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23/06/2009 - 16:54

Balancinho SPFW

The day after. A correria foi tanta (e não acabou ainda), que só agora consegui parar aqui com calma para recapitular e analisar o que de melhor foi visto nas passarelas da SPFW de verão 2010. Os homens até que se deram bem no saldo final da temporada. Com foco principal em releituras e reinterpretações da alfaiataria clássica, até grifes jovens como V.Rom e Cavalera tiveram seus bons momentos ao olhar para o tradicional closet masculino. O bacana é que tudo vem remixado, colorido, combinado de um jeito fresco mesmo quando o tema é austero. Como na brilhante coleção de Alexandre Herchcovitch.

Alexandre Herchcovitch não definiu um tema para sua coleção masculina de verão. E nem precisava. Ao declarar que se contentaria em fuçar no guarda-roupa tradicional dos homens e retrabalhar itens clássicos a sua maneira, já dava direção de que boa coisa viria. A alfaiataria clássica impera, portanto. Mas ela vem cheia de charmosos detalhes, como as lapelas dos paletós em náilon fininho, duplo e quase transparente, que revela uma camada de mini-poás. Efeito presente também nas gravatas borboletas e em calças pregueadas, de pegada esportiva, mas com corte de alfaiate. Ofício que Alexandre domina muito bem e exerce à perfeição em paletós curtos e sequinhos, nas bermudas e nas belas calças de gancho baixo. Na coleção, os coletes renascem em versão armadura, num tricô de correntes e musseline sintética, usados por cima das camisas. Trench-coats desconstruídos pontuam toda apresentação, ora curtinhos, quase boleros, ora sem as mangas, em shape de coletão. Antigamente, homem elegante que se prezasse não saía de casa sem sua bengala ou seu guarda-chuva. Os dândis de Alexandre têm os seus, de madeira reaproveitada e com um soco inglês como empunhadura. Coleção impecável, abrilhantada por um styling preciso, que soube pontuar cores na sóbria cartela de forma muito inteligente.

No caso da Reserva, a coisa é mais solta, mais malemolente, mais carioca, enfim. Acho a coleção boa, no ponto entre o comercial e o conceito (tomara que tudo apareça nas araras das lojas, né, meninos?), mas achei que faltou uma melhor edição e styling, ficou tudo muito “normalzinho”. E também não precisava da mala da Fernanda Young. Nota 7. Segue abaixo a crítica para o site LP.

A fama de malandro do homem carioca descambou para a safadeza. O trio de meninos da Reserva vai à África para um safari e leva junto a picardia do conquistador brasileiro, com direito a Fernanda Young lendo um manifesto do safado na abertura do desfile. A sacanagem dominou até a trilha, composta por músicas populares de duplo sentido, hits nos melhores arrasta-pés. Muita safadeza no tema e boa moda comercial na passarela. Os já famosos tricôs da grife são fininhos, feitos em fio de linho, atenuando o calor úmido que impera tanto na savana, quanto na maioria das cidades brasileiras no verão. Eles vêm em forma de deliciosos cardigãs, zebrados ou lisos, sempre manchados como se o Don Juan do Leblon tivesse rolado na relva com sua amada. Calças saruel ou dhoti, utilitárias e confortáveis, além dos coletes esportivos em náilon, têm potencial para ser sucesso de vendas nas lojas. Ponto também para os tênis de palha e os colares de seta, apontando para baixo em direção do cartão de visitas do safado. A imagem mais limpa do que a da temporada passada ajuda a entender melhor a coleção, que pareceu um tanto invernal em alguns momentos (vai ver por isso a turma entrou, de novo, com o rosto e cabelos transpirados), mas faltou algo mais do que as marcas de batom do final para um melhor desenvolvimento do tema. Resultado positivo ao final.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
22/06/2009 - 17:15

Boa, Mario!

