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02/07/2009 - 18:14

E a Dior, hein?

 

Acabei nem tecendo comentários sobre a Dior Homme que, sob a batuta irregular de Kris Van Assche, parece definitivamente ter dado adeus à estética Slimanesca e volta a dar sinais de vida no novo cenário da moda masculina. Talvez beneficiada pelo bom momento de Van Assche em geral ( sua coleção solo é bem boa ), a Dior acerta em coleção elegante, essencialmente em preto e branco ( tendência! ), solta ( esqueça o skinny de anos atrás ) e sensual no limite. Boa alfaiataria, em paletós menos slim e mais compridos, calças de gancho baixo e blazers sem mangas bem abusados. O tênis é sério candidato a hit! Quando foge do PB, Van Assche prefere os tons clássicos como cinzas, off whites, beges e cáquis. Prestem atenção na silhueta, é o que há de mais novo na moda masculina atual, é bom ir se acostumando. Depois de várias temporadas torcendo o nariz, dou minha mão à palmatória, a coleção é boa. Kris acertou, finalmente.  

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
26/06/2009 - 20:27

Paris, day 2 – Kris Van Assche surpreende


Fila final de Kris Van Assche

Calor dus infernus aqui em Paris, diria meu amigo Vitor Angelo. Ta dificil chegar intacto ao fim do dia, principalmente nessa maratona que é cruzar a cidade N vezes de metrô para ir ao desfile seguinte. Acham que subir e descer escadas na Bienal é duro? Experimentem isso aqui e verão. E vai até tarde igual. O desfile do Galliano acabou 9 e meia da noite (se bem que o sol não se põe antes das dez e pouco) e ainda tinha o Raf Simons a muitas estações de distância…Mas tudo bem, vale a pena, quando a moda não é pequena. E hoje não foi. A começar pelo desfile de Kris Van Assche.

 

Convidados recebidos ao som de bossa nova, dia lindo, tudo parecia conspirar a favor. Conspirou, e eu tive que engolir seco, pois é notoria a minha birra com o Kris, principalmente por causa de suas fracas coleções para a Dior Homme, pos-Slimane. Mas o belga mandou super bem com uma coleção de ares étnicos, essencialmente em preto e branco, cheia de sobreposições frescas, com muito algodão e alfaiataria. Tudo muito confortavel, solto, amassado, como pede a moda masculina atual (visitei os salões Rendez-Vous e Tranoï, dirigidos a novos talentos – e nem tanto -, e a mania impera. Depois conto). Com styling matador, a coisa toda ficou nova, sem ranço folclorico e com uma pegada street precisa. Uma bela camisaria, djellabahs sobrepostos a calças de barras quilométricas que, por sua vez, levavam por cima bermudões dignos de jogadores da NBA, mas de alfaiataria, com pregas. Nos pés, sandalionas com tiras coloridas, coturnos ou sapatos tipo derbies. O casting era todo de meninos mestiços, afros, com cara de arabe ou de indio. Todos lindos de morrer. E pra fechar com chave de ouro, a trilha era irresistivel, um rap suingado, a la M.I.A. Muito bom!


O pequeno host de Tim Hamilton, Nyima Ward e a bagunça na entrada da sala (detalhe:a fila de entrada dos modelos era ali no meio. Surreal!)

No desfile seguinte, de Tim Hamilton, bagunça total. A sala era micra, dentro do prédio da bolsa de Paris, onde acontecem varios desfiles e também o salão Tranoï. Ai imperou a camaradagem na porta, com o assessor liberando o convidado e mais 2,3,4…7! Com convite ou sem, tanto fazia. Ai, como era de se esperar, a sala lotou antes da hora, fecharam-se as portas e um monte de gente teve que dar meia volta. Mesmo com convite, Diane Pernet inclusa. Que saudade da organização brasileira! Valeu por ter conhecido o pequeno Nyima Ward, de 12 anos, filho descolado da assessora de imprensa, que fazia as vezes de host, recepcionando os convidados. Ainda dava tempo de correr pra ver John Galliano, meio longe dali, mas valeu a pena. Ele merece um post exclusivo, né?

