Terremoto Na China | ida&volta
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Arquivo da Categoria Terremoto na China

15/07/2008 - 00:16

A viagem para a China da minha mãe

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Mãe e filha na Muralha da China

A minha mãe, a Irmgard Klix, já apareceu aqui no ida&volta algumas vezes. Primeiro,  contribuiu com uma série de posts sobre o tour que fez pela América Latina até Machu Picchu. Depois, foi citada nos relatos da nossa viagem para a China. Agora, ela volta a escrever sobre impressões e sentimentos que teve nesta que foi uma experiência para lá de surpreendente e marcante. Aproveito a introdução do belo texto que vem a seguir para reparar um descuido meu. Mesmo tendo contado várias das passagens que tivemos juntas na China, não havia escrito com propriedade o quão maravilhoso foi tê-la por perto e como me sinto feliz por ter uma mãe tão companheira até para interromper as férias e ir ao encontro de uma tragédia. É a melhor do mundo, viu?

Viajar para a China, por Irmgard Klix

Bem, viajar é algo que aprendi com meus pais e ensinei a meus filhos. Numa visão evolucionista, podemos dizer que a cada geração há o aprimoramento desta questão, pois hoje tenho uma filha que se transformou numa verdadeira viajante.

Quando jovem eu lia bastante sobre a China nos livros da Pearl Buck, nos sobre a história do comunismo chinês iniciado a partir da longa caminhada de Mao Tze Tung, sobre Confúcio, Marco Pólo etc etc e de uma forma não muito  precisa sempre imaginei um dia  conhecer o país.

A oportunidade se apresentou de forma concreta quando a Janaína Silveira, amiga e colega de profissão da Tatiana, foi residir temporariamente em Beijing, oportunizando-nos a possibilidade de a visitarmos sem nos sentirmos somente turistas, mas um pouco participantes do dia-a-dia. Decisão tomada, embarcamos rumo à China e pudemos efetivamente ver, sentir e viver muitas realidades desse país onde tudo é gigantesco, desde a área até o número de habitantes.

Quem acompanha os blogs das duas jornalistas sabe de algumas histórias de nossa estada por lá, mas quero relatar um pouco da minha experiência pessoal na passagem pela área do terremoto. Tenho dito para as pessoas que não basta viajar para China para ter emoções fortes, mas é necessário estar acompanhada de duas jornalistas e haver um terremoto para  elevarmos à enésima potência  o contato com o diferente, o inusitado  e o que há de mais humano em qualquer civilização.

Quando decidimos ir para a área de terremoto deixamos de ser turistas para então nos colocarmos como pessoas envolvidas numa tragédia que atingiu milhares de pessoas naquilo que há de mais trágico, que vai desde a perda de documentos, objetos, pessoas, casas, entes queridos até a vida. Os aspectos emocionais envolvidos numa tragédia como esta são os mais infinitos e os medos a que somos submetidos em situações extremas nos colocam diante da finitude do ser humano – tão presente mas tão negada por nós humanos.

Os after-schoks (pequenos tremores de acomodação da placa tectônica) que se sucedem a um terremoto da magnitude deste que ocorreu em 12.05.08 chegam aos milhares e, num deles que nem foi tão pequeno – algo em torno de 5,6 na escala Richter -, eu estava no sétimo andar de um prédio de apartamentos em Chengdu. Acompanhava uma moradora de origem espanhola que estava em pânico, sem condições de permanecer em sua casa e buscávamos roupas e documentos para acomodá-la em outro local onde se sentisse mais segura. Para mim foi uma experiência extrema, pois realmente senti medo que o prédio desabasse, mas precisei lidar com o forte pânico da pessoa que eu estava acompanhando.

A China para mim, além de ser um país de belas paisagens, de uma civilização absolutamente diferente da nossa, de uma espiritualidade centrada no crescimento interno de cada um, de muita comida gostosa com temperos exóticos e muito aromáticos, de pessoas e instituições muito controladoras, de uma língua muito complexa, de um nacionalismo exacerbado é também composta de um povo que responde com muita solidariedade, trabalho árduo e humanidade quando se faz necessário, como no caso do terremoto que atingiu milhares de pessoas.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Terremoto na China, eu viajante Tags: , ,
22/05/2008 - 16:54

Telões também passam o terremoto em Pequim

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No fim do último dia em Pequim e na China, fui fazer as derradeiras compras na Wangfujing. Lá fica a feirinha onde tem os bichinhos estranhos de que já falei por aqui, mas também tem muitas lojas, shoppings e gente. Aliás, nas cidades chinesas que conheci sempre tem muita gente e muita loja, além de muita comida à disposição. Mesmo fazendo turismo, a sombra do terremoto que não abandona o país também não deixa que eu fique alienada a ele. Nesta região, há dois grandes telões na rua, que obviamente estavam passando o noticiário com imagens das vítimas, dos resgates e de políticos chineses falando e socorrendo o povo.

