TNG | Hypercool
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31/05/2010 - 19:07

Jovens sem rumo

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Duas grifes focadas na moda jovem, no streetwear, passaram ontem pelas passarelas do Fashion Rio. Passaram, sim, e só. Porque a moda apresenada deixa poucas marcas e está mais para ser esquecida. Os desfiles d’OESTUDIO e da TNG me decepcionaram.

Uma simples cutucada no nariz, um enrolar de cabelos enquanto pensa na morte da bezerra ou o gesto automático de esconder as mãos entre as pernas para aquecê-las. Gestos impensados do cotidiano que a trupe d´OESTUDIO quer transformar em moda funcional, sempre com a pegada jovem e streetwear que lhe é peculiar. Diluídas nos cinco blocos dos desfiles, sutis ou nem tanto, as referências divertem mais do que acrescentam algo substancial à moda em si. E já que a jardinagem tomou conta do imaginário fashionista nesta temporada carioca, nada melhor do que cada modelo ter o seu gramado particular na cabeça, não é mesmo? Vestidos e bermudas amarelos post-it, com os próprios pendurados, onde rabiscos lúdicos dividem espaço com números incompletos de telefone, lembram o ato de riscar sem nada para dizer que cometemos quando ao telefone ou à espera de alguém. Costumes de náilon, calças de gancho baixo  e ótimos tênis – de novo o highlight da coleção – tratam de garantir a pegada esportiva, realçada pelos muitos capuzes. Esquentar as mãos fica mais fácil com os bolsos estrategicamente abertos entre as coxas e ao invés de enrolar os cabelos, que tal fazê-lo numa saia-peruca? No masculino, a grife acerta mais no looks monocromáticos cáqui e outro verde musgo, urbanos e elegantes, enquanto o melhor momento das meninas acontece nas entradas dos macacões. Câmeras por toda parte lembram a veia multimídia do coletivo, mas não salvam do bocejo quando se trata de moda.

Fazer moda jovem é mesmo o mote da TNG, isso não é segredo e, até aí, tudo certo. Mas é preciso haver coerência e continuidade na evolução. Depois de um período estacionada nos anos 80, onde mais errou do que acertou, a grife parecia ter dado, finalmente, um passo largo em direção ao que de mais atual acontecia na moda comercial e no jeanswear, foco principal de seu trabalho. Pois bem, volte duas casas e recomece tudo de novo. O inverno trazia shapes, proporções e ideias frescas, em sintonia com direções globais, enquanto o verão volta a bater na tecla oitentista, com pitadas de anos 50 e 60, mais outro tanto de 70, Mods, New Wave, Op Art…Ou seja: tudo ao mesmo tempo agora. E, com tantas referências, fica difícil criar uma identidade. O resultado é confuso, datado, raso. Sem contar a esgotada fórmula de botar o casal principal da novela das oito para desfilar, que só puxa para baixo o nível geral da apresentação. Coincidência ou não, as melhores entradas aconteceram sempre imediatamente após as voltinhas de Marcello Antony e Carolina Dieckmann, num esperto truque de edição de Mauricio Ianês. Skinny com oversized, alfaiataria com esporte, listras, poás, tabuleiros, ninguém se entendeu. E a receita desandou. São boas, no entanto, as peças em jeans cinza, bem como as calças mais sequinhas e os paletós mais ajustados – por que isso não é padrão na coleção, ninguém sabe. Idem para as maxicamisetas listradas que, bem combinadas com shorts nos meninos, ganharam pontos no quesito simpatia

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
12/01/2010 - 11:44

Surprise! Surprise!

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Eu tanto reclamei da ausência de moda masculina no Fashion Rio que tomei um direto no queixo ontem, com o desfile da TNG. A grife de Tito Bessa entrou no túnel do tempo em 1985 e saiu em 2010, de silhueta nova e informação de moda up to date. Mérito de Maurício Ianês, que substitui Regina Guerreiro na direção criativa da grife.

