Paris primavera/verão 2011, day 1
A temporada masculina de Paris começou a todo vapor. Em muitos sentidos. Meu dia começou cedo, com Issey Miyake, e só terminou às 20hrs, depois do belo desfile de Dries Van Noten, às margens do rio Sena. Os termômetros subiram por aqui, e foi duro aguentar os 27 graus indo de um canto a outro da cidade, para assistir aos shows em locações com ventilação precária em sua maioria – estamos bem mal acostumados com o ar condicionado das nossas salas do Fashion Rio e SPFW, viu? Por fim, a fumaça dominou a boca de cena de Jean Paul Gaultier que, inspirado em Marrakesh, montou uma verdadeira sauna como cenário.
Juun J foi quem mais me surpreendeu. Não sabia direito o que esperar, conhecia pouco, mas a trupe moderna que se amontoou na entrada logo antes da abertura das (confusas) portas deu a pista. Bingo. Tapa na cara. Uma das imagens mais modernas que eu vi recentemente, junto com Rick Owens. Esporte, alfaiataria impecável, leggings, ceroulas, sandálias. Muito preto, algum branco. Linho, couro, malha, náilon fininho, tudo junto e misturado, num infindável repertório sobre a jaqueta Perfecto. Não é uma moda para qualquer um, definitivamente, mas é tão instigante ver alguém chutar a porta e “inventar” alternativas poderosas para o antes limitado closet masculino. Desfile forte. Fortíssimo.
Em seguida veio a Vuitton, outra que explorou viagens, diferentes etnias e suas culturas – olha a tendência aí. Amazônia, China e Escandinávia se misturaram em uma coleção sofisticada, com materiais muito nobres, onde a seda reinou em muitas variantes. Muito cáqui, tons terrosos e pinceladas de cores mais acesas, que Paul Helbers faz questão de acrescentar, apesar da sisudez do homem europeu – isso e os seus itens preferidos da coleção ele me contou em entrevista no backstage, que deve virar materinha na Homem Vogue em breve. Careta demais e com alguns shapes bem esquisitos, não me pegou, apesar de ser uma coleção correta.
Gaspard Yurkevich faz o que quer com a alfaiataria. Constrói, desmonta, cola, ajusta. Incontáveis e espertas variações de paletós e calças muito bem cortados, secos e curtos – outro caminho sem volta, preparem as canelas. Valeu.
Jean Paul Gaultier, como você leu acima, investiu no Marrocos – Mario Queiroz o fez com a Turquia, olha a referência étnica aí -, encheu de homens barbados a passarela e mandou bem nas calças e jaquetas em tecidos rústicos, nos tricôs de ponto largo e nas boas túnicas que pintam mais longas que os paletós. Teve releitura da Saharienne, modelo travesti e Simpathy for the Devil na trilha. Abusado esse Gaultier. Em determinado momento, entendemos porque o convite era um óculos 3D. Havia um bloco em que as estampas podiam ser vistas melhor com a ajuda do acessório. Diverte mais do que acrescenta. Mas suas propostas para a moda praia (ou seria moda sauna?) flertam perigosamente com o cafona. Desnecessário.
Fechar o dia tomando uma cerveja à beira do Sena – um carrinho distribuía gratuitamente aos convidados -, olhando o sol brilhar no céu às oito da noite e ainda assistir a um belo desfile, não tem preço. Tem coisas que só Dries Van Noten faz por você. De um lado, a “sala do desfile”. De outro, o Sena. Que delícia esse cenário todo e a coleção, leve e militar, com jeans manchados incríveis, bermudas sequinhas e cardigãs sensacionais. Dá vontade de usar TODAS as calças. E o casting? Impecável, todos os meninos de cabelo de recruta lambidinho, imberbes. Até esqueci que o dia tinha sido tão pesado, em dia de greve nos transportes parisienses e com o pés pedindo arrego. Amanhã tem mais.





























































