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21/06/2010 - 12:12

Prada, a punk, e a nova McQueen

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Já em Paris, parei para ver os desfiles mais recentes de Milão e continuo agradavelmente surpreso. A freqüentemente insossa temporada italiana, sempre extremamente comercial e curta de ideias, vai provando que a máxima pode ter suas nuances. Miuccia mandou bem outra vez, provocando e sugerindo novas direções para a silhueta masculina. A maneira com que a Prada usa e abusa do jeans é brilhante, exercita o olhar, tão acostumado a soluções óbvias para o imortal denim nosso de cada dia. As formas são amplas, com pinta de uniforme de trabalho, de hospital, a alfaiataria também vem solta, (quase) virando a página para o skinny – ainda tem boas calças secas ali no meio-, cada vez menos presente nas coleções mundo afora. Detalhe curioso é que seus paletós vem no clássico 3 botões, aposta abusada da grife de luxo mais punk que existe. Contrária à maioria das regras, a Prada adora cuspir na cara do estabelecido e, quando você acha que definiu o panorama da moda masculina do momento, ela vem e chuta o pau da barraca. Confere nas fotos aí de baixo, mas vai no Style.com pra ver tudo, vale a pena notar as sutilezas todas. Atente para as “pochetes” e os óculos a la ciclista (ou surfista). Só o sapato eu achei horroroso, mas tá valendo.

A Alexander McQueen – e não mais O Alexander – apresentou a primeira coleção inteiramente assinada por Sarah Burton, pupila e sucessora do grande McQueen, que não fez feio não. A alma parece ter sido mantida, mas que é estranho não ver o cara entrando para os agradecimentos finais, isso é.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
12/02/2010 - 12:56

The show must go on

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Enquanto o mundo da moda tenta, aos poucos, se recompor da perda do grande Alexander McQueen, a vida lá fora segue. A temporada internacional para o inverno 2011 já começou, em Nova York e, lá, tem homens na passarela também. Dos desfiles já realizados até agora, nada muito relevante, o que já era de se esperar, em se tratando de NY. Deu pra reparar que o coturno é, sim, o calçado oficial da estação, tanto que as calças já estão saindo de fábrica mais curtas, para serem usadas em dupla com a bota (vide Duckie Brown). De resto, uma alfaiataria apenas regular, com toques esportivos e shapes bem equivocados. Dei uma peneirada em algumas imagens para mostrar a vocês apenas o lado bom (ou seria menos ruim?) da coisa. Nota do blogueiro: Alguém pode me explicar a inacreditável bota tipo Timberland da DKNY? Será que foi inspirada pelas recentes nevascas nos EUA? Eu, hein. Fique elegante com um trambolho desses.

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Duckie Brown

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Bespoken

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John Bartlett e DKNY


Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
11/02/2010 - 18:45

R.I.P McQueen

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Eu, como todo blogueiro de moda que se preze deve estar fazendo hoje, decidi prestar aqui minha homenagem a Alexander McQueen, encontrado morto em seu apartamento nesta quinta-feira. Pior: tudo indica que foi suicídio. Passado o choque (ainda não totalmente, confesso), parei para relembrar seus melhores momentos, incontáveis, brindando sobretudo as mulheres, mas acima de tudo, amantes da moda.

Dá pra esquecer a imagem holográfica de Kate Moss, a batalha de tinta entre robôs, o jogo de xadrez ou o incrível clima futurista de seu último desfile, o de primavera 2010? Imagens históricas, das mais fortes que a moda já produziu, obras de um rebelde meio romântico, meio punk, cavaleiro quase solitário numa era de pragmatismo da moda, onde dar show andava tendo conotacão de pecado. O eterno “enfant terrible” sempre fez o que quis mesmo, dando de ombros para a ditadura de tendências e movimentos que adoramos listar a cada temporada. Que bom. McQueen ocupava vaga em outra relação, a dos hors-concours, dos gênios que, ainda hoje, carregavam a bandeira estampada com a velha máxima de que moda faz sonhar, de que pode ser arte, sim, que nem tudo é apenas business. Concorde ou não com a visão desse paladino, isso são outros quinhentos. Para quem aprecia o belo ou para quem já chorou vendo algum desfile ( vale por vídeo também, pois assistir a um show de Alexander McQueen nunca foi tarefa fácil mesmo ), como eu, hoje é dia de luto.

Meu alô a McQueen vai em forma de imagens de coleções masculinas, talvez mais discretas do que as femininas, mas com uma personalidade poucas vezes vista nesse meio tão reticente. Descanse em paz, fera, que seu lugar no panteão dos maiores já está garantido.

Winter 2010-11 - GQWinter 2009-10 - GQ
Inverno 2010/11 e inverno 2009/10

Winter 2006-7 - GQWinter 2006-7 - GQ-1
Inverno 2006/07

Summer 2010 - GQSummer 2007 - GQ-1
Verão 2010 e verão 2007

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags:
25/01/2009 - 22:16

Milão e a crise

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Com um certo atraso, tendo em vista o tsunami SPFW da última semana, só agora consegui focar na temporada internacional de desfiles masculinos para o inverno 2009/10, que já passou por Milão e continua acontecendo em Paris. O balanço de Milão é chocho, com poucas surpresas, coleções extremamente comerciais, monocromáticas e de fácil consumo. É a crise batendo à porta.


Looks da Gucci, Dolce e Gabbana e Alexander McQueen

Dolce & Gabbana, Gucci, Alexander McQueen, Prada. Grifes fortes com coleções apenas corretas e desprovidas de grandes novidades. Ganha pontos quem experimenta um pouco mais, como Neil Barrett e Vivienne Westwood. Mesmo se nem tudo é bom, esses nomes tem o mérito de propor algo além do trivial. Engraçado notar que o grau de conservadorismo cresce proporcionalmente ao tamanho da maison. Quanto maior a marca, menos riscos se corre. E, vendo as fotos européias, dá pra perceber também que o que acabamos de ver na temporada brasileira está super em sintonia com o que acontece lá fora. Globalização master.


Vivienne Westwood e Bottega Veneta


Prada e Jil Sander

As cores dominantes são as sóbrias, muito cinza e preto (a coleção da Prada é 90% black, a da Jil ”Pimenta” Sander é boa e passeia por todos os tons de cinza), às vezes intercaladas com uma cor mais acesa. Muito exercício sobre a alfaiataria, alternância de tecidos sóbrios ou com brilho -tipo flamboyant, mesmo-, naturais e sintéticos. O abotoamento dos paletós é o duplo, que funciona melhor no frio inverno europeu do que aqui nos trópicos -é feito para usar fechado-, por isso não deve pegar no Brasil tão cedo. A opção são os dois botões. Calças continuam secas, poucas skinnies, algumas cenouras, dando sinais de folga cada vez maior.


Looks da coleção de Giuliano Fujiwara

Dentro dos que eu gosto mais, a novidade é o Giuliano Fujiwara, japa radicado em Milão que, como todo japonês vai além do básico, sem perder, porém, a consciência comercial. No entanto, meu preferido na temporada milanesa é mesmo o Neil Barrett. Com propostas inteligentes de trompe l’oeil, calcadas em peças clássicas, sugerindo, disfarçando, escondendo, ele mostrou que ter criatividade para se destacar mesmo privilegiando o foco nas vendas é essencial nos tempos bicudos de hoje.


Neil Barrett

Paris já começou e, pelo que vi, trazendo, como sempre, alguns sopros de criatividade a mais do que Milão. Logo mais falo a respeito.

Fotos do WWD

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , ,
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