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23/11/2009 - 09:31

Faça uma refeição com um local

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“Comer fora” é programa de paulistanos e não-paulistanos recentes na cidade como eu. Com um mundo de restaurantes, botecos, padarias, cafés e etc por aí, dá uma ansiedade danada de conhecer e experimentar do melhor pé sujo ao mais badalado “place to be” de Sampa. Mas também tem hora que a vontade é comer uma refeição feita em casa.

Foi o que aconteceu comigo neste fim de semana. A lista de lugares marcados para conhecer nos guias de bares e restaurantes ficou parada e no sábado fiz uma jantinha para amigas no meu apartamento. No domingo, almocei feijoada (mesmo sendo comida “de sábado”) na casa de um casal de amigos. E ambas as refeições estavam bem boas, assim como as companhias.

Coincidência ou não, navegando na internet no fim do domingo, achei o site Eat With a Local, uma dessas redes sociais que ajudam viajantes que gostam de se sentir locais. De diferente das que eu já conhecia, a comunidade junta quem, em viagens, valoriza a gastronomia e tem curiosidade por experimentar pratos típicos (mas não apenas os que são feitos para turistas) com moradores que oferecem um lugar à mesa. Bacana, né? Nem tão arriscado como o Couchsurfing e nem tão impessoal como o restaurante do hotel.

Pena que o site não tem cadastrados no Brasil. Ou teria coisa melhor que filar um churrasco feito em casa?

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Comunidade, Sites, Vivendo em São Paulo Tags: , ,
22/11/2009 - 21:50

Penedo do alto e por terra

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Na onda de colaborações familiares, publico hoje um post que a minha mãe Irmgard escreveu para este blog já há alguns meses e estava guardado na gaveta. O depoimento é sobre Penedo, no Alagoas, que eu ainda não conheço, mas pelo que diz aí embaixo, devo conhecer:

“Conheci Penedo nos anos 70 do alto, quando era comissária de bordo (vulgo aeromoça) da Transbrasil, que pousava por lá em vôo saído de São Paulo-Congonhas às 6h da manhã e ia até Recife chegando às 17h, pingando por nove aeroportos: Rio de Janeiro–Santos Dumont, Vitória (ES), Caravelas (BA), Ilhéus (BA), Salvador (BA), Aracaju (SE), Penedo (AL) , Maceió (AL) e finalmente Recife (PE). Viajava-se em aviões turbo hélice, portanto a uma altitude e velocidade menor que a dos atuais a jato, e para chegar a Penedo voava-se ainda mais baixo, por se tratar de um trajeto curto (165 quilômetros de Aracaju e 164 quilômetros de Maceió).

A vista majestosa da foz do Rio São Francisco e da cidade de Penedo – antiga e com casarões coloniais – ficaram retidas na minha memória, assim como a vontade de conhecer a região por terra e tomar contato com a sua história. Pois neste mês de junho de 2009, depois de 37 anos, fui visitar a região e não me decepcionei.

O Baixo São Francisco, onde se encontra a cidade de Penedo, inicialmente habitada pelos índios Caetés, perto da foz do Rio São Francisco, foi explorada pioneiramente pelo navegador Américo Vespúcio, em 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco de Assis. Depois disso, a história da cidade se misturou com a do país e, por isso, abrigou sempre uma elite econômica, política e culturalmente favorecida, que tem sua memória recuperada em um museu particular que me surpreendeu pelo vasto acervo e sua organização em atualizados conceitos de preservação.

Outro aspecto que me impressionou positivamente são as inúmeras restaurações de igrejas, prédios públicos e particulares realizadas com verbas públicas fornecidas pela Caixa Econômica Federal, o que considero um alento e a esperança de que finalmente estamos resgatando a memória deste nosso país tão rico em acervo arquitetônico e cultural a ser preservado.

Além da imponente história e do acervo arquitetônico, Penedo oferece gastronomia rica em frutos do rio e do mar e belos passeios por ilhas fluviais, praias desertas, dunas e lagoas – tudo parte do delta do Rio São Francisco. Entre as atrações naturais está o pôr-do-sol sobre o rio São Francisco, lindo. Embora não me atreva a qualificá-lo como mais ou menos belo, na região é considerado “o mais bonito de todos”.

