A grife carioca Reserva continua colaborando com boas opções em moda para os homens. Sejam eles de que idade for. A última novidade é a estreia da linha Reserva Mini, para garotos de 4 a 12 anos, calcada nos temas da coleção dos “adultos” e fugindo das enfadonhas referências lúdicas cheias de bichinhos.
O projeto é tão sério que uma loja só para os petits está prevista para 2010, no Fashion Mall de São Conrado, no Rio. Por enquanto, as peças da linha Mini podem ser encontradas em multimarcas e na Dona Coisinha, versão kids da Dona Coisa carioca. O porque de tanto investimento na clientela infantil? A Reserva Mini já corresponde a 10% do faturamento do grupo e a projeção é que chegue aos 20% no ano que vem. É o futuro. As fotos do lookbook são do Vicente de Paulo e o styling, do Felipe Veloso.
Saiu do forno a campanha de verão 2010 da carioca Reserva. Na esteira do desfile, cujo tema, Safari Safado, misturou boa moda a pitadas de sexo e malandragem, as fotos foram apropriadamente realizadas dentro de uma sauna em Copacabana. Vicente de Paulo clicou os modelos Rafael Sander e a gatíssima Lívia Maria, que receberam styling do Felipe Veloso. Hot, não?
The day after. A correria foi tanta (e não acabou ainda), que só agora consegui parar aqui com calma para recapitular e analisar o que de melhor foi visto nas passarelas da SPFW de verão 2010. Os homens até que se deram bem no saldo final da temporada. Com foco principal em releituras e reinterpretações da alfaiataria clássica, até grifes jovens como V.Rom e Cavalera tiveram seus bons momentos ao olhar para o tradicional closet masculino. O bacana é que tudo vem remixado, colorido, combinado de um jeito fresco mesmo quando o tema é austero. Como na brilhante coleção de Alexandre Herchcovitch.
Alexandre Herchcovitch não definiu um tema para sua coleção masculina de verão. E nem precisava. Ao declarar que se contentaria em fuçar no guarda-roupa tradicional dos homens e retrabalhar itens clássicos a sua maneira, já dava direção de que boa coisa viria. A alfaiataria clássica impera, portanto. Mas ela vem cheia de charmosos detalhes, como as lapelas dos paletós em náilon fininho, duplo e quase transparente, que revela uma camada de mini-poás. Efeito presente também nas gravatas borboletas e em calças pregueadas, de pegada esportiva, mas com corte de alfaiate. Ofício que Alexandre domina muito bem e exerce à perfeição em paletós curtos e sequinhos, nas bermudas e nas belas calças de gancho baixo. Na coleção, os coletes renascem em versão armadura, num tricô de correntes e musseline sintética, usados por cima das camisas. Trench-coats desconstruídos pontuam toda apresentação, ora curtinhos, quase boleros, ora sem as mangas, em shape de coletão. Antigamente, homem elegante que se prezasse não saía de casa sem sua bengala ou seu guarda-chuva. Os dândis de Alexandre têm os seus, de madeira reaproveitada e com um soco inglês como empunhadura. Coleção impecável, abrilhantada por um styling preciso, que soube pontuar cores na sóbria cartela de forma muito inteligente.
No caso da Reserva, a coisa é mais solta, mais malemolente, mais carioca, enfim. Acho a coleção boa, no ponto entre o comercial e o conceito (tomara que tudo apareça nas araras das lojas, né, meninos?), mas achei que faltou uma melhor edição e styling, ficou tudo muito “normalzinho”. E também não precisava da mala da Fernanda Young. Nota 7. Segue abaixo a crítica para o site LP.
