SPFW: c’est fini!
Ufa! Acabou a insanidade da Bienal e eu finalmente vou poder escrever sobre o desfile engajado da Reserva, sobre o comercial impecável do Alexandre Herchcovitch e sobre a surpresa Amapô. O próximo post já vem gringo, com minhas impressões sobre os desfiles de Milão e Paris ( adianto que não vai ser nada doce…).
Bem, na quinta-feira rolou a apresentação dos garotos do Rio mais paulistas que existem, já que a Reserva escolheu Sampa como passarela desde a última temporada. E o que se viu foi uma coleção mais difícil do que as outras, daquelas pra se olhar com lupa, limpar os excessos ( não curti o styling, carregado demais ) e ver que ela é boa sim. A inspiração nos conflitos entre povos de raças e credos diferentes que teimam em acontecer, principalmente no Oriente, rendeu ótimos tricôs de ponto largo, multicoloridos e com jeitão de esgarçados, boas calças de shape saruel, belas jaquetas matelassadas e ótimos hoodies para o dia-a-dia. Lindas as estampas que lembram grafismos africanos e a da Aurora Borealis. Também gosto bastante das peças em seda com inox – o que dá memória- e das fininhas, quase transparentes. Coleção madura. Acertaram, meninos ( o recado é pra eles mesmo, pois ao encontrá-los no lounge do GNT, me disseram que sempre passam pelo Hypercool. Fiquei lisonjeado. ).
Alexandre mirou no universo marítimo para mandar muito bem também, com uma proposta comercial, sim, mas nem por isso besta. A alfaiataria continua impecável, em cores novas e ousadas como o vermelho chilli do início, as jaquetas são todas must-have, a camisaria é certinha, enfim, tudo correto, pronto para a loja e para a conta do cartão de crédito. Pintaram umas referências - sutis, bem diluídas – aos marujos, como galões, nós, grandes botões, gorros, capas plastificadas. A de poazinhos brancos é linda. Aliás, Alexandre acerta até quando utiliza materiais pouco convencionais como os plásticos, vinis e lamês. Por que eu gosto dos plastificados do Alê e não dos da V.Rom? Questão de classe e sutileza. O plástico e o vinil do Alexandre são muito fininhos, com corte de alfaiate, delicados, bem-sacados. O agasalho xadrez e a jacket com abotoamento duplo são ótimos. E vai pra loja, é real. Na V.Rom, tudo parece mais grosseiro, exagerado, fora de contexto, irreal e surreal.
A minha grande surpresa do evento foi a Amapô, que amadurece a passos largos em seu feminino, mas arrasa mesmo é nos seus meninos. Com um rebuscado e inteligente trabalho de desconstrução/reconstrução da alfaiataria masculina, criou looks frescos, novos e cheios de informação que encheram os olhos. Palmas para Carô e Pitty.
Fim da temporada brasileira. Volto com os internacionais.
Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: Alexandre Herchcovitch, Amapô, Carô Gold, Moda Masculina, Pitty Tagliani, Reserva, SPFW





