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10/07/2009 - 15:45

Kitsuné verão 2010

O label Kitsuné, que reúne moda, música e artes sob o mesmo estiloso guarda-chuva, divulgou esses dias sua coleção de verão 2010. A mesma linha de sempre. Jeans clarinho, calças secas, bermudas, cardigãs e espadrilles nos pés. Cool. Roupa boa, fácil de usar e cheia de atitude. Gosto muito.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: ,
02/07/2009 - 18:14

E a Dior, hein?

 

Acabei nem tecendo comentários sobre a Dior Homme que, sob a batuta irregular de Kris Van Assche, parece definitivamente ter dado adeus à estética Slimanesca e volta a dar sinais de vida no novo cenário da moda masculina. Talvez beneficiada pelo bom momento de Van Assche em geral ( sua coleção solo é bem boa ), a Dior acerta em coleção elegante, essencialmente em preto e branco ( tendência! ), solta ( esqueça o skinny de anos atrás ) e sensual no limite. Boa alfaiataria, em paletós menos slim e mais compridos, calças de gancho baixo e blazers sem mangas bem abusados. O tênis é sério candidato a hit! Quando foge do PB, Van Assche prefere os tons clássicos como cinzas, off whites, beges e cáquis. Prestem atenção na silhueta, é o que há de mais novo na moda masculina atual, é bom ir se acostumando. Depois de várias temporadas torcendo o nariz, dou minha mão à palmatória, a coleção é boa. Kris acertou, finalmente.  

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
30/06/2009 - 10:27

Os novatos

Aprendi uma coisa durante a temporada de moda de Paris: nunca despreze um convite para o desfile de uma grife pouco conhecida, obscura e com menos apelo do que os grandes nomes, você pode se arrepender. Por pouco isso não aconteceu comigo. Ocorre o seguinte: assessores de imprensa que cuidam de apresentações badaladas trabalham também para marcas menores, iniciantes (ou nem tanto), com menos visibilidade. Claro que a gente sempre quer assistir aos maiores e melhores, mas acaba sendo incluído no sitting destes nomes alternativos também. Recebi convite para os desfiles da franco-italiana U-NI-TY e da coreana Wooyoungmi e hesitei, “será”? Bom, como não tinha nada a perder em conhecer, a curiosidade falou alto e lá fui eu.

A U-NI-TY nasceu em 2004 e tem como mote misturar o charme e o conforto do vintage com elementos clássicos do guarda-roupa masculino, além de uma pitadinha de militarismo aqui e ali. O que eu vi na coleção de verão 2010 foi exatamente isso. Coletes, chapéus, alfaiataria em padronagens clássicas como o Príncipe de Gales, tudo tradicional, mas com shape atual. É uma grife comercial, sim, mas que tenta fugir do convencional dando ares cool a peças fáceis de usar, que não chocam homem algum e que poderiam sair direto da passarela para seu guarda-roupa. Tudo que muito homem procura quando olha para a moda. Calças folgadas, mais curtas, linho, jeans cru ou destroy, blazers levinhos e amassados, bem na pegada comfort que domina a moda atual. Para arrematar, scarfs de verão no pescoço, daquelas que não esquentam, só acrescentam estilo. E nos pés, sandálias de couro. Parênteses: está na hora de nós, brasileiros, que vivemos num país tropical, com calor de rachar no verão, deixarmos pré-conceitos e julgamentos de lado para adotar, finalmente, roupas que condizem com nosso clima. As sandálias e as tais bermudas urbanas, que deram tanto o que falar há pouco tempo pelos blogs afora, estão em cada esquina de Paris. E com resultados bem elegantes, sim senhor. Se você segura a onda e acha que tem a ver com seu estilo, pode abusar. Até eu, antes reticente, estou cada vez mais convencido de que pode dar certo. Prometo tentar no próximo verão. Voltando à U-NI-TY: nem tudo funciona, tem até umas peças meio duvidosas mas, no geral, é uma grife super honesta. Pode servir de exemplo para muita gente no Brasil.


Fila final da U-NI-TY (link aqui)

O caso da Wooyoungmi é diferente. A grife completa em 2009 seus 50 anos (!) e, como a maioria dos orientais, tem uma boa dose de conceito embutida na roupa e na apresentação. Construção: essa é a palavra-chave a ser lembrada quando se analisa uma roupa feita pelos coreanos que por aqui pipocam durante a temporada de moda ( conheci outra grife, no salão Rendez-Vous, chamada Hoon, que me deixou boquiaberto com o primor de acabamento de sua alfaiataria ). A Wooyoungmi tem loja no Marais e desfila em Paris desde 2003. Sua linha masculina foi lançada em 1988 e, para o verão 2010, buscou inspiração no universo dos pintores. De telas ou de parede, tanto faz. Antes do desfile, realizado no Palais de Tokyo, um vídeo projetava e demonstrava diversas técnicas de pintura, com um resultado artsy super poético. Quanto às roupas, construção, lembram? Então tome zíperes e aberturas inusitadas, efeitos de trompe l’oeil que simulam shorts e bermudas sobrepostas a calças, silhueta folgada e uma bela alfaiataria com pegada esportiva. A cartela de cores lembra a dos uniformes de pintores, desde o azul característico dos macacões até os cáquis, presentes em lindos trench-coats amassados. Conceito com qualidade. Adorei.


Vídeo pré-desfile da Wooyoungmi (link aqui)


Fila final da Wooyoungmi (link aqui)

Ah! Outra coisa que me fez perceber que não se deve desprezar os pequenos é que todo mundo vai em todos os desfiles. De Didier Grumbach a boa parte da imprensa especializada, todos estão ali para conferir o novo, que amanhã poderá ser o hot ticket. 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
27/06/2009 - 15:16

Show de Galliano

O primeiro desfile de John Galliano a gente não esquece. Dior não vale, o clima é outro. E minha primeira vez foi em grande estilo, ao final de mais um dia lindo de sol em Paris, numa piscina pública desativada onde grafiteiros exercitam sua nobre arte. O lugar é gigante, com vários andares e mirantes onde o povo ficou dependurado para ver melhor a performance toda. Fomos recebidos com um coquetel refrescante de boas-vindas, num bar improvisado logo na entrada e muito providencial, tendo em vista o calor de sauna que fazia lá dentro. A coleção é inspirada em Napoleão Bonaparte e suas batalhas, mais precisamente uma realizada no Egito que, por sua vez, liga referências com Peter O’Toole e seu Lawrence da Arábia. Tendência Oriente, eu digo (lembram de Van Assche e Dries?).

Eu nunca fui muito fã da estética Gallianista, rebuscada e poluída demais pro meu gosto. É tanta informação que fica difícil até identificar o que é roupa de verdade. E os meninos que desfilam me lembram os do Lino Villaventura, então já viu, né? Mas, fazendo o exercício de limpar o styling dramático de seus beduínos, sobram algumas boas peças utilitárias, esportivas e em couro emarfanhado, bem atual. É tudo um streetwear disfarçado. Os sneakers a la Dunk nos pés não me deixam mentir. O jeans é feio e o bloco de underwear é constrangedor. Enfim, nada que vá mudar a moda mundial, mas valeu pela locação absurda, pelo ambiente ouriçado e, claro, por Galliano em si ao final. Impagável. Vejam no vídeo.

(link aqui para quem não conseguir ver o vídeo)

 

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
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