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Arquivo da Categoria Pequim

06/08/2008 - 01:46

City tour pela poluição de Pequim

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Estou adorando olhar o Jornal Nacional por esses dias pré-olímpicos. De toda a avalanche de conteúdo produzido na China, o que passa na tela da Globo em horário nobre é o que mais me agrada. É variado na apresentação dos temas esportivos e de curiosidades sobre o país e o povo chinês, é divertido sem ser preconceituoso e por vezes crítico em relação às polêmicas que envolvem os jogos, a China e o seu governo. Uma das questões apresentadas (não só pelo JN) está relacionada à poluição. O problema não é novo, pelo contrário, bem famoso em Pequim há algum tempo. Mesmo assim, antes de estar lá, não conseguia ter a dimensão que o ar infestado poderia atingir. Imaginei uma São Paulo, o que já seria uma baita dimensão. Mas que nada, em Pequim a gente sente a poluição na pele, nos olhos, no nariz, e termina o dia cansado dela – pobres atletas!

Para ilustrar, escolhi algumas das minhas fotos tiradas em abril e maio para postar aqui. São imagens de alguns dos principais pontos turísticos de Pequim, lindos, incríveis, mas um tanto ofuscados pela bendita poluição.

Templo do Céu, ou Tian Tan, onde o imperador fazia sacrifícios e orava durante o solstício de inverno.

Grande Hall do Povo, onde o Congresso Nacional do Povo se reúne UMA vez por ano.

Ao fundo, o Parque Jin Sahn, próximo à Cidade Proibida, era até a dinastia Quing para uso da imperial, de onde deveria vir a proteção contra influências malignas do norte, que traziam morte e destruição.

Palácio de Verão, nas próximidades de Pequim, usado na dinastia Qing para refúgio ao calor sufocante da Cidade Proibida.

Muralha da China, em Badaling, que dispensa apresentações.

Terceiro Anel Viário de Pequim

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim Tags: , ,
25/07/2008 - 18:31

Mao é pop

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Mao imponente na Praça da Paz Celestial

A 14 dias da Olimpíada de Pequim, a China é assunto recorrente em tudo que é lugar. Aproveito a onda para continuar falando dela aqui no ida&volta também. Com algum conhecimento da história recente do país antes da viagem, fui com o interesse de observar (e quem sabe entender um pouco) como é a relação do povo com a figura do ex-presidente Mao Tsé-tung. Sem mandarim, óbvio que não consegui conversar profundamente com chineses sobre isso, mas quem não tem boca, tem olhos (e máquina fotográfica para registrar um pouco do que enxergam).

O que eles viram foi que o controverso ditador está, ainda, muito presente na vida e no imaginário da população. Além da emblemática e imponente foto (ou seria pintura?) na praça da Paz Celestial (aquela que todo mundo já viu um dia por foto), dos soldados que guardam sua tumba ali pertinho e das cédulas de dinheiro que levam seu rosto estampado, a imagem de Mao é figurinha repetida também fora do cenário oficial. Mao é ídolo, é pop. Está em chaveiros, souvenires, pingentes de carro, paredes de restaurantes etc. A cada nova imagem que flagrava, não me continha em fotografar, um pouco já pensando no blog, outro tanto como forma de registrar o que meus olhos observavam assustados, concluindo que ainda vai levar um bom tempo até que a China consiga fazer a crítica adequada sobre os atos irracionais da Revolução Cultural e tantos outros que ocorreram durante todo o regime de Mao.

Somente no último dia, consegui ter um contraponto. Em visita ao distrito Dashanzi em Pequim, também conhecido como 798, onde há várias galerias de arte, encontrei obras que ironizavam ou escancaradamente criticavam o passado do presidente comunista. Ao mesmo tempo, outras pinturas e esculturas humanizavam Mao e reproduções do ex-ditador eram vendidas banca sim, banca também, como souvenir, o que muito me confundiu. O que é crítica e o que é idolatria? No livro Um Brasileiro na China, do jornalista Gilberto Scofield Jr, encontrei uma resposta. Dono de uma das lojinhas, o senhor Wang explica que estas imagens não têm mais valor ideológico, e agora isto é arte.

