V.Rom ou não?
Este post está sendo amadurecido desde ontem, por falta de tempo e porque eu precisei digerir o fato de todo mundo ter gostado muito do desfile de inverno 09 da V.Rom e eu nem tanto. Saí do desfile meio decepcionado, tentando entender o que tinha dado errado, já que eu sempre bati palmas feliz ao final das últimas apresentações da grife, diferente do que aconteceu desta vez. De cara, encontrei o Oliveros, que dizia, animado, que a “V.Rom mandou muito bem!”. No camarim do GNT, nos preparativos para o programa ao vivo, Paulo Martinez e Camila Yahn, convidados de Lilian Pacce, também diziam ter amado a coleção. Maria me ligou pra perguntar o que eu tinha achado e, feliz da vida, também alardeava todo seu entusiasmo. Mas que raios…então eu tinha enlouquecido? O errado era eu? Por que será que eu era o único a pensar diferente? Fiquei com aquilo martelando na cabeça até o final do GNT Fashion especial. Resolvi olhar as fotos na internet.
Primeira conclusão: não, eu não estou louco. Segunda: continuo com minha opinião, cada vez mais forte, aliás. Terceiro: não tem certo e nem errado nesse caso, apenas pontos de vista diferentes. Explico o meu: A V.Rom sempre primou por trazer frescor e novidade à moda masculina, carente de boas idéias e refém do conservadorismo da maioria das grifes. Por isso todos ficamos empolgadíssimos – talvez até demais, beirando o endeusamento do Igor de Barros – com as coleções recentes, que mixavam tudo ao mesmo tempo agora, flor com listra, xadrez com estampa e cor, muita cor. O melhor de tudo: era roupa real, usável, com informação e atitude. Novo. Nem precisamos entrar no mérito da roupa desfilada não chegar à loja e dos preços espaciais que a grife pratica. Fiquemos apenas com o apresentado na passarela do SPFW.
No desfile de ontem, alguma coisa se perdeu. Gosto muito do início, com uma alfaiataria forte, de padronagem tradicional, mas nem por isso careta. Mudam os shapes, mistura-se bem, as usual. Boas as (onipresentes) calças cenoura e os paletós/blazers mais curtos, bem cortados. É muito simpática a mistura com camisaria de cores acesas, chic o tom clássico das peças em Príncipe de Gales e espinha de peixe. Mas daí em diante a queda é livre, com alguns sopros de inspiração isolados. Como certas jaquetas, apesar de reservadas a um homem de espírito mais show off (combinadas com um short também dourado, com cara de samba-canção).
Sobreposições, xadrezes, misturas de todo tipo. Espírito de aventura, mix de hippie orgânico com roqueiro sintético, atitude cool. Toda a alma da grife está lá, mas algo não encaixa. Experimentar é sempre válido, a moda masculina precisa disso, mas derrapadas como as peças em lamê, os vinis, os looks plastificados, os coletes (?) de veludo e o inexplicável couro caramelo custam caro. No caso, a leveza e identidade que elevaram a V.Rom ao pódio masculino do evento. O tênis/bota é feio e o shape das jaquetas de couro lembram a eterna Julian Marcuir. Vejam as fotos que ilustram meu raciocínio e formem a opinião de vocês. Lembrando que eu não sou o dono da verdade e que o certo e o errado andam lado a lado.




















