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04/02/2009 - 19:16

Ricardo Almeida e as cores

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Ontem foi dia de lançamento para Ricardo Almeida, que recebeu pequenos grupos de jornalistas, em horários escalonados, para uma visita guiada em seu ateliê. A intenção era revelar sua coleção de inverno, com riqueza de detalhes e explicações que só poderiam ser feitas pelo criador em si, mesmo. Achei bacana a iniciativa, gosto dessa vontade do Ricardo de estar próximo da imprensa, de explicar os senões e os porquês, de dar a chance de ver e tocar a roupa. É mais ou menos a filosofia do bespoke, que ele tanto gosta de trabalhar com seus clientes. Faz você se sentir especial, é como se aquilo tudo estivesse sendo produzido para você especialmente. Ricardo sabe das coisas.

E quando falamos da moda, aí é que ele deita e rola. As matérias-primas são todas importadas e sofisticadíssimas, o corte e o acabamento, impecáveis. Ricardo optou (espertamente) por fugir do breu em que se transformou o mundo da moda desde que se anunciou essa tal de crise e injetou cores vivas na sobriedade das propostas executivas. Por meio de tricôs e cardigans fininhos (peça-chave da coleção) em tons de  vermelho ou violeta, sobrepostos às camisas e escondidos pelos paletós e blazers, cria-se um ponto de luz quente que salva qualquer look do tédio. Cores que voltam nos blazers, chics até não poder mais quando feitos em baby cashmere. O toque é impressionante.

A alfaiataria continua, portanto, impecável, padronizada em variedade de xadrezes ou lisa, feita na mais pura lã, agora misturada com seda e cashmere. E não se assuste se ele te oferecer uma calça sem passante para o cinto, pois foi assim que tudo começou. O uso do cinto na alfaiataria, apesar de prático, é fenômento recente e quebra a silhueta, segundo algumas regras do vestir. As calças, por sinal, continuam secas e – dica de estilo do criador – com comprimento dois centímetros acima do salto do sapato.

Na camisaria, destaque para as estampas floridas e para o colarinho horizontal que, com as pontas cortadas, chega a formar uma linha reta. Gravatas fininhas (com efeito brilhante que eu particularmente não gosto, não) e de tricô, com a ponta reta, bem seventies.

Ricardo acertou de novo. Sua moda é poderosa, chic, para clientes de fino trato. A idéia dos cardigans coloridos com camisas estampadas lembra um pouco um recurso explorado pela Gucci na temporada passada, mas hei de reconhecer que funciona muito bem. Ainda mais neste País tão cheio de cores e energia. Mais uma bola dentro.

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
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