Será? Continuo pouco convencida.

De cima para baixo, da esquerda para a direita:

1 – Botons decoram parede de bar na descolada rua Nanluoguxiang (a preferida da Jana) em Pequim

2 – Restaurante em Yangshuo

3 – Loja de quadros com reproduções de trabalhos de Andy Warhol em Macau

4 – Souvenires vendidos na Muralha da China

5 – Pingente no carro do guia de turismo em Guilin

6 – Reproduções de imagens antigas à venda no Distrito 798

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim Tags: , ,
15/07/2008 - 03:18

O Pato de Pequim

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Ainda estava na China quando a Cacá chinesa e colaboradora do Cookies me pediu mais posts sobre comida. Demorou, mas resolvi relembrar o pato laqueado que provei logo no segundo dia em Pequim. O pato é o prato mais famoso (e também turístico) da cidade, e talvez até da China. Vi muitos restaurantes em todo o país com letreiros chamativos com letras que eu entendia oferecendo o tal pato, mas a Jana não deixou por pouco e me levou no mais famoso (e conhecido como o melhor) pato de Pequim. É o Quan Ju De Roast Duck (Hepingmen Dajie, Xuanwu District – Tel: 86-10-6552 3745), que têm seis filiais na cidade e, além de servir o prato tradicional, é um bom exemplo de um tipo de estabelecimento de comida, como traduziriam em Macau, bem comum na China. Grande, com vários salões (alguns reservados para grupos) distribuídos em diferentes andares onde há mesas redondas e também grandes, é cheio de ornamentos e enfeites misturando o dourado com cores fortes, que eu poderia chamar tranqüilamente de brega, mas que no contexto forma uma estética interessante e, digamos, bem chinesa.

E o pato? Veio laminado e laqueado para uma mesa auxiliar a que estávamos sentadas, inteiro, na companhia de um cozinheiro, que foi responsável por desfiar o bicho – tenro por dentro, mas com uma crosta brilhosa e crocante por fora – na nossa frente. Com a ajuda das garçonetes, aprendemos a fechar as panquecas bem fininhas e deliciosas que foram servidas junto e que devem ser dobradas com todo um jeito chinês, para então comê-las com o pato, um molhinho agridoce maravilhoso e cebolinha verde dentro.

Pato de Pequim - Restaurante Quan Ju De Roast Duck

A Jana, que já havia estado lá com colegas chineses, ainda pediu acompanhamentos que só quem mora na China conhece. Entre os que mais gostei estavam o coração de pato e um prato com cogumelos e amêndoas. Infelizmente, não saberia pedir novamente ou indicar por aqui como fazê-lo.

Acompanhamentos do pato de Pequim - Restaurante Quan Ju De Roast Duck

A brincadeira toda não é das mais baratas que a China oferece. Uma refeição – muito farta, é preciso dizer – sai por pelo menos 200 yuans (em torno de US$ 28). Não chega a ser um absurdo, mas é possível se comer muito bem por lá por pouco e a gente acaba se acostumando mal.

Prato imperial

- Pesquisando um pouco sobre o pato laqueado, descobri que é um prato de origem imperial. Ou seja, era a comida preferida dos nobres há pelo menos 700 anos e até a metade do século XIX só podia ser apreciada por eles.

- Tradicionalmente, o pato é preparado num fogão à lenha, com madeira de árvores frutíferas e coberto por uma camada de molho doce.

- O Quan Ju De começou a funcionar em 1864, na Dinastia Qing (1644-1911), perto de Qian Men, antiga entrada da cidade Proibida. Em 1993, tornou-se uma empresa e desde o ano passado abriu seu capital na Bolsa de Valores de Shenzen (sul da China). Atualmente, tem nove filiais na China e 61 franquias, incluindo cinco em países estrangeiros.

- Nos corredores do Quan Ju De é possível perceber que a tradição da comida de ligação com o poder se mantém no restaurante. Autógrafos e fotos das mais importantes autoridades da China e do mundo atuais e históricas estão expostas. Curiosamente, também a história brasileira está ligada ao pato de Pequim. A candidatura de Fernando Collor de Melo à presidência foi decidida em Pequim em dezembro de 1987, num jantar com pato. Infelizmente, não consegui confirmar se a refeição ocorreu neste mesmo restaurante.