Para quem torce por um aprimoramento e evolução da moda masculina no Brasil, o desfile de verão 2010 de Mario Queiroz é um sinal de alívio. Antes perdido em shapes antigos e imagens confusas, o estilista dá um salto de qualidade e, mesmo em uma apresentação pouco coesa, mostra que pode ter, enfim, encontrado rumo certo. Aproveitando o tema gaulês da SPFW, Mario olha para a elegância clássica dos homens parisienses, observados por ele desde os anos 80. Vêm de lá referências ao pauperismo dos criadores japoneses como Yohji Yamamoto, presentes nas calças de gancho baixo e padrões clássicos como a risca-de-giz e o vichy. O que salta primeiro aos olhos é o acerto da modelagem dos blazers e paletós, mais sequinhos, curtos e de dois botões, atuais e simpáticos mesmo tingidos de vermelho. Piscadelas navy surgem nas listras horizontais das camisetas de malha, cobertas em alguns momentos por cardigãs e maxicache-coeurs. São boas também as bermudas, folgadas e urbanas, apesar de algum excesso de pano, assim como nas calças. A camisaria evolui, mas ainda precisa acompanhar o frescor da alfaiataria para ter mais peso. As peças com macroestampa de orquídea parecem meio deslocadas, e boa mesmo só a jaquetinha hoodie combinada com sunga. Tudo bem que é verão, mas qual homem parisiense desfila pelas ruas da cidade luz vestido como um surfista ou salva-vidas? A divisão do desfile em blocos não resolveu a questão. E Mario poderia ter caprichado mais no bistrô que servia de cenário. Estava mais para um dinner americano qualquer. No geral, boas novas para os homens brasileiros em busca de mais estilo. Eu que sempre implico com ele, fiquei feliz de verdade em notar essa evolução, que só faz acrescentar à nossa moda masculina.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
20/06/2009 - 00:21

Mais meninos

E em três dias de SPFW já tivemos mais moda masculina do que em todo o Fashion Rio (ô Paulo Borges, acerta isso aí, vai!). Abrindo o evento, o carnaval velado da Osklen, que fugiu da obviedade ao evitar os excessos naturais de coleções calcadas no tema sambista que a gente tanto conhece. A equipe de estilo comandada por Oskar Metsavaht merece mesmo uma reverência, eles deram aula. Muito chic. Hoje tivemos boas idéias na Ellus que, sem revolucionar a indumentária masculina, não compromete e acerta na alfaiataria cinza, elegante e em proporções corretas. A Triton sim, surpreende. Com um quezinho de V.Rom, seus meninos vieram fofos, floridos e docemente caipiras. Excelentes as peças em patchwork combinadas com jeans. Belo avanço. Amanhã tem mais.


Osklen

 

Ellus
 


Triton

 

Fotos: Chic e Erika Palomino

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,
19/06/2009 - 23:27

Ufa!

Ao Rodolfo e outros leitores assíduos que andam sentindo falta de posts sobre o SPFW: A vida tá muuuuuuito dura. Ou eu durmo ou eu posto. Entre um desfile e outro, aqui vai a crítica do bom desfile da V.Rom, que aconteceu no longínquo primeiro dia de evento. Logo, logo vem mais.

Em franco processo de amadurecimento, Igor de Barros toma ares de alfaiate street e realiza consistente coleção para o verão da V.Rom. Para quem acompanha o trabalho recente da grife, era de se esperar uma profusão de tons fortes e estampas, combinados e embaralhados rumo a uma estação quente e colorida, bem ao estilo das temporadas passadas. Nada disso. Dando seqüência à semente plantada no inverno, Igor mergulha de vez no complexo exercício de releitura e desconstrução da alfaiataria, onde brinca de (des) montar  peças clássicas do closet masculino, como os conservadores coletes. Tiro certo. Sem perder suas raízes utilitárias e confortáveis, as apostas da V.Rom  bebericam no trabalho da artista e pesquisadora botânica inglesa Margaret Mee, que se especializou em passar para o papel símbolos da flora amazônica. De lá saem cores esmaecidas como o lilás das orquídeas, o verde-água e os azuis, tingindo as já clássicas jaquetas e parcas da grife. As lãs fininhas em cinza e preto tratam de urbanizar bermudas e calças de gancho bem baixo, atuais, mas com perfume retrô, graças às charmosas pregas frontais. Os tecidos, orgânicos em sua maioria, têm aspecto lavado e amassado, puro conforto para dias ensolarados na cidade ou na orla. Destaque para o jeans de aspecto destroy, espertamente inserido nas sobreposições que fazem a fama da V.Rom.

