Penedo do alto e por terra

Na onda de colaborações familiares, publico hoje um post que a minha mãe Irmgard escreveu para este blog já há alguns meses e estava guardado na gaveta. O depoimento é sobre Penedo, no Alagoas, que eu ainda não conheço, mas pelo que diz aí embaixo, devo conhecer:
“Conheci Penedo nos anos 70 do alto, quando era comissária de bordo (vulgo aeromoça) da Transbrasil, que pousava por lá em vôo saído de São Paulo-Congonhas às 6h da manhã e ia até Recife chegando às 17h, pingando por nove aeroportos: Rio de Janeiro–Santos Dumont, Vitória (ES), Caravelas (BA), Ilhéus (BA), Salvador (BA), Aracaju (SE), Penedo (AL) , Maceió (AL) e finalmente Recife (PE). Viajava-se em aviões turbo hélice, portanto a uma altitude e velocidade menor que a dos atuais a jato, e para chegar a Penedo voava-se ainda mais baixo, por se tratar de um trajeto curto (165 quilômetros de Aracaju e 164 quilômetros de Maceió).
A vista majestosa da foz do Rio São Francisco e da cidade de Penedo – antiga e com casarões coloniais – ficaram retidas na minha memória, assim como a vontade de conhecer a região por terra e tomar contato com a sua história. Pois neste mês de junho de 2009, depois de 37 anos, fui visitar a região e não me decepcionei.
O Baixo São Francisco, onde se encontra a cidade de Penedo, inicialmente habitada pelos índios Caetés, perto da foz do Rio São Francisco, foi explorada pioneiramente pelo navegador Américo Vespúcio, em 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco de Assis. Depois disso, a história da cidade se misturou com a do país e, por isso, abrigou sempre uma elite econômica, política e culturalmente favorecida, que tem sua memória recuperada em um museu particular que me surpreendeu pelo vasto acervo e sua organização em atualizados conceitos de preservação.
Outro aspecto que me impressionou positivamente são as inúmeras restaurações de igrejas, prédios públicos e particulares realizadas com verbas públicas fornecidas pela Caixa Econômica Federal, o que considero um alento e a esperança de que finalmente estamos resgatando a memória deste nosso país tão rico em acervo arquitetônico e cultural a ser preservado.
Além da imponente história e do acervo arquitetônico, Penedo oferece gastronomia rica em frutos do rio e do mar e belos passeios por ilhas fluviais, praias desertas, dunas e lagoas – tudo parte do delta do Rio São Francisco. Entre as atrações naturais está o pôr-do-sol sobre o rio São Francisco, lindo. Embora não me atreva a qualificá-lo como mais ou menos belo, na região é considerado “o mais bonito de todos”.
Na cidade, me hospedei no hotel também chamado São Francisco, construído em 1962, com arquitetura avançada para aquele tempo, tanto que ainda é o prédio mais alto da cidade. O local possui um cinema (ora desativado e precisando ser recuperado), restaurante, duas piscinas e lanchonete e foi sede de diversos festivais do cinema nacional. Toda esta história e da própria família que que teve o arrojo de criar o complexo de lazer pode ser conferida em mostra explicativa.
Resumindo, digo que vale a pena visitar a região e usufruir das belezas naturais, arquitetônicas e culturais”.
Por Irmgard Klix










Mas foi só na hora da digestão que tive certeza que o título da cidade (“a mais alemã do Brasil”) é mesmo verdade. Mais do que cópias rebocadas à la Gramado, Pomerode tam casas lindas e muuito bem preservadas no estilo eixamel, aliás, o maior número delas fora da Alemanha, algumas inclusive tombadas na Rota do Eixamel. Num trajeto de 16 quilômetros de chão batido, em uma área bem rural, as cerca de 70 casas de tijolos aparentes com a madeira fazendo a função de vigas não foram construídas para “turista ver”, mas são as residências dos imigrantes que vivem até hoje nelas, devidamente identificadas em plaquinhas com os nomes das famílias: Sievert, Zumach, Haut…. A mais antiga delas, de 1867, é a Wachholz, e está sendo restaurada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e tudo. Quase de não acreditar que estamos no Brasil.























Tatiana Klix