Outra coleção matadora é a de Rick Owens, que desfilou ontem pela manhã aqui em Paris. Ele já vem brincando com proporções faz tempo, mas agora seu exercício de sobrepor curtos a compridos está mais do que atual. Djellabahs estão em alta. Muito couro, jeans e preto, bastante preto, como de costume. A imagem é das mais edgy da temporada, mas tudo ali é bem usável. Reparem nos bermudões, os mesmos que pintaram no Kris Van Assche e também na coleção multirracial da Givenchy (outra direção forte). Tendencinha à vista para os mais ousados. Depois de ver estes desfiles, nem dá pra lembrar que a temporada de Milão existiu. E quem quer ver terno, gravata e alfaiataria convencional nem precisa de semana de moda, bastam os show-rooms. Eu quero é novidade, quero andar pra frente, com a bandeira pela criatividade na moda masculina em punho. E antes que alguém diga que não dá pra usar nada, aviso que pelas ruas de Paris a silhueta desabada, largona, confortável e, sim, moderna, já tem seus adeptos. Se é roupa para adolescente? Eu acho que não. Tem pra todo mundo. E mesmo quem é mais conservador pode usar sem medo, basta exercitar a criatividade. Não é por isso mesmo que a gente gosta de moda?
Eu tenho gostado muito do trabalho de Rick Owens. Confesso que não dava a devida atenção a esse americano cabeludo e bombado até pouco tempo atrás. A luzinha acendeu quando a Karina Mota (Surface to Air) me cobrou umas linhas sobre ele aqui no blog. Peguei a lupa, olhei mais de perto e me apaixonei. Daí que as linhas cobradas ganharam a companhia de fotos e vídeos, cada um mais incrível que o outro. Já postei aqui imagens do lookbook e o último desfile realizado em Paris. Recentemente, o fotógrafo Nick Knight, um dos nomes por trás do site hype Showstudio, fotografou Owens para a revista Arena Homme Plus e registrou parte da entrevista em vídeo, além de realizar um dramático vídeo-perfil do estilista. Tudo muito lindo, assim como as roupas. Rick Owens rocks!
Sim, eu estou in love com o Rick Owens. Principalmente depois do último desfile, o de inverno 2009/10, realizado em Paris no final de janeiro. É uma das coleções mais fortes, novas e criativas que vi na temporada. A Karina Mota, da Surface to Air, vivia me cobrando mais atenção ao moço. Taí, Karina, coisa feita. Já postei sobre o desfile, sobre a linha DRKSHDW e agora, com vocês, o vídeo do tal último desfile, na íntegra. Dividido em duas partes para facilitar as coisas. Enjoy.
Antes de abordar o que eu mais tenho gostado e o que de mais relevante vem acontecendo na semana de moda masculina de Paris, queria responder ao Junior Tavares, leitor que me pediu opinião sobre alguns desfiles de Milão. Junior, eu não mencionei a DSquared, a Moschino, a Etro, o Zegna e nem o Ferragamo simplesmente porque eles não apresentaram nada de novo, em suas coleções ultra comerciais e caretas. Os irmãos Caten estão presos a uma fórmula e não desapegam de jeito nenhum, previsíveis; Moschino faz umas graças, mas não acrescenta nada ao nosso repertório; a Z Zegna -que desfila em NY- é muito mais legal do que a linha mãe, clássica e careta demais, e a Etro, bem, essa também não me encanta não. Milão, em geral, é bem boring. Já Paris…
Impressionante o abismo de criatividade de uma capital para a outra. Os desfiles da capital francesa são quase todos bons! O nível de aproveitamento é incomparável. Claro que temos que levar em consideração o momento criativo e econômico global, isso respinga também por lá, mas mesmo assim…cheira a novidade, sabe? A começar pelos castings. De onde sai tanto menino incrível? Tô bem animado com o que vi até agora. Balancinho rápido: muuuuito preto, sobreposições mil, paletós de um e dois botões, calças amplas -tem até versão pantalona cropped na YSL!-, novo olhar sobre a alfaiataria, botas pesadas nos pés. Vamos lá.
YVES SAINT LAURENT
Incrível como Stefano Pilati entendeu as transformações do homem deste novo século. Suas coleções são desafiadoras, frescas, chics. E ainda prova que não parou no tempo aliando o show real a vídeos sensacionais. O novo é assinado por Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin e tem o ator Michael Pitt como único protagonista, reagindo a uma voz feminina muito da sensual que recita um texto em que estão embutidas as principais infos sobre a coleção, como tecidos, cores e shapes. Clica aqui pra ver (é o primeiro videozinho da esquerda). Mestre!
RAF SIMONS
Gênio do corte e da nova alfaiataria, já desafiou nossas percepções sobre a silhueta masculina com sua coleção para a Jil Sander, semana passada -aquela que lembra bem a do João Pimenta. Em sua linha pessoal, começa bem tradicional, quase careta, até explodir em criatividade com suas peças bicolores, com mangas cítricas, sobremangas arredondadas e shape slim. Brilhante!
RICK OWENS
É a primeira coleção exclusivamente masculina de Rick Owens. Começou muito bem. Tudo tem a cara dele, um Mad Max moderno, com muito couro, preto na veia, sobreposições delícia. Um look mais poderoso que o outro, difícil até escolher foto. Gosto muito.
NUMBER (N)INE
Japonês é fogo. Takahiro Miyashita vem tirando do anonimato a Number (N)ine com muito talento. Apaixonado por grunge e punk, tirou inspiração para esta coleção de um quarto de hotel no Alaska, onde ficou preso por causa do mau tempo durante uma de suas viagens. Cortinas, sofás, objetos de decoração, tudo serviu de referência. O resultado é de se cortar. Confiram vocês mesmos.
KRIS VAN ASSCHE
Todos que me acompanham sabem do meu bode pelo Kris Van Assche. Acho que ele não substituiu à altura o Slimane na Dior e suas coleções solo sempre beiraram o cafona. Pois bem, paguei a língua. Em seu inverno 2009, o rapaz mesclou muito bem alfaiataria e utilitarismo, brincou com shapes e proporções, trouxe algo novo a seu próprio repertório. As calças amplas funcionam bem e as sobreposições são inteligentes, de bom gosto. Grata surpresa.