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Na cidade, me hospedei no hotel também chamado São Francisco, construído em 1962, com arquitetura avançada para aquele tempo, tanto que ainda é o prédio mais alto da cidade. O local possui um cinema (ora desativado e precisando ser recuperado), restaurante, duas piscinas e lanchonete e foi sede de diversos festivais do cinema nacional. Toda esta história e da própria família que que teve o arrojo de criar o complexo de lazer pode ser conferida em mostra explicativa.

Resumindo, digo que vale a pena visitar a região e usufruir das belezas naturais, arquitetônicas e culturais”.

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Por Irmgard Klix

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Penedo Tags: , , ,
17/11/2009 - 03:33

O São Cristóvão pelo meu pai

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Semana passada, recebi uma visita rápida do meu pai. Como tínhamos apenas uma noite de segunda-feira para eu dar uma impressionada e apresentá-lo a algo legal de São Paulo, fui bem tradicional na escolha dos elementos da programação: futebol e boteco. Deu tão certo que ele mesmo já escreveu um post no Sanatório da Notícia, blog com o qual colabora, sobre o São Cristóvão, um dos meus lugarzinhos preferidos na Vila Madalena.

Sem mais comentários, deixo aqui o link para fãs de futebol e cerveja (não necessariamente nesta ordem), como o gremistão Moisés.


Onde fica

Rua Aspicuelta, 533 – Vila Madalena

Show

Eu nao sabia, mas toda segunda-feira a casa oferece também um show de jazz da Septeto Mauricio Souza.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Turista em São Paulo, Vivendo em São Paulo Tags: , ,
09/11/2009 - 14:42

Dicas para entrar no clima de Berlim

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Hoje, queria acordar em Berlim. Quer dizer, se eu pudesse escolher mesmo, queria ter ido na semana passada, a tempo de chegar para o show do U2. Se eu estivesse lá, talvez  teria me hospedado no Ostel, um albergue que também faz as vezes de hotel (ou vice-versa) com astral e decoração DDR. Como acordei em São Paulo, minha participação nas comemorações dos 20 anos da queda do muro de Berlim vai ser com a reciclagem de um post sobre o tal Ostel que não derrubou o muro, que escrevi em de 30 de março do ano passado. Nada mais temático, não? Imagino que deva estar lotado, mas também imagino que quem estiver lendo este post neste dia 9 não deve estar procurando hospedagem para hoje em Berlim.

De lambuja, já que o assunto do dia é Berlim (depois da Geyse e da Uniban, claro), indico também um romance coisa mais fofa e sensível sobre a vida na DDR (O Charuto Apagado de Churchill, de Thomas Brussig, Ed. LPM), um especial sobre a queda do muro, ou melhor, dois (o da casa iG e o do The New York Times), uma reportagem sobre turismo em Berlim bem atual (Visit Berlin’s brave new world, do Times Online) e um álbum no flickr, de onde eu surrupiei as fotos para ilustrar este post (Mau Alcântara – Berlim).

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Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Berlim Tags: , , ,
06/11/2009 - 15:35

Roteiro para jornalistas

Chegou um anúncio semana passada no email da firma que excepcionalmente – entre as centenas de mensagens que chegam por dia – foi novidade para mim: uma viagem para visitar jornais nos Estados Unidos. Já conhecia programas promovidos por governos, associações, convênios que oferecem estágios, trocas de profissonais e essa coisa toda. Também fico impressionada com a criatividade dos passeios temáticos, do tipo “percorra os locais frequentados pela escritora do Harry Potter J. K. Rowling ”. Mas um pacote pago que tem como atração redações de Nova York, Washington e Miami, logo agora que os periódicos americanos estão em crise, é bem diferente, né? Ou será que, por isso mesmo, é melhor aproveitar e visitá-los antes que o “jornal acabe”?

A Classimarketing assina o email e diz que a viagem é realizada desde 1998 e já tá na sexta ediçao. São grupos com vagas limitadas, que têm “acompanhamento exclusivo nas visitas técnicas”, seja lá o que isso quer dizer. Estão no roteiro The Washington Post, USA Today, The New York Tims, The Wall Street Journal, The Miami Herald, Miami New Times e The Village Voice. E, UFA, o anúncio apela para os donos de jornais mandarem seus colaboradores, com descontos para mais de um participante. Assim, bem que eu faria essa viagem de muito bom grado.

