

No geral, foi um segundo dia de Casa de Criadores fraco. Para a moda masculina nossa de cada dia, então…Vou, no entanto, citar o trabalho das Gêmeas que, na minha opinião, deram uma andada para trás nessa coleção, além do bom exercício de formas e modelagem que realizou a Der Metropol.


Isadora e Carol olharam para o Lago dos Cisnes, de Tchaïkovsky, e para o filme Perdas e Danos, mistura que, a princípio, tinha bem a ver com a fase delas, um pouco mais soft, mas sempre hard. Há algumas temporadas, as irmãs incorporaram looks masculinos nas coleções, com alguns bons momentos mas, desta vez, foram poucos. Meu destaque vai para as peças em lã espinha de peixe, como o blazerzinho desestruturado, e para a boa jaqueta de alma street usada com bermudinha seca. Não gostei das peças metalizadas, empobrecidas pelo lamê fluido. O melhor do desfile ( excetuando boas peças femininas, mas que não são o foco aqui ) foram as bailarinas do início, cheias de graça ao som da eterna valsa russa.


A Der Metropol, se não impressiona pelo tema ( grunge, again. Mesmo que seja pelo viés das letras da música e do sofrimento, não é novidade. E precisa mais do que algumas estampas de coração sangrando para dar vida a essa inspiracão. ), tem o mérito de se empenhar na busca de formas e modelagens novas na moda para meninos. Ótimas calças de moletom, folgadas e de shape saruel que, ora vinham esportivas e utilitárias, ora com referências à clássica alfaiataria. Urbano e confortável. Dá vontade de ter a calça cinza cheia de zíperes do começo do desfile que, no geral, respirou sempre mais ares esporte-street-jogging do que resquícios emo de Alice in Chains.
As referências das Gêmeas eram bem interessantes, mesmo com resultado apenas regular, mas rock, grunge ou go-go boys ( Marcelu Ferraz, insistente no erro ) são temas muito desgastados para quem se propõe a experimentações como o fazem, em geral, os participantes da Casa de Criadores. Somando-se a isto a falta de grana, acabamento nem sempre preciso, styling e edição medianos, as chances de dar errado são enormes. Povo criativo, que tal queimar mais a cuca da próxima vez?
Ah! As fotos são do querido Paulo Reis.