Fotos: Chic

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
15/06/2009 - 23:15

Vai começar…

 

…a SPFW, sim, disso você já sabe. Mas o que muita gente esquece é que vai ser dada a largada também para mais uma temporada internacional de moda masculina. Dia 20, sábado, começa a etapa milanesa, indo até dia 23. A partir de 24 de junho, ou seja, um dia após o fim da semana paulistana, é a vez de Paris. Espere ver vários posts a respeito no Hypercool, pois euzinho aqui estarei na Cidade Luz no período dos shows! Pra ir se programando, segue o line-up das duas cidades. Fique ligado!

MILÃO

20.06, sábado
Ermenegildo Zegna
CP Company

Costume National Homme
Jil Sander
Missoni
Burberry Prorsum
Carlo Pignatelli Outside
Les Hommes

Trussardi 1911

21.06, domingo

Bottega Veneta
Frankie Morello

Gianfranco Ferré

Gucci
John Richmond

Vivienne Westwood
Neil Barrett
Emporio Armani
Versace

Alessandro Dell’Acqua
Alexander McQueen
Giuliano Fujiwara

22.06, segunda-feira

Enrico Coveri

Dirk Bikkembergs

Roberto Cavalli

Salvatore Ferragamo
Etro
Moschino
Byblos

Calvin Klein Collection

Prada

Moncler Gamme Bleu
Canali

23.06, terça-feira
John Varvatos
DSquared2
Iceberg

Z Zegna

Giorgio Armani

Ermanno Scervino

PARIS

24.06, quarta-feira
Yves Saint Laurent

25.06, quinta-feira
Alexis Mabille
Issey Miyake
Hugo Boss
Francisco van Benthum
Juun J.
Louis Vuitton
Gaspard Yurkievich
Jean Paul Gaultier
Emanuel Ungaro
Dries van Noten
Julius
Henrik Vibskov

26.06, sexta-feira
Junya Watanabe
Blaak Homme
Thierry Mugler
Rick Owens
Walter van Beirendock
Kris van Assche
Comme des Garçons
Cerruti
Givenchy
Tim Hamilton
John Galliano
Raf Simons

27.06, sábado
U-ni-ty
Kenzo
Miharayasuhiro
Tillmann Lauterbach
Bernhard Willhelm
Ann Demeulemeester
Wintle
Damir Doma
Dunhill
Petar Petrov
Hermes
Sébastien D. Rodriguez

28.06, domingo
Bill Tornade
Lanvin
Wooyoungmi
Songzio
Masatomo
Qasimi
Dior Homme
Paul Smith
Agnes B.
Romain Kremer

29.06, segunda-feira
Marchand Drapier

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
11/06/2009 - 16:33

Balancinho Fashion Rio

Vocês devem ter percebido que foi duro arrumar assunto para a criação de posts regulares sobre o Fashion Rio. Pelo simples fato de que os homens sumiram das passarelas. Pouquíssima moda masculina foi vista ao longo da semana e o que desfilou não empolgou tanto assim. Não sei se é uma tendência para o futuro, mas é para coçar a cabeça. No geral, a opinião é que o evento ganhou estofo, peso e personalidade. Produção, estrutura e organização foram quase impecáveis. No line-up, bem, sem a presença dos supérfluos eliminados no paredão da degola (se bem que o Ivan Aguilar fez muita falta para quem se liga em moda para meninos), não houve extremos. Ficou tudo meio uniforme, flertando com a tênue linha da média, às vezes um pouco acima, em outras logo abaixo. Desastre não houve, tampouco brilho exacerbado, e eu tô aqui fazendo minha listinha das grifes que deveriam sucumbir à próxima faxina, com critérios de relevância pura e simples. Qualquer dia revelo pra vocês. E, em terra de cego, quem tem olho é rei. Ou rainha. Lenny Niemeyer continua em seu trono, demonstrando uma incrível capacidade de superação, estação após estação, sem dar sinais de esgotamento. Com coleção minimalista inspirada nas aves de rapina, a santista mais carioca do planeta fincou o cetro no topo do Fashion Rio e de lá não sai, de lá ninguém a tira. Nem a Redley. 

