Minha seleção parisiense
Quando eu disse, no post anterior, que a briga entre os melhores desfiles da semana de Paris era boa, eu não estava mentindo. Escolhi Rick Owens e Yves St Laurent pelos motivos que expliquei por lá, mas eles bem que podiam se espremer no pódio para receber a Lanvin (absurda!), a Dior, o Kris Van Assche, Comme des Garçons, Ann Demeulemeester e até a antes insossa Hermès. O saldo da temporada francesa é mega positivo, com um nível geral bem alto, com surpresas, mudanças, informação de moda, enfim…tudo o que a gente quer ver quando assiste a um desfile. Guardadas todas as proporções, é isso que eu cobro quando critico essa ou aquela coleção. A ideia é avançar sempre, seja nos materiais, na silhueta, no acabamento ou simplesmente no casting, minuciosamente escolhido na maioria dos desfiles europeus. Ainda estamos engatinhando na maioria desses itens, mas não podemos usar isso como desculpa para engolir toda e qualquer derrapada que passeia sob os nossos olhos por aqui. Para aproveitar o bom momento da moda para homens também no Brasil, precisamos todos acordar. Imprensa, estilistas, consumidores. Querem evoluir? Comecem levando a coisa muito mais a sério e chega de gato por lebre, custo benefício surreal, mesmice na criação e mentalidade engessada. Brincar de fazer moda masculina não vai nos levar a lugar algum. “Ah, mas no Brasil não dá pra usar essas roupas”; “o homem brasileiro não tem cultura pra entender”…Que tal tentar, pra ver se realmente não dá certo? Sem megalomania, sem querer ser a Gap ou a Zara, simplesmente fazendo o seu, para o cliente que puder (ou quiser) entender e consumir. O Rick Owens não vende pra qualquer homem, tá certo, mas é fiel a um estilo, tem pesquisa de materiais e a roupa vale quanto pesa. O problema é que mesmo a moda de nicho precisa de um mínimo de qualidade, e isso a gente não está tendo aqui no Brasil. Se não começarmos a ser exigentes, as imagens que vocês verão abaixo sempre serão nada mais que utopia.
Aliás, acabei de decidir que vou fazer diferente, pra ficar mais leve. Vou subir vários postzinhos, separando os desfiles. Começa com a Ann Demeulemeester.


















