
Vista do quarto em que ficamos hospedados – Maria e eu – na segunda metade da viagem
Estou de volta, depois de uma semana bem corrida e cheia de trabalho em Nova York. Teve gravação do GNT Fashion, do RGtv/PRAtv, desfiles, textos, jantares, festinhas e, last but not least, um pouquinho de compras, que afinal ninguém é de ferro. E você acompanhou um pouquinho aqui no Hypercool, espero que tenha sido legal. Devem sobrar alguns postzinhos na próxima semana a respeito de coisas vividas lá.


CK: porque a gente gosta mesmo é de mulher bonita, e não esquisita
Dos desfiles, o mais lindo de todos a que eu assisti foi o da Calvin Klein, feminino, magistralmente executado pelo mineiríssimo Francisco Costa – um querido, capaz de peitar a PR da casa para dar a melhor matéria aos veículos brasileiros -, talento que admiro cada dia mais. Ao som delicadíssimo de piano, roupas tridimensionais, minimalistas – claro – que, dobradas viram uma folha de tecido para serem carregadas mais praticamente nas viagens jet-setters da cliente da grife. E funciona. E é lindo. Marc Jacobs foi a estrela da semana mas, ao contrário de Francisco, usa e abusa de mil recursos de styling para criar sua imagem, o que ajuda a causar impacto. Eu confesso que me emociona mais o exercício de repensar as formas e contornos das roupas e do corpo da mulher que vi na CK. A trajetória de Francisco Costa é muito surreal, ele é muito bom! A apresentação da Diesel Black Gold também me agradou. Jeanswear sofisticado, com peças matadoras, que são puro desejo consumista. Poderoso.
O que dizer da cidade? Realmente, o streetstyle novaiorquino é afiado, com gente descolada em cada esquina, sem medo de apostar em inovações de estilo que só fazem as pessoas ficarem mais interessantes ( mas é uma elite pensante, que absorve bem a informação, porque o norte-americano médio – eu esse eu vi muito também -, que horror! ). É uma identidade forte, típica de NY, que talvez não se encontre em nenhum lugar do mundo. A cidade é um termômetro de tendências, assim como Londres, que indica o que realmente foi visto nas passarelas e vingou. Os homens aderiram total à bermuda urbana, usando com camisa e gravata – borboleta ou fininha -, blazer, jaqueta, às vezes em versão curtinha, quase short, outras mais compridas, na altura do joelho. Vi alguns exemplos muito legais. E não eram nada ridículos, ao contrário do que se pensa muitas vezes quando se imagina o look. Eu que também duvidava que pudesse mesmo pegar, agora estou totalmente convencido de que é possível. Única recomendação básica: tenha bom senso. Nem todo mundo segura, ok?
Legal também, óbvio, a quantidade de opções de consumo que a Big Apple oferece. Você encontra qualquer coisa em Nova York. Tem todas as lojas mais legais, opções gostosas pra comer – adorei conhecer o Prêt À Manger, que depois descobri ser inglês, fast food saudável, um em cada esquina – e relativamente baratas. Um jantar de médio para bom, em um lugar gostosinho, não é mais caro do que em SP não. E tem todos os museus incríveis que a cidade oferece. Apesar de tudo isto, sei não.
Sendo frio e pragmático, o que é que Nova York oferece de interessante para quem não é um fashionista com sede incontrolável de gastar? Ah, os museus. Ok, legal, mas isso é sazonal, depende das exposições e é pouco para quem se dispõe a viajar 10 horas para conhecer uma cidade. Comer bem? Vale pela curiosidade, porque se falarmos de qualidade, come-se tão bem quanto em São Paulo ( pelo mesmo preço razoável ) ou Paris. Acham os motoristas de SP estressados? Haha. Tudo muda quando se fica 15 minutos nas avenidas de Nova York. Surreal. E como gostam de uma buzina! Sem contar a grosseria permanente, para qualquer coisa. Babacas. Repito: os parisienses são um primor de educação e doçura se comparados aos novaiorquinos.
Resumindo: a cidade é uma panela de pressão constante, onde muita coisa acontece e onde é importante fazer escala para entender certas coisas, aprimorar o olhar sobre a moda como business ( ao contrário da arte européia ), além de conferir in loco tudo o que a gente vê nos seriados e lê nas revistas. Vale, claro, mas não me impressionou. Talvez seja o caso de voltar com outro olhar. Mas, sem chauvinismo, não chega aos pés de Paris ou Londres, com toda sua história e charme a céu aberto. Anda bem que no fim do mês tem esse respiro na minha vida.