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
06/03/2009 - 20:03

Teste seus conhecimentos

Para pensar no fim-de-semana: Um quizz que vai revelar o seu grau de intimidade com a moda, com perguntinhas espertas em formato múltipla escolha. Atenção, tem pegadinha e algumas são difíceis mesmo. Respostas no próximo post.

1- Quem desenha a linha masculina da Lanvin?

a/ Lucas Ossendrijver

b/ Alber Elbaz

c/ Kris Van Assche

2 – Em seu inverno 2009/10, Jean Paul Gaultier relança:

a/ O vestido para homens

b/ A saia para homens

c/ A calça-saia para homens

3 – Em quem Gabrielle Chanel se inspirou para criar a “vareuse” (casaco de estilo militar)?

a/ O duque de Westminster

b/ O grande-duque da Rússia, Dimitri Pavlovitch

c/ Arthur “Boy” Capel

4 – Qual é o tênis predileto de Marc Jacobs?

a/ O de sua própria grife

b/ O desenhado por seu amigo Kanye West

c/ O eterno Converse

5 – O look pijama apareceu forte nos desfiles de verão 2009 europeus. Mas, qual a origem da palavra?

a/ India

b/ Inglaterra

c/ Chile

6 – O sapato clássico também está de volta. De que país é a grife J.M. Weston?

a/ Escócia

b/ França

c/ País de Gales

7 – Em 1985, o então ministro da cultura da França, Jack Lang, lançou moda ao aparecer na TV com um paletó de gola Mao (padre). De quem era a peça?

a/ Jean Paul Gaultier

b/ Yves Saint Laurent

c/ Thierry Mugler

8 – Que estilista é o rei das listras multicolor (ditas bayadère)?

a/ Alexander McQueen

b/ John Galliano

c/ Paul Smith

9 – Momento cinema. Que top grife especializada em couro veste Brad Pitt em “O curioso caso de Benjamin Button”?

a/ Belstaff

b/ Schott

c/ Pilote

10 – Que grife lançou na temporada de verão 09 européia, o novo costume “semi-jaquetão”?

a/ Cerrutti

b/ Francesco Smalto

c/ Gucci

Post inspirado pelo Figaro!

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , , , , , , ,
27/01/2009 - 22:32

Interrogação

Nem tudo em Paris são flores. Dois grandes nomes não convenceram nesta última temporada. Kris Van Assche dividiu a crítica com a coleção de inverno da Dior Homme. Enquanto o WWD acha que o moço esqueceu de todo o glamour que cerca o nome Dior e está perdido fazendo streetwear no quadrado errado, o Men.Style até que é complacente com a nova coleção. Na minha opinião, Mr.Van Assche continua não acertando, mas evolui. Se antes beirava o cafona e retrocedia na imagem criada por seu antecessor, a coleção de inverno mostra avanços. O que o WWD chama de sportswear fora de lugar, eu vejo como frescor e remete ao que fez Hedi Slimane em sua passagem pela maison: olhar em volta, para os jovens, para a música e para as ruas, capturando vontades e informações novas. Não que seja uma coleção brilhante, longe disso (os listrados são sofríveis), mas é interessante o jogo de proporções entre jaquetas e camisetões (a la Henry Holland), o foco nas golas e o acerto da silhueta. A coleção solo de Van Assche ainda é melhor.

