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24/06/2010 - 21:10

Paris primavera/verão 2011, day 1

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A temporada masculina de Paris começou a todo vapor. Em muitos sentidos. Meu dia começou cedo, com Issey Miyake, e só terminou às 20hrs, depois do belo desfile de Dries Van Noten, às margens do rio Sena. Os termômetros subiram por aqui, e foi duro aguentar os 27 graus indo de um canto a outro da cidade, para assistir aos shows em locações com ventilação precária em sua maioria – estamos bem mal acostumados com o ar condicionado das nossas salas do Fashion Rio e SPFW, viu? Por fim, a fumaça dominou a boca de cena de Jean Paul Gaultier que, inspirado em Marrakesh, montou uma verdadeira sauna como cenário.

Miyake adora uma textura, um patchwork, uma forma um tanto desengonçada, mas sabe ser muito elegante também, misturando tudo isso. Em alguns momentos me lembrou nosso Ronaldo Fraga, em outros um alfaiate de mão cheia da Savile Row. É um universo único criado por Dai Fujiwara que, no fundo, não está nem aí para as direções da moda masculina atual.

Juun J foi quem mais me surpreendeu. Não sabia direito o que esperar, conhecia pouco, mas a trupe moderna que se amontoou na entrada logo antes da abertura das (confusas) portas deu a pista. Bingo. Tapa na cara. Uma das imagens mais modernas que eu vi recentemente, junto com Rick Owens. Esporte, alfaiataria impecável, leggings, ceroulas, sandálias. Muito preto, algum branco. Linho, couro, malha, náilon fininho, tudo junto e misturado, num infindável repertório sobre a jaqueta Perfecto. Não é uma moda para qualquer um, definitivamente, mas é tão instigante ver alguém chutar a porta e “inventar” alternativas poderosas para o antes limitado closet masculino. Desfile forte. Fortíssimo.

Em seguida veio a Vuitton, outra que explorou viagens, diferentes etnias e suas culturas – olha a tendência aí. Amazônia, China e Escandinávia se misturaram em uma coleção sofisticada, com materiais muito nobres, onde a seda reinou em muitas variantes. Muito cáqui, tons terrosos e pinceladas de cores mais acesas, que Paul Helbers faz questão de acrescentar, apesar da sisudez do homem europeu – isso e os seus itens preferidos da coleção ele me contou em entrevista no backstage, que deve virar materinha na Homem Vogue em breve. Careta demais e com alguns shapes bem esquisitos, não me pegou, apesar de ser uma coleção correta.

Gaspard Yurkevich faz o que quer com a alfaiataria. Constrói, desmonta, cola, ajusta. Incontáveis e espertas variações de paletós e calças muito bem cortados, secos e curtos – outro caminho sem volta, preparem as canelas. Valeu.

Jean Paul Gaultier, como você leu acima, investiu no Marrocos – Mario Queiroz o fez com a Turquia, olha a referência étnica aí -, encheu de homens barbados a passarela e mandou bem nas calças e jaquetas em tecidos rústicos, nos tricôs de ponto largo e nas boas túnicas que pintam mais longas que os paletós. Teve releitura da Saharienne, modelo travesti e Simpathy for the Devil na trilha. Abusado esse Gaultier. Em determinado momento, entendemos porque o convite era um óculos 3D. Havia um bloco em que as estampas podiam ser vistas melhor com a ajuda do acessório. Diverte mais do que acrescenta. Mas suas propostas para a moda praia (ou seria moda sauna?) flertam perigosamente com o cafona. Desnecessário.


Fechar o dia tomando uma cerveja à beira do Sena – um carrinho distribuía gratuitamente aos convidados -, olhando o sol brilhar no céu às oito da noite e ainda assistir a um belo desfile, não tem preço. Tem coisas que só Dries Van Noten faz por você. De um lado, a “sala do desfile”. De outro, o Sena. Que delícia esse cenário todo e a coleção, leve e militar, com jeans manchados incríveis, bermudas sequinhas e cardigãs sensacionais. Dá vontade de usar TODAS as calças. E o casting? Impecável, todos os meninos de cabelo de recruta lambidinho, imberbes. Até esqueci que o dia tinha sido tão pesado, em dia de greve nos transportes parisienses e com o pés pedindo arrego. Amanhã tem mais.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
29/01/2010 - 18:41

Tem coragem?

