Fazendo valer o lema de que uma imagem vale mais do que mil palavras, resolvi fazer meu último post europeu apenas com fotos tiradas ao longo da temporada. Tem Estocolmo, Paris, desfiles, rua, pessoas. Acho que dá pra vocês entrarem um pouco no que foram meus felizes 18 dias no Velho Continente. Embarco amanhã e logo, logo subo o primeiro post paulistano. Até já.
O hotel em Estocolmo e a bela capital sueca
Minha turma durante a semana sueca
Poste sueco e o streetstyle off de Estocolmo
Acreditem, é um porta-banana. Vitrine do Beyond Retro, maior brechó de Estocolmo
T-Shirt souvenir e, já em Paris, um dos quadros de Murakami
Desfile Issey Myiake e de Bernard Whilelm
Meus pés, brancos depois de um desfile no Jardin des Tuileries e a Uniqlo invadindo Paris
Desfile Vivienne Westwood e streetstyle no Jardin des Tuileries
Julia-ê laiá-Restoin-Roitfeld, na porta da Vuitton
Para os que gostam de uma moda mais contida, mais tradicional e mais “madura”, em Paris tem também. Ótimos exemplos puderam ser vistos nas passarelas de Paul Smith e Lanvin que, com uma soberba coleção, muda de caminho sem, no entanto, abandonar suas raízes. Lucas Ossendrijver e Alber Elbaz continuam provocando, questionando formas e materiais, brincando com a tênue linha da androginia. Dá pra reconhecer inclusive, as anquinhas nas calças que pudemos ver na coleção de inverno de João Pimenta, que provou estar super em sintonia com o momento da moda global. Ousadias como as sandálias “semi-gladiadoras” (elas estão por toda parte nas ruas de Paris, uma verdadeira invasão, sobretudo nos pés femininos) e brilhos nos materiais se somam à ironia dos falsos bigodes a la Salvador Dalí. Excelente!
Lanvin
Paul Smith mandou bem também, com um desfile que começa variando os tons de cinza, até terminar em total looks de tons pastel e outros mais fortes como o roxo e o turquesa. Tudo bem cortado, seco, com folga no gancho de algumas calças. Detalhe: zero gravatas. Camisas abotoadas até o colarinho, terno ou paletó. Só. Será o fim do nó na garganta? Veja no vídeo a festa da fila final, ao som de Thriller, outra homenagem a Michael Jackson, seguindo o que fizeram Galliano e Hermès.
Para pensar no fim-de-semana: Um quizz que vai revelar o seu grau de intimidade com a moda, com perguntinhas espertas em formato múltipla escolha. Atenção, tem pegadinha e algumas são difíceis mesmo. Respostas no próximo post.
1- Quem desenha a linha masculina da Lanvin?
a/ Lucas Ossendrijver
b/ Alber Elbaz
c/ Kris Van Assche
2 – Em seu inverno 2009/10, Jean Paul Gaultier relança:
a/ O vestido para homens
b/ A saia para homens
c/ A calça-saia para homens
3 – Em quem Gabrielle Chanel se inspirou para criar a “vareuse” (casaco de estilo militar)?
a/ O duque de Westminster
b/ O grande-duque da Rússia, Dimitri Pavlovitch
c/ Arthur “Boy” Capel
4 – Qual é o tênis predileto de Marc Jacobs?
a/ O de sua própria grife
b/ O desenhado por seu amigo Kanye West
c/ O eterno Converse
5 – O look pijama apareceu forte nos desfiles de verão 2009 europeus. Mas, qual a origem da palavra?
a/ India
b/ Inglaterra
c/ Chile
6 – O sapato clássico também está de volta. De que país é a grife J.M. Weston?
a/ Escócia
b/ França
c/ País de Gales
7 – Em 1985, o então ministro da cultura da França, Jack Lang, lançou moda ao aparecer na TV com um paletó de gola Mao (padre). De quem era a peça?
a/ Jean Paul Gaultier
b/ Yves Saint Laurent
c/ Thierry Mugler
8 – Que estilista é o rei das listras multicolor (ditas bayadère)?
a/ Alexander McQueen
b/ John Galliano
c/ Paul Smith
9 – Momento cinema. Que top grife especializada em couro veste Brad Pitt em “O curioso caso de Benjamin Button”?
a/ Belstaff
b/ Schott
c/ Pilote
10 – Que grife lançou na temporada de verão 09 européia, o novo costume “semi-jaquetão”?
Em meu último post sobre a temporada masculina de Paris vou ser bem patriota e dar destaque para duas grifes bem francesas. Mas não gratuitamente, sosseguem. Eu nem gosto tanto assim da coleção de Jean-Paul Gaultier, praticamente toda em preto e branco, explorando a androginia da alfaiataria masculina, com meninas e crianças misturadas no casting. É ok, bem acabada, silhueta boa, com pinceladas punk (The Clash na trilha…), mas não excepcional.
A grande sacada de Gaultier foi ter feito um micro manifesto contra o racismo na moda (e no mundo), ao botar todo mundo de peruca black power escura, morena e até loira. O próprio estilista entrou com a sua ao final do desfile. Vale lembrar que a carreira do enfant terrible francês sempre foi marcada pela democracia de etnias, com referências orientais e africanas mescladas ao melhor do Ocidente. No caso dele, portanto, zero demagogia. Detalhe cuticuti: as crianças que abrem correndo e fecham o desfile, vestidas de gente grande, com trench-coats e smokings, cada qual com sua peruquinha.
Agora, falando sério, de moda, mesmo: Junto com a Yves Saint Laurent, a Lanvin é a grife que melhor acompanhou as mudanças do homem do novo milênio. A parceria entre Lucas Ossendrijver e o pinguim-man Alber Elbaz é das mais acertadas já há algumas estações. Ninguém misturou melhor (e de maneira mais chic) as referências esportivas das ruas com o fino da alfaiataria. Os irresistíveis tênis viraram febre e a grife mergulhou na fonte da juventude para retomar um lugar de honra no pódio masculino.
A coleção de inverno 2009 vem mais sóbria, com pitadas militares e silhueta Chaplin. Calças amplas, blazers e paletós de um e dois botões ou tipo jaquetão. Muita lã misturada com tecidos leves, femininos, como a seda dos lenços no pescoço. O melhor de tudo é que as propostas são muito usáveis.Teve até Obama cover fechando o desfile. Precioso.