Outro estreante da temporada, Gareth Pugh fez sucesso com seu primeiro desfile masculino. Bem, a imprensa amou, como tudo o que o garoto faz atualmente. Ele diz que tentou ao máximo não fazer apenas uma versão para homem de seu universo sci-fi feminino. Quase conseguiu, pois, salvo certas proporções, tudo parece uma continuação do que ele vem fazendo para suas mulheres. Muito vinil, couro e preto, muito preto. O mérito é ter entendido que, no meio dos ciborgues todos, tem que ter umas peças de pegada mais comercial. E isso tem. Não sou muito fã, confesso, prefiro esperar o próximo. Agora, juntem os dois desfiles e terão pista da dança das cadeiras que está no ar em Paris. A seguir…

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
26/01/2009 - 16:28

J’ aime Paris – Part 1

Antes de abordar o que eu mais tenho gostado e o que de mais relevante vem acontecendo na semana de moda masculina de Paris, queria responder ao Junior Tavares, leitor que me pediu opinião sobre alguns desfiles de Milão. Junior, eu não mencionei a DSquared, a Moschino, a Etro, o Zegna e nem o Ferragamo simplesmente porque eles não apresentaram nada de novo, em suas coleções ultra comerciais e caretas. Os irmãos Caten estão presos a uma fórmula e não desapegam de jeito nenhum, previsíveis; Moschino faz umas graças, mas não acrescenta nada ao nosso repertório; a Z Zegna -que desfila em NY- é muito mais legal do que a linha mãe, clássica e careta demais, e a Etro, bem, essa também não me encanta não. Milão, em geral, é bem boring. Já Paris…

Impressionante o abismo de criatividade de uma capital para a outra. Os desfiles da capital francesa são quase todos bons! O nível de aproveitamento é incomparável. Claro que temos que levar em consideração o momento criativo e econômico global, isso respinga também por lá, mas mesmo assim…cheira a novidade, sabe? A começar pelos castings. De onde sai tanto menino incrível? Tô bem animado com o que vi até agora. Balancinho rápido: muuuuito preto, sobreposições mil, paletós de um e dois botões, calças amplas -tem até versão pantalona cropped na YSL!-, novo olhar sobre a alfaiataria, botas pesadas nos pés. Vamos lá.

YVES SAINT LAURENT

Incrível como Stefano Pilati entendeu as transformações do homem deste novo século. Suas coleções são desafiadoras, frescas, chics. E ainda prova que não parou no tempo aliando o show real a vídeos sensacionais. O novo é assinado por Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin e tem o ator Michael Pitt como único protagonista, reagindo a uma voz feminina muito da sensual que recita um texto em que estão embutidas as principais infos sobre a coleção, como tecidos, cores e shapes. Clica aqui pra ver (é o primeiro videozinho da esquerda). Mestre!

RAF SIMONS

Gênio do corte e da nova alfaiataria, já desafiou nossas percepções sobre a silhueta masculina com sua coleção para a Jil Sander, semana passada -aquela que lembra bem a do João Pimenta. Em sua linha pessoal, começa bem tradicional, quase careta, até explodir em criatividade com suas peças bicolores, com mangas cítricas, sobremangas arredondadas e shape slim. Brilhante!

RICK OWENS

É a primeira coleção exclusivamente masculina de Rick Owens. Começou muito bem. Tudo tem a cara dele, um Mad Max moderno, com muito couro, preto na veia, sobreposições delícia. Um look mais poderoso que o outro, difícil até escolher foto. Gosto muito.

NUMBER (N)INE

Japonês é fogo. Takahiro Miyashita vem tirando do anonimato a Number (N)ine com muito talento. Apaixonado por grunge e punk, tirou inspiração para esta coleção de um quarto de hotel no Alaska, onde ficou preso por causa do mau tempo durante uma de suas viagens. Cortinas, sofás, objetos de decoração, tudo serviu de referência. O resultado é de se cortar. Confiram vocês mesmos.

KRIS VAN ASSCHE

Todos que me acompanham sabem do meu bode pelo Kris Van Assche. Acho que ele não substituiu à altura o Slimane na Dior e suas coleções solo sempre beiraram o cafona. Pois bem, paguei a língua. Em seu inverno 2009, o rapaz mesclou muito bem alfaiataria e utilitarismo, brincou com shapes e proporções, trouxe algo novo a seu próprio repertório. As calças amplas funcionam bem e as sobreposições são inteligentes, de bom gosto. Grata surpresa.

Continua no próximo post.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
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