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28/05/2010 - 00:50

Casa de Criadores, saldo final

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Foi uma boa edição para os homens. Depois do correto – e apenas correto – desfile da Der Metropol, veio a surpresa. Meu grande honra ao merito nesta última edição da CdC vai para o pessoal do Projeto Lab. Teoricamente mais crus que a maioria dos nomes do lineup oficial, nomes como Luiz Leite (vencedor do Fashion Mob, na última temporada) e a também novata Juss, deixaram um sorriso de esperança na renovação do universo masculino brasileiro.

Luiz mandou bem com seu jeanswear 100% orgânico, sem ranço hippie desleixado, provando que há vida inteligente no universo sustentável. Amparado pela estrutura da Eden, grife verde onde trabalha, desenvolveu sua história em torno de um jardim, onde a jardineira – ou salopete, como queiram – foi a vedete. A partir dela desdobraram-se boas calças de gancho folgado, bem acabadas e clarinhas, sem coloração artificial alguma. Para combinar, camisetas que em nada lembram as peças simplórias que costumam brotar deste tipo de iniciativa. Ponto pra ele, mas ainda falta provar que seu exercício criativo não depende das asas da casa que o abriga. Pode ir longe.

A simpática Juss, grife de Juliana Souza, estreou com um pé no retrô, bebendo na fonte mod, salpicando tudo com um tantinho de esportivo.Boa alfaiataria – em alguns casos com modelagem falha -, de desenho atual, assim como a camisaria, slim e elegante. Cartela delícia, em especial os verdes menta. Adorei as espadrilles nos pés. Errinhos de proporção e acabamento são perdoáveis nesse caso, a gente quer mais!

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
25/05/2010 - 20:28

Casa de Criadores, day 1

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Começou a temporada brasileira de verão 2010/2011. Ontem, no shopping Frei Caneca, como de costume, aconteceram os primeiros desfiles da Casa de Criadores, com Der Metropol, R.Rosner, Purpure, Jadson Raniere e Geraldo Couto no line-up. Como aqui só falamos de masculino – nesse caso, ainda bem – vamos focar na coleção egípcia de Mario Francisco, que abriu os trabalhos do primeiro dia.

A Der Metropol carrega consigo a tarefa de “mostrar serviço” no quesito construção tanto na sua boa camisaria de shape slim quanto na alfaiataria correta que já vão virando marcas fortes, uma identidade até. O que é bom, claro, mas que parece quase uma obrigação, ficando às vezes, gratuita. Há de se tomar cuidado com os excessos rebuscados, que só complicam a peça, sem acrescentar-lhe relevância. São muito boas as brincadeiras em trompe l’oeil, como a camisa que imita paletó e gravata, em branco. Boas bermudas, com preciosos patchworks, e gostosas calças cenoura, com pregas, confortáveis e charmosas, curingas para a vida urbana. As mais justas, no entanto, carecem de uma revisão na modelagem. Outras, com shape dhoti, não funcionaram, pois o gancho – talvez por erro de modelagem – limitava o andar dos meninos, que se transformaram em robozinhos ao invés dos beduínos elegantes que prometiam ser. Do deserto veio a inspiracão de Mario, que olhou para o Egito e os Faraós para construir – bem apropriada a palavra, neste caso – uma bem amarrada coleção, que teve pontos altos nas peças estampadas com penas ou gatinhos (sagrados entre o povo das pirâmides) e nas boas ideias de cunho esportivo, onde tecidos telados conversaram bem com o algodão. Um verão mais comercial, sim, mas com conteúdo, que está muito próximo do ideal para uma grife emergente.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: ,
28/11/2009 - 12:07

Força masculina

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André Phergom apresentou ontem, em seu desfile de inverno 2010, uma coleção totalmente para eles. E fez muito bem. Mostrou mais consistência e pôde amarrar melhor a apresentação (só não entendi muito bem como se traduziu a inspiração em certa região portuguesa, onde trajes típicos são fortes, mas tudo bem). Ele, que vinha se dividindo entre meninos e meninas em suas participações na Casa de Criadores, é prova do galope que vem dando o mercado masculino na moda. Que novo estilista, há alguns anos, abandonaria o seguro filão feminino para se aventurar exclusivamente na moda para homens? Sinal (feliz) de novos tempos.