A saída é dia 4 de dezembro, mas mais informações só entrando em contato direto com a empresa no telefone (51) 3024.0337 ou pelo email intercambio@classimarketing.com.br .

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
05/11/2009 - 03:52

Chopp, karaokê e muita liberdade visual

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Sabe quando um lugar é brega, mas tão brega, que acaba sendo legal? Assim é a Chopperia Liberdade, no bairro Liberdade, em São Paulo. Um lugar assim não poderia deixar de ter como carro chefe a diversão mais brega de todas, o karaokê.  Tem gente que vai lá cantar, outros, jogar sinuca (as mesas ficam no fundão), mas eu não consegui parar de tirar fotos, de tanta informação visual que a casa oferece (como se já não bastasse a informação sonora…).

Dá para sentir o clima animado?

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E a riqueza de detalhes…

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E como TVs internas espalhadas por todo o bar, além de mostrar as letras das músicas também transmitem ao vivo a entrada da choperia, com as pessoas sendo revistadas e tudo.

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Quase surreal, se não fosse real e não ficasse lotadaço nos finais de semana. Para conhecer, sugiro juntar uma turma animada, ou pelo menos afim de se animar, e que não esteja disposta a reclamar do calor e da fila de espera para cantar.

Ah, não esquecer a máquina fotográfica também é importante. De onde vieram essas imagens, tem muito mais (e talvez melhor) para registrar.

Onde fica

R. da Glória, 523 – Liberdade

(11) 3207-8783

Quando abre

De terça a domingo, das 19h às 6h

Quanto custa

Terça e quarta é gratuito
De quinta a domingo, ingresso de R$ 10
Para cantar: R$ 2 por música

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Turista em São Paulo Tags: , , ,
28/10/2009 - 08:32

Como fazer uma aventura entre amigos na Jordânia

Alexandre Pellegrini na Jordania

Meu amigo Alexandre Pellegrini adora o Oriente Médio e todas as questões relacionadas à região.  Ele também gosta de viajar e curtir atividades de aventura. Não por acaso, escolheu no ano passado a Jordânia como destino das férias. Além de um monte de bugiganga (desculpaê, Alê) que deixou a casa dele linda, livros, histórias e fotos maravilhosas, trouxe de volta uma boa ideia de vida, que agora nasceu oficialmente.

Desde semana passada, está no ar para valer o site da Jordian Adventure. O projeto não é ser mais uma agência de turismo que vende pacotes padrões, mas formar uma confraria de viajantes interessados no destino e em atividades comuns. Nisso, tá incluído conhecer, a partir dos passeios e de um guia jordaniano, um pouco da história e dos costumes do país, a comida, além de interagir com a natureza e a população – a Jordian Adventure tem um braço local que vai viabilizar tudo isso. E vai ter também banho de realidade – quem quiser, vai poder passar um dia como voluntário em um campo de refugiados palestinos em Amã.

Para a proposta funcionar, os grupos são bem pequenos. O Alê vai estar sempre junto, o que certamente será outro diferencial, porque o cara também é muito inteligente, divertido e ótima companhia de viagem.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Blog, Comunidade, Sites Tags: , ,
26/10/2009 - 03:14

Drink Blow

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O post que eu pensei (mas não escrevi) no início da madrugada de sábado, quando cheguei em casa vinda do restaurante bacana Skye, teria sido bem mais divertido do que o que vai sair agora. A noite de sexta-feira tinha sido ótima, na companhia  das amigas queridas Cacá e Rita Chang e Léo Camargo, na cobertura do hotel também bacana Unique.  Acontece que na noite de sábado, depois de fazer outros programas legais, eu sofri um assalto (tá tudo bem, ficaram os dedos), e ainda não tô conseguindo abstrair o baixo astral pelo ocorrido para descrever a experiência como a senti e como mereceria ser contada.

