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22/01/2009 - 12:13

V.Rom ou não?

Este post está sendo amadurecido desde ontem, por falta de tempo e porque eu precisei digerir o fato de todo mundo ter gostado muito do desfile de inverno 09 da V.Rom e eu nem tanto. Saí do desfile meio decepcionado, tentando entender o que tinha dado errado, já que eu sempre bati palmas feliz ao final das últimas apresentações da grife, diferente do que aconteceu desta vez. De cara, encontrei o Oliveros, que dizia, animado, que a “V.Rom mandou muito bem!”. No camarim do GNT, nos preparativos para o programa ao vivo, Paulo Martinez e Camila Yahn, convidados de Lilian Pacce, também diziam ter amado a coleção. Maria me ligou pra perguntar o que eu tinha achado e, feliz da vida, também alardeava todo seu entusiasmo. Mas que raios…então eu tinha enlouquecido? O errado era eu? Por que será que eu era o único a pensar diferente? Fiquei com aquilo martelando na cabeça até o final do GNT Fashion especial. Resolvi olhar as fotos na internet.

Primeira conclusão: não, eu não estou louco. Segunda: continuo com minha opinião, cada vez mais forte, aliás. Terceiro: não tem certo e nem errado nesse caso, apenas pontos de vista diferentes. Explico o meu: A V.Rom sempre primou por trazer frescor e novidade à moda masculina, carente de boas idéias e refém do conservadorismo da maioria das grifes. Por isso todos ficamos empolgadíssimos – talvez até demais, beirando o endeusamento do Igor de Barros – com as coleções recentes, que mixavam tudo ao mesmo tempo agora, flor com listra, xadrez com estampa e cor, muita cor. O melhor de tudo: era roupa real, usável, com informação e atitude. Novo. Nem precisamos entrar no mérito da roupa desfilada não chegar à loja e dos preços espaciais que a grife pratica. Fiquemos apenas com o apresentado na passarela do SPFW. 

No desfile de ontem, alguma coisa se perdeu. Gosto muito do início, com uma alfaiataria forte, de padronagem tradicional, mas nem por isso careta. Mudam os shapes, mistura-se bem, as usual. Boas as (onipresentes) calças cenoura e os paletós/blazers mais curtos, bem cortados. É muito simpática a mistura com camisaria de cores acesas, chic o tom clássico das peças em Príncipe de Gales e espinha de peixe. Mas daí em diante a queda é livre, com alguns sopros de inspiração isolados. Como certas jaquetas, apesar de reservadas a um homem de espírito mais show off (combinadas com um short também dourado, com cara de samba-canção).

Sobreposições, xadrezes, misturas de todo tipo. Espírito de aventura, mix de hippie orgânico com roqueiro sintético, atitude cool. Toda a alma da grife está lá, mas algo não encaixa. Experimentar é sempre válido, a moda masculina precisa disso, mas derrapadas como as peças em lamê, os vinis, os looks plastificados, os coletes (?) de veludo e o inexplicável couro caramelo custam caro. No caso, a leveza e identidade que elevaram a V.Rom ao pódio masculino do evento. O tênis/bota é feio e o shape das jaquetas de couro lembram a eterna Julian Marcuir. Vejam as fotos que ilustram meu raciocínio e formem a opinião de vocês. Lembrando que eu não sou o dono da verdade e que o certo e o errado andam lado a lado.

 

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
21/01/2009 - 00:13

2nd Floor acerta o passo

Não podia deixar de mencionar o salto de sofisticação que deu a 2nd Floor, caçula da Ellus e agora dona do próprio nariz. Um desfile muito bem realizado, com um monte de objeto de desejo, PRINCIPALMENTE para os meninos! Eu mesmo já fiz minha lista de compras.