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Fotos: Charles Naseh/Chic

Ah! E preciso registrar que eu gosto muito do Projeto Zero, que tira estilistas direto da faculdade para colocá-los na passarela, com suporte técnico e comercial. Ponto pra Casa de Criadores!

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
27/11/2009 - 19:31

Segundo dia da CdC: looks aprovados

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Vai aqui uma seleção de looks que, a meu ver, se salvaram do desastre que vem sendo a jovem moda masculina no evento. Eu pergunto: pra que homem é mesmo que esses meninos fazem roupa?

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A surpresa vinda do Lab: Danilo Costa

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Danilo Costa e Marcelu Ferraz

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Der Metropol

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
26/11/2009 - 12:37

João Pimenta é rei em terra de cego

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Que fique claro desde a primeira linha que eu acho, sim, que a Casa de Criadores merece e precisa existir no cenário da moda brasileira. O que lhe falta, na minha opinião, é foco e capacidade de síntese. Quando parecia que ficava mais claro que o evento deveria ser enxugado, eis que ele infla, passando de três para seis dias. É louvável a busca por novos formatos, por mais interação com seu público e por alimentar um papel pensante na moda com a inclusão de palestras e debates na programação. Até aí, ok. Mas alguém me explica o porquê do Walério Araújo desfilar sozinho na segunda-feira? E nos dias de desfiles no shopping Frei Caneca – aqueles nos quais a gente volta pra casa perto da meia-noite, com a sensação de que não devia ter saído – falta, a meu ver, uma peneira muito maior dos participantes, um rigor no quesito moda e criação que se perdeu há algum tempo. Ou será normal a gente sair de uma sessão de cinco ou seis desfiles lembrando apenas de um?

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Esse um, ontem, foi, de novo, João Pimenta. Dando seqüência ao seu exercício de mixar universo feminino com masculino, João fragilizou vaqueiros e matutos que, apesar de serem marmanjos barbados, andam sem cerimônia por seus hectares a bordo de vestidos de cintura marcada, aventais e babados, muitos deles. Depois de realizar desfiles monocromáticos em branco e preto, desta vez os tons escolhidos eram terrosos, derivados de marrons, ferrugem e alaranjados, numa camuflagem típica da lama da fazenda. Muito linho, sarja e camurça, em uma silhueta que começou volumosa e terminou ultraskinny, sempre acompanhada de botinhas tipo Zebu, cano médio ou alto. Excelentes as jaquetinhas curtas usadas sobre os ombros. Tudo com acabamento impecável, consistente, bem-amarrado. Como tem que ser uma coleção, se quiser ter o mínimo de futuro comercial. Tá, tudo bem, nem tudo o que o João Pimenta faz é possível, usável, de fácil digestão, mas é o que mais próximo chega da palavra moda – no sentido amplo da palavra, se é que me entendem – no line-up da Casa de Criadores.

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Pra mim – e eu já dei essa opinião ao vivo para os mais próximos -, um evento de novos talentos não deve ter o formato de Fashion Week independente. Não se sustenta. O melhor exemplo desse tipo de projeto vem de Londres (de onde mais viria?) e se chama Fashion EastFashion Fringe, New Gen, Vauxhall Fashion Scout ou On/Off, eventos que acontecem PARALELAMENTE à Fashion Week local, garantindo mídia e público especializado. Maria Prata fez um belo post a respeito, há pouco tempo. Aí eu pergunto: por quê insistir em ser grande, em montar equações para se encaixar no calendário, se a receita está lá, toda pronta para ser adaptada e, assim, ter mais chances de ser relevante no cenário fashion local? Sabe quantos estilistas desfilam no Fashion Fringe? Três. Devidamente selecionados e aprovados previamente a partir de critérios muito bem definidos. Não dá pra querer ser uma mistura de SPFW com Pense Moda. Com 30 desfiles medíocres enfileirados em uma semana de evento, não dá mesmo para almejar a consistência que um evento como a Casa de Criadores merece ter. Cada um no seu quadrado.