A fama de malandro do homem carioca descambou para a safadeza. O trio de meninos da Reserva vai à África para um safari e leva junto a picardia do conquistador brasileiro, com direito a Fernanda Young lendo um manifesto do safado na abertura do desfile. A sacanagem dominou até a trilha, composta por músicas populares de duplo sentido, hits nos melhores arrasta-pés. Muita safadeza no tema e boa moda comercial na passarela. Os já famosos tricôs da grife são fininhos, feitos em fio de linho, atenuando o calor úmido que impera tanto na savana, quanto na maioria das cidades brasileiras no verão. Eles vêm em forma de deliciosos cardigãs, zebrados ou lisos, sempre manchados como se o Don Juan do Leblon tivesse rolado na relva com sua amada. Calças saruel ou dhoti, utilitárias e confortáveis, além dos coletes esportivos em náilon, têm potencial para ser sucesso de vendas nas lojas. Ponto também para os tênis de palha e os colares de seta, apontando para baixo em direção do cartão de visitas do safado. A imagem mais limpa do que a da temporada passada ajuda a entender melhor a coleção, que pareceu um tanto invernal em alguns momentos (vai ver por isso a turma entrou, de novo, com o rosto e cabelos transpirados), mas faltou algo mais do que as marcas de batom do final para um melhor desenvolvimento do tema. Resultado positivo ao final.
Idéia boa tiveram os inquietos meninos da Reserva. Criaram um canal próprio no Youtube para compartilhar imagens de making of de seu lookbook e da campanha de inverno 2009. Os (belos) vídeos foram realizados por Fernando Young durante os cliques e estão super em sintonia com o espírito da grife. No caso do lookbook, que é sempre feito por aí em fundo neutro, em estúdio, de maneira quase banal, a idéia é a mais carioca possível: levar o estúdio para a areia da praia. Resultado: as imagens mixam um fundo branco típico do mais comum dos cenários com a exuberância do mar e da natureza do Rio de Janeiro. Privilegiados.
Imagem do lookbook. Sentiu o privilégio da locação do “estúdio”?
Na campanha, mais natureza. Desta vez, na floresta, na mais pura mata tupiniquim. A fotografia é de Murilo Meirelles e o clima não podia ser mais brasuca. Modelos negros misturados a outros loiríssimos, como visto na passarela, cores, texturas, vegetacão. Moda 100% nacional. Alguém falou em identidade?
No canal Reserva, ainda tem um vídeo do desfile, intitulado Love Survivors, com longa e detalhada explicação de Rony Meisler (um dos meninos do Rio), também registrado por Fernando Young. A história por trás dessa coleção é fascinante. Belo material e excelente iniciativa. Reforçou minha condição de fã dessa galera, que está dando o exemplo do quão criativa pode ser a moda masculina jovem hoje em dia. Sem cópias e com a maior personalidade.
Campanha
Lookbook
Desfile
Fernando Young, o dono dos vídeos e dos cliques do lookbook
Ufa! Acabou a insanidade da Bienal e eu finalmente vou poder escrever sobre o desfile engajado da Reserva, sobre o comercial impecável do Alexandre Herchcovitch e sobre a surpresa Amapô. O próximo post já vem gringo, com minhas impressões sobre os desfiles de Milão e Paris ( adianto que não vai ser nada doce…).
Bem, na quinta-feira rolou a apresentação dos garotos do Rio mais paulistas que existem, já que a Reserva escolheu Sampa como passarela desde a última temporada. E o que se viu foi uma coleção mais difícil do que as outras, daquelas pra se olhar com lupa, limpar os excessos ( não curti o styling, carregado demais ) e ver que ela é boa sim. A inspiração nos conflitos entre povos de raças e credos diferentes que teimam em acontecer, principalmente no Oriente, rendeu ótimos tricôs de ponto largo, multicoloridos e com jeitão de esgarçados, boas calças de shape saruel, belas jaquetas matelassadas e ótimos hoodies para o dia-a-dia. Lindas as estampas que lembram grafismos africanos e a da Aurora Borealis. Também gosto bastante das peças em seda com inox – o que dá memória- e das fininhas, quase transparentes. Coleção madura. Acertaram, meninos ( o recado é pra eles mesmo, pois ao encontrá-los no lounge do GNT, me disseram que sempre passam pelo Hypercool. Fiquei lisonjeado. ).