tati skyeProvavelmente, abusaria de adjetivos e pontos de exclamação para falar da vista bacana que se tem do parque Ibirapuera e de boa parte de São Paulo lá de cima. Talvez  arriscaria algum comentário sobre o ambiente descolado, que tem uma parte fechada e outra aberta, cercada por vidros que criam uma sensação de aconchego em relação à cidadona que tá lá embaixo (além de amenizar o vento). Empolgada porque tínhamos uma novidade boa para comemorar, porque a noite tava linda e porque era sexta-feira, eu falaria ainda bebinha dos drinks maravilhosos que a gente experimentou (diante de uma variedade enorme no cardápio, cada uma escolheu um) e escreveria aqui a receita do melhor da noite.

blow

Mas como anotei os ingredientes, copiados do cardápio (para a vergonha da Léo!), numa moleskine que se foi junto com a minha bolsa, vou ter que me contentar em postar o registro fotográfico e o nome do drink (que assim como o gosto delicioso, meu mau humor não conseguiu apagar da memória). É o Blow. Bem mulherzinha. Bem bom.

Onde fica o Skye:

Rua Brigadeiro Luís Antônio, 4700
São Paulo – SP

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Turista em São Paulo, Vivendo em São Paulo Tags: , ,
20/10/2009 - 03:30

Záffari, nosso super e assunto preferido em São Paulo

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Morar em São Paulo não é exatamente uma ideia original. Desde que me conheço por gente tem gaúcho vivendo aqui. Do ano passado para cá, então, foi uma debandada geral, pelo menos entre conhecidos meus e conhecidos de conhecidos jornalistas, publicitários e afins. De modo que quando me mudei já tinha bons amigos habituados na cidade, e outros chegaram depois. Esses amigos, por sua vez, conhecem outros amigos que vieram ou ainda vão vir. Quando a gente se dá conta, tá andando com um monte de gaúcho e demora pra começar a falar paulistês (ou nunca chega a isso), que nem os brasileiros em Londres que não aprendem inglês.

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Nesses encontros da comunidade, além das conversas que a a gente teria em qualquer lugar do mundo – cinema (Distrito 9 é o pior filme de todos os tempos, viu?), futebol (ainda bem que o Inter não quer mesmo ser campeão), literatura, viagens, fofocas -, sempre rola um papo de estrangeiro: “Alguém tem uma faxineira para indicar?, Como as garagens dos prédios de São Paulo sao apertadas, né?, Qual é o melhor caminho para chegar em tal lugar? “. É muito “tu” e “bah” sem estranhamento até que, por qualquer motivo (de um “o que tu fez hoje? a “como é que se faz este risoto?” ), chega a hora do assunto preferido, o Zaffari, que a gente chamaria de “super” se estivesse em Porto Alegre. Mas não é qualquer super, é o ZÁFFARI, que em São Paulo tem acento, mas é igualzinho aos que conhecemos, ou seja, muito melhor que qualquer supermercado da cidade.

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As qualidades, de tão óbvias, são também consensuais, mas nem por isso deixam de ser repetidas exaustivamente – o Záffari tem nata, erva e plaquinhas que indicam o que está disposto em cada corredor, tem muita variedade, é limpo e organizado, tem empacotador e os caixas (treinados, é claro, por gaúchos que vieram de Porto Alegre só para isso!) são muito eficientes e educados. O tom do debate esquenta quando vem a indignação pela incompetência dos outros supermercados (”por que eles não tentam fazer igual?”) e a perplexidade diante da apatia dos paulistanos com tão preocupante questão (”como eles não enxergam a diferença e não acham todos os outros ruins?”). Há ainda, casos mais graves, de gente que conta que leva mais de meia hora no trânsito para fazer compras lá toda semana ou dos que já procuram apartamento na região para morar pertinho.