Por mais que se reconheça o trabalho minucioso de Jurgen Oeltjenbruns à frente da Redley (que iniciou as comemorações de seus 25 anos nesta temporada), com roupas de acabamento impecável, materiais de primeira e construção refinada, é visível o abismo entre o inverno e este verão. Uma identidade foi criada, é bem verdade, mas fica difícil requentar uma fórmula quando ela já atingiu o topo. Manter o nível é complicado, mas necessário. Não morro de amores por esse desfile não, mas a Redley continua rendendo looks fortes para eles, apesar da falta de novidade. Coisa que poderíamos cobrar da Ausländer, que fez um desfile tão jovem e despretensioso na última temporada, mas que precisa tomar cuidado para não se perder na tentativa de ser o que não é.

Não que o desfile tenha sido ruim, longe disso, mas a vontade de ser “chic e cool” demais pode tirar a grife dos trilhos em que parece ter tomado posição. Enquanto no inverno havia o tom frenético das ruas, das tendencinhas e da noite, para o verão a ordem é fazer festa não mais em club, mas na piscina. Os homens até que se deram bem, com cardigãs deliciosos, jeans clarinhos e branco, muito branco. Talvez a ex-grife-das-camisetas-engraçadas ainda esteja orientando sua bússola rumo a um DNA autêntico. A seguir…

E foi só. Pobrinho para a moda masculina, cada vez mais coadjuvante e sem representantes dispostos a sair da mesmice. Reflexões, reflexões… Que venha a SPFW!

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
06/06/2009 - 11:52

Welcome to Rio

As primeiras impressões dos primeiros desfiles do primeiro dia do Fashion Rio de verão 2010 são positivas. Para o evento em geral também, que ganhou estofo ao migrar para os hangares do Pier Mauá, com produção mais bem acabada e um charme a mais. Boa a iniciativa de Paulo Borges de importar os chefes de segurança que fazem a SPFW há anos e que já conhecem as pessoas, tornando tudo mais educado e eficiente no incontornável corpo-a-corpo que somos obrigados a fazer a cada entrada de desfile ou apenas para circular no evento. Ontem aconteceram as apresentações dos novos talentos do Rio Moda Hype e, mesmo sem nenhum destaque escancarado, a sensação é que o nível dos participantes é homogêneo, coerente e promissor. O formato dos desfiles é ideal, com shows enxutos e uniformes, com a moçada indo direto ao ponto e mostrando aquilo que têm de melhor. A Casa de Criadores teria muito o que aprender com o evento carioca. Não tem troca de cenário e nem apresentação com 68 repetitivos looks. Entre os novos masculinos, destaque para a R.Groove, já escolhida como revelação no Prêmio Moda Brasil do ano passado. Não encanta, mas mostra a que veio, principalmente na primeira metade do desfile, onde uma alfaiataria honesta se diverte com deliciosas bermudas e calças com uma brisa de Rio de Janeiro soprando. Relax, portanto. Blazer sequinho, de mangas curtas e estampado. Rique ainda inventou sua versão do boyfriend blazer feminino aplicado aos meninos. Neste caso seria o blazer de quem? Do pai? Daddy blazer. Na segunda parte, quando envereda pelo streetwear puro e simples sua nota média baixa um pouco, mas ainda assim passa de ano.

Boas novas também para as meninas (que poderão ler a respeito em alguns dos blogs da barra aí do lado), que devem ficar de olho na dupla da Lore, na Stefania e em Julia Valle. Mesmo sem fazer oficialmente parte do novo Fashion Rio, pode-se dizer que o Rio Moda Hype nos deu calorosas boas-vindas à Cidade Maravilhosa. Dia 2 começando…

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , , , , ,
24/01/2009 - 15:23

SPFW: c’est fini!

Ufa! Acabou a insanidade da Bienal e eu finalmente vou poder escrever sobre o desfile engajado da Reserva, sobre o comercial impecável do Alexandre Herchcovitch e sobre a surpresa Amapô. O próximo post já vem gringo, com minhas impressões sobre os desfiles de Milão e Paris ( adianto que não vai ser nada doce…).

