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06/06/2009 - 11:52

Welcome to Rio

As primeiras impressões dos primeiros desfiles do primeiro dia do Fashion Rio de verão 2010 são positivas. Para o evento em geral também, que ganhou estofo ao migrar para os hangares do Pier Mauá, com produção mais bem acabada e um charme a mais. Boa a iniciativa de Paulo Borges de importar os chefes de segurança que fazem a SPFW há anos e que já conhecem as pessoas, tornando tudo mais educado e eficiente no incontornável corpo-a-corpo que somos obrigados a fazer a cada entrada de desfile ou apenas para circular no evento. Ontem aconteceram as apresentações dos novos talentos do Rio Moda Hype e, mesmo sem nenhum destaque escancarado, a sensação é que o nível dos participantes é homogêneo, coerente e promissor. O formato dos desfiles é ideal, com shows enxutos e uniformes, com a moçada indo direto ao ponto e mostrando aquilo que têm de melhor. A Casa de Criadores teria muito o que aprender com o evento carioca. Não tem troca de cenário e nem apresentação com 68 repetitivos looks. Entre os novos masculinos, destaque para a R.Groove, já escolhida como revelação no Prêmio Moda Brasil do ano passado. Não encanta, mas mostra a que veio, principalmente na primeira metade do desfile, onde uma alfaiataria honesta se diverte com deliciosas bermudas e calças com uma brisa de Rio de Janeiro soprando. Relax, portanto. Blazer sequinho, de mangas curtas e estampado. Rique ainda inventou sua versão do boyfriend blazer feminino aplicado aos meninos. Neste caso seria o blazer de quem? Do pai? Daddy blazer. Na segunda parte, quando envereda pelo streetwear puro e simples sua nota média baixa um pouco, mas ainda assim passa de ano.

Boas novas também para as meninas (que poderão ler a respeito em alguns dos blogs da barra aí do lado), que devem ficar de olho na dupla da Lore, na Stefania e em Julia Valle. Mesmo sem fazer oficialmente parte do novo Fashion Rio, pode-se dizer que o Rio Moda Hype nos deu calorosas boas-vindas à Cidade Maravilhosa. Dia 2 começando…

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , , , , ,
30/05/2009 - 14:12

Oasis no deserto 2, a missão

 

Só pra não dizer que só falei do João Pimenta na Casa de Criadores (e dá pra falar de mais alguém? O abismo é gigantesco…), resolvi tecer umas linhas a mais sobre o que foi visto nos dois últimos dias. Poucas, verão. Entre os meninos, a sempre simpática ADD continua sem inventar a roda, mas mostra-se muito competente em sua proposta de moda fácil, usável e com alguma graça. Acho que para os mais reticentes, é um excelente começo o de botar mais cor em suas vidas, misturar charmosas listras com eternos xadrezes e perder a vergonha de mostrar um pouco mais de perna ao adotar os deliciosos shorts mais curtos da grife. Comercial sim, mas ainda é a linguagem mais acessível para a maioria dos homens.

De resto…um deserto. Nem vou gastar os dedos falando mal das bobagens que vimos ontem porque, assim como 90% dos nomes do line-up, não teria relevância para o futuro da moda brasileira. Fiquei um pouco mais animado com os participantes do LAB que, pelo menos, não se levaram tão a sério desta vez. Contente fiquei mesmo foi de ter conversado longamente, mais uma vez, com Alexandre Iódice, responsável pelo masculino da grife de seu pai, Valdemar, e que realizou uma visita guiada em seu show-room para apresentar seu verão 2010, ontem à tarde.

Alexandre tem uma visão de mercado e de moda masculina surpreendentes para alguém da idade dele e com as amarras comerciais que trabalhar numa grande grife de jeanswear traz para seu dia-a-dia. Esqueça o namorado da Galisteu (afinal, o que a gente tem a ver com a vida privada do cara?), ele é um nome para ser levado a sério, que ainda pode dar muitas alegrias aos homens que se preocupam em andar minimamente alinhados. Claro que suas estratégias têm que ser entendidas de acordo com o público consumidor da Iódice, não adianta cobrar dele algo que deveria ser visto na Casa de Criadores, por exemplo. Mas eu me identifico porque ele, ao contrário de muito peixe grande (ou nem tanto), se esforça para oferecer aquelas sutis mudanças que, daqui a uma década, podem ter contribuído para aumentar a porcentagem de homens mais elegantes Brasil afora. A coleção de verão é dividida em 3 temas (na feminina são 4), que vão sendo lançados aos poucos nas lojas. De novo, as peças preferidas dos brasileiros como bermudas cargo e pólos esportivas estão lá, mas com delicados detalhes que fazem toda a diferença. A bela linha de camisaria vem levinha, lavada e trabalhada dentro do conceito de comfort fashion. As peças com pala de smoking são excelentes. Alexandre é um defensor do crossover entre alfaiataria e casual/jeanswear, e sofre por não ver ainda disseminado entre os brasileiros o hábito de recorrer a esse casamento para um look mais atual. Eu também, Alexandre, eu também. Temos um longo caminho pela frente até construirmos uma cultura de moda entre os homens brasileiros, talvez isso nunca aconteça num âmbito macro (por todas as eternas questões socioeconômicoculturais que já conhecemos), mas se o micro-mas-nem-tanto entender o x da questão, já será uma vitória. A moda masculina brasileira precisa de peças como Alexandre Iódice para crescer. Tem todo meu apoio.

