Cartaz da expo dedicada a Brigitte Bardot, a partir de 29/09/09 em Boulogne-Billancourt
Já estou em Paris, depois de uma semaninha excelente em Estocolmo, que vocês puderam acompanhar por aqui ou pelo Twitter. Foi muito legal mesmo. Aqui, desde sábado, estive meio mergulhado em textos a entregar para a próxima Homem Vogue, que fecha esta semana e, portanto, ainda não comecei de verdade minha temporada local. Um dos assuntos mais abordados na imprensa francesa nos últimos dias é o aniversário de Brigitte Bardot, que hoje completa 75 anos e ganha mega-exposição em Boulogne-Billancourt (a partir de quarta-feira, 29), nos arredores da capital. Vai aqui minha homenagem a essa personagem polêmica, meio louca, mas do bem, que eu aprendi a admirar por seus princípios. Sem falar da beleza e do sex-appeal que tinha lá nos idos dos anos 60.
Longe das telas e dos palcos desde 1973, BB construiu uma carreira paralela de lá para cá, a de ativista ambiental, de bandeira em punho a favor dos animais e contra a degradação de nosso planeta. Eu, como bom amante dos bichinhos em geral, não poderia deixar de simpatizar com essa sua luta ferrenha e um tanto desmedida em alguns momentos. No fundo ela tem razão. Mas, amor pela natureza à parte, o que se comemora hoje é, principalmente, seu papel de furacão artístico, no cinema e na música, numa época de plena ebulição na cena francesa.
BB, aos 19 anos e nos dias de hoje
BB fez poucos filmes. Eles se revelaram, porém, mais marcantes talvez do que a carreira inteira de nomes sem brilho que por aí passaram diante dos nossos olhos. Sem ser uma baita atriz, ela tinha carisma de sobra. E como era linda! Um dos meus filmes preferidos ever é O Desprezo (Le Mépris), de Jean-Luc Godard, em que ela faz o papel de esposa de um roteirista de cinema fracassado. Não viu? Assiste o trailer linkado aqui e corre pra locadora, não vai se arrepender. Na música, além de ter botado voz em bobagens deliciosas, gravou com o mestre Serge Gainsbourg em várias faixas, o que ratifica seu lado cult. Mesmo se hoje ela é mais alvo de chacotas do que de reverências, Brigitte Bardot é um ícone musical, fashion (perdi a conta de coleções que fazem referência ao figurino navy de balneário que ela consagrou) e cinematográfico. Merece ou não merece esse buzz todo? Joyeux anniversaire, BB!
Pegando carona em meu último post e assumindo uma paixonite repentina pela banda Friendly Fires (tem show dia 15, no Rio e dia 17, em SP, não perde!), volto a falar deles aqui, agora pra debater o estilo do grupo, no sentido fashion da coisa, mesmo. Quem me alertou para esse “outro lado” do trio inglês formado em St. Albans foi o stylist Thiago Ferraz, outro apaixonado por música – eu adoro ter esse côté musical, dá um respiro tão grande! – e com um gosto bem apurado para a coisa.
Assistindo aos clipes – que são todos lindos de morrer, diga-se de passagem – e fuçando em imagens de arquivo do FF, pude constatar que, sim, os rapazes têm boa noção mesmo no que diz respeito à moda e figurino, principalmente o vocalista Ed Macfarlane. Aliás, reparei que a nova geração de músicos avançou algumas casas nesse sentido, em relação a épocas nem tão distantes assim. Saem as camisetas, entram as camisas, de mangas longas, enroladas em caso de calor, com ou sem blazers sequinhos – vide Phoenix, Interpol e Franz Ferdinand, só para citar algumas bandas de sucesso recente. Os jeans delavês surrados deram lugar a calças de alfaiataria mais secas e skinnys escuras, enquanto sapatos mais alinhados vêm tirando um bom espaço dos tênis sujos, Converse ou coisa que o valha. Será que isso vem na esteira do crescente interesse do homem pela moda, aqui e no mundo todo? Eu já tinha constatado esse fenômeno entre os adolescentes de Paris (alguns retratados por Hedi Slimane em seu site), que andam pelos metrôs da capital francesa e vão à escola como se estivessem prontos para um editorial daqueles bem cool. Anyway, eu quero é mais. Se as bandas puderem colaborar para uma maior elegância masculina pelas ruas, tá mais do que valendo. Separei algumas imagens do Friendly Fires para ilustrar tudo isto.
Essa semana recebi uma indicação quente das fuefas Fernanda e Cris, da Oficina de Estilo, e aqui estou repassando-a a vocês, leitores. Trata-se do sensacional blog Coûte que Coûte (custe o que custar, em francês), auto-intitulado painel de novidades insignificantes na moda, arte, design e cultura pop. Não se deixe enganar pela ironia da qualificação. O conteúdo postado não tem nada de insignificante, muito pelo contrário, é de altíssimo nível. Dividido em seções como música, filmes, feminino e masculino, o blog filtra e reproduz em seu espaço o que há de mais bacana acontecendo em cada um dos nichos. Pode ser um editorial, uma campanha, um produto incrível, uma exposição…É tudo muito bem selecionado e lindo de se ver. Clique altamente recomendável e satisfação garantida. Para os que se ligam no universo de menino, indico especialmente a seção MEN, de onde saíram as imagens abaixo.
