Mudanças
Pessoal, a vida tá em fase de transição, o que vai afetar este blog que vos fala também. Por isso dei uma brecada no Personagem da Semana e nos demais posts. Mantenho vocês informados, ok? Beijos.
Pessoal, a vida tá em fase de transição, o que vai afetar este blog que vos fala também. Por isso dei uma brecada no Personagem da Semana e nos demais posts. Mantenho vocês informados, ok? Beijos.
Eu costumo dizer que os japoneses estão em outra dimensão quando o assunto é moda. A começar pelo fanatismo deles no consumo. São sempre os que formam filas e mais filas na porta das boutiques, preenchem as primeiras fileiras dos desfiles mais bombados da temporada internacional e não tem limites na hora de montar o próprio look. Não à toa, foram eles que mais me impressionaram na última temporada parisiense. Não que não exista moda nova e de qualidade no Ocidente mas, enquanto a gente discute o número de botões do paletó, eles estão redefinindo silhuetas e pouco se lixando para a fronteira do feminino e do masculino. Navegando pelo Selectism, me deparei com as imagens da coleção de inverno 2010 da Diet Butcher Slim Skin (ou DBSS para os íntimos). Trata-se de uma grife fundada em 1997 por Hisashi Fukatami, que tem no DNA o mix do punk com o clássico, com resultado altamente street. Veja com seus próprios olhos.
Ele voltou. Menino do Rio, que nos provoca arrepios com sua moda masculina afiada, Maxime Perelmuter suspendeu por quatro anos sua participação na temporada de desfiles nacionais e, com a British Colony, fez comeback comentado no último Fashion Rio. Sua coleção de verão é a resposta para os que usam o calor tropical como desculpa para não se vestir bem ou não ligar para moda. Cartela clarinha, em looks de construção elaborada, onde brilha um raro talento para produzir uma alfaiataria impecável (dâ uma olhada nas referências do rapaz e entenda de onde vem tal tino). Tudo é novo, fresco, desejável. Um alento para a nossa estagnada moda masculina. Veja abaixo dois dos looks do desfile e o bate-bola que tive com Maxime onde, além de provar ser carioca da gema com suas dicas, demonstra uma visão tranquila sobre a moda do homem brasileiro. Welcome back.
1 – Bio: “Maxime Perelmuter, 31 anos, Rio de Janeiro, formado em marketing, estilista”
2- Qual sua relação com moda? Como foram seus primeiros passos? “No campo profissional, digo que é minha vida, onde busco cada vez me tornar melhor no que faço e mais completo dentro do meu business, que é varejo de vestuário. No plano pessoal, convivo com moda desde que nasci, através do meu pai, Georges Henri (também estilista, ícone carioca morto nos anos 80). Frequentava o escritório, ia a lançamentos e sempre tive contato nas recepções em casa com diversas pessoas do mercado, de Maria Cândida (da Maria Bonita, outro baluarte também falecido), Maitê Proença e Paulo Strega (um dos grandes vitrinistas do Rio de Janeiro nos anos 80)”
3 – Grifes Preferidas: “British Colony (uso muito o que faço), Comme des Garçons, Jil Sander e Raf Simons”
4 – Hobbies: “Surf, Yoga e um drink com amigos”
5 – Uma viagem inesquecível? “Por 8 meses transitei entre NY, Havaí, Tahiti e Indonésia (passando por Japão), e depois fiz o caminho de volta parando em todos os lugares. Fora isto, toda temporada que passei em NY foi inesquecivel…”
6 – Pode me dar dicas de gastronomia, compras e lazer? “Gastronomia: comer uma feijoada no BAR DO MINEIRO, tomar um chopp e almoçar nas tardes de sabado no GUIMAS. Lazer: sentar na praia para comer um biscoito Globo, bebendo Mate Leão de galão. Compras: British Colony pela qualidade e design acessível , um Tuareg (SUV da Volkswagen) e uma bicicleta elétrica”
7 – Como você vê o momento da moda masculina no País? Qual seu ideal de elegância para o homem brasileiro? “A moda masculina passou por diversas identidades: hippie, dândi, metrossexual, preppy, office etc.. e, finalmente, não só no Brasil mas no mundo, voltou às suas origens desenvolvendo novos clássicos. O homem percebeu que ele quer ser apenas homem e que para ele basta uma boa t-shirt branca com bolso, um bom five pockets, um tennis clean e um Ray-Ban. O ideal de elegância simplesmente não existe, nunca uso a palavra ideal. Lido com propostas onde cada um faz o seu look, faço roupas que se moldam com tanta harmonia que quem aparece é a personalidade da pessoa e não o tamanho da logomarca”. (Nota do blogueiro: Adoro os clássicos, são essenciais, mas pô, Maxime, jeans e t-shirt branca, com a moda incrivel que você produz? Precisa ver isso aí…rs)
Hoje foi o dia dos japoneses em Paris. Não que eles já não estejam todos os dias desta temporada (e de qualquer outra) nas primeiras filas dos desfiles, o que sempre rende aulas de estilo enquanto a gente espera começar mas, estamos falando das passarelas, mesmo.