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
28/05/2009 - 12:44

Oasis no deserto

Primeiro dia da 25a. edição Casa de Criadores. Resultado: abaixo da média. E eu tenho o prazer de anunciar que a noite só não foi um flop total por conta do cada vez mais maduro João Pimenta. Sim, a moda masculina roubou a cena ontem, lá no shopping Frei Caneca, desbancando apostas certas como o talentoso Gustavo Silvestre que, desta vez, perdeu-se em fragmentos de suas coleções anteriores, resultando num caleidoscópio de vestidos sem-inspiração.

João, ao contrário, caminha a passos largos para consolidar-se como nome relevante na moda masculina tupiniquim. Isto porque ele parece estar entendendo que conceito e comercial podem e devem andar juntos, seguindo aquela linha tênue que separa a informação de moda do choque que afasta o homem de qualquer avanço que se lhe propõe. Para o verão, João foi chafurdar na fazenda, assumindo um universo caipira que, na verdade, pode estar em qualquer cidade do mundo.

Ao contrário de seu último desfile, onde o pretume imperou, os looks do verão são todos clarinhos. Muito branco, cru, off-whites e afins. João dá seqüência ao exercício de redefinir as formas masculinas incorporando shapes e materiais delas em um inteligente jogo de proporções, onde a fluidez (conseguida com o corte em viés das peças, técnica emprestada do universo…delas) conversa com a rigidez, onde o skinny e as formas amplas convivem em plena harmonia. São excelentes os paletós sequinhos, porém compridos, com uma pitada de militar, sobrepostos a túnicas esvoaçantes em camadas ou a camisas de renda, no melhor estilo Paul Smith encontra Prada. Boas também as calças de gancho baixo mais curtas, as famosas pula brejo da fazenda, usadas, como efeito de styling, com as indefectíveis botinas tipo Zebu. Com o sapato certo, são looks deliciosos pro verão. Tem até pelerine pra meninos, que os mais abusados e delicados certamente vão gostar. Eu amo o paletó com debrum de couro marrom, em algodão orgânico e com cara de faroeste. Tenho dúvidas ainda sobre os adamascados, mas ok, é preciosismo. Mesmo não sendo tão forte quanto sua coleção anterior, do ponto de vista da imagem, o verão de João Pimenta é refresco para os olhos masculinos. Experimentem.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
11/12/2008 - 16:12

O homem da Casa, dia 3

Acabou em grande estilo a edição de inverno 2009 da Casa de Criadores, ontem, no shopping Frei Caneca. Para as mulheres, principalmente. Lindo, lindo o desfile do Gustavo Silvestre. Esse menino já é o principal nome do evento em termos de qualidade de moda e merece alçar vôos mais altos logo. Ainda no campo feminino, mais um show de Walério Araújo, com sua coleção rocker-medieval, fruto de muito trabalho de bordados e adereços. Funciona mais como espetáculo do que como moda, convenhamos. Mas os desfiles de Walério sempre causam comoção. E ele em si é impagável. Necessário.

Para os homens, a noite até que não foi tão ruim assim. Único representante a desfilar exclusivamente roupa de menino, a ADD cumpriu bem o papel de mostrar com quantas bermudas se combina uma boa camisa, apostando forte na mistura de estampas e padronagens. Gosto mais do primeiro bloco do desfile, fresco, clarinho e com peças que são puro desejo de consumo, como os tricôs fininhos, os trenchs de mangas curtas, boas jaquetas e a grande variedade de belas camisas.

Mais para frente, começou a ficar monótono o tanto de looks que combinavam bermuda-camisa-calça cargo, em propostas puramente comerciais e déjà-vu, por mais acertadas que fossem as misturas de listras com xadrezes com estampas. Correto, mas sem mais. Acho válido esse tipo de desfile para cutucar os mais novos e mostrar que o comercial é importante sim, que não basta pirar o cabeção numa moda que não vai a lugar algum. Mas concordo que assistir ao desfile da ADD ali, na Casa de Criadores, parece um tanto deslocado. E eu sou um baita chato, eu sei. Enfim, Janeiro tá aí e a coisa vai ficar séria em termos de temporada fashion. Próximo evento!

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
10/12/2008 - 15:41

O homem da Casa, dia 2

No geral, foi um segundo dia de Casa de Criadores fraco. Para a moda masculina nossa de cada dia, então…Vou, no entanto, citar o trabalho das Gêmeas que, na minha opinião, deram uma andada para trás nessa coleção, além do bom exercício de formas e modelagem que realizou a Der Metropol.

