Jovens sem rumo
Duas grifes focadas na moda jovem, no streetwear, passaram ontem pelas passarelas do Fashion Rio. Passaram, sim, e só. Porque a moda apresenada deixa poucas marcas e está mais para ser esquecida. Os desfiles d’OESTUDIO e da TNG me decepcionaram.
Uma simples cutucada no nariz, um enrolar de cabelos enquanto pensa na morte da bezerra ou o gesto automático de esconder as mãos entre as pernas para aquecê-las. Gestos impensados do cotidiano que a trupe d´OESTUDIO quer transformar em moda funcional, sempre com a pegada jovem e streetwear que lhe é peculiar. Diluídas nos cinco blocos dos desfiles, sutis ou nem tanto, as referências divertem mais do que acrescentam algo substancial à moda em si. E já que a jardinagem tomou conta do imaginário fashionista nesta temporada carioca, nada melhor do que cada modelo ter o seu gramado particular na cabeça, não é mesmo? Vestidos e bermudas amarelos post-it, com os próprios pendurados, onde rabiscos lúdicos dividem espaço com números incompletos de telefone, lembram o ato de riscar sem nada para dizer que cometemos quando ao telefone ou à espera de alguém. Costumes de náilon, calças de gancho baixo e ótimos tênis – de novo o highlight da coleção – tratam de garantir a pegada esportiva, realçada pelos muitos capuzes. Esquentar as mãos fica mais fácil com os bolsos estrategicamente abertos entre as coxas e ao invés de enrolar os cabelos, que tal fazê-lo numa saia-peruca? No masculino, a grife acerta mais no looks monocromáticos cáqui e outro verde musgo, urbanos e elegantes, enquanto o melhor momento das meninas acontece nas entradas dos macacões. Câmeras por toda parte lembram a veia multimídia do coletivo, mas não salvam do bocejo quando se trata de moda.
Fazer moda jovem é mesmo o mote da TNG, isso não é segredo e, até aí, tudo certo. Mas é preciso haver coerência e continuidade na evolução. Depois de um período estacionada nos anos 80, onde mais errou do que acertou, a grife parecia ter dado, finalmente, um passo largo em direção ao que de mais atual acontecia na moda comercial e no jeanswear, foco principal de seu trabalho. Pois bem, volte duas casas e recomece tudo de novo. O inverno trazia shapes, proporções e ideias frescas, em sintonia com direções globais, enquanto o verão volta a bater na tecla oitentista, com pitadas de anos 50 e 60, mais outro tanto de 70, Mods, New Wave, Op Art…Ou seja: tudo ao mesmo tempo agora. E, com tantas referências, fica difícil criar uma identidade. O resultado é confuso, datado, raso. Sem contar a esgotada fórmula de botar o casal principal da novela das oito para desfilar, que só puxa para baixo o nível geral da apresentação. Coincidência ou não, as melhores entradas aconteceram sempre imediatamente após as voltinhas de Marcello Antony e Carolina Dieckmann, num esperto truque de edição de Mauricio Ianês. Skinny com oversized, alfaiataria com esporte, listras, poás, tabuleiros, ninguém se entendeu. E a receita desandou. São boas, no entanto, as peças em jeans cinza, bem como as calças mais sequinhas e os paletós mais ajustados – por que isso não é padrão na coleção, ninguém sabe. Idem para as maxicamisetas listradas que, bem combinadas com shorts nos meninos, ganharam pontos no quesito simpatia














