
Na coluna de Alcino Leite Neto e Vivian Whiteman publicada ontem na Folha, saiu uma entrevista dos irmãos Caten, da DSquared2, sobre o lançamento dos primeiros perfumes da grife, o He Wood, para homens (recebi e adorei!) e She Wood para as mulheres. Mas o que mais me chamou a atenção na entrevista foi o final dela, onde, perguntados sobre o que acham da imparcialidade e transparência da imprensa de moda global, os gêmeos não tiveram papas na língua e jogaram m…no ventilador. Quer saber por que? Leia os trechos abaixo.
FOLHA – O que pensam das revistas de moda atuais?
DEAN E DAN - Preferimos as francesas e inglesas. A maioria das americanas são tediosas, é chato ter que dizer isso. Mas não temos muito tempo de lê-las, elas estão ficando cada vez mais volumosas.
FOLHA – Vocês acham que os jornalistas de moda são independentes e escrevem com liberdade?
DEAN E DAN - [Hesitam] Não. Eles não podem dizer de fato o que pensam, sabemos muito bem disso.
FOLHA – Por que não?
DEAN E DAN - Porque eles têm os anunciantes, que influenciam no que será publicado.
FOLHA – Não há nenhum jornalista de moda independente que vocês conheçam?
DEAN E DAN - Sim, alguns poucos. Depende de onde você está escrevendo…
FOLHA – Em sua opinião, como deveria ser a crítica de moda?
DEAN E DAN - O crítico tem que ter a mente aberta. Ele deve relatar o que viu, ouvir o designer e então criticar. Existe esta idéia de que você tem que ser podre com os outros na crítica -e de que, se não for, você não é um bom jornalista. É um conceito muito esquisito.
Quer saber? Como parte integrante da imprensa a que eles se referem, não vou aqui levantar bandeira e dizer que as palavras deles são um absurdo, porque não são. São coisas que varremos pra debaixo do tapete e eles tiveram peito pra levantar a poeira. Infelizmente, fazemos parte de um sistema sim, trabalhamos para veículos que têm interesses sim e, muitas vezes, a gente se adapta. Com liberdade, melhor, mas nem sempre é assim. Por isso os blogs são tão importantes, vieram para romper certas amarras e passar adiante os reais pensamentos de quem escreve. Com eles, acredito que, aos poucos, a mídia especializada vai perceber o grande valor que tem uma crítica bem fundamentada e construtiva, que nada mais é do que a essência básica do jornalismo de moda.
Pra completar, tem na coluna dessa sexta-feira, uma entrevista com o Nizan Guanaes, sobre o Claro Rio Summer, que termina com uma resposta que completa bem o raciocínio:
FOLHA – O que mais o sr. prepara para a próxima edição?
GUANAES - Vamos botar mais moda, dar mais densidade, transformar o evento em uma mostra de nossa cultura. Tem uma frase maravilhosa do Juscelino Kubitschek: com erro não há compromisso. Eu quero ouvir sugestões para o evento, em vez de ficar esperneando por causa da imprensa, como se estivesse fazendo a Capela Sistina, que ninguém pode criticar. A imprensa não tem que fazer o papel adulatório. Quem faz isso é a publicidade. A imprensa tem que ser crítica.