O Parque Lage é aqui do lado

Em homenagem ao Rio, olímpico e sempre lindo, recomeço lembrando meu primeiro feriado de vida paulistana. Ou tem sentido se mudar para São Paulo e não aproveitar o fato de estar tão mais perto de lugares tropicais e sair daqui sempre que possível? Tipo, de Porto Alegre, ir ao Rio de Janeiro é uma baita Viagem, com merecida caixa alta. Passa por chulear uma promoção de passagem, emendar várias folgas ou tirar férias. Daqui, virou “uma viagenzinha pra Floripa”.
Pois lembrei do 9 de julho – quando me aventurei com a amiga Léo rumo ao Rio de carro e tudo – ao assistir (e me emocionar!) ao vídeo que tão bem vendeu a cidade maravilhosa para os gringos em Copenhague. É que lá pelas tantas, entre uma imagem incrível e outra (e eu me perguntando por que mesmo não escolhi viver lá) aparece o Parque Lage, que conheci num dia “do tipo não deu praia” no feriadão.
No vídeo aparece um frame do casarão, elegante, onde tem um lindo pátio, uma escola de arte e um café, o du Lage, o primeiro ponto explorado por nós no parque. Não era fim de semana, então não fizemos o programa tradicional e já me recomendado para o local – o café da manhã -, mas posso dizer que o almocinho na beira da piscina tornou a vida bem mais ou menos, para mais, claro.
A ideia era só fazer uma pausa com fins gastronômicos, antes de seguir rumo ao Instituto Moreira Salles, na Gávea, mas o programa acabou se arrastando pela tarde toda. Além dos limites do casarão, o Lage tem jardins típicos europeus, muita mata atlântica aos pés do Corcovado, uma gruta, um aquário construído com argamassa imitando pedra (meio caído, é preciso dizer), lagos, cachoeiras e trilhas que levam até o Cristo.

A disposição não era tanta, mas meio sem querer, na companhia de um guarda florestal que fez as vezes de guia, subimos um bom pedaço do morro, com a recompensa da vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas de um lado e de cachoeiras do outro. O mesmo guarda que nos adotou, seja por falta de serviço ou simpatia pelos nossos belos olhos castanhos, contou que no verão é comum turistas e moradores subirem pelas mesmas trilhas para fazer piquenique e se banhar nas quedas de água no meio do mato. Não era o caso para um dia quase nublado de julho, mas – extasiadas pela natureza – saímos de lá prometendo voltar com biquíni por baixo.

Onde fica: Rua Jardim Botânico, nº 414
Quando fica aberto o parque: todos os dias, das 7h às 17h
Quando fica aberto o café: de segunda a quinta, das 9h às 22h30, e de sexta a domingo, das 9h às 17h30





A começar pela comida, deliciosa, de fazer humm só de lembrar. Provamos o sanduíche de carne de pernil, bem molhadinho e saboroso, sanduíche de filé, bolinho de bacalhau, caldinho de feijão e -o melhor de todos – bolinho de aipim com camarão e catupiry. Tudo acompanhado de chopp, muito bem tirado, geladinho, que o Roni, o garçom que nos atendeu (na foto, à direita), não deixava faltar por nenhum minuto, mesmo que na hora de servir sempre derramasse um chorinho para o santo sobre o balcão. No fim, a boa notícia é que a conta deu só R$ 25 por cabeça! Para meu espanto, tava tudo registrado na nota, nenhum quitute e copo a mais ou menos, com direito a dois garotinhos por conta da casa. Tô até agora tentando entender como eles conseguem se organizar tão bem no meio de tanto burburinho.





Tatiana Klix