Logo cedo, corri pro coração do Marais ver o primeiro desfile da linha masculina do brasileiro Gustavo Lins, que é radicado em Paris, membro da Chambre Syndicale e que já manda muito bem no feminino, desfilando inclusive na semana de alta-costura. Ué, mas o que esse mineiro afrancesado vem fazer neste post? Acontece que Gustavo sempre teve forte mão japonista, influência assumida em seu trabalho com as mulheres e que apareceu forte na coleção masculina também. Além da silhueta desabada, solta e cheia de sobreposições, bem característica do trabalho atual da turma do olho puxado, existe uma preciosidade na construção das roupas raramente vista no universo dos meninos. Drapeados, torcidos, kimonos que viram túnicas, trenchs e jaquetas militares em gabardine, camisas dupla-face construídas como paletós e paletós construídos como camisas. Tiras de couro “réglisse” (alcaçuz), fininhas, agrupadas para formar uma textura em relevo que se transforma em tira larga das lindas sandálias rasteiras. Gustavo aposta em três tipos de calças: retas, sem costura lateral; cortadas em S, que se enrolam nas pernas e outro modelo, mais amplo, com um discreto drapeado na parte da frente. O repertório é vasto, chic que só, e a gente fica bem feliz de ser tão bem representado por aqui.
Logo ali do lado, outro momento forte. A Julius fez jus ao legado do samurai e abusou de tiras, sobreposições, construções engenhosas e pegada militar, com pitadinhas de utilitário, além de um excelente trabalho no couro e no denim acinzentado. Apesar de lembrarem muito o trabalho de Rick Owens, as jaquetas são de ajoelhar de tão lindas!
À tarde, show de caveiras, listras e tabuleiros na Comme des Garçons. É instigante ver como Rei Kawakubo leva ao limite da androginia sua ideia de moda para homens. Tem saia, vestido, bermuda-saia, crash de estampas, uma impecável camisaria e a linda alfaiataria que a gente já conhece. Muito bom!
No fim do dia, hesitei. Depois de sair do desfile de Romain Kremer – que, junto com o belga Walter Van Beirendonck, proporcionou um dos shows mais fracos do dia, datado, calcado no clubbing que a gente já tinha deixado lá nos anos 90. Aqui sim, a própria roupa de mudérrrnu -, eu tinha duas opções: ir ver John Galliano e seu megashow, certamente com modelos bombados e sem camisa, ou matar a curiosidade de ver ao vivo as peças da The Viridi-Anne, outra nipogrife de quem eu já havia falado aqui. Adivinha pra onde eu fui?
Era uma apresentação off, fora do line-up, mas deu banho em muita gente. Tudo acontecia numa antiga torre medieval, parte de um castelo do século 17, hoje transformado em casa de cultura. Da rua dava pra ouvir uma música sinistra, tirada no violoncelo e com umas batidinhas eletrônicas quebradas ao fundo. Daí você ia subindo pela torre, ouvindo o som lúgubre – pra situar vocês, pense na música do filme De Olhos Bem Fechados, na parte da festa das máscaras – e, nos cantos da escada e nas pequenas salas de cada andar ficavam parados os modelos, que podiam ser fotografados à vontade. Nas janelas, papel azul, já que a coleção se chama Blue Period e faz alusão ao mais célebre período da obra de Picasso, mas também ao lusco-fusco do entardecer, que antecipa a noite e se desmancha em tons de azuis, passando para o cinza e, finalmente para o preto. Essa era a cartela da coleção. Tome mais silhueta folgada, peça sobre peça, alfaiataria inusitada e um jogo de proporções nada óbvio. Incrível!
A grife inglesa Liberty liberou fotos de seu lookbook masculino de inverno, com o it modelo Callum Wilson clicado por Ben Toms. Cheiro de dandismo moderno no ar. Eu gosto.





Bom, passou a ressaca pós viagem, a adaptação ao nosso fuso está quase zerada e a vida vai voltando ao ritmo normal, ou seja, ritmo enlouquecedor! Minha ausência por estas bandas se deve também a isto. Muita coisa acumulada e aparecendo ao mesmo tempo. Mas eu consegui arrumar brechas para ler as revistas que trouxe de viagem e outras que estavam criando pó aqui em casa. Uma delas é a GQ de setembro, com o ecopolíticoapresentador francês Nicolas Hulot (pra quem não conhece, ele é um neo Jacques Cousteau com penchant para questões ambientais, que são debatidas na esfera parlamentar. Dizem que é nome forte pras próximas eleições presidenciais) na capa. E, como em cada edição da revista, eu sempre presto muita atenção na seção Style Academy, que dá dicas, tira dúvidas e faz revelações sobre estilo. Lá podemos saber de uma vez por todas se o cinto deve sempre combinar com a cor do sapato, por exemplo, ou quais botões do blazer/paletó devem ser deixados abertos, ou ainda qual bico de sapato escolher na hora de comprar um novo. Na edição em questão, me surpreendi com uma revelação sobre os onipresentes caderninhos Moleskine que eu, você e meio mundo temos (seja o original ou uma cópia).