Isadora e Carol olharam para o Lago dos Cisnes, de Tchaïkovsky, e para o filme Perdas e Danos, mistura que, a princípio, tinha bem a ver com a fase delas, um pouco mais soft, mas sempre hard. Há algumas temporadas, as irmãs incorporaram looks masculinos nas coleções, com alguns bons momentos mas, desta vez, foram poucos. Meu destaque vai para as peças em lã espinha de peixe, como o blazerzinho desestruturado, e para a boa jaqueta de alma street usada com bermudinha seca. Não gostei das peças metalizadas, empobrecidas pelo lamê fluido. O melhor do desfile ( excetuando boas peças femininas, mas que não são o foco aqui ) foram as bailarinas do início, cheias de graça ao som da eterna valsa russa.

A Der Metropol, se não impressiona pelo tema ( grunge, again. Mesmo que seja pelo viés das letras da música e do sofrimento, não é novidade. E precisa mais do que algumas estampas de coração sangrando para dar vida a essa inspiracão. ), tem o mérito de se empenhar na busca de formas e modelagens novas na moda para meninos. Ótimas calças de moletom, folgadas e de shape saruel que, ora vinham esportivas e utilitárias, ora com referências à clássica alfaiataria. Urbano e confortável. Dá vontade de ter a calça cinza cheia de zíperes do começo do desfile que, no geral, respirou sempre mais ares esporte-street-jogging do que resquícios emo de Alice in Chains.

As referências das Gêmeas eram bem interessantes, mesmo com resultado apenas regular, mas rock, grunge ou go-go boys ( Marcelu Ferraz, insistente no erro ) são temas muito desgastados para quem se propõe a experimentações como o fazem, em geral, os participantes da Casa de Criadores. Somando-se a isto a falta de grana, acabamento nem sempre preciso, styling e edição medianos, as chances de dar errado são enormes. Povo criativo, que tal queimar mais a cuca da próxima vez?

Ah! As fotos são do querido Paulo Reis.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
09/12/2008 - 16:49

O homem da Casa, dia 1

Primeiro dia ontem da edição de inverno 2009 da Casa de Criadores e o desfile mais relevante para os meninos foi, sem dúvida, o de João Pimenta. Valem umas linhas sobre a Phergom também, vai, já que, apesar do tema batido, se saiu melhor no campo masculino do que no feminino. Não adiantou o discurso de que quis fugir do óbvio fazendo uma coleção sobre o rock. As cores escuras estavam lá, a silhueta ajustada a la Axl Rose ( influência do natimorto álbum Chinese Democracy? ), com suas leggings de plush, dividiu espaço com algumas formas mais soltas, bem mais interessantes. Ponto para as jaquetas e para as camisetonas amplas, que de rock não tinham nada. Se a preocupação era fugir dos clichês, trabalhando com um tema já tão usado, melhor seria escolher outra cartela, outro fio condutor, outra inspiração, ou se libertar dela e fazer a melhor moda possível. Quem precisa de temas engessados?

Pela primeira vez saí bem impressionado por um desfile de João Pimenta. Explico o porquê da minha resistência a seu trabalho: eu sou super a favor da tentativa de fugir da mesmice na moda masculina e reconheço que João luta bravamente para conseguir isso ao longo de sua carreira. O que me incomoda é a invencionice pura e simples. Quando não há objetivo e quando a experimentação não vai a lugar algum, por mais que se tenha méritos, não há evolução. É mais ou menos como a firula no futebol: um belo drible, uma jogada enfeitada, é muito legal de se ver, como espetáculo, mas se não há objetividade rumo ao gol, ou seja, se o drible não passa de mera fantasia e não resulta em nada, acaba sendo inútil, perdendo o sentido. E eu acho que o evento em si peca nesse aspecto como um todo já há algum tempo, já falei disso aqui no blog. Ah, trata-se de laboratório? Ok, acho válido. Mas pra onde vão esses novos talentos sem uma direção comercial concreta, que os faça alçar vôos mais altos do que improvisar um desfile a cada seis meses no shopping Frei Caneca? E duvideodó que a maioria se contente disso e ache que está tudo bem assim, vendendo pra uma minoria, mas fiel aos seus ideais mais profundos.

Pois bem, ontem João enfeitou rumo ao gol. Primeiro eu adorei a cartela, simples, direta, preto no branco. E haja preto. E um pouquinho de branco. Deu peso à sua ( boa ) alfaiataria, de formas inusitadas mas, que tiradas do contexto circense da apresentação, podem funcionar sim. Bem, nem todas, mas tá valendo. Buscando incorporar formas femininas em suas propostas, João botou a pulga atrás da orelha dos mais céticos com relação ao futuro da moda para homens, meio como faz Miuccia ao fragilizar ao máximo seus meninos a cada coleção desfilada ( aliás, eu vi um tanto de Prada diluída na coleção do Pimenta, pra ser bem sincero ). As anquinhas vêm lá da corte francesa, as transparências e a pele à mostra são mais recentes. Boa mistura. Até os sapatos eram “de menina”. Boa também a idéia das amarrações nas costas, com referência hospitalar, e honra ao mérito para os acessórios. Lindos. Quero o cinto fininho já! João: valeu mesmo. Os inconformados com o marasmo na moda masculina agradecem.

Fotos: Charles Naseh/Chic

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
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