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Além das pitadas de jogging, militarismo, da volta do skinny e do uso cada vez maior de peles entre os homens, as coleções desfiladas em Paris semana passada trouxeram outra “novidade”, esta mais polêmica que as anteriores: as saias. A palavra novidade está entre aspas ali por que não se trata, assim, de uma inovacão da era moderna, afinal os kilts escoceses e as vestimentas das cortes europeias de séculos passados já existiam antes de se pensar em moda para as massas. Mas a verdade é que o assunto – sempre tabu – andou rendendo mais nesta temporada por conta da freqüência com que as famigeradas apareceram nas passarelas francesas- que sempre ousam mais do que Milão, fato.

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Comme des Garçons e Givenchy

Givenchy, Comme des Garçons e Jean-Paul Gaultier – adepto do kilt bem antes de Marc Jacobs (que usa uma bermuda-saia, por sinal) – são exemplos de big names que apostaram na brincadeira. E a maneira unânime de sugerir o uso da saia é sobrepondo-a a calças e leggings, bem no mood street do século 21. Claro, também porque são coleções de inverno e não deve ser nada agradável andar por aí com um vento gelado soprando nos países baixos. Mas a pergunta que não quer calar é: é real? Vai pras ruas?

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Jean-Paul Gaultier

Eu digo e acredito piamente que não. E não é assim que a brincadeira deve ser analisada. Claro que estarão nas araras alguns exemplares vistos na passarela, mas aposto um Häagen-Dasz de macadâmia como as vendas serão insignificantes no todo da coleção. Antes que os machões mais puristas se arrepiem com a ideia, vale dizer, de novo, que, muito antes das mulheres resolverem se divertir surrupiando peças clássicas do nosso guarda-roupa, os homens é que usavam peças hoje consideradas delas. Saias, sapatos de salto alto, vestes de veludo bordadas com pedrarias e bijoux cheios de brilho faziam parte do uniforme masculino elitista até o século 19. A revolucão industrial inglesa e, mais tarde, as duas grandes guerras, trataram de acabar com tamanha opulência. No pós-guerra, veio a sobriedade. Tons escuros, apagados, pessoas uniformizadas, não era hora de ostentar, né? Os anos 50 e 60 levaram isso também para o âmbito feminino. E o resto é história.

Nos anos 2010, ver saias na passarela significa apenas que a moda masculina é a nova moda feminina. No sentido que agora (quase) tudo é permitido, que não se tem mais vergonha de ousar, experimentar novas ideias, materiais, romper com (pré)conceitos enraizados durante décadas a fio no imaginário dos homens. Não só daqui, mas de lá também. Repare que nos looks onde entram saias, a parte de cima é sempre mais máscula, com pesadas jaquetas de couro, blazers caretões, e até gravata. Nos pés, coturnos dos mais viris. Portanto, tem que ver com bons olhos, levar na esportiva e se divertir com a coisa toda. Calma, não vamos todos sair de saia no próximo inverno. A menos que você queira. Tem coragem?

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
18/08/2009 - 13:00

Geller x Levi’s

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A Levi’s vem tentando “fashionizar” sua imagem por meio de parcerias estratégicas com big names da moda e outros emergentes. Depois da união com Jean-Paul Gaultier (que eu achei bem duvidosa), acaba de ser divulgado o projeto com o alemão Robert Geller. Geller é radicado em NY, onde desfila durante a Fashion Week local e tem um trabalho bem interessante no nicho masculino, explorando materiais naturais e ecofriendly sem perder a mão no design. Eu gosto muito mais desse caminho do que o conseguido por JPG.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: ,
26/06/2009 - 08:55

Temporada masculina em Paris

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JP Gaultier (Gaultier2)

