Sorry pelo abandono, gente, mas a vida tá corrida. Editorial pra cá, editorial pra lá, matéria aqui, figurino acolá…e os preparativos para a semana de moda de Nova York a mil. Sim, este blog se muda para a Big Apple, de 05 a 12 de setembro, durante a Fashion Week local. Legal, né? Pois é, apesar de serem desfiles femininos, vou correr atrás de news hypercool por lá e prometo abastecer vocês com a maior freqüência possível, ok? E no final do mês tem Paris!!
Tudo isto para justificar minha ausência por essas páginas, mas garantindo que as antenas continuam ligadas. Tão ligadas que eu não posso deixar de recomendar a quem não ligou as suas e perdeu, no último sábado, o caderno Vitrine, da Folha de São Paulo.
A matéria de capa, intitulada “Chega de consumo ‘contemporâneo’” – muito bem escrita, por sinal – diz muito sobre a situação massificada em que nos encontramos no que diz respeito às nossas escolhas consumistas. Com a “popularização e banalização” do que se convencionou chamar de design arrojado (aquele de sala vazia, aço escovado, madeira e linhas retas) e contemporâneo, vulgo “estilo Wallpaper” (a revista), a tendência (sim, a palavra existe, pelo menos no que toca ao comportamento) entre os consumidores A e B é a da busca pelo novo no passado. Traduzindo: o retrô é o novo sinal de modernidade. O “Wallpaper” ficou para a classe C.
E esse é um movimento geral, na moda (400 lojas especializadas em roupas vintage só em Tóquio), na decoração, nos transportes…Em suma, é a nova faceta do não-conformismo em ser massificado. O consumidor mais sofisticado hoje começa a procurar lojas escondidas, marcas pouco acessíveis e produtos raros, além de dar cada vez mais valor para algo que agregue valor sustentável, ecologicamente correto. Aí está o novo luxo. E por ser ainda relativamente caro, este tipo de produto está fazendo surgir o Scuppie, um ecochic, mezzo yuppie, mezzo hippie, que vai às compras de bolsa de algodão orgânico, mas é capaz de desembolsar R$ 470 mil num carro híbrido. Capisce? Vitor Angelo já havia falado deste fenômeno aqui. Eu confesso ter uma certa preguiça de gente que usa isso tudo para ostentar e se sentir melhor que os outros. Dá um tempo, né? A matéria do Vitrine é excelente e vale muito a leitura. Pede emprestado pro seu amigo, sua mãe ou qualquer um que costume acumular jornais pela casa. (Não consegui achar na net. Se alguém se habilitar, por favor poste o link nos comments pro pessoal, ok?)

E o Pilati, hein? O outro assunto hoje aqui é a metralhadora giratória que baixou no Stefano Pilati, estilista da YSL, em entevista publicada neste domingo, em matéria de seis páginas, na New York Times Magazine. Por favor, leiam a matéria inteira e entenderão por que este cara é um dos maiores estilistas que temos hoje na moda. Entre pitadas de maliciosa arrogância e de um humor bem peculiar, Pilati dispara pérolas inteligentes e sensatas, que cutucam o mundo da moda como um todo e, especialmente, dois ícones pop que beiram a unanimidade.
Explicando a diferença entre ter um dom e ter talento, Pilati cita Madonna e Tom Ford como pessoas talentosas, mas que não tem um dom. “Madonna é uma pessoa talentosa, mas ela não possui um dom. Não é Pina Pausch ou Margot Fonteyn. O mesmo para Tom, que tinha um talento para agradar as mulheres e o mercado, mas não assumia riscos, não desafiava a moda e muito menos suas clientes”. Completa dizendo que todo mundo na YSL odiava Tom Ford e que vinham desabafar com ele. A matéria continua, rica em anedotas, respostas bem sacadas e até revelacões sobre a infância em Milão, com destaque para a relação complicada com os pais em nome do amor pelas roupas. Genial.