Pato em Porto Alegre

Não é preciso ir até a China para comer um pato laqueado que perde pouco para o de Pequim. Como bem a Cacá já tinha me avisado, o pato do restaurante You-yi, em Porto Alegre, tem o mesmo padrão. Só que já é servido cortado na mesa.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim Tags: , , , ,
24/06/2008 - 19:36

Cotidiano na China 6: Cão não é só comida

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Cão fica preso a motoca enquanto espera pelo dono em Macau

Entre as perguntas clássicas que ouço desde que voltei da China está: Comeu cachorro? Não comi, não comeria e pretendo nunca comer. Não que eu seja uma militante da causa da proteção aos animais, tampouco acho que pessoas que o fazem são más e devem ir para o inferno ou algo assim. Nem poderia, pois sou bem carnívora e adoro um churrasco bem farto, com coração de galinha, de preferência. Entendo que esta é uma questão de cultura, mas neste caso, fico com a minha. Adoro cães e para mim eles são, sim, os melhores amigos do homem e da mulher. Terminado o discurso, relato algumas observações sobre o tão famoso hábito chinês:

# A carne de cachorro é menos comum nas mesas da China do que normalmente se imagina. Não é assim em cada esquina que se encontra um churrasquinho de cão, nem de gato. O hábito, cada vez mais em desuso, ainda é cultivado apenas em uma região específica no sul do país.

# Mesmo assim, vi listado no cardápio de um restaurante meu bicho preferido. Confirmando a tese, foi em Guilin, no sudoeste da China.

# O preço era bem salgado, perto de outras refeições. Isso comprova o que li nos guias que levei para a viagem. A comida atualmente é exótica e cara.

# O hábito de comer carne de cachorro é resultado da fome, ou melhor, de grandes fomes passadas pelo povo chinês. Foi na revolução cultural que os bichos deixaram definitivamente de serem animais de estimação para se tornarem comida. Com milhares de pratos vazios, alimentar um animal era considerado um atitude repreensível e burguesa.

# Vivos, observei alguns cachorros passeando com seus amigos humanos, principalmente em Pequim. Nada que se compare à quantidade que há na minha rua no bairro o Menino Deus, em Porto Alegre, onde invariavelmente sempre tem algum cão na calçada, mas em alguns locais já se encontram os bichinhos. Segundo a Jana me contou, os chineses precisam pagar uma taxa anual, relativamente alta para os salários locais, para terem um animal de estimação em casa. Mesmo assim, o número de famílias com cachorros aumenta a cada ano e o de petshops, também.

# Como disse lá no início, sou boba por cachorro e sempre que vejo um paro para olhar e às vezes até brincar. Em Macau, achei esse que tá na foto acima. Tão bonitinho, né? Mas fiquei com pena dele. O dono, que também é proprietário da motoca, o deixou preso no veículo estacionado, enquanto saiu para passear. O bicho não gostou, ficou todo inquieto, mas o chinês não se sensibilizou. Por esta passagem tive a impressão que, apesar de estarem comendo menos cachorros, os chineses ainda não têm os cuidados extremos e o carinho incondicional que cultivamos pelos cachorros por aqui. Será?

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Guilin, Macau, Pequim Tags: , , , ,
24/06/2008 - 02:56

Cotidiano na China 5: Proibido cuspir

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Em Macau, placa alerta para duas proibições: cuspe e fumo

É necessário proibir o cuspe? Quando o hábito é uma mania nacional, sim. Não é preciso de muito tempo na China para flagrar chineses escarrando, onde quer que estejam – caminhando na rua, de dentro do carro, no ônibus. Não basta botar a saliva para fora, parece que eles se sentem bem mesmo fazendo todo um movimento barulhento que começa no nariz, vai lá no fundo da garganta, passa pela boca até que o cuspe vai com toda força para o chão. Não cultivam o ato apenas as pessoas mais simples ou de pouca de educação. De alguma maneira milenar, aprendeu-se que o que é ruim tem que ser colocado para fora do corpo e mesmo pessoas mais abastadas (principalmente entre os mais velhos) em grandes cidades cospem.