Pronto! Ca estou eu em Paris, ja na maior loucura por conta de textos pendentes e, sobretudo, dos primeiros desfiles da temporada masculina de verão. Dia longuissimo o meu ontem. Cheguei de manhã, às 11h30, no vôo 459 da Air France (tudo tranqüilo nesse, viu?) e em poucas horas já estava cruzando a cidade para meu primeiro desfile. Jean-Paul Gaultier desfilou a nova linha Gaultier2, misto de resort com casualwear que me pareceu confusa, no geral. Primeiro pelo excesso de casacos tipo marinheiro (o navy é um classico de JPG que sempre aparece em suas coleções), pesados e queeeeentes demais para um desfile de verão. Segundo que a feminilização que o estilista impôs a seus meninos teve resultados um tanto quanto irregulares. Coletes frente-unica (Prada, anyone?), tops tomara-que-caia de paetês ou -mais cool- em jeans, resultado de uma parceria com a Levi’s, e calças de boca larga, quase pantalonas. Un peu trop, eu diria. O desfile, que aconteceu na Salle des Fêtes, espaço para eventos que pertence ao proprio estilista, teve la seus bons momentos. A alfaiataria misturada a peças esportivas funciona, assim como algumas peças listradas que, em alguns momentos porem, beiram o circense. Nos pes, Converse pra todo mundo. Bem abaixo do esperado, com cara de linha B requentada.


Dries Van Noten

O meu segundo desfile do dia, esse sim valeu a pena. Tudo diferente. A começar pelo publico que, no JPG era mais blasé, meio posudo e carudo demais. No show do belga Dries Van Noten – realizado de cara para a rua, na escadaria do prédio da Bolsa parisiense - muito japonês, igual a todas as temporadas de moda na Europa, mas havia uma galera muito, mas muito cool. A começar pelo staff, amabilissimo e chic ao extremo, com atitude meio artsy, low profile até. E as roupas de Dries são algo de muito atual. Sempre com a pegada étnica que ele tanto adora -dessa vez foi uma estampa repetida em diversos tons nas camisas, calças e até nos sapatos. Chique e relaxado, sem pretensão, a imagem do homem elegante em sua essência, e não pela etiqueta que carrega na roupa. O que guardar: abotoamento duplo ou de dois botões nos paletos, calças de gancho baixo, pregas e comprimento na canela, sem meias. Alias, este é o caminho adotado por muita gente na platéia do desfile e pelas ruas de Paris, em clima estival, com calor humido e direito a chuvinha de verão que quase melou o desfile. Os ombros dos paletos vêm mais armados (no JPG também faziam uma espécie de ponta), mas o shape ainda é seco. Meu look preferido é um dos postados aqui, com uma peça que eu chamei de cache-cardigã, por ser uma mistura de cache-coeur e cardigã, très chic! Ah! A trilha saia de um carro de som ambulante parado no meio da praça em frente, e era péssima, por sinal. E, enquanto os convidados de Gaultier combinavam de rachar um taxi na saida do desfile, os de Dries Van Noten iam embora de metrô mesmo. Muito mais cool, não acham?


Louis Vuitton

Também gostei da Louis Vuitton, assinada por Paul Helbers sob supervisão de Marc Jacobs. Colorida, fresca e atual, a coleção tem pegada street mas sem fugir demais de suas raizes. Agrada aos mais jovens e também aos mais maduros, que é pra não ter discussão. Muita cor neutra com momentos acesos- amarelo e azul, sobretudo -, looks veranis deliciosos e trilha idem, que misturou Lou Reed e Cat Power (vai no show dela, dia 18?? Tem que ir!).

(Sorry again pela falta de acentuação mas, por problemas técnicos, estou postando de um comp francês, que não possui as mesmas regras).

 

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
06/03/2009 - 20:03

Teste seus conhecimentos

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Para pensar no fim-de-semana: Um quizz que vai revelar o seu grau de intimidade com a moda, com perguntinhas espertas em formato múltipla escolha. Atenção, tem pegadinha e algumas são difíceis mesmo. Respostas no próximo post.

