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02/03/2009 - 21:02

Jil Sander e por quê eu amo moda

 

Eu sei que aqui é espaço do Bolinha, que a bandeira hasteada no Hypercool é a de uma vida mais elegante para os homens deste Brasil, com mais informação relevante, bom gosto etc…Acontece que, por mais que minha paixão seja moda masculina, o amor é mesmo pela moda em si. E aí incluo o que as mulheres vestem. O que é belo é belo e pronto. Por isso faço questão de não deixar passar em branco este momento em que acabo de ver as fotos do último desfile da Jil Sander, marcado pelo triste anúncio do fechamento de sua principal fábrica em Hamburgo, na Alemanha, com justa homenagem de Raf Simons à chefe do ateliê, Christel Von Kiedrowski. Mas não é pela hora difícil que venho aqui, não – depois querem que a moda pare de falar em crise…O que me emocionou e motivou o post é o que sempre deveria motivar os textos e conversas sobre moda: a roupa. 

Que coleção magistral construiu Raf Simons! Digo construiu porque ali existe uma verdadeira arquitetura da roupa, um diálogo com a arte, com o que há de belo no planeta e na história. Afinal, moda não é também isso? Escapismo, sonho, emoção. Tá certo que os tempos são bicudos, que é preciso fincar o pé no chão, sem extravagâncias, reafirmar a identidade e tudo o mais que temos lido e escutado por aí. Mas não dá pra ser SÓ isso. Haja monotonia nas coleções vistas nos últimos meses! Preto, preto, DNA, identidade, preto, preto…Ainda bem para a moda que existem estilistas como Marc Jacobs e Raf Simons, que chutam o balde, que reafirmam a identidade da grife, sim – alguém discorda que em ambas coleções isso foi cumprido brilhantemente?-, mas dando algo a mais, injetando informação, novidade no tradicional. As melhores coleções que tenho visto, tanto masculinas, quanto femininas, são as que aproveitaram a deixa de apostar naquilo que a marca faz de melhor para, em cima disso, enriquecer esse repertório e não simplesmente requentar o arroz com feijão. Entendem a diferença?

Inspirado no ceramista francês Pol Chambost, Simons ousou, sem abusar. Acendeu estrategicamente sua cartela de cores, construiu, provocou. Enfim, fez algo pela moda. Coisa que muito nome mais graúdo não teve peito de fazer nesta “época de crise”. He got balls! Para as mulheres que mesmo assim preferem o certo em lugar do incerto, tudo bem. Podem escolher um dos Little Black Dresses matadores do final do desfile. 

Bravo, Raf Simons! E parabéns, mulheres, por serem alvo de momentos como este.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
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