Essa semana recebi uma indicação quente das fuefas Fernanda e Cris, da Oficina de Estilo, e aqui estou repassando-a a vocês, leitores. Trata-se do sensacional blog Coûte que Coûte (custe o que custar, em francês), auto-intitulado painel de novidades insignificantes na moda, arte, design e cultura pop. Não se deixe enganar pela ironia da qualificação. O conteúdo postado não tem nada de insignificante, muito pelo contrário, é de altíssimo nível. Dividido em seções como música, filmes, feminino e masculino, o blog filtra e reproduz em seu espaço o que há de mais bacana acontecendo em cada um dos nichos. Pode ser um editorial, uma campanha, um produto incrível, uma exposição…É tudo muito bem selecionado e lindo de se ver. Clique altamente recomendável e satisfação garantida. Para os que se ligam no universo de menino, indico especialmente a seção MEN, de onde saíram as imagens abaixo.
A outra dica para o finde é musical. Tá sabendo do show da banda indie mais cult do momento, o Friendly Fires, dia 17 de Agosto, no Studio SP (antes passa pelo Rio, dia 15)? Ah, não conhece Friendly Fires? Assiste o vídeo de “Paris” (me ganhou também pelo título e pela letra…hehe) e entenda o burburinho. Gostou? Corre comprar ingresso porque o lugar é pequeno e vai esgotar em dois tempos! À venda no próprio Studio SP, na American Apparel e na Japonique, loja delícia de trecaiadas e guloseimas japonesas que a gente adora amar, ali na Vila Madalena. A Japonique é de um casal querido, Marcelo e Jana Tahira, aproveita pra conhecer e fazer a festa. Duvido você sair de lá sem comprar nada. Preços para o Friendly Fires: R$ 70 (primeiro lote) e R$ 90. No Rio, R$ 50 e depois R$ 60.
Nicola Formichetti: virado, mas fascinante top nome do terceiro dia de Pense Moda
Dia bom no final de evento hoje lá no Centro Britânico. O Pense Moda cumpriu bem seu papel de…pensar (e repensar) a moda com a palestra do top stylist Nicola Formichetti, o surpreendentemente bom debate com as agências (de moda, de publicidade, de celebridades…), seguido do igualmente interessante bate-papo a respeito do boom dos blogs. O estilista-hype inglês Henry Holland fechou o dia com um simpático bate-papo com a Cami Yahn, explicando um pouco como aconteceu sua ascensão meteórica no mundinho.
De manhã, um virado Nicola precisou da ajuda dos universitários (nem isso seus ótimos assistentes, Sam e Anna, são, de tão novinhos. Sam tem 19 anos e trabalha desde os 16 com o stylist) para tocar a palestra. O trio fez peregrinação clubber na noite anterior e estava nítidamente sob efeito do cansaço. Mas o trabalho de Nicola é tão legal e fascinante, que foi bacana mesmo assim. Falou sobre seus jobs como consultor (para Prada, McQueen, Topshop, Uniqlo…) e sua função de stylist da Dazed & Confused, além da direção da Vogue Homem Japão. Muitas imagens e uma declaração bem legal, de profissional moderno e consciente, que evidenciou seu pensamento sobre o mercado atual da moda: prefere selecionar seus parceiros de trabalho via Myspace e Facebook do que receber currículos que não dizem nada sobre os reais talentos do candidato. Achou legal? Dá um search no nome dele nessas comunidades e boa sorte!
Logo depois, a turma das agências cutucou a onça com vara curta ao questionar os vícios e falta de profissionalismo no funcionamento do mercado de atores (bem representado pelo Marcelo Sebá, sempre muito franco…), as intermediações maléficas na publicidade (boa a dupla de criação da F/Nazca) e no setor de fotografia. Com declarações conscientes e diretas, inflamaram o assunto e mantiveram a platéia bem ligada.
Depois do almoço, hora de entender mais um pouco como funciona a blogolândia, com presenças top no assunto. Oliveros, Laura, Maria, Fernanda e Victória. Gostei de ouvir a visão do que é e de como funciona o blog para cada um deles, que bate com a minha na maioria dos casos. Tópicos bem abordados: audiência, publiposts, linguagem e comprometimento com a informação. Questão levantada por Paulo Borges (brilhante na condução da conversa): o Twitter vai acabar com os blogs? Conclusão de todo mundo: não, não vai. Os blogs tendem a evoluir, mas o espaço para desenvolver pensamentos e opiniões nem se compara. São ferramentas complementares, no máximo. E você, o que acha? Paulo ainda revelou que no Prêmio Moda Brasil, insistiu para que se criasse um prêmio exclusivo para os blogs, o que não aconteceu, infelizmente. Quem sabe, de grão em grão, com ações como esta do Pense Moda, chegue a vez no próximo, não é mesmo? Tá mais do que na hora.
O Henry Holland passeou pelos detalhes de sua vida em Londres, do hype meteórico de seu nome depois do lançamento das famosas camisetas com frases engraçadinhas (copiadas nos quatro cantos do planeta), da aflição no encontro cara a cara com Anna Wintour, da longa e muito próxima amizade com Agyness Deyn, do programa de TV em que se meteu e da função de DJ que ele incorporou para ajudar a financiar a grife. Sempre fico admirado com a rapidez com que novos nomes viram darlings da imprensa de moda mundial, sobretudo no caso da House of Holland, que ainda acho um semi-truque. Falem a verdade, se fosse um estilista da Casa de Criadores a apresentar as coleções desfiladas pela marca, muita gente aqui ia torcer o nariz pras peças xadrezes com modelagem simplória da penúltima coleção, assim como as bobagens masculinas que ele faz. A acompanhar pra conferir.
Saldo mega positivo para o Pense Moda, que este ano aconteceu a duras penas (mais mérito ainda pra Cami, Babu e Marcelo) mas é essencial que continue, como encontro fresco da nova geração, com menos peso do business (comparado ao Fashion Marketing, por exemplo), mas com excelentes idéias e assuntos pertinentes a serem…pensados. Vida longa!