Quero dizer que esta crítica é construtiva, pois a CdC é o único evento que temos para a turma mais nova e eu quero mais é que estes tenham seu espaço para fazer desabrochar seu talento. Vou continuar indo aos desfiles, como forma de demonstrar meu apoio, claro, mas pelo bem do evento, de quem desfila e da moda nacional como um todo, há de se evoluir, por favor.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , , ,
06/06/2009 - 11:52

Welcome to Rio

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As primeiras impressões dos primeiros desfiles do primeiro dia do Fashion Rio de verão 2010 são positivas. Para o evento em geral também, que ganhou estofo ao migrar para os hangares do Pier Mauá, com produção mais bem acabada e um charme a mais. Boa a iniciativa de Paulo Borges de importar os chefes de segurança que fazem a SPFW há anos e que já conhecem as pessoas, tornando tudo mais educado e eficiente no incontornável corpo-a-corpo que somos obrigados a fazer a cada entrada de desfile ou apenas para circular no evento. Ontem aconteceram as apresentações dos novos talentos do Rio Moda Hype e, mesmo sem nenhum destaque escancarado, a sensação é que o nível dos participantes é homogêneo, coerente e promissor. O formato dos desfiles é ideal, com shows enxutos e uniformes, com a moçada indo direto ao ponto e mostrando aquilo que têm de melhor. A Casa de Criadores teria muito o que aprender com o evento carioca. Não tem troca de cenário e nem apresentação com 68 repetitivos looks. Entre os novos masculinos, destaque para a R.Groove, já escolhida como revelação no Prêmio Moda Brasil do ano passado. Não encanta, mas mostra a que veio, principalmente na primeira metade do desfile, onde uma alfaiataria honesta se diverte com deliciosas bermudas e calças com uma brisa de Rio de Janeiro soprando. Relax, portanto. Blazer sequinho, de mangas curtas e estampado. Rique ainda inventou sua versão do boyfriend blazer feminino aplicado aos meninos. Neste caso seria o blazer de quem? Do pai? Daddy blazer. Na segunda parte, quando envereda pelo streetwear puro e simples sua nota média baixa um pouco, mas ainda assim passa de ano.

Boas novas também para as meninas (que poderão ler a respeito em alguns dos blogs da barra aí do lado), que devem ficar de olho na dupla da Lore, na Stefania e em Julia Valle. Mesmo sem fazer oficialmente parte do novo Fashion Rio, pode-se dizer que o Rio Moda Hype nos deu calorosas boas-vindas à Cidade Maravilhosa. Dia 2 começando…

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , , , , ,
30/05/2009 - 14:12

Oasis no deserto 2, a missão

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Só pra não dizer que só falei do João Pimenta na Casa de Criadores (e dá pra falar de mais alguém? O abismo é gigantesco…), resolvi tecer umas linhas a mais sobre o que foi visto nos dois últimos dias. Poucas, verão. Entre os meninos, a sempre simpática ADD continua sem inventar a roda, mas mostra-se muito competente em sua proposta de moda fácil, usável e com alguma graça. Acho que para os mais reticentes, é um excelente começo o de botar mais cor em suas vidas, misturar charmosas listras com eternos xadrezes e perder a vergonha de mostrar um pouco mais de perna ao adotar os deliciosos shorts mais curtos da grife. Comercial sim, mas ainda é a linguagem mais acessível para a maioria dos homens.

De resto…um deserto. Nem vou gastar os dedos falando mal das bobagens que vimos ontem porque, assim como 90% dos nomes do line-up, não teria relevância para o futuro da moda brasileira. Fiquei um pouco mais animado com os participantes do LAB que, pelo menos, não se levaram tão a sério desta vez. Contente fiquei mesmo foi de ter conversado longamente, mais uma vez, com Alexandre Iódice, responsável pelo masculino da grife de seu pai, Valdemar, e que realizou uma visita guiada em seu show-room para apresentar seu verão 2010, ontem à tarde.