Não é o meu caso, que moro longe, sou vizinha de um Extra (ah, o Extra) e me convenci que não serei uma frequentadora do super dos gaúchos. Já andava me acostumando e liderando uma campanha “vamos parar de falar do Záffari”, até que não resisti e num momento resgatar raízes me toquei até o bairro Pompéia para fazer o rancho. Ok, admito que voltei torcendo para  nenhum vizinho me encontrar com as sacolas na mão e me tirar para louca. Mais tarde, já entre gaúchos, não tive como deixar de ser quem puxou o nosso assunto preferido, porque o Záffari tem nata, erva e é muito, mas muito mais organizado…

Onde fica

Av Turiaçú, 2100

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Vivendo em São Paulo Tags: , , ,
15/10/2009 - 11:22

Passeio muito alemão em Pomerode

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O Klix ali do nome não nega minha metade germânica. É aquela que ensina que tudo deve ser organizado, funcional, planejado (embora a outra parte brazuca pelo-duro nem sempre deixe). Com ela, se aprende a gostar de cucas, carne de porco, galinhada, língua com ervilha e ricota, se acostuma com jardins floridos e muito bem cuidados, e – acima de tudo – se cultiva as origens. Dentro desse contexto, visitas a colônias e redutos alemães no Brasil, como a serra gaúcha e o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, são programas bem conhecidos meus.

Nesse locais, tudo é sempre muito limpinho, com lindos gramados, se come bons filés com nata e joelhos de porco em restaurantes típicos, ou deliciosas tortas de maçã em confeitarias, se compra malhas ou roupas de cama boas e baratas, e se admira cidades cartesianas, com chalés recém pintados, na maioria das vezes imitando arquitetura europeia.

Na expectativa de mais uma vez curtir tudo isso, aproveitei um dia lindo de sol de abril e fui a Pomerode, no Vale do Rio Itajaí-Açú, em Santa Catarina. A cidade de 25 mil habitantes, como diria a minha mãe (que além de Klix, também se chama Irmgard), é “um brinco” e fala muito alemão, língua que, apesar de tudo isso que eu contei, ainda estou brigando para aprender de verdade. Para combinar com o ambiente, o programa estava germanicamente organizado por ela, que conhecia a região.

Primeiro, uma parada bem mulherzinha na loja (direto da fábrica) das porcelanas Schmidt, onde apesar dos ótimos preços e da excelente qualidade dos produtos, eu me comportei, sempre lembrando das porcelanas Renner do enxoval da Oma Klix que foram parar na minha casa.

Em seguida, uma visita à loja e fábrica Cristais Di Murano, o ponto italiano do passeio. Que nem em Murano, em Veneza, lá se pode observar os operários trabalhando na modelagem dos cristais, queimados em fornos trazidos da Itália, onde também parte dos funcionários foi fazer o treinamento. Neste caso, não foi difícil não gastar, porque os produtos não são exatamente o meu número, mas de graça se assiste ao espetáculo que é o trabalho de transformação do vidro escaldante em cristal, com forma e cor.

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Seguindo o roteiro, já era hora do almoço e de comer comida alemã, claro. No restaurante Siedlertal, a pedida foi um prato variado da casa, para matar a saudade de tudo que se tem direito (joelho de porco, raíz forte, chucrute, salsicha Bock, batata e marreco, se não me falha a memória),  e cerveja Eisenbahn, fabricada na vizinha Blumenau.

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eichamel3Mas foi só na hora da digestão que tive certeza que o título da cidade (”a mais alemã do Brasil”) é mesmo verdade. Mais do que cópias rebocadas à la Gramado, Pomerode tam casas lindas e muuito bem preservadas no estilo eixamel, aliás, o maior número delas fora da Alemanha, algumas inclusive tombadas na Rota do Eixamel. Num trajeto de 16 quilômetros de chão batido, em uma área bem rural, as cerca de 70 casas de tijolos aparentes com a madeira fazendo a função de vigas não foram construídas para “turista ver”, mas são as residências dos imigrantes que vivem até hoje nelas, devidamente identificadas em plaquinhas com os nomes das famílias: Sievert, Zumach, Haut…. A mais antiga delas, de 1867, é a Wachholz, e está sendo restaurada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e tudo. Quase de não acreditar que estamos no Brasil.

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Ainda impressionada com tanta história preservada (e por ironia essa rota não estava nos planos, porque a minha mãe até então nao sabia da existência dela), a  próxima parada foi de chutar o balde. Ou o que mais se pode fazer em um lugar chamado Torten Paradies? Nham…

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Já na saída da cidade, tarde livre para compras na Karsten, onde eu não me segurei. Para orgulho da minha vó, que tem fixação por comprar toalhas, me esbaldei e renovei parte do meu enxoval. Nada mais típico para encerrar uma programação alemã.