1- Quem desenha a linha masculina da Lanvin?

a/ Lucas Ossendrijver

b/ Alber Elbaz

c/ Kris Van Assche

2 – Em seu inverno 2009/10, Jean Paul Gaultier relança:

a/ O vestido para homens

b/ A saia para homens

c/ A calça-saia para homens

3 – Em quem Gabrielle Chanel se inspirou para criar a “vareuse” (casaco de estilo militar)?

a/ O duque de Westminster

b/ O grande-duque da Rússia, Dimitri Pavlovitch

c/ Arthur “Boy” Capel

4 – Qual é o tênis predileto de Marc Jacobs?

a/ O de sua própria grife

b/ O desenhado por seu amigo Kanye West

c/ O eterno Converse

5 – O look pijama apareceu forte nos desfiles de verão 2009 europeus. Mas, qual a origem da palavra?

a/ India

b/ Inglaterra

c/ Chile

6 – O sapato clássico também está de volta. De que país é a grife J.M. Weston?

a/ Escócia

b/ França

c/ País de Gales

7 – Em 1985, o então ministro da cultura da França, Jack Lang, lançou moda ao aparecer na TV com um paletó de gola Mao (padre). De quem era a peça?

a/ Jean Paul Gaultier

b/ Yves Saint Laurent

c/ Thierry Mugler

8 – Que estilista é o rei das listras multicolor (ditas bayadère)?

a/ Alexander McQueen

b/ John Galliano

c/ Paul Smith

9 – Momento cinema. Que top grife especializada em couro veste Brad Pitt em “O curioso caso de Benjamin Button”?

a/ Belstaff

b/ Schott

c/ Pilote

10 – Que grife lançou na temporada de verão 09 européia, o novo costume “semi-jaquetão”?

a/ Cerrutti

b/ Francesco Smalto

c/ Gucci

Post inspirado pelo Figaro!

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , , , , , , ,
29/01/2009 - 16:32

J’aime Paris – end

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Em meu último post sobre a temporada masculina de Paris vou ser bem patriota e dar destaque para duas grifes bem francesas. Mas não gratuitamente, sosseguem. Eu nem gosto tanto assim da coleção de Jean-Paul Gaultier, praticamente toda em preto e branco, explorando a androginia da alfaiataria masculina, com meninas e crianças misturadas no casting. É ok, bem acabada, silhueta boa, com pinceladas punk (The Clash na trilha…), mas não excepcional.

A grande sacada de Gaultier foi ter feito um micro manifesto contra o racismo na moda (e no mundo), ao botar todo mundo de peruca black power escura, morena e até loira. O próprio estilista entrou com a sua ao final do desfile. Vale lembrar que a carreira do enfant terrible francês sempre foi marcada pela democracia de etnias, com referências orientais e africanas mescladas ao melhor do Ocidente. No caso dele, portanto, zero demagogia. Detalhe cuticuti: as crianças que abrem correndo e fecham o desfile, vestidas de gente grande, com trench-coats e smokings, cada qual com sua peruquinha. 

Agora, falando sério, de moda, mesmo: Junto com a Yves Saint Laurent, a Lanvin é a grife que melhor acompanhou as mudanças do homem do novo milênio. A parceria entre Lucas Ossendrijver e o pinguim-man Alber Elbaz é das mais acertadas já há algumas estações. Ninguém misturou melhor (e de maneira mais chic) as referências esportivas das ruas com o fino da alfaiataria. Os irresistíveis tênis viraram febre e a grife mergulhou na fonte da juventude para retomar um lugar de honra no pódio masculino.

A coleção de inverno 2009 vem mais sóbria, com pitadas militares e silhueta Chaplin. Calças amplas, blazers e paletós de um e dois botões ou tipo jaquetão. Muita lã misturada com tecidos leves, femininos, como a seda dos lenços no pescoço. O melhor de tudo é que as propostas são muito usáveis.Teve até Obama cover fechando o desfile. Precioso.

Fotos do Men.Style

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
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