Perde-se aqui, ganha-se ali
Segundo dia de Fashion Rio e, surpresa, desta vez a Redley não será o destaque do evento. Não que a coleção seja ruim, longe disso, mas faltou emoção, menos burocracia na apresentação – que teve um quezinho de Osklen, se me permitem a comparação. Dito isso, claro que deve ser levado em consideração o momento de transição pós-Jurgen Oeltjenbruns, diretor de criação recém saído da grife e que deu poder quase que total aos meninos durante boas temporadas. A coisa agora mudou de figura e as meninas cresceram. “A intenção era essa mesmo”, revelou Emilene Galende, rosto novo na equipe de estilo, numa conversa informal pós-desfile. Continuam os recortes, as geometrias espertamente localizadas e a acertada mistura de esporte com alfaiataria que fez a fama dos garotos nos últimos anos. Estão lá os recortes estratégicos da gestão anterior, agora mais pontiagudos, basicamente em versão triangular, desenhando vestidos de seda curtinhos e soltos o suficiente para assumir o efeito pára-quedas que Poiret consagrou no início do século passado. Bem femininos. Funcionam bem no berinjela com mostarda, uma das gostosas combinações de cores que a marca propõe para o verão. A veia utilitária, no entanto, não desaparece e surge nas mochilas acopladas às costas de um ou outro. Acessórios que, em formato real, não emocionam. Grandes e complicadas por demais, destoam da leveza das saias e das peças em linho wash da camisaria masculina. Os meninos ganham a maioria das peças tecnológicas, como as bermudas e calças folgadas, feitas em náilon fininho, vinil e Tyvek – colorido, tem belo efeito visual, mas trata-se de um material ingrato para o calor dos trópicos, visto que não respira nada. Bons os tênis iate em versão botinha vazada, modernos e confortáveis para pisar sem medo na passarela de sal grosso, ideal para abrir os caminhos da temporada fashionista. Talvez sirva para a grife também
Por outro lado, a Totem, com seu festival de prints retrôs e a querida Simone Nunes desenhando a coleção acertou mais no masculino do que no feminino. Eu acho. Tudo bem relaxado, como pede o Rio. Boas camisas, shorts curtinhos de shape esportivo e calças folgadas idem. Tudo colorido, psicodélico, a cara da grife, a cara do verão brasileiro. Honesta e despretensiosa, a coleção não inventa a roda, mas acerta justamente ao manter-se fiel ao que seu público anseia, acrescentando uma pitadinha de elegância a mais no uniforme dos calçadões deste Brasil.
































