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23/01/2010 - 18:38

Último (bom) dia masculino do SPFW e pra onde vai a moda deles no País

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Acabou mais uma edição do SPFW, com saldo apenas regular para os homens – fez falta a V.Rom. O último dia, porém, reservou bons momentos para quem esperou a temporada inteira por um pouquinho de emoção no árido terreno da moda masculina brasileira – exceção feita ao fortíssimo desfile de Alexandre Herchcovitch. Vão me chamar de azedo, exigente, dizer que não gosto de nada, que nada está bom etc…A questão é que não dá para tapar o sol com a peneira e se contentar com o festival de modelagens erradas, tecidos do terceiro escalão e falta de idéias que teimam em desfilar pelas nossas passarelas. O melhor é que eu acho que o Brasil tem potencial pra fazer boa moda de menino, sim, mas está muito preso a convenções, acomodado, falta ousadia, falta quebrar o círculo vicioso que manda que não se muda porque-não-vende-porque-o-homem-brasileiro-não-entende-porque-não-vende-porque-o-homem-brasileiro-não-entende. Ou então ficamos satisfeitos com moda jovem “mucholoca”, de nicho, que nada acrescenta à cultura de moda do homem  brasileiro. Por isso fiquei feliz com o avanço na TNG. Por isso a nobreza de materiais e a ousadia de Alexandre encantam tanto. Pena o Ricardo Almeida não desfilar mais, pena gente jovem como a Stone Bonker, por exemplo, não estar num desses line-ups, pena o João Pimenta estar escondido no breu do Frei Caneca…

Do EstilistaDo Estilista-1

Enfim, feito o desabafo, convém dizer que fiquei bem feliz com a coleção de Marcelo Sommer para a sua Do Estilista, ontem, lá na Bienal. Menos pelo clima triste, triste do desfile e mais pela boa silhueta de seus meninos, pelo casting de amigos, pela simpatia das peças sóbrias e com jeitão de usadas – algumas eram recicladas, de coleções anteriores da grife -, que criam desejo ao mesmo tempo em que tem informação de moda – entendem o que eu digo? Marcelo investe numa moda mais real e menos circense e, ao meu ver, ganha muitos pontos na sua relevância para o mercado. Depois de uma estação longe dos desfiles, foi um belo comeback. Volte sempre, Má, mas mais feliz, promete?

ReservaReserva-1

Já teve seus 15 minutos de fama hoje? Andy Warhol profetizou e as proporções do que é ser celebridade nos anos 10 do século 21 tornaram-se industriais. E é sobre um cara com tamanha fixação em aparecer que chega a fabricar sua fama a narrativa da coleção de inverno 2010 da Reserva. O CQC Felipe Andreoli introduziu o tema, repetindo o discurso pré-desfile que a grife utilizou na temporada passada com Fernanda Young (é mesmo necessário?), mas foi quando a voz de Susan Boyle ecoou pela sala 3 da Bienal que começou de fato a brincadeira fashion dos meninos do Rio. A primeira coisa que salta aos olhos é a mudança na silhueta. Saem as calças de shape saruel que fizeram a fama – olha ela aí – da marca, para a entrada de skinny comportadas, resinadas e coloridas, combinadas com belos tricôs metalizados, efeito conseguido também com aplicação de resina especial. Detalhes espelhados como broches e botões fazem alusão ao narcisismo do caçador de sucesso instantâneo que, com seu respectivo código de barras aplicado na roupa, caminha como boneco – o make plastificado ajudou na caracterização –, com direito a clone no look de tricô com bermuda sequinha – um dos combos mais acertados do desfile. São excelentes os cardigãs fininhos, com textura de reciclados, em versão twin-set e, mais grossos, com gola xale de gala. A brincadeira de desconstruir o Black-tie, por sinal, foi a parte mais fraca da apresentação, pois a modelagem de certas partes de cima foi bastante prejudicada no emprego de materiais pouco convencionais como o jeans, por exemplo. São boas as botinhas docksides da Sebago e – que bom! – ainda pipoca uma e outra calça de gancho baixo mais contido. Foi impactante o final com a incrível parka refletiva, tricotada com a boa e velha fita cassete. Melhor notícia para quem gostou da mistura de esporte, streetwear e alfaiataria dos meninos da Reserva: aqui (quase) tudo é real, ou seja, vai pra loja.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , ,
04/02/2009 - 19:16

Ricardo Almeida e as cores

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Ontem foi dia de lançamento para Ricardo Almeida, que recebeu pequenos grupos de jornalistas, em horários escalonados, para uma visita guiada em seu ateliê. A intenção era revelar sua coleção de inverno, com riqueza de detalhes e explicações que só poderiam ser feitas pelo criador em si, mesmo. Achei bacana a iniciativa, gosto dessa vontade do Ricardo de estar próximo da imprensa, de explicar os senões e os porquês, de dar a chance de ver e tocar a roupa. É mais ou menos a filosofia do bespoke, que ele tanto gosta de trabalhar com seus clientes. Faz você se sentir especial, é como se aquilo tudo estivesse sendo produzido para você especialmente. Ricardo sabe das coisas.

