Minha temporada parisiense vai chegando ao fim, falta pouco para afivelar as malas de volta a São Paulo, e é chegada a hora de fazer um balancinho do que vi por aqui, nas ruas e nas passarelas, dando direção do que devemos pensar em adotar para o nosso próximo verão. Como sempre, os desfiles são um bom termômetro, mas as ruas são o imediato, o que há de mais quente ( de acordo com as temperaturas francesas, lá em cima, ao contrário das brasileiras ) e por onde devemos nos guiar em primeiro lugar.
A semana de desfiles de verão 2010 estabeleceu o seguinte: chegou ao fim a era skinny, de tempero rocker, que dominou anos a fio a moda masculina desde o tsunami Slimane, divisor de águas e de suma importância para os holofotes que se acenderam sobre os homens há algum tempo. A silhueta agora é solta, relaxada, com muita alfaiataria misturada a tecidos leves como o linho e o algodão. Calças estão mais folgadas, com o gancho baixo e pregas, numa charmosa piscadela aos anos 30, década maior da elegância masculina. As canelas estão de fora, os braços e o peito também mas, se você não segura a onda, tudo bem, existem opções mais cobertas para garantir boa estampa mesmo assim. Paletós continuam secos nos ombros e braços, mas esticam e sobram na parte de baixo, sempre com dois botões. Dior e Comme des Garçons são bons exemplos. Sobreposições estão com tudo, principalmente com um bom jogo de comprimentos, misturando às vezes esporte e formalidade, num resultado street delicioso. As túnicas marroquinas, os famosos djellabahs, são item fundamental nessa brincadeira, além de serem uma excelente solução para o calor. Além das bermudas, cada vez mais inseridas no guarda-roupa europeu ( e por que não no brasileiro, já que faz tanto calor em nossas terras? ), secas, de alfaiataria, ou de shape mais solto, às vezes tanto que mais parecem saídas das quadras de basquete. Puro conforto, bem de acordo com os amassados e retorcidos característicos da comfort fashion atual. Tem MUITO. A moda masculina está mais étnica do que nunca, vimos isso nos castings e nas referências das coleções, inspiradas no Oriente ( Dries Van Noten ), nas Arábias ( Givenchy, Galliano ) ou nos países muçulmanos ( Kris Van Assche ). Cotas, portanto, são desnecessárias neste momento. Na cartela, o preto e o branco reinam, seguidos de perto por cinzas e tons areiosos, dignos dos maiores desertos do planeta. Cores pintam sim, suaves e lavadas, por vezes um tantinho mais acesas ( Paul Smith ), puro verão. Nos pés, tem um pouco de tudo: derbies, desert boots, tênis de cano alto e, sim, sandálias gladiadoras ( Lanvin, Kris Van Assche ), onipresentes também nas ruas de todos os arrondissements de Paris.
Os homens parisienses são bem confortáveis quanto ao que usar na vida real. Calor pede roupas leves, chama conforto, portanto é hora de esquecer preconceitos e aderir às bermudas ( vi muitas alternativas por aqui, algumas bem elegantes ), sandálias e tecidos naturais. Calças têm sempre barras dobradas, é uma coqueluche, combinadas com tênis flats brancos, espadrilles e até com nossas inseparáveis Havaianas. Camisas: sempre de mangas longas, dobradas até ficarem curtas, muito mais elegantes do que as de mangas curtas. Óculos: os Wayfarer não morreram e reinam absolutos. Tem modelos novos lindos de morrer. Para eles ou para elas.
Vale aqui um toquezinho sobre o que as meninas andam usando também : sandálias gladiadoras ( epidemia total ), bolsas Longchamp ( aquelas de náilon ) de todas as cores e tamanhos e muito short, jeans, de algodão ou meio masculino. Ah! E todos, homens ou mulheres, de scarfs de verão no pescoço, aqueles fininhos, quase transparentes, que não esquentam, mas dão um belo toque final ao look. Acho que é isso, espero não ter esquecido nada, se lembrar, acrescento aqui. Vejo vocês no Brasil, a partir de domingo. Au revoir!