Alexandre mirou no universo marítimo para mandar muito bem também, com uma proposta comercial, sim, mas nem por isso besta. A alfaiataria continua impecável, em cores novas e ousadas como o vermelho chilli do início, as jaquetas são todas must-have, a camisaria é certinha, enfim, tudo correto, pronto para a loja e para a conta do cartão de crédito. Pintaram umas referências - sutis, bem diluídas – aos marujos, como galões, nós, grandes botões, gorros, capas plastificadas. A de poazinhos brancos é linda. Aliás, Alexandre acerta até quando utiliza materiais pouco convencionais como os plásticos, vinis e lamês. Por que eu gosto dos plastificados do Alê e não dos da V.Rom? Questão de classe e sutileza. O plástico e o vinil do Alexandre são muito fininhos, com corte de alfaiate, delicados, bem-sacados. O agasalho xadrez e a jacket com abotoamento duplo são ótimos. E vai pra loja, é real. Na V.Rom, tudo parece mais grosseiro, exagerado, fora de contexto, irreal e surreal.
A minha grande surpresa do evento foi a Amapô, que amadurece a passos largos em seu feminino, mas arrasa mesmo é nos seus meninos. Com um rebuscado e inteligente trabalho de desconstrução/reconstrução da alfaiataria masculina, criou looks frescos, novos e cheios de informação que encheram os olhos. Palmas para Carô e Pitty.
Fim da temporada brasileira. Volto com os internacionais.
Começou oficialmente a primavera! E a gente continua tremendo de frio aqui em SP…Mas tudo bem, daqui a pouco esquenta e vai dar pra botar em prática uma das tendências mais fortes da moda masculina nos últimos anos. Na era do aquecimento global, a bermuda urbana, que já não é novidade nas passarelas, foi desdobrada em N versões nas mais variadas coleções. Encurtou, afunilou, folgou. A gente sempre se perguntou se ia mesmo pegar nas ruas, e parece que chegou a hora. Vi muitas propostas interessantes em Nova York, super adequadas ao calor amazônico que lá fazia durante a Fashion Week local. Os homens de Manhattan aderiram e juro que a maioria não paga mico não. Por outro lado, uma parte da imprensa gargalha só de pensar na hipótese de substituir o tradicional (e quente) uniforme dos escritórios por alguma variante da calça curta. Enfim, longa e eterna discussão. Entendo quem torce o nariz, eu mesmo sou reticente em mostrar minhas canelas por aí. Mas, com tanto avanço na moda para meninos, será que pelo menos não é o caso de pensar no assunto e – condição básica para sairmos da mesmice – experimentar? Fiquem com o segundo editorial do Hypercool, clicado nas ruas mais urbanas impossível de São Paulo e inspirem-se.
Camisa Forum sobre regata V.Rom e bermuda Ivan Aguilar. Cinto Reserva, meias de acervo e tênis Dom Shoes. Óculos Fifty Five DSL para Safilo
Esq.: Paletó Camargo, camisa Iódice e bermuda do brechó Juisi by Licquor. Óculos Fifty Five DSL para Safilo. Dir.: Paletó Ricardo Almeida, camisa Iódice e bermuda Ronaldo Fraga. Cinto Fasolo, meias Puket e sapatos Ricardo Almeida. Bolsa Linea Bella, óculos Yves St. Laurent para Safilo e chaveiro Alexandre Herchcovitch
Cardigã 2nd Floor, camisa Dudalina e short Forum. Gravata Juisi by Licquor, cinto Lacoste e chaveiro Alexandre Herchcovitch
Pólo Iódice, short Forum e cinto Reserva. Bolsa Diadora, tênis Dom Shoes e óculos Fifty Five DSL para Safilo
Paletó Camargo, camisa Iódice e óculos Fifty Five DSL para Safilo