E quando falamos da moda, aí é que ele deita e rola. As matérias-primas são todas importadas e sofisticadíssimas, o corte e o acabamento, impecáveis. Ricardo optou (espertamente) por fugir do breu em que se transformou o mundo da moda desde que se anunciou essa tal de crise e injetou cores vivas na sobriedade das propostas executivas. Por meio de tricôs e cardigans fininhos (peça-chave da coleção) em tons de  vermelho ou violeta, sobrepostos às camisas e escondidos pelos paletós e blazers, cria-se um ponto de luz quente que salva qualquer look do tédio. Cores que voltam nos blazers, chics até não poder mais quando feitos em baby cashmere. O toque é impressionante.

A alfaiataria continua, portanto, impecável, padronizada em variedade de xadrezes ou lisa, feita na mais pura lã, agora misturada com seda e cashmere. E não se assuste se ele te oferecer uma calça sem passante para o cinto, pois foi assim que tudo começou. O uso do cinto na alfaiataria, apesar de prático, é fenômento recente e quebra a silhueta, segundo algumas regras do vestir. As calças, por sinal, continuam secas e – dica de estilo do criador – com comprimento dois centímetros acima do salto do sapato.

Na camisaria, destaque para as estampas floridas e para o colarinho horizontal que, com as pontas cortadas, chega a formar uma linha reta. Gravatas fininhas (com efeito brilhante que eu particularmente não gosto, não) e de tricô, com a ponta reta, bem seventies.

Ricardo acertou de novo. Sua moda é poderosa, chic, para clientes de fino trato. A idéia dos cardigans coloridos com camisas estampadas lembra um pouco um recurso explorado pela Gucci na temporada passada, mas hei de reconhecer que funciona muito bem. Ainda mais neste País tão cheio de cores e energia. Mais uma bola dentro.

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
23/09/2008 - 01:24

Short Cuts

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Começou oficialmente a primavera! E a gente continua tremendo de frio aqui em SP…Mas tudo bem, daqui a pouco esquenta e vai dar pra botar em prática uma das tendências mais fortes da moda masculina nos últimos anos. Na era do aquecimento global, a bermuda urbana, que já não é novidade nas passarelas, foi desdobrada em N versões nas mais variadas coleções. Encurtou, afunilou, folgou. A gente sempre se perguntou se ia mesmo pegar nas ruas, e parece que chegou a hora. Vi muitas propostas interessantes em Nova York, super adequadas ao calor amazônico que lá fazia durante a Fashion Week local. Os homens de Manhattan aderiram e juro que a maioria não paga mico não. Por outro lado, uma parte da imprensa gargalha só de pensar na hipótese de substituir o tradicional (e quente) uniforme dos escritórios por alguma variante da calça curta. Enfim, longa e eterna discussão. Entendo quem torce o nariz, eu mesmo sou reticente em mostrar minhas canelas por aí. Mas, com tanto avanço na moda para meninos, será que pelo menos não é o caso de pensar no assunto e – condição básica para sairmos da mesmice – experimentar? Fiquem com o segundo editorial do Hypercool, clicado nas ruas mais urbanas impossível de São Paulo e inspirem-se.

FOTOS: Guilherme Young; Assistente: Ricardo Patocs – EDIÇÃO: Sylvain Justum – STYLING: Sator Endo – BEAUTY: Rener Souza (Abá Mgt); Assistente: Marcos Lacerda – MODELO: Guilherme Klopper (Way Models). 


Camisa Forum sobre regata V.Rom e bermuda Ivan Aguilar. Cinto Reserva, meias de acervo e tênis Dom Shoes. Óculos Fifty Five DSL para Safilo


Esq.: Paletó Camargo, camisa Iódice e bermuda do brechó Juisi by Licquor. Óculos Fifty Five DSL para Safilo. Dir.: Paletó Ricardo Almeida, camisa Iódice e bermuda Ronaldo Fraga. Cinto Fasolo, meias Puket e sapatos Ricardo Almeida. Bolsa Linea Bella, óculos Yves St. Laurent para Safilo e chaveiro Alexandre Herchcovitch


Cardigã 2nd Floor, camisa Dudalina e short Forum. Gravata Juisi by Licquor, cinto Lacoste e chaveiro Alexandre Herchcovitch


Pólo Iódice, short Forum e cinto Reserva. Bolsa Diadora, tênis Dom Shoes e óculos Fifty Five DSL para Safilo


Paletó Camargo, camisa Iódice e óculos Fifty Five DSL para Safilo

Onde Encontrar:

Forum – (11) 3062-8007
V.Rom – (11) 3063-5823
Ivan Aguilar – (27) 3345-8139
Reserva – (21) 2247-5980
Dom Shoes – (11) 2643-4331
Safilo – 0800 701 2097
Ricardo Almeida – (11) 3812-6947
Iódice – (11) 3085-9310
Ronaldo Fraga – (11) 3816-2181
Fasolo – (54) 3255-2500
Puket – (11) 3838-0838
Linea Bella – (51) 3583-2028
Alexandre Herchcovitch – (11) 3063-2888
Camargo – (11) 3073-1404
Juisi by Liquor – (11) 3063-5766
2nd Floor – (11) 3082-3120
Dudalina – 0800 701 9194
Lacoste – (11) 3083-2400
Diadora – (11) 3065-9900

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
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