado (a Borges de Medeiros), seguido por compras de chocolates. Da Planalto, saí com uma sacola cheia (a maioria para dar de presente, registre-se) e essas fotos da fábrica de chocolate que fica no segundo andar da loja:

chocolate

4 – Quase as três da tarde, o Romanus (que é parente do Baumbach, em Porto Alegre), com comida suíça e alemã novamente, foi escolhido para o almoço. Meu destaque vai para a batata suíça, cuja receita o garçom me assoprou. É mais ou menos isso:

Cozinhar as batatas com casca, de preferência vermelhas, até subir a fervura;
Rerservar na geladeira até o outro dia para pegar consistência;
Descascar e ralar as batatas;
Preparar em uma frigideira com manteiga (do mesmo jeito que se faz omelete) e acompanhamentos a gosto (bacon, cebola, queijo etc). 

5 - Em casa, janta do Sérgio de novo: galinhada e salada de batata com bacalhau. De sobremesa, chocolates. 

6 – Domingo, para ameninzar, teve um almoço mais leve, em um restaurante com buffet por quilo, mas a despedida foi com uma para lá de respeitável apfelstrudel da Leckerhaus.

Tá bom ou quer mais? Feliz Páscoa, by the way.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Gramado Tags: , , ,
14/10/2008 - 03:55

Entrada: Polpos galegos

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Polvo servido no La Peneda, em A Coruña

Em madrugada de pouco sono, pelo menos eu me divirto escrevendo e lembrando de comida boa. Os polvos acima são os famosos polpos galegos, deliciosos. Os da foto foram servidos de entrada no restaurante La Peneda, em A Coruña, onde além de bolinhos de peixe, empanadas, foi servido “ternera” de prato principal (carne que aqui chamamos de vitela). O restaurante fica no número 12 da Praça Maria Pia, denominada assim em homenagem a uma grande heroína que liderou batalha contra ingleses e protegeu a cidade no século XVI. Na porta do restaurante, tinha uma placa de recomendação do Michelin.

Para quem não for até lá e quiser se arriscar, o polvo galego deve ser cozido com sal, pimentão e azeite e é servido sobre um prato de madeira. Pode ser acompanhado de batatas cozidas na mesma panela e páprica a gosto.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): A Coruña Tags: , , , ,
15/07/2008 - 03:18

O Pato de Pequim

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Ainda estava na China quando a Cacá chinesa e colaboradora do Cookies me pediu mais posts sobre comida. Demorou, mas resolvi relembrar o pato laqueado que provei logo no segundo dia em Pequim. O pato é o prato mais famoso (e também turístico) da cidade, e talvez até da China. Vi muitos restaurantes em todo o país com letreiros chamativos com letras que eu entendia oferecendo o tal pato, mas a Jana não deixou por pouco e me levou no mais famoso (e conhecido como o melhor) pato de Pequim. É o Quan Ju De Roast Duck (Hepingmen Dajie, Xuanwu District – Tel: 86-10-6552 3745), que têm seis filiais na cidade e, além de servir o prato tradicional, é um bom exemplo de um tipo de estabelecimento de comida, como traduziriam em Macau, bem comum na China. Grande, com vários salões (alguns reservados para grupos) distribuídos em diferentes andares onde há mesas redondas e também grandes, é cheio de ornamentos e enfeites misturando o dourado com cores fortes, que eu poderia chamar tranqüilamente de brega, mas que no contexto forma uma estética interessante e, digamos, bem chinesa.

E o pato? Veio laminado e laqueado para uma mesa auxiliar a que estávamos sentadas, inteiro, na companhia de um cozinheiro, que foi responsável por desfiar o bicho – tenro por dentro, mas com uma crosta brilhosa e crocante por fora – na nossa frente. Com a ajuda das garçonetes, aprendemos a fechar as panquecas bem fininhas e deliciosas que foram servidas junto e que devem ser dobradas com todo um jeito chinês, para então comê-las com o pato, um molhinho agridoce maravilhoso e cebolinha verde dentro.

Pato de Pequim - Restaurante Quan Ju De Roast Duck

A Jana, que já havia estado lá com colegas chineses, ainda pediu acompanhamentos que só quem mora na China conhece. Entre os que mais gostei estavam o coração de pato e um prato com cogumelos e amêndoas. Infelizmente, não saberia pedir novamente ou indicar por aqui como fazê-lo.

Acompanhamentos do pato de Pequim - Restaurante Quan Ju De Roast Duck

A brincadeira toda não é das mais baratas que a China oferece. Uma refeição – muito farta, é preciso dizer – sai por pelo menos 200 yuans (em torno de US$ 28). Não chega a ser um absurdo, mas é possível se comer muito bem por lá por pouco e a gente acaba se acostumando mal.

Prato imperial

- Pesquisando um pouco sobre o pato laqueado, descobri que é um prato de origem imperial. Ou seja, era a comida preferida dos nobres há pelo menos 700 anos e até a metade do século XIX só podia ser apreciada por eles.

- Tradicionalmente, o pato é preparado num fogão à lenha, com madeira de árvores frutíferas e coberto por uma camada de molho doce.

- O Quan Ju De começou a funcionar em 1864, na Dinastia Qing (1644-1911), perto de Qian Men, antiga entrada da cidade Proibida. Em 1993, tornou-se uma empresa e desde o ano passado abriu seu capital na Bolsa de Valores de Shenzen (sul da China). Atualmente, tem nove filiais na China e 61 franquias, incluindo cinco em países estrangeiros.

- Nos corredores do Quan Ju De é possível perceber que a tradição da comida de ligação com o poder se mantém no restaurante. Autógrafos e fotos das mais importantes autoridades da China e do mundo atuais e históricas estão expostas. Curiosamente, também a história brasileira está ligada ao pato de Pequim. A candidatura de Fernando Collor de Melo à presidência foi decidida em Pequim em dezembro de 1987, num jantar com pato. Infelizmente, não consegui confirmar se a refeição ocorreu neste mesmo restaurante.

Pato em Porto Alegre

Não é preciso ir até a China para comer um pato laqueado que perde pouco para o de Pequim. Como bem a Cacá já tinha me avisado, o pato do restaurante You-yi, em Porto Alegre, tem o mesmo padrão. Só que já é servido cortado na mesa.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim Tags: , , , ,
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