Nem sei se eu é que estava mal informado mas, segundo a GQ, todo o pedigree atribuído ao Moleskine é falso. Sabe aquela história de que ele foi usado por Hemingway, Picasso e Sartre? Mentira. Segundo outra fonte, o site Rue 89 – criado por jornalistas do Libération -, esses nomes nunca usaram o caderno. Moleskine foi criado em 1998 pela Modo Modo, que inventou a história toda como ferramenta de marketing. Funcionou, mas o encanto corre o risco de se desfazer por inteiro, abrindo espaço para concorrentes como os cadernos Rhodia, clássicos que comemoram 75 anos. Para o aniversário, o estilista Paul Smith criou edição especial. Por quê Paul Smith? Porque ele é consumidor do cadernos Rhodia há anos. E de verdade.

Os últimos dias foram bem corridos, culpa do acúmulo de trabalho e dos preparativos para minha temporada européia. Como expliquei em post anterior, embarco hoje para Estocolmo, na Suécia, e em seguida finco pé por 15 dias em Paris. Claro que vou atualizar o blog com assuntos daqui e de lá no melhor ritmo possível, mas quem quiser me seguir pelo Twitter, já pode fazê-lo. Criei uma conta especialmente para a viagem. Procure por @SylvainJustum e acompanhe meus dropzinhos diretamente do velho continente. Volto já!
Pois é, gladiadoras pegaram e infestaram o verão europeu, sobretudo entre as mulheres. Entre os homens, elas pipocaram aqui e ali na semana de moda de Paris. Nas ruas, vi bem poucas, mas não duvido que peguem por lá. Me perguntaram se eu acho que pode pegar por aqui, já que vivemos em clima tropical, calor, tal…Neste século, eu duvideodó. Acho mais fácil vaca voar. Se eu gosto? Olha, eu adoraria que no Brasil tivéssemos homens com ousadia suficiente para experimentar, independente de gosto pessoal, mas ainda acho que ou você é o Marc Jacobs ou esqueça. Abaixo, os novos exemplares da Givenchy e Marc assumindo as suas.

Fashion Week em questão
29/07 por Redação
Na manhã dessa terça-feira (28.07), alguns dos maiores players da moda americana, entre jornalistas (Anna Wintour presente) e membros do Council of Fashion Designers of America, se reuniram no FIT para uma reunião de peso. Em pauta, os rumos da semana de moda americana. Papo sério em tempos de recessão.
A grande questão: a semana de moda ainda faz sentido em tempos de internet? A presidente do conselho, Diane von Furstenberg, defende mudanças. Mostrar roupas seis meses antes pode não ser mais adequado - provoca liquidações antecipadas e confunde os consumidores. Divide a mesma opinião a estilista Donna Karan, que sugere que as roupas desfiladas sejam correspondentes ao clima lá fora. O designer Elie Tahari concordou e endossou: disse que passou a vender muito mais apostando em wear-now looks.
Ainda na reunião, a editora de Vogue America, Anna Wintour, falou dos progressos do evento Fashion’s Night Out, o plano de Vogue para estimular o consumo e o mercado de moda, que acontece dia 10 de setembro em todo o mundo - inclusive no Brasil, com pompa e circunstância (aguarde novidades neste site). Ela defendeu uma regulamentação para que as grandes lojas de departamento não antecipem a temporada de liquidação. DVF retrucou: “Mas isso é ilegal”, no que Wintour replicou: “Mas nós temos amigos na Casa Branca, agora”.
Discussões e propostas à parte, é interessante ver como se organizam os players da moda de lá. Por aqui, espera-se o mesmo. Vamos debater?
Bom, eu acho mesmo que as datas precisam ser ajustadas ao comércio, quanto a isso não resta dúvida, mas tenho minhas restrições quanto ao formato. A questão, a meu ver, não se encontra em extinguir o desfile em si, mas sim em depositar nele a única e principal forma de comunicação de uma grife que esteja lançando sua coleção. Tema complexo, que merece mesmo ser debatido e que, se não me engano, o Vitor já abordou em seu Dus Infernus. E aí? Vamos debater?
Olha que legal o Draw Serge!, blog do ilustrador Jonathan Edwards, inteirinho dedicado a obras que retratam o mestre Serge Gainsbourg, em todas as suas facetas. Jonathan – que é ilustrador do Guardian inglês – abriu o blog dele para todo e qualquer artista ou fã que queira enviar sua versão artística do cantor. E aí? Qual seria sua versão do mito? Tem trabalhos lindos e bem criativos já publicados, vale a visita.