14/10/2009 - 18:58
Bom, passou a ressaca pós viagem, a adaptação ao nosso fuso está quase zerada e a vida vai voltando ao ritmo normal, ou seja, ritmo enlouquecedor! Minha ausência por estas bandas se deve também a isto. Muita coisa acumulada e aparecendo ao mesmo tempo. Mas eu consegui arrumar brechas para ler as revistas que trouxe de viagem e outras que estavam criando pó aqui em casa. Uma delas é a GQ de setembro, com o ecopolíticoapresentador francês Nicolas Hulot (pra quem não conhece, ele é um neo Jacques Cousteau com penchant para questões ambientais, que são debatidas na esfera parlamentar. Dizem que é nome forte pras próximas eleições presidenciais) na capa. E, como em cada edição da revista, eu sempre presto muita atenção na seção Style Academy, que dá dicas, tira dúvidas e faz revelações sobre estilo. Lá podemos saber de uma vez por todas se o cinto deve sempre combinar com a cor do sapato, por exemplo, ou quais botões do blazer/paletó devem ser deixados abertos, ou ainda qual bico de sapato escolher na hora de comprar um novo. Na edição em questão, me surpreendi com uma revelação sobre os onipresentes caderninhos Moleskine que eu, você e meio mundo temos (seja o original ou uma cópia).


Nem sei se eu é que estava mal informado mas, segundo a GQ, todo o pedigree atribuído ao Moleskine é falso. Sabe aquela história de que ele foi usado por Hemingway, Picasso e Sartre? Mentira. Segundo outra fonte, o site Rue 89 – criado por jornalistas do Libération -, esses nomes nunca usaram o caderno. Moleskine foi criado em 1998 pela Modo Modo, que inventou a história toda como ferramenta de marketing. Funcionou, mas o encanto corre o risco de se desfazer por inteiro, abrindo espaço para concorrentes como os cadernos Rhodia, clássicos que comemoram 75 anos. Para o aniversário, o estilista Paul Smith criou edição especial. Por quê Paul Smith? Porque ele é consumidor do cadernos Rhodia há anos. E de verdade.

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria
Tags: GQ, Hemingway, Libération, Modo Modo, Moleskine, Paul Smith, Picasso, Rhodia, Rue 89, Sartre
03/12/2008 - 16:37
Depois dos dois posts-desabafo anteriores, vamos ao que interessa. Me sinto na obrigação de traduzir este texto, publicado na versão online da revista Next, parte integrante do jornal francês Libération. Serve pra situar a gente sobre o momento do homem em relação à moda, beleza e novos costumes. Texto bom ( mesmo sem ser ultra inovador. Na verdade, é o que a gente já vem abordando aqui há algum tempo ) pra gente entender mais um pouquinho sobre o macho do século 21. Enfim, leiam e reflitam. E deixem sua opinião se quiserem.
OS HOMENS EM PLENO APRENDIZADO DA MODA
Sedução ou status social? Funcionalidade ou elegância? Um estudo do Instituto Francês da Moda analisa os comportamentos dos consumidores masculinos e sua relação com seu próprio closet
Os homens não têm mais vergonha em assumir um interesse pela moda mas, nesse campo, estão ainda em curso de aprendizado e são mais resistentes a mudanças do que as mulheres. Para analisar a evolução dos comportamentos masculinos, uma equipe dirigida por Patricia Romatet, diretora do Instituto Francês da Moda, interrogou 64 experts ( estilistas, stylists, compradores…) na França e em vários países. A pesquisa foi encomendada pelo salão Première Vision. Uma coisa é certa: “os homens não têm mais vergonha de se interessar pela moda”, afirma Patricia. “A roupa faz parte dessa nova dimensão. Antes, era apenas um símbolo de status. Agora, é de status e sedução”.
O fenômeno cresceu nos últimos dez anos, confirma Franck Nauerz, comprador do Printemps. Segundo a pesquisa, os homens adotam um discurso social, mas é cada vez maior o número dos que se vestem para seu próprio prazer. No closet essencial, ainda há lugar cativo para a alfaiataria. “Existe um mito da alfaiataria sob medida”, conta Mme Romatet. Mesmo os mais jovens dão papel principal ao terno, mas de forma revista e corrigida. Nas gerações mais novas, a tendência é o dressing-up ( se vestir de forma mais elegante ) mesmo em trajes mais relaxados. “Não se pode mais fazer um casual sportswear, é necessário partir para um casual chic”, enfatiza Mme Romatet. “Mesmo fabricantes de jeans estão oferecendo opções cada vez mais alinhadas, cada vez menos trash”, diz Franck Nauerz. Segundo ele, foi a elegância rock de Hedi Slimane para Dior Homme que trouxe esta vontade aos mais jovens, com suas silhuetas escuras e secas. Os acessórios são, em muitos casos, a porta de entrada dos homens no desafiador universo da moda.
De três anos para cá, os homens desataram a comprar bolsas e jóias, segundo Franck Nauerz. “Existem agora espaços inteiros dedicados aos acessórios masculinos e grifes femininas passaram a oferecer peças para eles também”. Para os homens, a dimensão social e a funcionalidade são importantes, enquanto a mulher se interessa sobretudo pela aparência e pela silhueta. A maioria dos homens vai procurar um produto funcional, vai se interessar em saber o número de bolsos, de zíperes e escolher as cores mais sóbrias. A relação com o tempo não é nem um pouco parecida para os dois sexos. “O tempo masculino é mais longo do que o feminino”, segundo Patricia Romatet. “A moda não corresponde aos desejos mais profundos dos homens”, diz, “eles estão apenas à procura de um pouco mais de estilo”.
Autor: justum - Categoria(s): moda
Tags: estilo, homem, Libération, Moda Masculina, Next