Um universo de balões brancos, mensagem lúdica de paz e poesia ao som de piano tocando clássicos do tango misturados com Nirvana. Um delicado e feliz cenário para o desfile de inverno da 2nd Floor, filhote street da Ellus, andando com as próprias pernas há algumas estações e dando sinais cada vez maiores de amadurecimento. A pegada é jovem, colorida e cheia de peças desejo, com tendencinhas diluídas e acabamento digno da grife-mãe. As meninas são princesinhas girlie, de laço na cabeça, vestidos curtos e armados à base de camadas e mais camadas de tutus, volta e meia com uma biker jacket de couro sequinha por cima dos paetês. Do namorado emprestam as calças, de barra virada e gancho baixo, além dos maxicardigãs de ponto largo, que aparecem também nos looks deles. Caprichadas, as propostas masculinas são deliciosas, com as calças cenoura pregueadas e muita jaqueta de couro. Até que enfim alguém fez os blazers mais curtos, de dois botões, pra serem usados por cima do jeans bruto, com aspecto sujo e amassado. Nos pés, Oxfords para todo mundo, coturnos para os mais invocados. O styling de Lelê Toniazzo foi, de novo, fundamental para dar a cara da geração paz e amor do século 21.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
20/01/2009 - 23:56

Sommer em dois tempos

Esse post é todo do Marcelo Sommer. Resolvi juntar o que ele apresentou para os meninos tanto no desfile de sua marca Do Estilista, quanto no da Cavalera, que aconteceu hoje. Bem, na Cavalera, méritos para o Igor de Barros, autor da V.Rom, que passa a integrar o time da grife e a assinar a porção masculina.  O resultado é bom, mostra evolução, mas ainda não conquista. O grande mérito da Cavalera nesta estação é ter se recuperado do fraco desempenho verde na temporada passada (apesar do desfile ter concorrido a melhor do ano…), focando no comercial e assumindo sua veia street, de produto que vai pra loja. Não amo tudo não, mas reconheço a evolução. Crítica do lilianpacce.com:

“A festa de Parintins e seu duelo entre os bois Caprichoso e Garantido serviu de inspiração para um inverno tingido de azul e vermelho, assumidamente comercial e fiel às raízes street da Cavalera. Um folclore tipicamente regional diluído em propostas usáveis, com perfume punk rock e com a assinatura de Marcelo Sommer. Entenda por aí que xadrezes, quadriculados, detalhes kitsch e pitadas de bom humor aparecem tanto no lado vermelho (Garantido), quanto do lado azul (Caprichoso), no desfile dividido em dois blocos, com a torcida adversária assistindo, na penumbra, ao enredo da outra. Muita lã nas jaquetas, de desenho Perfecto, jeans brutos quase sem lavagem – as calças são skinnies ou carrot- tanto para meninas, quanto para eles. O jovem Igor de Barros, da V.Rom, por sinal é quem passa a assinar o masculino, que teve no rebuscado desenho dos casacos seu ponto alto. Elementos da fauna local e alegorias do espetáculo como onças e penas pipocam em estampas, forros e até nos sapatos bico fino, enquanto rendas maliciosamente sexies garantem o tom rock´n´roll do carnaval mais acirrado do Brasil. O quesito de avaliação aqui é o de evolução, e a Cavalera levou nota alta.”


Por outro lado, gostei muito mais da coleção solo de Marcelo, na Do Estilista. Criou desejo, assumiu o gosto (e a necessidade) pelo comercial, sem perder a fantasia que lhe é tão cara. Tradição holandesa revisitada com toda a identidade street de Marcelo Sommer. Funcionou. Depois de inúmeras viagens a Amsterdam, finalmente Marcelo faz virar roupa uma admiração por símbolos tradicionais dos Países Baixos, como os azulejos, os souvenires das lojas para turistas e desenhos de personagens lúdicos. Tudo a ver com o universo da Do Estilista, portanto. E, como a cor dominante de todas essas referências é o azul, a coleção passeia por todas as tonalidades, do Klein ao céu, tingindo xadrezes, estampas de girassóis e do incontornável Van Gogh. Shapes folgados para eles, com calças de gancho baixo e camisas ajustadas, esquentadas por belos tricôs de ponto largo e blazers em patchwork. As meninas ganham formas inusitadas, em um bom repertório de vestidos, como o chemise de Luciana Curtis, cortado em forma circular, mas com caimento de caftã. Nos pés, tênis Nike coloridos, confirmando que tudo está pronto para as ruas. As bicicletas originais viraram ergométricas na cenografia bem humorada da grife e, depois de uma coleção fantasiosa na temporada passada, é gostoso ver Marcelo olhar para seu universo sem perder o passo na esteira comercial.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
19/01/2009 - 23:03