Bem, na quinta-feira rolou a apresentação dos garotos do Rio mais paulistas que existem, já que a Reserva escolheu Sampa como passarela desde a última temporada. E o que se viu foi uma coleção mais difícil do que as outras, daquelas pra se olhar com lupa, limpar os excessos ( não curti o styling, carregado demais ) e ver que ela é boa sim. A inspiração nos conflitos entre povos de raças e credos diferentes que teimam em acontecer, principalmente no Oriente, rendeu ótimos tricôs de ponto largo, multicoloridos e com jeitão de esgarçados, boas calças de shape saruel, belas jaquetas matelassadas e ótimos hoodies para o dia-a-dia. Lindas as estampas que lembram grafismos africanos e a da Aurora Borealis. Também gosto bastante das peças em seda com inox – o que dá memória- e das fininhas, quase transparentes. Coleção madura. Acertaram, meninos ( o recado é pra eles mesmo, pois ao encontrá-los no lounge do GNT, me disseram que sempre passam pelo Hypercool. Fiquei lisonjeado. ).

Alexandre mirou no universo marítimo para mandar muito bem também, com uma proposta comercial, sim, mas nem por isso besta. A alfaiataria continua impecável, em cores novas e ousadas como o vermelho chilli do início, as jaquetas são todas must-have, a camisaria é certinha, enfim, tudo correto, pronto para a loja e para a conta do cartão de crédito. Pintaram umas referências  - sutis, bem diluídas – aos marujos, como galões, nós, grandes botões, gorros, capas plastificadas. A de poazinhos brancos é linda. Aliás, Alexandre acerta até quando utiliza materiais pouco convencionais como os plásticos, vinis e lamês. Por que eu gosto dos plastificados do Alê e não dos da V.Rom? Questão de classe e sutileza. O plástico e o vinil do Alexandre são muito fininhos, com corte de alfaiate, delicados, bem-sacados. O agasalho xadrez e a jacket com abotoamento duplo são ótimos. E vai pra loja, é real. Na V.Rom, tudo parece mais grosseiro, exagerado, fora de contexto, irreal e surreal.

A minha grande surpresa do evento foi a Amapô, que amadurece a passos largos em seu feminino, mas arrasa mesmo é nos seus meninos. Com um rebuscado e inteligente trabalho de desconstrução/reconstrução da alfaiataria masculina, criou looks frescos, novos e cheios de informação que encheram os olhos. Palmas para Carô e Pitty.

Fim da temporada brasileira. Volto com os internacionais.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
22/01/2009 - 12:13

V.Rom ou não?

Este post está sendo amadurecido desde ontem, por falta de tempo e porque eu precisei digerir o fato de todo mundo ter gostado muito do desfile de inverno 09 da V.Rom e eu nem tanto. Saí do desfile meio decepcionado, tentando entender o que tinha dado errado, já que eu sempre bati palmas feliz ao final das últimas apresentações da grife, diferente do que aconteceu desta vez. De cara, encontrei o Oliveros, que dizia, animado, que a “V.Rom mandou muito bem!”. No camarim do GNT, nos preparativos para o programa ao vivo, Paulo Martinez e Camila Yahn, convidados de Lilian Pacce, também diziam ter amado a coleção. Maria me ligou pra perguntar o que eu tinha achado e, feliz da vida, também alardeava todo seu entusiasmo. Mas que raios…então eu tinha enlouquecido? O errado era eu? Por que será que eu era o único a pensar diferente? Fiquei com aquilo martelando na cabeça até o final do GNT Fashion especial. Resolvi olhar as fotos na internet.

Primeira conclusão: não, eu não estou louco. Segunda: continuo com minha opinião, cada vez mais forte, aliás. Terceiro: não tem certo e nem errado nesse caso, apenas pontos de vista diferentes. Explico o meu: A V.Rom sempre primou por trazer frescor e novidade à moda masculina, carente de boas idéias e refém do conservadorismo da maioria das grifes. Por isso todos ficamos empolgadíssimos – talvez até demais, beirando o endeusamento do Igor de Barros – com as coleções recentes, que mixavam tudo ao mesmo tempo agora, flor com listra, xadrez com estampa e cor, muita cor. O melhor de tudo: era roupa real, usável, com informação e atitude. Novo. Nem precisamos entrar no mérito da roupa desfilada não chegar à loja e dos preços espaciais que a grife pratica. Fiquemos apenas com o apresentado na passarela do SPFW. 