Alexandre tem uma visão de mercado e de moda masculina surpreendentes para alguém da idade dele e com as amarras comerciais que trabalhar numa grande grife de jeanswear traz para seu dia-a-dia. Esqueça o namorado da Galisteu (afinal, o que a gente tem a ver com a vida privada do cara?), ele é um nome para ser levado a sério, que ainda pode dar muitas alegrias aos homens que se preocupam em andar minimamente alinhados. Claro que suas estratégias têm que ser entendidas de acordo com o público consumidor da Iódice, não adianta cobrar dele algo que deveria ser visto na Casa de Criadores, por exemplo. Mas eu me identifico porque ele, ao contrário de muito peixe grande (ou nem tanto), se esforça para oferecer aquelas sutis mudanças que, daqui a uma década, podem ter contribuído para aumentar a porcentagem de homens mais elegantes Brasil afora. A coleção de verão é dividida em 3 temas (na feminina são 4), que vão sendo lançados aos poucos nas lojas. De novo, as peças preferidas dos brasileiros como bermudas cargo e pólos esportivas estão lá, mas com delicados detalhes que fazem toda a diferença. A bela linha de camisaria vem levinha, lavada e trabalhada dentro do conceito de comfort fashion. As peças com pala de smoking são excelentes. Alexandre é um defensor do crossover entre alfaiataria e casual/jeanswear, e sofre por não ver ainda disseminado entre os brasileiros o hábito de recorrer a esse casamento para um look mais atual. Eu também, Alexandre, eu também. Temos um longo caminho pela frente até construirmos uma cultura de moda entre os homens brasileiros, talvez isso nunca aconteça num âmbito macro (por todas as eternas questões socioeconômicoculturais que já conhecemos), mas se o micro-mas-nem-tanto entender o x da questão, já será uma vitória. A moda masculina brasileira precisa de peças como Alexandre Iódice para crescer. Tem todo meu apoio.

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
28/05/2009 - 12:44

Oasis no deserto

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Primeiro dia da 25a. edição Casa de Criadores. Resultado: abaixo da média. E eu tenho o prazer de anunciar que a noite só não foi um flop total por conta do cada vez mais maduro João Pimenta. Sim, a moda masculina roubou a cena ontem, lá no shopping Frei Caneca, desbancando apostas certas como o talentoso Gustavo Silvestre que, desta vez, perdeu-se em fragmentos de suas coleções anteriores, resultando num caleidoscópio de vestidos sem-inspiração.

João, ao contrário, caminha a passos largos para consolidar-se como nome relevante na moda masculina tupiniquim. Isto porque ele parece estar entendendo que conceito e comercial podem e devem andar juntos, seguindo aquela linha tênue que separa a informação de moda do choque que afasta o homem de qualquer avanço que se lhe propõe. Para o verão, João foi chafurdar na fazenda, assumindo um universo caipira que, na verdade, pode estar em qualquer cidade do mundo.

Ao contrário de seu último desfile, onde o pretume imperou, os looks do verão são todos clarinhos. Muito branco, cru, off-whites e afins. João dá seqüência ao exercício de redefinir as formas masculinas incorporando shapes e materiais delas em um inteligente jogo de proporções, onde a fluidez (conseguida com o corte em viés das peças, técnica emprestada do universo…delas) conversa com a rigidez, onde o skinny e as formas amplas convivem em plena harmonia. São excelentes os paletós sequinhos, porém compridos, com uma pitada de militar, sobrepostos a túnicas esvoaçantes em camadas ou a camisas de renda, no melhor estilo Paul Smith encontra Prada. Boas também as calças de gancho baixo mais curtas, as famosas pula brejo da fazenda, usadas, como efeito de styling, com as indefectíveis botinas tipo Zebu. Com o sapato certo, são looks deliciosos pro verão. Tem até pelerine pra meninos, que os mais abusados e delicados certamente vão gostar. Eu amo o paletó com debrum de couro marrom, em algodão orgânico e com cara de faroeste. Tenho dúvidas ainda sobre os adamascados, mas ok, é preciosismo. Mesmo não sendo tão forte quanto sua coleção anterior, do ponto de vista da imagem, o verão de João Pimenta é refresco para os olhos masculinos. Experimentem.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
11/12/2008 - 16:12

O homem da Casa, dia 3

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Acabou em grande estilo a edição de inverno 2009 da Casa de Criadores, ontem, no shopping Frei Caneca. Para as mulheres, principalmente. Lindo, lindo o desfile do Gustavo Silvestre. Esse menino já é o principal nome do evento em termos de qualidade de moda e merece alçar vôos mais altos logo. Ainda no campo feminino, mais um show de Walério Araújo, com sua coleção rocker-medieval, fruto de muito trabalho de bordados e adereços. Funciona mais como espetáculo do que como moda, convenhamos. Mas os desfiles de Walério sempre causam comoção. E ele em si é impagável. Necessário.