Bem, hábitos são hábitos, e é preciso respeitá-los, mas este é um costume que pode ser prejudicial à saúde da população. O governo da China já se convenceu disso e faz esforços para eliminar o vício. Segundo eu li no livro Um brasileiro na China, do correspondente do jornal O Globo em Pequim Gilberto Scofield Jr., durante a epidemia da SARS, em 2003, os cuspes diminuíram, por conta de campanhas que alertavam para a contaminação a partir das salivas nas ruas. Mas a epidemia se foi, e os escarros voltaram. Este ano, com a proximidade da Olimpíada, a medida adotada em Pequim foi mais radical: uma lei proíbe o cuspe e multa o infrator em 50 yuans (em torno de US$ 7). O objetivo é eliminar o hábito para fazer bonito durante os jogos. Pelo que vi no mês passado na sede dos jogos, acho pouco provável.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Macau, Pequim Tags: ,
29/05/2008 - 13:11

Cotidiano na China 2: Banho de lago

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Antes o banho no lago em Houhai, depois na ducha

No mesmo bairro de hutongs de Pequim em que cliquei uma produção fotográfica pré-nupcial, não deixei de me surpreender ao ver alguns chineses se banhando num lago – uma das atrações de Houhai, que tem entre suas várias características uma infinidade de riquixás circulando e bares e restaurantes.

“Tá, mas e aí?”, você deve estar se perguntando. No Guaíba (o lago que a gente chama de rio em Porto Alegre) também tem gente que toma banho, mesmo com toda a poluição que há dentro dele. O laguinho em Houhai não deve ser pouco poluído mas esse nem foi o motivo pelo qual considerei a prática digna de foto. É que não tava quente! Mesmo na primavera, eu vestia casaco e muitas outras pessoas também. Além disso, o lago não é desses disfarçados de praia, afastados, mas fica no meio da cidade, com um monte de gente em volta.


Olha na foto embaixo, à direita: Não falei que estava frio? Todo mundo bem abrigado

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim Tags: , ,
29/05/2008 - 02:03

Cotidiano na China: Ensaio fotográfico pré-nupcial

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Olhando e organizando minhas fotos da China, me dei conta de que tenho várias que não são exatamente de paisagens, templos, prédios históricos ou pontos turísticos. São cliques do cotidiano e de pessoas. As diferenças culturais do país são mesmo muito grandes e surpreendentes e não me contive em registrar algumas imagens que representassem um pouco os hábitos locais. Por isso, a partir de agora vou postar aqui algumas delas e tentar explicar por que me chamaram a atenção.

Começo pelo casamento, ou melhor, por um ritual feito antes do casamento. Não ocorre no mesmo dia, nem sei bem com quanto tempo de antecedência. O fato é que os pombinhos chineses não se contentam em ter um álbum de fotografias da cerimônia e festa de união. É muito comum encontrar casais totalmente paramentados posando para fotos nas ruas. Não se trata de nada amador, mas de uma produção, mesmo. Equipes formadas por maquiador, fotógrafo, iluminador dirigem (e ganham dinheiro com isso) os ensaios, que depois viram books fotográficos e até quadros que decoram as casas das famílias, segundo a Jana me contou. Não cheguei a ver o resultado deste trabalho, mas algumas vezes presenciei a produção, nos mais variados lugares. Em alguns deles, peguei carona e também registrei o momento especial.


Casal é clicado no distrito 798, bairro cheio de galerias de arte em Pequim


Já esta produção vi em Houhai, um bairro de hutongs, também em Pequim

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim Tags: , ,
22/05/2008 - 16:54

Telões também passam o terremoto em Pequim

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No fim do último dia em Pequim e na China, fui fazer as derradeiras compras na Wangfujing. Lá fica a feirinha onde tem os bichinhos estranhos de que já falei por aqui, mas também tem muitas lojas, shoppings e gente. Aliás, nas cidades chinesas que conheci sempre tem muita gente e muita loja, além de muita comida à disposição. Mesmo fazendo turismo, a sombra do terremoto que não abandona o país também não deixa que eu fique alienada a ele. Nesta região, há dois grandes telões na rua, que obviamente estavam passando o noticiário com imagens das vítimas, dos resgates e de políticos chineses falando e socorrendo o povo.

