iG

Publicidade

Publicidade

13/01/2010 - 15:13

Davi e Golias

Compartilhe: Twitter

Ontem foi um dia bom para os homens no Fashion Rio. Logo de cara, mais um desfile poderoso e impecável da Redley que, na despedida do alemão Jurgen Oeltjenbruns do comando criativo da grife – até o fechamento deste post não havia sido revelado o nome de quem assumirá o posto, mas Emilene Galende e Julia Valle permanecem na equipe de estilo -, voltou a desfilar nas salas do evento e não mais em externa como vinha fazendo. Na outra ponta, Rique Groove, premiado como estilista revelação em 2008 que, pela primeira vez ocupava horário solo no line-up, depois da extinção do Rio Moda Hype (uma pena, pois era um bom celeiro de talentos, num formato muito bem resolvido). O resultado? Bem, digamos que foi um pouco diferente do alcançado pela Redley.

14295421429476
Rique Groove

Claro que não cabe aqui a comparação entre uma grife e outra, há um abismo de estrutura e história que faz toda a diferença mas, enquanto a Redley sabe muito bem o que seu cliente quer e dá seu recado desde o primeiro momento, Rique parece não saber ainda que onda pegar, dispersando energia e criatividade em conceitos “funny” que não acrescentam absolutamente nada ao closet masculino. Rique precisa entender que a era Moda Hype passou, que ele agora ocupa lugar de destaque num evento de grande porte e que o prêmio que ganhou leva consigo toda uma responsabilidade e cobrança do métier. De certa forma, Henrique Gonçalves é uma aposta de renovação do nicho masculino brasileiro. Talvez ele ainda seja um diamante bruto, precisando de lapidação e paciência para brilhar, talvez seja apenas um cometa, que se mostrará irrelevante para o mercado, impiedoso com derrapadas como as que vimos ontem.

14295141429429
Rique Groove

Mar Revolto é o título do último disco de Carlinhos Brown, mas também foi assim batizada a coleção de inverno de Rique Groove. O universo marítimo foi, portanto, o fio condutor do desfile. Muito neoprene, fazendo alusão aos surfistas e mergulhadores, (boas) parkas fininhas e um belo trabalho no tricô de ponto largo, remetendo às redes dos pescadores. Sabemos que transparências e brilhos, no entanto, tendem a afastar o mais fashionista dos homens. E foi esse o principal erro que Rique cometeu. As delicadas peças do primeiro bloco são até bonitas de se ver, mas dificilmente vão emplacar na vida real. As calças e blazers acetinados brilham demais e tem erros de modelagem. Homem nenhum, por mais moderno e cuca fresca que seja, consegue digerir uma combinação de long john de neoprene com paletó black tie recortado. As calças de gancho baixo, quase saruel, são boas. Rique tem crédito e merece uma atenção especial, pois já provou ter talento, mas precisa encontrar seu rumo rápido se quiser ser realmente mais do que uma revelação no mercado masculino. Para ser relevante, a moda masculina precisa ser possível.

14296031429586
Redley

Quanto à Redley, bem, o que mais dizer? Mais uma coleção cheia de objetos de desejo, calças esportivas e cheias de recortes, jaquetas irresistíveis, casting escolhido a dedo, tênis botinha pra ter já, mochilas de mil e uma utilidades. Destaque para a camisaria, novidade bem cortada, de shape slim e para as estampas geométricas, desconstruções obtidas de fotos do Google Earth. Sim, porque o tema da coleção eram os nômades urbanos, seres (como nós) que transitam de uma tribo a outra, de um ambiente a outro, de um estilo a outro com a maior naturalidade e segurança. Tudo começou com uma foto de um surfista tomando o metrô em NY, de prancha e tudo. Imaginem a cena…De estilista novo, vamos ver se a grife continua tão bem aprumada. Tomara que sim.

14294021429356
Redley

Fotos: Charles Naseh/Chic

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
06/06/2009 - 11:52

Welcome to Rio

Compartilhe: Twitter

As primeiras impressões dos primeiros desfiles do primeiro dia do Fashion Rio de verão 2010 são positivas. Para o evento em geral também, que ganhou estofo ao migrar para os hangares do Pier Mauá, com produção mais bem acabada e um charme a mais. Boa a iniciativa de Paulo Borges de importar os chefes de segurança que fazem a SPFW há anos e que já conhecem as pessoas, tornando tudo mais educado e eficiente no incontornável corpo-a-corpo que somos obrigados a fazer a cada entrada de desfile ou apenas para circular no evento. Ontem aconteceram as apresentações dos novos talentos do Rio Moda Hype e, mesmo sem nenhum destaque escancarado, a sensação é que o nível dos participantes é homogêneo, coerente e promissor. O formato dos desfiles é ideal, com shows enxutos e uniformes, com a moçada indo direto ao ponto e mostrando aquilo que têm de melhor. A Casa de Criadores teria muito o que aprender com o evento carioca. Não tem troca de cenário e nem apresentação com 68 repetitivos looks. Entre os novos masculinos, destaque para a R.Groove, já escolhida como revelação no Prêmio Moda Brasil do ano passado. Não encanta, mas mostra a que veio, principalmente na primeira metade do desfile, onde uma alfaiataria honesta se diverte com deliciosas bermudas e calças com uma brisa de Rio de Janeiro soprando. Relax, portanto. Blazer sequinho, de mangas curtas e estampado. Rique ainda inventou sua versão do boyfriend blazer feminino aplicado aos meninos. Neste caso seria o blazer de quem? Do pai? Daddy blazer. Na segunda parte, quando envereda pelo streetwear puro e simples sua nota média baixa um pouco, mas ainda assim passa de ano.

Boas novas também para as meninas (que poderão ler a respeito em alguns dos blogs da barra aí do lado), que devem ficar de olho na dupla da Lore, na Stefania e em Julia Valle. Mesmo sem fazer oficialmente parte do novo Fashion Rio, pode-se dizer que o Rio Moda Hype nos deu calorosas boas-vindas à Cidade Maravilhosa. Dia 2 começando…

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , , , , ,
Voltar ao topo