Além das pitadas de jogging, militarismo, da volta do skinny e do uso cada vez maior de peles entre os homens, as coleções desfiladas em Paris semana passada trouxeram outra “novidade”, esta mais polêmica que as anteriores: as saias. A palavra novidade está entre aspas ali por que não se trata, assim, de uma inovacão da era moderna, afinal os kilts escoceses e as vestimentas das cortes europeias de séculos passados já existiam antes de se pensar em moda para as massas. Mas a verdade é que o assunto – sempre tabu – andou rendendo mais nesta temporada por conta da freqüência com que as famigeradas apareceram nas passarelas francesas- que sempre ousam mais do que Milão, fato.


Comme des Garçons e Givenchy
Givenchy, Comme des Garçons e Jean-Paul Gaultier – adepto do kilt bem antes de Marc Jacobs (que usa uma bermuda-saia, por sinal) – são exemplos de big names que apostaram na brincadeira. E a maneira unânime de sugerir o uso da saia é sobrepondo-a a calças e leggings, bem no mood street do século 21. Claro, também porque são coleções de inverno e não deve ser nada agradável andar por aí com um vento gelado soprando nos países baixos. Mas a pergunta que não quer calar é: é real? Vai pras ruas?


Jean-Paul Gaultier
Eu digo e acredito piamente que não. E não é assim que a brincadeira deve ser analisada. Claro que estarão nas araras alguns exemplares vistos na passarela, mas aposto um Häagen-Dasz de macadâmia como as vendas serão insignificantes no todo da coleção. Antes que os machões mais puristas se arrepiem com a ideia, vale dizer, de novo, que, muito antes das mulheres resolverem se divertir surrupiando peças clássicas do nosso guarda-roupa, os homens é que usavam peças hoje consideradas delas. Saias, sapatos de salto alto, vestes de veludo bordadas com pedrarias e bijoux cheios de brilho faziam parte do uniforme masculino elitista até o século 19. A revolucão industrial inglesa e, mais tarde, as duas grandes guerras, trataram de acabar com tamanha opulência. No pós-guerra, veio a sobriedade. Tons escuros, apagados, pessoas uniformizadas, não era hora de ostentar, né? Os anos 50 e 60 levaram isso também para o âmbito feminino. E o resto é história.
Nos anos 2010, ver saias na passarela significa apenas que a moda masculina é a nova moda feminina. No sentido que agora (quase) tudo é permitido, que não se tem mais vergonha de ousar, experimentar novas ideias, materiais, romper com (pré)conceitos enraizados durante décadas a fio no imaginário dos homens. Não só daqui, mas de lá também. Repare que nos looks onde entram saias, a parte de cima é sempre mais máscula, com pesadas jaquetas de couro, blazers caretões, e até gravata. Nos pés, coturnos dos mais viris. Portanto, tem que ver com bons olhos, levar na esportiva e se divertir com a coisa toda. Calma, não vamos todos sair de saia no próximo inverno. A menos que você queira. Tem coragem?