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30/05/2009 - 14:12

Oasis no deserto 2, a missão

 

Só pra não dizer que só falei do João Pimenta na Casa de Criadores (e dá pra falar de mais alguém? O abismo é gigantesco…), resolvi tecer umas linhas a mais sobre o que foi visto nos dois últimos dias. Poucas, verão. Entre os meninos, a sempre simpática ADD continua sem inventar a roda, mas mostra-se muito competente em sua proposta de moda fácil, usável e com alguma graça. Acho que para os mais reticentes, é um excelente começo o de botar mais cor em suas vidas, misturar charmosas listras com eternos xadrezes e perder a vergonha de mostrar um pouco mais de perna ao adotar os deliciosos shorts mais curtos da grife. Comercial sim, mas ainda é a linguagem mais acessível para a maioria dos homens.

De resto…um deserto. Nem vou gastar os dedos falando mal das bobagens que vimos ontem porque, assim como 90% dos nomes do line-up, não teria relevância para o futuro da moda brasileira. Fiquei um pouco mais animado com os participantes do LAB que, pelo menos, não se levaram tão a sério desta vez. Contente fiquei mesmo foi de ter conversado longamente, mais uma vez, com Alexandre Iódice, responsável pelo masculino da grife de seu pai, Valdemar, e que realizou uma visita guiada em seu show-room para apresentar seu verão 2010, ontem à tarde.

Alexandre tem uma visão de mercado e de moda masculina surpreendentes para alguém da idade dele e com as amarras comerciais que trabalhar numa grande grife de jeanswear traz para seu dia-a-dia. Esqueça o namorado da Galisteu (afinal, o que a gente tem a ver com a vida privada do cara?), ele é um nome para ser levado a sério, que ainda pode dar muitas alegrias aos homens que se preocupam em andar minimamente alinhados. Claro que suas estratégias têm que ser entendidas de acordo com o público consumidor da Iódice, não adianta cobrar dele algo que deveria ser visto na Casa de Criadores, por exemplo. Mas eu me identifico porque ele, ao contrário de muito peixe grande (ou nem tanto), se esforça para oferecer aquelas sutis mudanças que, daqui a uma década, podem ter contribuído para aumentar a porcentagem de homens mais elegantes Brasil afora. A coleção de verão é dividida em 3 temas (na feminina são 4), que vão sendo lançados aos poucos nas lojas. De novo, as peças preferidas dos brasileiros como bermudas cargo e pólos esportivas estão lá, mas com delicados detalhes que fazem toda a diferença. A bela linha de camisaria vem levinha, lavada e trabalhada dentro do conceito de comfort fashion. As peças com pala de smoking são excelentes. Alexandre é um defensor do crossover entre alfaiataria e casual/jeanswear, e sofre por não ver ainda disseminado entre os brasileiros o hábito de recorrer a esse casamento para um look mais atual. Eu também, Alexandre, eu também. Temos um longo caminho pela frente até construirmos uma cultura de moda entre os homens brasileiros, talvez isso nunca aconteça num âmbito macro (por todas as eternas questões socioeconômicoculturais que já conhecemos), mas se o micro-mas-nem-tanto entender o x da questão, já será uma vitória. A moda masculina brasileira precisa de peças como Alexandre Iódice para crescer. Tem todo meu apoio.

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
04/02/2009 - 19:16

Ricardo Almeida e as cores

Ontem foi dia de lançamento para Ricardo Almeida, que recebeu pequenos grupos de jornalistas, em horários escalonados, para uma visita guiada em seu ateliê. A intenção era revelar sua coleção de inverno, com riqueza de detalhes e explicações que só poderiam ser feitas pelo criador em si, mesmo. Achei bacana a iniciativa, gosto dessa vontade do Ricardo de estar próximo da imprensa, de explicar os senões e os porquês, de dar a chance de ver e tocar a roupa. É mais ou menos a filosofia do bespoke, que ele tanto gosta de trabalhar com seus clientes. Faz você se sentir especial, é como se aquilo tudo estivesse sendo produzido para você especialmente. Ricardo sabe das coisas.

E quando falamos da moda, aí é que ele deita e rola. As matérias-primas são todas importadas e sofisticadíssimas, o corte e o acabamento, impecáveis. Ricardo optou (espertamente) por fugir do breu em que se transformou o mundo da moda desde que se anunciou essa tal de crise e injetou cores vivas na sobriedade das propostas executivas. Por meio de tricôs e cardigans fininhos (peça-chave da coleção) em tons de  vermelho ou violeta, sobrepostos às camisas e escondidos pelos paletós e blazers, cria-se um ponto de luz quente que salva qualquer look do tédio. Cores que voltam nos blazers, chics até não poder mais quando feitos em baby cashmere. O toque é impressionante.

