Japan (nada) Pop Show | Hypercool
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25/06/2010 - 21:08

Japan (nada) Pop Show

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Hoje foi o dia dos japoneses em Paris. Não que eles já não estejam todos os dias desta temporada (e de qualquer outra) nas primeiras filas dos desfiles, o que sempre rende aulas de estilo enquanto a gente espera começar mas, estamos falando das passarelas, mesmo.

Logo cedo, corri pro coração do Marais ver o primeiro desfile da linha masculina do brasileiro Gustavo Lins, que é radicado em Paris, membro da Chambre Syndicale e que já manda muito bem no feminino, desfilando inclusive na semana de alta-costura. Ué, mas o que esse mineiro afrancesado vem fazer neste post? Acontece que Gustavo sempre teve forte mão japonista, influência assumida em seu trabalho com as mulheres e que apareceu forte na coleção masculina também. Além da silhueta desabada, solta e cheia de sobreposições, bem característica do trabalho atual da turma do olho puxado, existe uma preciosidade na construção das roupas raramente vista no universo dos meninos. Drapeados, torcidos, kimonos que viram túnicas, trenchs e jaquetas militares em gabardine, camisas dupla-face construídas como paletós e paletós construídos como camisas. Tiras de couro “réglisse” (alcaçuz), fininhas, agrupadas para formar uma textura em relevo que se transforma em tira larga das lindas sandálias rasteiras. Gustavo aposta em três tipos de calças: retas, sem costura lateral; cortadas em S, que se enrolam nas pernas e outro modelo, mais amplo, com um discreto drapeado na parte da frente. O repertório é vasto, chic que só, e a gente fica bem feliz de ser tão bem representado por aqui.

Logo ali do lado, outro momento forte. A Julius fez jus ao legado do samurai e abusou de tiras, sobreposições, construções engenhosas e pegada militar, com pitadinhas de utilitário, além de um excelente trabalho no couro e no denim acinzentado. Apesar de lembrarem muito o trabalho de Rick Owens, as jaquetas são de ajoelhar de tão lindas!

À tarde, show de caveiras, listras e tabuleiros na Comme des Garçons. É instigante ver como Rei Kawakubo leva ao limite da androginia sua ideia de moda para homens. Tem saia, vestido, bermuda-saia, crash de estampas, uma impecável camisaria e a linda alfaiataria que a gente já conhece. Muito bom!

No fim do dia, hesitei. Depois de sair do desfile de Romain Kremer – que, junto com o belga Walter Van Beirendonck, proporcionou um dos shows mais fracos do dia, datado, calcado no clubbing que a gente já tinha deixado lá nos anos 90. Aqui sim, a própria roupa de mudérrrnu -, eu tinha duas opções: ir ver John Galliano e seu megashow, certamente com modelos bombados e sem camisa, ou matar a curiosidade de ver ao vivo as peças da The Viridi-Anne, outra nipogrife de quem eu já havia falado aqui. Adivinha pra onde eu fui?


Era uma apresentação off, fora do line-up, mas deu banho em muita gente. Tudo acontecia numa antiga torre medieval, parte de um castelo do século 17, hoje transformado em casa de cultura. Da rua dava pra ouvir uma música sinistra, tirada no violoncelo e com umas batidinhas eletrônicas quebradas ao fundo. Daí você ia subindo pela torre, ouvindo o som lúgubre – pra situar vocês, pense na música do filme De Olhos Bem Fechados, na parte da festa das máscaras – e, nos cantos da escada e nas pequenas salas de cada andar ficavam parados os modelos, que podiam ser fotografados à vontade. Nas janelas, papel azul, já que a coleção se chama Blue Period e faz alusão ao mais célebre período da obra de Picasso, mas também ao lusco-fusco do entardecer, que antecipa a noite e se desmancha em tons de azuis, passando para o cinza e, finalmente para o preto. Essa era a cartela da coleção. Tome mais silhueta folgada, peça sobre peça, alfaiataria inusitada e um jogo de proporções nada óbvio. Incrível!

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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4 comentários para “Japan (nada) Pop Show”

  1. Marcelona disse:

    Boa surpresinha no final , né?
    Ótima estadia pra vc aí!
    ;)

  2. @brunoarana disse:

    Olha Sylvain, não queria sentir isso, pq não é legal. Mas agora pintou uma invejinha de vc. Muito incrível conferir isso tudo de perto. O trabalho da The Viridi-Anne está magnífico. Simples, porém bem pensado, de bom gosto!
    Acredito que sua viagem irá render mais posts tão incríveis como esse.

    Obrigado por dividir suas experiências com nós, seus leitores.

  3. Teté Almeida disse:

    Que ótimos momentos estas passando! Sylvain gostaria de saber sua opinião crítica a respeito do desfile do Kris V. A.

  4. hey! bacanérrimo.

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