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Saem os anos 80 e entram os 10 do século 21 na vida da TNG. Com a saída de Regina e a entrada de Mauricio no comando do estilo da marca, assistimos a um salto -ainda que relativo- em sua relevância no line-up do Fashion Rio. Ainda que se discuta se é o tipo de moda que deve ser apresentada no calendário nacional, não resta dúvida de que é muito mais agradável ver propostas em sintonia com as ruas de hoje do que um festival de shapes equivocados e cartela de cores que funcionaria bem apenas há 25 anos. E quem se deu melhor nisso tudo foram os homens.

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Na coleção inspirada em esquimós e demais nativos do Alaska, salta aos olhos o acerto da silhueta masculina, com cortes mais ajustados e um charmoso jogo de proporções na sobreposição de peças, informação também vista na última temporada internacional -Kris Van Assche e Dior, anyone?. São ótimos os camisetões com jeito de túnica, longos até a coxa, dando alô por baixo das jaquetas de náilon e paletós mais curtos. Xadrezes em preto e vermelho, acompanhados de botinhas em nobuck e chapéus a la Daniel Boone, fazem de lenhadores urbanos o par acertado para as meninas de vestidinhos curtos de seda e detalhes em pele –falsa- nas pesadas peças de tweed. Boas também as peças em tricô grosso que salpicaram o desfile em cachecóis e pulôveres quentinhos. Agradável surpresa que, apesar de ser perfeitamente comercial, não deve chegar inteira às lojas. Uma pena.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
08/06/2009 - 11:56

Fashion Rio, day 3: Cadê os homens?

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Estamos entrando no terceiro dia de Fashion Rio e moda para meninos, até agora, só alguns parcos looks da TNG. E do primeiro bloco, porque do meio para o fim a situação fica constrangedora. Ombros gigantescos, paletós quadrados, shapes errados e antigos. Alguém resgata a Regina Guerreiro dos anos 80, pelamordedeus? Eu adoraria ver a próxima lista de degolas do evento. Tenho meus palpites…Por ora, algumas fotos salvadoras da parcela safari da apresentação da grife de Tito Bessa (e de Regina, né? Que tudo ali é dedo dela…).

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
13/01/2009 - 01:06

Do mato ao asfalto

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Gente, tá corrido, mas arrumei um tempinho (curto) pra dar satisfação a vocês. A vida masculina no Fashion Rio de inverno 2009 despertou hoje com mais uma prova de poder da Redley, que realizou, no bucólico Parque da Tijuca, mais um de seus impecáveis desfiles. Cartela de cores sob medida, em tons terrosos e outros tantos derivados do cenário que nos rodeava; tricôs de primeiro mundo (mais para o frio da terra do estilista da marca, o alemão Juergen Oeltjenbruns, do que para o nosso, é bem verdade…), desenvolvidos mineiramente pelos cariocas em Belo Horizonte; bermudas folgadas, num patchwork de cores geometrizadas, de acabamento perfeito, lindas jaquetas e mais um monte de objetos de desejo para o próximo inverno. Poderoso. Quase repetitivo, se pegarmos as coleções recentes da Redley mas, melhor assim. Já pensou se fosse repetição de erros? Em time que está ganhando não se mexe, dizem…

Fechando o dia, a TNG confirma sua real vocação: jeanswear rápido, direto, pronto pras ruas, sempre com alguma referência esportiva. Podem até questionar o formato datado do desfile, as pirações stylísticas de Regina Guerreiro (que, desta vez até entrou nas palmas, ao final do desfile, junto com o Tito Bessa e convidados…) ou falta de ousadia na alfaiataria, por exemplo, mas ainda considero esta coleção melhor do que a anterior. São boas as camisetas de cores cítricas e referências geométricas, como os patchworks formando triângulos. Ponto também para algumas lavagens do jeans, carro-chefe master da grife, portanto dono de maior atenção. A esbranquiçada é a mais interessante. Só não precisava de tanta jardineira, né? A peça se desdobrou em todos os tons de indigo e de sarja, cada hora com uma cara, mas sem acrescentar muito em termos de informação de moda. Mas…a gente não espera tanto da TNG, não é mesmo? Pelo menos entrega o que se propõe a entregar.

Curiosidade: Pelos corredores, andam chamando esta edição do FR de “edição botânica”, tantos são os desfiles com inspiração em plantas, flores, vegetação…uma coisa Eco total. Té amanhã.

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
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