A alfaiataria continua, portanto, impecável, padronizada em variedade de xadrezes ou lisa, feita na mais pura lã, agora misturada com seda e cashmere. E não se assuste se ele te oferecer uma calça sem passante para o cinto, pois foi assim que tudo começou. O uso do cinto na alfaiataria, apesar de prático, é fenômento recente e quebra a silhueta, segundo algumas regras do vestir. As calças, por sinal, continuam secas e – dica de estilo do criador – com comprimento dois centímetros acima do salto do sapato.

Na camisaria, destaque para as estampas floridas e para o colarinho horizontal que, com as pontas cortadas, chega a formar uma linha reta. Gravatas fininhas (com efeito brilhante que eu particularmente não gosto, não) e de tricô, com a ponta reta, bem seventies.

Ricardo acertou de novo. Sua moda é poderosa, chic, para clientes de fino trato. A idéia dos cardigans coloridos com camisas estampadas lembra um pouco um recurso explorado pela Gucci na temporada passada, mas hei de reconhecer que funciona muito bem. Ainda mais neste País tão cheio de cores e energia. Mais uma bola dentro.

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
09/01/2009 - 18:54

Homem de Ivan Aguilar cresce e aparece

Vem chegando o Fashion Rio, com ele um ritmo descompensado de trabalho, que já vai se manifestando desde já, como vocês puderam perceber pela minha falta de tempo em postar desde o retorno das férias. Mas faz parte, vamo que vamo! A partir de domingo estarei em terras cariocas, trazendo ( se a conexão do hotel permitir ) o melhor da moda de menino desfilada por lá. E uma das principais expectativas é quanto ao desfile de inverno de Ivan Aguilar.

A coleção promete. Ivan fez a gentileza de me enviar alguns croquis como aperitivo e, lendo o release, dá uma coceira de ver tudo já. Acho que vou gostar ( Ivan também acha, tomara…). Como o título do post indica, os garotos de Ivan entraram na fase adulta. Bem, nem tanto. A referência ao filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate” entrega. Fiel a sua veia de alfaiate, o estilista promete calças ajustadas ao corpo com shape de armadura, paletós sequinhos e mais curtos, os casacos de fundo militar que já vão virando clássico seu, além de jaquetas bomber ( tem uma de couro de avestruz!) e cardigans must-have. Diz que tem perfume setentista no ar ( ele impregnou mesmo…), com direito a peles nas golas e referências Beatlescas. Hmmm…Rock’n'Roll pode ser o tempero certo nessa receita toda. A ver.

Outro objeto de desejo master devem ser as peças em patchwork Liberty, aquele das florzinhas, que tanto sucesso fez na última estação. Xadrezes, cartela sóbria, em tons de vermelho, verde musgo e cinza, veludos e lãs para esquentar o inverno. Como sempre, Ivan guarda toque social em seu trabalho. Desta vez, produziu seus tricôs e crochês ( em lã e couro ) com cooperativas de mulheres do interior do Espírito Santo para dar forma a seus casacos e cardigans. Street touch: botas by Puma nos pés dos meninos e exclusiva linha de óculos Ventura by Ivan Aguilar no rosto. Quero só ver, hein Ivan? Até lá. Em tempo: o desfile de Ivan Aguilar acontece na sexta-feira, dia 16, às 17 horas. Com styling do Thiago Ferraz e trilha de Paulo Bega ( Stop Play Moon )!

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
07/01/2009 - 19:03

Kilgour: o fino da alfaiataria

Ah, como eu adoro descobrir boa moda masculina! Lendo a newsletter da Colette, vi que a loja vai começar a vender as criações da britânica Kilgour que, apesar de ter duas lojas na tradicionalérrima Savile Row, em Londres, passa longe dos cortes tradicionais, certinhos e conservadores de muitos alfaiates lá instalados. Como não conhecia a grife, fui fuçar, visitei o site e me apaixonei. Super bem cuidado, tem seções onde se pode ver a coleção de inverno 08/09 em fotos lindas ( conceituais e propositalmente turvas, às vezes mostrando pouca coisa, ou só um pedaço da roupa, criando imagens que deveriam servir de modelo pra maioria das fotografias de alfaiataria feitas no Brasil, sempre tão caretas e engessadas ) e a coleção de verão 09, mostrada no vídeo do desfile. A apresentação é moderna, futurista, em cenário de fundo infinito branco salpicados de poás prateados, por onde passeiam meninos ( casting impressionantemente cool ) vestidos em 99% dos casos de looks minimalistas em preto e branco, secos e bem cortados, a cara da alfaiataria do novo século. Confesso que chega quaaaaase a ser repetitivo ver tanto preto e branco na passarela, mas é tudo tão bem feito e impecavelmente acabado que tá valendo. E diz que o estilista italiano Carlo Brandelli, que assina a marca, se inspira muito no alfaiate-mito Peter Savile ( ah, vá ) e…no fotógrafo Nick Knight. Explica muita coisa. Assistam ao vídeo clicando aqui. Coisa fina.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
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