No desfile de ontem, alguma coisa se perdeu. Gosto muito do início, com uma alfaiataria forte, de padronagem tradicional, mas nem por isso careta. Mudam os shapes, mistura-se bem, as usual. Boas as (onipresentes) calças cenoura e os paletós/blazers mais curtos, bem cortados. É muito simpática a mistura com camisaria de cores acesas, chic o tom clássico das peças em Príncipe de Gales e espinha de peixe. Mas daí em diante a queda é livre, com alguns sopros de inspiração isolados. Como certas jaquetas, apesar de reservadas a um homem de espírito mais show off (combinadas com um short também dourado, com cara de samba-canção).

Sobreposições, xadrezes, misturas de todo tipo. Espírito de aventura, mix de hippie orgânico com roqueiro sintético, atitude cool. Toda a alma da grife está lá, mas algo não encaixa. Experimentar é sempre válido, a moda masculina precisa disso, mas derrapadas como as peças em lamê, os vinis, os looks plastificados, os coletes (?) de veludo e o inexplicável couro caramelo custam caro. No caso, a leveza e identidade que elevaram a V.Rom ao pódio masculino do evento. O tênis/bota é feio e o shape das jaquetas de couro lembram a eterna Julian Marcuir. Vejam as fotos que ilustram meu raciocínio e formem a opinião de vocês. Lembrando que eu não sou o dono da verdade e que o certo e o errado andam lado a lado.

 

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
05/01/2009 - 12:07

Here we go!

Ano novo, mesma vida. É, o ano começou na correria, com os preparativos para a maratona fashion que se aproxima. A partir de domingo estarei no Rio de Janeiro, ralando no Fashion Rio e trazendo nas linhas do Hypercool o melhor      ( ou pior, vai saber… ) da moda masculina apresentada por lá. Em seguida, no outro domingo, São Paulo Fashion Week. Ê laiá. Mas a gente gosta. Depois de um réveillon tranquilo ( novas regras de ortografia aboliram o trema, é isso? ), regado a churrasco, piscina, dvds e o tardio início do livro Beautiful People ( título da versão francesa de The Beautiful Fall, de Alicia Drake, aquele do YSL e do Lagerfeld ), eu quero é trabalhar. Que 2009 promete!

Entre clássicos dos anos 80 como Gatinhas e Gatões, Ruas de Fogo, Lua de Fel, Lei do Desejo ( Almodóvar ) e mais outros tantos, o filme que marcou demais meu início de ano foi O Desprezo ( Le Mépris ), de Jean-Luc Godard, que eu nunca tinha visto. Quem não viu, corre já pra locadora! Vou gastar, portanto, mais umas linhas para incentivar vocês a assisti-lo. Porque vale muito a pena. Mesmo. O filme foi rodado em 1964 e conta a história de um casal, Paul e Camille ( Michel Piccoli e Brigitte Bardot, sublime! ), que entra em crise quando Paul, roteirista de cinema e teatro, é chamado pelo produtor de filmes Jeremy Prokosch ( Jack Palance ) para reescrever o roteiro do filme-adaptação da Odisséia, de Homero, dirigido por Fritz Lang, que interpreta a si mesmo. Prokosch se encanta por Camille e começa a arrastar a maior asa para o lado dela. Paul, dividido entre manter a honra e garantir um bom dinheiro para terminar a reforma da casa, faz vista grossa. E é este o elemento-chave para uma DR profunda, interminável, angustiante, que conduz o filme todo. Como pano de fundo, analogias a Dante e à mitologia grega servem para fazer pensar ainda mais sobre as relações humanas.

Godard tem um cuidado estético primoroso, tanto com as locações ( Roma e Capri ), quanto com as tonalidades das cores utilizadas no longa. Azul, laranja e amarelo pontuam, em seus mais diversos tons, o filme inteiro, seja nos móveis da casa de Paul e Camille, nas toalhas de banho, no cenário paradisíaco do sul da Itália ou até mesmo na cor dos filtros sobre a película. Por quê azul, laranja e amarelo? Tem que assistir pra entender, mas adianto que a razão é super poética. Lindo de morrer. Genial. Fiquem com o trailer, narrado pelos atores principais, para ter uma idéia.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
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