E o que faziam as pessoas que pela área circulavam? Paravam e assistiam com toda a atencão do mundo a tudo que a televisão tinha para mostrar.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim, Terremoto na China Tags: , ,
19/05/2008 - 21:58

Silêncio, buzinaço e nacionalismo pelas vítimas

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Ficou todo mundo quieto na muralha às 14h28

Uma semana depois do terremoto, a comoção da China só aumenta. Ontem (segunda), às 14h28, como a Jana havia postado, a população do país inteiro parou e silenciou, enquanto motoristas de carros fizeram um buzinaço. Tentando voltar ao ritmo férias, estava perto de Pequim neste horário conhecendo a muralha da China, o maior símbolo do país (ainda bem que esse passeio eu não perdi!). Foi lá que vi turistas (a maioria do próprio país), que estavam se divertindo – e como é legal ver como o povo chinês gosta da muralha – parar por três minutos em homenagem às vítimas do terremoto da segunda-feira passada, enquanto se ouvia o barulho das buzinas lá de baixo.

A homenagem foi incentivada pelo governo chinês, que decretou luto de três dias e proibiu todas as manifestações de entretenimento (shows, festas, jogos de computador e até filmes na TV) no país. Por conta disso, as únicas imagens que passam constantemente na televisão são as da tragédia e todos são obrigados realmente a entrar no clima de consternação.

À noite, fui jantar num restaurante de comida típica de Xinjiang, região muçulmana da China (e também separatista, como o Tibet). Ao chegar, fomos logo avisadas de que não haveria show, porque a China passa por um período difícil.

Não me surpreende as pessoas se mobilizarem – e a manifestação foi realmente muito bonita e emocionante -, mas a proibição e o uso das manifestações politicamente correm o risco de se tornarem um desrespeito às vítimas. O que se vê aqui agora, além de um país em luto, é um país em clima de nacionalismo, cultivando um sentimento de que a China está se unindo pelos chineses e faz isso melhor do que outros povos fariam – tanto é que voluntários estrangeiros não são permitidos. Triste saber que até na tragédia conseguimos ser tão pequenos.


Lá embaixo, todo mundo em pé pelas vítimas também

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim, Terremoto na China Tags: , ,
19/05/2008 - 21:52

Massagem na recuperação

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Entre as coisas das quais sentirei falta da China, estão as massagens. Não tem para ninguém, os chineses são muito bons nisso. Em cada esquina nas grandes cidades (e esquina sim, esquina não nas pequenas) há um centro de massagens de todos os tipos: para pés (as mais comuns), costas, corpo inteiro, cabeça, ombros etc. Comecei a experimentá-las ainda na primeira semana, quando estava em Xangai, e desde então pelo menos uma vez por semana dou uma paradinha para relaxar (aliás, que vontade de levar um desses chineses massageadores para ficar de plantão pra mim no Brasil). Além de muito bem feitas, não são caras. Domingo, um dia depois da volta a Pequim, estava precisando me recuperar de noites pouco dormidas e muita adrenalina provocada pelo terremoto e o trabalho relacionado a ele. Ou seja, massagem!

Depois de um almoço vietnamita e uma caminhada na rua preferida da Jana, a Nanluoguxiang, paramos num salão de manicure e pedicure, para começar os trabalhos. Eis que descobri mais um pouco sobre esse mundo das massagens na China. Manicure e pedicure não é o que a gente conhece por fazer a mão e o pé. Não basta tirar cutículas e pintar as unhas. Aqui, uma sessão de pedicure, por exemplo, vem acompanhada por uma massagem nos pés e um pouquinho nos ombros também, além de chazinho o tempo todo. Para cortar o cabelo, vale o mesmo: a lavagem vem junto também com uma massagem na cabeça (daquelas que dá um soninho).

Uma delícia. Foi tão relaxante a sessão mãos e pés que acabei deixando a massagem de corpo para hoje, de despedida.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pequim Tags: ,
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