A outra dica para o finde é musical. Tá sabendo do show da banda indie mais cult do momento, o Friendly Fires, dia 17 de Agosto, no Studio SP (antes passa pelo Rio, dia 15)? Ah, não conhece Friendly Fires? Assiste o vídeo de “Paris” (me ganhou também pelo título e pela letra…hehe) e entenda o burburinho. Gostou? Corre comprar ingresso porque o lugar é pequeno e vai esgotar em dois tempos! À venda no próprio Studio SP, na American Apparel e na Japonique, loja delícia de trecaiadas e guloseimas japonesas que a gente adora amar, ali na Vila Madalena. A Japonique é de um casal querido, Marcelo e Jana Tahira, aproveita pra conhecer e fazer a festa. Duvido você sair de lá sem comprar nada. Preços para o Friendly Fires: R$ 70 (primeiro lote) e R$ 90. No Rio, R$ 50 e depois R$ 60.
Sábado tem show em SP da gatíssima e talentosa Chan Marshall, mais conhecida como Cat Power, autora de baladas lindas, lindas (e um tanto depressivas em alguns momentos) e canções deliciosamente folks. Para quem não conhece direito, vale ressaltar que ela está em seu oitavo álbum, tem 37 anos e quase largou tudo por causa de problemas com o alcoolismo, em 2006, ano do lançamento do excelente álbum The Greatest. Neste vídeo abaixo, ela conta, em entrevista para o NY Times, um pouco sobre a transição das trevas para a fase mais feliz dos dias de hoje. Logo depois, apresentação ao vivo de Maybe not, no Late Show, para se ter idéia do que nos espera logo mais. Eu vou e vc?
Pra iluminar o feriado. Porque o meu momento New Order nunca vai passar. Esse vídeo é uma versão para a música Temptation, de 1982, com áudio live de um show de 2002. O clipe é lindo, um tantinho retrô (mas foi filmado em 2005, dá pra sacar pelos carros que aparecem) e dá vontade de sair dançando, como faz a mocinha protagonista. Delícia. (Alguém poderia me dizer qual a língua dos pop-ups do final???)
Minha singela homenagem a Michael Jackson, no dia de seu funeral ( discreto, pelo que ele representou ). Michael foi, além de um gigante do showbiz, um homem de muito estilo. Posso não amar tudo o que ele vestia, muita coisa é mesmo discutível, mas eram os anos 80 e precisava ser muito macho para usar as peças que ele usava, mesmo naquela época. Eu sempre achei que ter estilo vale muito mais do que vestir aquilo que a moda manda, que nem sempre é adequado a sua personalidade. Descanse em paz, Michael. E obrigado pelo legado que nos deixa.
Só porque eu to mega sem tempo de postar algo mais elaborado pra vocês, aí vai um vídeo que alegrou meu fim de tarde. (pena que tem um energúmeno fazendo a backing vocal…mas vale a pena, anyway)
Mais Kitsuné. Você deve ter lido (ou ouvido) a respeito da compilação que os meninos do Phoenix fizeram para a série Kitsuné Tabloid, São faixas não necessariamente conhecidas, às vezes obscuras que, segundo a banda, marcaram sua vida. A Kitsuné chama a obra de “o mais sentimental e melódico disco que já lançaram”. Tem desde Kiss até Lou Reed, passando por Dusty Springfield e…Lô Borges! Tem que ter!
Tem vídeo-teaser também, com um making of curtinho.
O hypado label francês Kitsuné, além de abrigar novos talentos do rock e da eletrônica, também é linha de roupas. Muito legal, por sinal. Eles vivem tendo boas idéias para apresentar as coleções, que seguem um estilo entre o preppy e o retrô, com pitadas frenchy deliciosas. As coletâneas de artistas da Maison são sempre sinônimo de animação, perfeitas para festinhas em casa ou em clubes como Glória e Bar Secreto, por exemplo. Para o lançamento do sétimo CD, o pessoal teve a excelente idéia de mixar os dois universos e bolou um vídeo promo simulando uma batalha de looks entre um menino e uma garota, com peças da coleção de inverno 2010 das linhas Le Lauréal e The Graduate. A trilha é um megamix das faixas contidas na nova compilação. Tem coisas excelentes, como um remix do novo Phoenix e hit do Two Door Cinema Club. Detalhe: a direção do vídeo é do Loïc Prigent, autor dos documentários de Marc Jacobs na Louis Vuitton e o Signé Chanel, sobre a Maison dos dois Cs. Funny.
Clica aqui pra ver o vídeo no dailymotion da Kitsuné.
E um dos próximos shows que pretendo ver é o do Oasis, em Maio. Gosto mais do início de carreira da banda, dei uma desencanada durante um tempo, mas o ótimo “Dig out Your Soul” me fez prestar atenção nos irmãos Gallagher de novo. O show em São Paulo é dia 9/05 e talvez Liam, vocalista e parte mais rebelde da família, já venha vestido com algumas de suas próprias criações.
É, o bad boy mais estiloso do britpop agora também é estilista. De sua própria marca, a Pretty Green. Promete, segundo palavras do próprio Liam Gallagher, ser fiel a seu estilo e fugir dessa “merda de looks skinny usados pelos Strokes”. Por quê o moço resolveu se aprofundar na moda? Clichê: porque não encontra as peças que gosta nas lojas. Diz que não vai fazê-lo pelo dinheiro, mas sim para que ele e os homens tenham mais opções na hora de escolher seus looks. Vou fazer força para acreditar, viu Liam? O simpático diz ainda que “se os outros integrantes do Oasis quiserem se vestir de Pretty Green, que paguem de seu próprio bolso”. O pior é que eu gosto dessa arrogância tipicamente britânica. E estiloso ele sempre foi, convenhamos. Abaixo, o vídeo em que Liam explica a essência da grife. Tentem entender tudo o que ele diz nesse sotaque de Manchester.