J’aime Paris – end
Em meu último post sobre a temporada masculina de Paris vou ser bem patriota e dar destaque para duas grifes bem francesas. Mas não gratuitamente, sosseguem. Eu nem gosto tanto assim da coleção de Jean-Paul Gaultier, praticamente toda em preto e branco, explorando a androginia da alfaiataria masculina, com meninas e crianças misturadas no casting. É ok, bem acabada, silhueta boa, com pinceladas punk (The Clash na trilha…), mas não excepcional.
A grande sacada de Gaultier foi ter feito um micro manifesto contra o racismo na moda (e no mundo), ao botar todo mundo de peruca black power escura, morena e até loira. O próprio estilista entrou com a sua ao final do desfile. Vale lembrar que a carreira do enfant terrible francês sempre foi marcada pela democracia de etnias, com referências orientais e africanas mescladas ao melhor do Ocidente. No caso dele, portanto, zero demagogia. Detalhe cuticuti: as crianças que abrem correndo e fecham o desfile, vestidas de gente grande, com trench-coats e smokings, cada qual com sua peruquinha.
Agora, falando sério, de moda, mesmo: Junto com a Yves Saint Laurent, a Lanvin é a grife que melhor acompanhou as mudanças do homem do novo milênio. A parceria entre Lucas Ossendrijver e o pinguim-man Alber Elbaz é das mais acertadas já há algumas estações. Ninguém misturou melhor (e de maneira mais chic) as referências esportivas das ruas com o fino da alfaiataria. Os irresistíveis tênis viraram febre e a grife mergulhou na fonte da juventude para retomar um lugar de honra no pódio masculino.
A coleção de inverno 2009 vem mais sóbria, com pitadas militares e silhueta Chaplin. Calças amplas, blazers e paletós de um e dois botões ou tipo jaquetão. Muita lã misturada com tecidos leves, femininos, como a seda dos lenços no pescoço. O melhor de tudo é que as propostas são muito usáveis.Teve até Obama cover fechando o desfile. Precioso.
Fotos do Men.Style