O arroz e feijão requentado

Se você leu o post abaixo, viu que enalteci os méritos que tem a Osklen em propor alguma novidade no universo tão limitado de moda masculina no Brasil. Para entender o título deste, leia o anterior até o fim. No primeiro dia de SPFW, tivemos também o desfile de Mario Queiroz que, não contente em requentar o arroz com feijão, insiste em fazê-lo com seus próprios erros. Depois da temporada anterior, em que proclamei aqui que tinha desistido, me obriguei a dar mais uma chance ( afinal, todo mundo merece 124 chances…) por conta da crítica que tinha que escrever pro site da chefa. Decepção de novo. Abaixo, o texto publicado no site.

“A clássica frase “Eu sou o senhor do meu castelo” e uma recente viagem à Escócia são o ponto de partida para o inverno 2009 de Mario Queiroz. Entre ruínas medievais e construções urbanas, caminha um homem indeciso entre ser um guerreiro highlander ou um dândi contemporâneo. Vêm da segunda possibilidade as melhores idéias da coleção, no bloco iniciado pelo look de sobreposição de cardigã, usado com calça cenoura folgada preta.  A partir daí, fecham o desfile boas propostas em tons de cinza, com shape atual – seco em cima, amplo embaixo – e alfaiataria honesta. O primeiro bloco, com complicadas combinações de marrom e roxo, além de infelizes calças justas merece ser quase que totalmente esquecido. Salvam-se as bermudas cargo, em lã pesada, e os coletes de tricô e em matelassê sobrepostos às camisas bordadas com brasões, logos e dragões. ”

Ou seja, shapes antigos, tecidos paupérrimos e acabamento simplório. Muito pouco pra quem tem tantos anos de estrada. No hope.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
19/01/2009 - 22:45

Osklen reina em terra de cego

Oi, oi! Tô vivo ( médio…) sim. Sumi, mas foi por motivos de ralação maior, desculpas a quem ficou esperando post sobre o primeiro dia de SPFW, mas a vida tá dura. A prova tá lá no site lilianpacce.com.br, onde tenho publicado minhas críticas desde o Fashion Rio. Por aqui, o papo é homem. E, neste campo, o melhor visto até agora atende pelo nome de Osklen.

A grife de Oskar Metsavaht está tão acima das outras quando se fala de design que conseguiu fazer algo incrível com…moletom. E o mais básico de todos, o cinza mescla! Completado por lindos tênis-botinha, o tecido da nossa infância virou calça oversized, canguru desestruturado, hoodie folgadão e até tricô, num surpreendente e sofisticado jogo de texturas. Todo em cinza e preto, o desfile foi realizado 95% com moletom. Os outros 5% são náilon e tricô de verdade. Quando eu escrevo aquilo ali no título, é porque a Osklen pode ter N poréns ( qualidade discutível da roupa, relação custo benefício duvidosa, ego do Oskar, etc…), mas tem o ENORME mérito de propor algo novo no parco repertório masculino que temos no Brasil. Shapes novos, texturas, formas, atitude…tudo o que a gente não vê em lugar nenhum. Por isso bato palmas e espero que, se não podemos ainda considerar a grife como modelo de moda masculina aqui no País ( discussão do Pense Moda…), que pelo menos ela sirva para fazer acordar quem teima em se valer do arroz e feijão requentado.

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
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