Onde é a Rota do Eixamel

Início: Rua Testo Alto, próximo ao Pórtico Norte.
Informações: (47) 3387.2627 / 3387.3420

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Pomerode Tags: , , , ,
13/10/2009 - 02:31

São Paulo tá pequena ou será que vai chover?

filataxiComo quem diz “Será que vai chover?”, o motorista do táxi que me levou para o aeroporto na sexta-feira de tardezinha comentou que “São Paulo tá pequena”. Na chegada a Congonhas, respondi no automático – “é verdade, tem muita gente” -, enquanto achava os 25 minutos do Itaim Bibi até lá, numa véspera de feriado, mais que razoável e concluía com os meus botões que o tamanho da cidade e da população já não andavam me impressionando tanto assim. Três dias depois, de volta da pacata Porto Alegre em feriadão, tive que me lembrar do taxista profeta quando consegui me surpreender novamente. E nao foi com o voo, que chegou bem na hora, nem com o trânsito, mas com a fila do táxi… Lá se foram 25 minutos só para entrar num deles. É mole?

Citando a também nova moradora de Sampa Cacá, parece que o dia tem menos horas por aqui.

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Vivendo em São Paulo Tags: , , ,
08/10/2009 - 23:22

O Parque Lage é aqui do lado

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Em homenagem ao Rio, olímpico e sempre lindo, recomeço lembrando meu primeiro feriado de vida paulistana. Ou tem sentido se mudar para São Paulo e não aproveitar o fato de estar tão mais perto de lugares tropicais e sair daqui sempre que possível? Tipo, de Porto Alegre, ir ao Rio de Janeiro é uma baita Viagem, com merecida caixa alta. Passa por chulear uma promoção de passagem, emendar várias folgas ou tirar férias. Daqui, virou “uma viagenzinha pra Floripa”.

Pois lembrei do 9 de julho – quando me aventurei com a amiga Léo rumo ao Rio de carro e tudo – ao assistir (e me emocionar!) ao vídeo que tão bem vendeu a cidade maravilhosa para os gringos em Copenhague. É que lá pelas tantas, entre uma imagem incrível e outra (e eu me perguntando por que mesmo não escolhi viver lá) aparece o Parque Lage, que conheci num dia “do tipo não deu praia” no feriadão.

No vídeo aparece um frame do casarão, elegante, onde tem um lindo pátio, uma escola de arte e  um café, o du Lage, o primeiro ponto explorado por nós no parque. Não era fim de semana, então não fizemos o programa tradicional e já me recomendado para o local – o café da manhã -, mas posso dizer que o almocinho na beira da piscina tornou a vida bem mais ou menos, para mais, claro.

A ideia era só fazer uma pausa com fins gastronômicos, antes de seguir rumo ao Instituto Moreira Salles, na Gávea, mas o programa acabou se arrastando pela tarde toda.  Além dos limites do casarão, o Lage tem jardins típicos europeus, muita mata atlântica aos pés do Corcovado, uma gruta, um aquário construído com argamassa imitando pedra (meio caído, é preciso dizer), lagos, cachoeiras e trilhas que levam até o Cristo.

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A disposição não era tanta, mas meio sem querer, na companhia de um guarda florestal que fez as vezes de guia, subimos um bom pedaço do morro, com a recompensa da vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas de um lado e de cachoeiras do outro. O mesmo guarda que nos adotou, seja por falta de serviço ou simpatia pelos nossos belos olhos castanhos, contou que no verão é comum turistas e moradores subirem pelas mesmas trilhas para fazer piquenique e se banhar nas quedas de água no meio do mato. Não era o caso para um dia quase nublado de julho, mas – extasiadas pela natureza – saímos de lá prometendo voltar com biquíni por baixo.

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Onde fica: Rua Jardim Botânico, nº 414
Quando fica aberto o parque: todos os dias, das 7h às 17h
Quando fica aberto o café: de segunda a quinta, das 9h às 22h30, e de sexta a domingo, das 9h às 17h30

Autor: Tatiana Klix - Categoria(s): Rio de Janeiro Tags: , , ,
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