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27/06/2009 - 15:16

Show de Galliano

O primeiro desfile de John Galliano a gente não esquece. Dior não vale, o clima é outro. E minha primeira vez foi em grande estilo, ao final de mais um dia lindo de sol em Paris, numa piscina pública desativada onde grafiteiros exercitam sua nobre arte. O lugar é gigante, com vários andares e mirantes onde o povo ficou dependurado para ver melhor a performance toda. Fomos recebidos com um coquetel refrescante de boas-vindas, num bar improvisado logo na entrada e muito providencial, tendo em vista o calor de sauna que fazia lá dentro. A coleção é inspirada em Napoleão Bonaparte e suas batalhas, mais precisamente uma realizada no Egito que, por sua vez, liga referências com Peter O’Toole e seu Lawrence da Arábia. Tendência Oriente, eu digo (lembram de Van Assche e Dries?).

Eu nunca fui muito fã da estética Gallianista, rebuscada e poluída demais pro meu gosto. É tanta informação que fica difícil até identificar o que é roupa de verdade. E os meninos que desfilam me lembram os do Lino Villaventura, então já viu, né? Mas, fazendo o exercício de limpar o styling dramático de seus beduínos, sobram algumas boas peças utilitárias, esportivas e em couro emarfanhado, bem atual. É tudo um streetwear disfarçado. Os sneakers a la Dunk nos pés não me deixam mentir. O jeans é feio e o bloco de underwear é constrangedor. Enfim, nada que vá mudar a moda mundial, mas valeu pela locação absurda, pelo ambiente ouriçado e, claro, por Galliano em si ao final. Impagável. Vejam no vídeo.

(link aqui para quem não conseguir ver o vídeo)

 

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
26/06/2009 - 20:27

Paris, day 2 – Kris Van Assche surpreende


Fila final de Kris Van Assche

Calor dus infernus aqui em Paris, diria meu amigo Vitor Angelo. Ta dificil chegar intacto ao fim do dia, principalmente nessa maratona que é cruzar a cidade N vezes de metrô para ir ao desfile seguinte. Acham que subir e descer escadas na Bienal é duro? Experimentem isso aqui e verão. E vai até tarde igual. O desfile do Galliano acabou 9 e meia da noite (se bem que o sol não se põe antes das dez e pouco) e ainda tinha o Raf Simons a muitas estações de distância…Mas tudo bem, vale a pena, quando a moda não é pequena. E hoje não foi. A começar pelo desfile de Kris Van Assche.

 

Convidados recebidos ao som de bossa nova, dia lindo, tudo parecia conspirar a favor. Conspirou, e eu tive que engolir seco, pois é notoria a minha birra com o Kris, principalmente por causa de suas fracas coleções para a Dior Homme, pos-Slimane. Mas o belga mandou super bem com uma coleção de ares étnicos, essencialmente em preto e branco, cheia de sobreposições frescas, com muito algodão e alfaiataria. Tudo muito confortavel, solto, amassado, como pede a moda masculina atual (visitei os salões Rendez-Vous e Tranoï, dirigidos a novos talentos – e nem tanto -, e a mania impera. Depois conto). Com styling matador, a coisa toda ficou nova, sem ranço folclorico e com uma pegada street precisa. Uma bela camisaria, djellabahs sobrepostos a calças de barras quilométricas que, por sua vez, levavam por cima bermudões dignos de jogadores da NBA, mas de alfaiataria, com pregas. Nos pés, sandalionas com tiras coloridas, coturnos ou sapatos tipo derbies. O casting era todo de meninos mestiços, afros, com cara de arabe ou de indio. Todos lindos de morrer. E pra fechar com chave de ouro, a trilha era irresistivel, um rap suingado, a la M.I.A. Muito bom!


O pequeno host de Tim Hamilton, Nyima Ward e a bagunça na entrada da sala (detalhe:a fila de entrada dos modelos era ali no meio. Surreal!)

No desfile seguinte, de Tim Hamilton, bagunça total. A sala era micra, dentro do prédio da bolsa de Paris, onde acontecem varios desfiles e também o salão Tranoï. Ai imperou a camaradagem na porta, com o assessor liberando o convidado e mais 2,3,4…7! Com convite ou sem, tanto fazia. Ai, como era de se esperar, a sala lotou antes da hora, fecharam-se as portas e um monte de gente teve que dar meia volta. Mesmo com convite, Diane Pernet inclusa. Que saudade da organização brasileira! Valeu por ter conhecido o pequeno Nyima Ward, de 12 anos, filho descolado da assessora de imprensa, que fazia as vezes de host, recepcionando os convidados. Ainda dava tempo de correr pra ver John Galliano, meio longe dali, mas valeu a pena. Ele merece um post exclusivo, né?

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
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