E o que faziam as pessoas que pela área circulavam? Paravam e assistiam com toda a atencão do mundo a tudo que a televisão tinha para mostrar.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim, Terremoto na China Tags: , ,
19/05/2008 - 22:50

Elogio recompensador

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Recebi muitos elogios pelo trabalho realizado aqui na China, e todos eles me deixaram muito satisfeita, além de serem um incentivo para continuar. Teve um, no entanto, que me deixou emocionada (chorei, inclusive, ao recebê-lo na última madrugada em Chengdu). Por isso pedi e recebi a autorização para publicá-lo por aqui:

Tenho olhado o que colocas no teu blog, mas agora quero te dar os meus parabéns pelas matérias que tens escrito desde esse cenário trágico na China. Fico arrepiado de orgulho por poder dizer “essa jornalista internacional (guria) é a melhor amiga da minha filha e me trata por TIO”. O que acho de maior valor nas tua escritas é a visão da essência do povo chinês. Pinçar as coisas boas de um povo  no meio das desgraças, sem explorar os aspectos que normalmente as mídias costumam focar. Parabéns pela sensibilidade.

Além do trabalho notável que estás fazendo, torço para que essa experiência te traga uma ampliação na visão do que é a vida na realidade e que o trabalho realizado te traga dividendos profissionais.

O elogio é do James, pai da Cacá, minha amiga chinesa de quem já falei por aqui. Se ninguém mais tivesse dito nada, com o depoimento dele teria valido a pena fazer esta cobertura. O que está escrito ali em cima é o que busquei o tempo todo e ter este retorno de um chinês é muito mais do que poderia esperar.

Obrigada, tio James.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Sem categoria, Terremoto na China Tags: ,
19/05/2008 - 21:58

Silêncio, buzinaço e nacionalismo pelas vítimas

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Ficou todo mundo quieto na muralha às 14h28

Uma semana depois do terremoto, a comoção da China só aumenta. Ontem (segunda), às 14h28, como a Jana havia postado, a população do país inteiro parou e silenciou, enquanto motoristas de carros fizeram um buzinaço. Tentando voltar ao ritmo férias, estava perto de Pequim neste horário conhecendo a muralha da China, o maior símbolo do país (ainda bem que esse passeio eu não perdi!). Foi lá que vi turistas (a maioria do próprio país), que estavam se divertindo – e como é legal ver como o povo chinês gosta da muralha – parar por três minutos em homenagem às vítimas do terremoto da segunda-feira passada, enquanto se ouvia o barulho das buzinas lá de baixo.

A homenagem foi incentivada pelo governo chinês, que decretou luto de três dias e proibiu todas as manifestações de entretenimento (shows, festas, jogos de computador e até filmes na TV) no país. Por conta disso, as únicas imagens que passam constantemente na televisão são as da tragédia e todos são obrigados realmente a entrar no clima de consternação.

À noite, fui jantar num restaurante de comida típica de Xinjiang, região muçulmana da China (e também separatista, como o Tibet). Ao chegar, fomos logo avisadas de que não haveria show, porque a China passa por um período difícil.

Não me surpreende as pessoas se mobilizarem – e a manifestação foi realmente muito bonita e emocionante -, mas a proibição e o uso das manifestações politicamente correm o risco de se tornarem um desrespeito às vítimas. O que se vê aqui agora, além de um país em luto, é um país em clima de nacionalismo, cultivando um sentimento de que a China está se unindo pelos chineses e faz isso melhor do que outros povos fariam – tanto é que voluntários estrangeiros não são permitidos. Triste saber que até na tragédia conseguimos ser tão pequenos.


Lá embaixo, todo mundo em pé pelas vítimas também

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim, Terremoto na China Tags: , ,
17/05/2008 - 10:08

Voltando aos poucos

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Cansaço para deixar Chengdu

Hoje pela manhã, depois de virar a noite para fechar o material para ZH e clicRBS, deixei Chengdu. Antes de partir, mais um um banho de realidade. O aeroporto estava completamente lotado, com chineses aguardando vôos – muito deles atrasados – e um intenso fluxo aéreo. A impressão que dava era de que muitos ali (o que acabou se confirmando no meu vôo) nunca tinham entrado em uma avião e estavam deixando Chengdu por não terem mais onde ficar.

Agora estou de volta a Pequim, na casa da Jana e da Paula, o que a essas alturas está com jeito de casa para mim também. Não vou mais acompanhar a tragédia e o noticiário na China com a mesma intensidade e espero aproveitar um pouquinho do fim das férias até embarcar quarta-feira para o Brasil. Ainda tenho muita coisa para contar e pretendo fazê-lo em outro ritmo por aqui. Os três dias que estive em Chengdu foram muito intensos e só com o tempo vou ter condições de avaliar tudo o que observei e senti. Espero que o relato até agora já tenha sido interessante para os leitores deste blog, que aos poucos voltará a falar de viagens menos conturbadas.

Aproveito para agradecer todos os comentários aqui postados, principalmente os elogios! Não tive tempo de respondê-los, mas levei em conta todas as observações na produção do conteúdo.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Chengdu, Terremoto na China Tags: , , ,
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