Para os homens, a noite até que não foi tão ruim assim. Único representante a desfilar exclusivamente roupa de menino, a ADD cumpriu bem o papel de mostrar com quantas bermudas se combina uma boa camisa, apostando forte na mistura de estampas e padronagens. Gosto mais do primeiro bloco do desfile, fresco, clarinho e com peças que são puro desejo de consumo, como os tricôs fininhos, os trenchs de mangas curtas, boas jaquetas e a grande variedade de belas camisas.

Mais para frente, começou a ficar monótono o tanto de looks que combinavam bermuda-camisa-calça cargo, em propostas puramente comerciais e déjà-vu, por mais acertadas que fossem as misturas de listras com xadrezes com estampas. Correto, mas sem mais. Acho válido esse tipo de desfile para cutucar os mais novos e mostrar que o comercial é importante sim, que não basta pirar o cabeção numa moda que não vai a lugar algum. Mas concordo que assistir ao desfile da ADD ali, na Casa de Criadores, parece um tanto deslocado. E eu sou um baita chato, eu sei. Enfim, Janeiro tá aí e a coisa vai ficar séria em termos de temporada fashion. Próximo evento!

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
10/12/2008 - 15:41

O homem da Casa, dia 2

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No geral, foi um segundo dia de Casa de Criadores fraco. Para a moda masculina nossa de cada dia, então…Vou, no entanto, citar o trabalho das Gêmeas que, na minha opinião, deram uma andada para trás nessa coleção, além do bom exercício de formas e modelagem que realizou a Der Metropol.

Isadora e Carol olharam para o Lago dos Cisnes, de Tchaïkovsky, e para o filme Perdas e Danos, mistura que, a princípio, tinha bem a ver com a fase delas, um pouco mais soft, mas sempre hard. Há algumas temporadas, as irmãs incorporaram looks masculinos nas coleções, com alguns bons momentos mas, desta vez, foram poucos. Meu destaque vai para as peças em lã espinha de peixe, como o blazerzinho desestruturado, e para a boa jaqueta de alma street usada com bermudinha seca. Não gostei das peças metalizadas, empobrecidas pelo lamê fluido. O melhor do desfile ( excetuando boas peças femininas, mas que não são o foco aqui ) foram as bailarinas do início, cheias de graça ao som da eterna valsa russa.

A Der Metropol, se não impressiona pelo tema ( grunge, again. Mesmo que seja pelo viés das letras da música e do sofrimento, não é novidade. E precisa mais do que algumas estampas de coração sangrando para dar vida a essa inspiracão. ), tem o mérito de se empenhar na busca de formas e modelagens novas na moda para meninos. Ótimas calças de moletom, folgadas e de shape saruel que, ora vinham esportivas e utilitárias, ora com referências à clássica alfaiataria. Urbano e confortável. Dá vontade de ter a calça cinza cheia de zíperes do começo do desfile que, no geral, respirou sempre mais ares esporte-street-jogging do que resquícios emo de Alice in Chains.

As referências das Gêmeas eram bem interessantes, mesmo com resultado apenas regular, mas rock, grunge ou go-go boys ( Marcelu Ferraz, insistente no erro ) são temas muito desgastados para quem se propõe a experimentações como o fazem, em geral, os participantes da Casa de Criadores. Somando-se a isto a falta de grana, acabamento nem sempre preciso, styling e edição medianos, as chances de dar errado são enormes. Povo criativo, que tal queimar mais a cuca da próxima vez?

Ah! As fotos são do querido Paulo Reis.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
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