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23/06/2009 - 21:15

A não-cobertura da temporada de Milão

Morri de sono ao conferir as coleções masculinas de verão 2010 (deles) desfiladas até hoje em Milão. Por isso vou poupar meus dedos já gastos pós-SPFW e guardar a cabeça fresca para a temporada parisiense, sempre mais criativa e que eu vou acompanhar diretamente da Cidade Luz. Embarco amanhã e o próximo post já sobe fazendo biquinho. Ah! Quer saber qual foi o sonífero milanês que causou este não-post? Apesar de ser uma temporada de verão, o que vimos foi uma cartela sóbria, apagada, conservadora, com pouco frescor também nas idéias, comerciais e bestas ao extremo. Nenhuma grife arrancou mais do que um sorriso de canto de boca pelo que vi. Nem a Burberry, de quem eu sempre gosto. Boa alfaiataria, e só. Maldita recessão.


Bottega Veneta, Burberry Prorsum e Gucci


Jil Sander, Prada e Undercover

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
25/01/2009 - 22:16

Milão e a crise

Com um certo atraso, tendo em vista o tsunami SPFW da última semana, só agora consegui focar na temporada internacional de desfiles masculinos para o inverno 2009/10, que já passou por Milão e continua acontecendo em Paris. O balanço de Milão é chocho, com poucas surpresas, coleções extremamente comerciais, monocromáticas e de fácil consumo. É a crise batendo à porta.


Looks da Gucci, Dolce e Gabbana e Alexander McQueen

Dolce & Gabbana, Gucci, Alexander McQueen, Prada. Grifes fortes com coleções apenas corretas e desprovidas de grandes novidades. Ganha pontos quem experimenta um pouco mais, como Neil Barrett e Vivienne Westwood. Mesmo se nem tudo é bom, esses nomes tem o mérito de propor algo além do trivial. Engraçado notar que o grau de conservadorismo cresce proporcionalmente ao tamanho da maison. Quanto maior a marca, menos riscos se corre. E, vendo as fotos européias, dá pra perceber também que o que acabamos de ver na temporada brasileira está super em sintonia com o que acontece lá fora. Globalização master.


Vivienne Westwood e Bottega Veneta


Prada e Jil Sander

As cores dominantes são as sóbrias, muito cinza e preto (a coleção da Prada é 90% black, a da Jil ”Pimenta” Sander é boa e passeia por todos os tons de cinza), às vezes intercaladas com uma cor mais acesa. Muito exercício sobre a alfaiataria, alternância de tecidos sóbrios ou com brilho -tipo flamboyant, mesmo-, naturais e sintéticos. O abotoamento dos paletós é o duplo, que funciona melhor no frio inverno europeu do que aqui nos trópicos -é feito para usar fechado-, por isso não deve pegar no Brasil tão cedo. A opção são os dois botões. Calças continuam secas, poucas skinnies, algumas cenouras, dando sinais de folga cada vez maior.


Looks da coleção de Giuliano Fujiwara

Dentro dos que eu gosto mais, a novidade é o Giuliano Fujiwara, japa radicado em Milão que, como todo japonês vai além do básico, sem perder, porém, a consciência comercial. No entanto, meu preferido na temporada milanesa é mesmo o Neil Barrett. Com propostas inteligentes de trompe l’oeil, calcadas em peças clássicas, sugerindo, disfarçando, escondendo, ele mostrou que ter criatividade para se destacar mesmo privilegiando o foco nas vendas é essencial nos tempos bicudos de hoje.


Neil Barrett

Paris já começou e, pelo que vi, trazendo, como sempre, alguns sopros de criatividade a mais do que Milão. Logo mais falo a respeito.

Fotos do WWD

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , ,
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