Muda ou não muda?
Acabo de ler um post no RG Vogue sobre um assunto que já vinha rondando o setor fashion e que ainda deve render muito pano pra manga. Trata da reformulação dos calendários de moda, com o questionamento inclusive do formato desfile como meio de apresentar uma coleção. Rolou uma reunião poderosa em NY, com presença dos maiores nomes da moda americana justamente para debater estes rumos. Peço licença aos colegas de redação para reproduzir a nota e convido vocês a lê-la. Comento a seguir.(Desculpas pela formatação…)
Fashion Week em questão
29/07 por Redação
Na manhã dessa terça-feira (28.07), alguns dos maiores players da moda americana, entre jornalistas (Anna Wintour presente) e membros do Council of Fashion Designers of America, se reuniram no FIT para uma reunião de peso. Em pauta, os rumos da semana de moda americana. Papo sério em tempos de recessão.
A grande questão: a semana de moda ainda faz sentido em tempos de internet? A presidente do conselho, Diane von Furstenberg, defende mudanças. Mostrar roupas seis meses antes pode não ser mais adequado - provoca liquidações antecipadas e confunde os consumidores. Divide a mesma opinião a estilista Donna Karan, que sugere que as roupas desfiladas sejam correspondentes ao clima lá fora. O designer Elie Tahari concordou e endossou: disse que passou a vender muito mais apostando em wear-now looks.
Ainda na reunião, a editora de Vogue America, Anna Wintour, falou dos progressos do evento Fashion’s Night Out, o plano de Vogue para estimular o consumo e o mercado de moda, que acontece dia 10 de setembro em todo o mundo - inclusive no Brasil, com pompa e circunstância (aguarde novidades neste site). Ela defendeu uma regulamentação para que as grandes lojas de departamento não antecipem a temporada de liquidação. DVF retrucou: “Mas isso é ilegal”, no que Wintour replicou: “Mas nós temos amigos na Casa Branca, agora”.
Discussões e propostas à parte, é interessante ver como se organizam os players da moda de lá. Por aqui, espera-se o mesmo. Vamos debater?
Bom, eu acho mesmo que as datas precisam ser ajustadas ao comércio, quanto a isso não resta dúvida, mas tenho minhas restrições quanto ao formato. A questão, a meu ver, não se encontra em extinguir o desfile em si, mas sim em depositar nele a única e principal forma de comunicação de uma grife que esteja lançando sua coleção. Tema complexo, que merece mesmo ser debatido e que, se não me engano, o Vitor já abordou em seu Dus Infernus. E aí? Vamos debater?


Sylvain querido,
Não só acho essa discussão do CFDA super oportuna, como vc sabe que já há 3 coleções optei por mostrar minhas coleções em um novo formato de apresentação – CIRCUITO – o qual vc teve oportunidade de acompanhar, e eu o privilégio de ter vc nelas. Quem aguenta mais desfiles ! O mesmo formato há 40 anos !! Moda é inovação e invenção, mas não vejo ninguém criando na forma, apenas no conteúdo.
Acho que os desfiles devem ser transmitidos via intenete ao vivo, como ocorre no Capital Fashion Week -semana de moda de brasília-
e as datas realmente devem ser ajustadas .
Sou contra a extinção de desfiles.
Seria como achar que os shows de música ao vivo e as sessões de cinema deveriam acabar já que, respectivamente, existem Cds/MP3,4,5 e DVDs.
É incrível o caráter democrático que a internet trouxe pra moda (viva Style.com, WWD, etc) mas o desfile serve não só pra que o conceito total seja difundido como tb, principalmente, uma ferramenta poderosíssima pra se separar o joio do trigo.
As coisas certamente evoluirão mas falta na internet “um conjunto” que alie detalhe e movimento (me ressinto principalmente da falta de fotos da parte posterior dos looks).
Se ficarmos restritos à internet e/ou ads/editoriais, a imprensa de moda terá muitas dificuldades em elaborar e fornecer análises sobre aquilo que é mostrado.
A ambientação, a música, a luz, a maquiagem, o catwalking fazem parte sim do processo.
Não questiono o modelo usado pelo Lorenzo e tantos outros, acho inclusive que se adequar a realidade econômica ou anseios estéticos é exemplo daquilo que me parece ser essencial para um estilista contemporâneo que deve hj em dia ser, não importa o quilate ou o suporte financeiro, demi-criador/demi-businessman, mas daí a achar que isto é o futuro acho bobagem ou, no mínimo, precipitação.
É a manjada porem sempre pertinente estória do “em toda e qqr loja/coleção do mundo sempre há pelo menos uma peça interessante”.
O problema maior na minha opinião está mesmo na questão da antecipação em 1 ano daquilo que é mostrado.
Assim como a info de moda chega ao público interessado quase que em tempo real (geralmente um pequeno delay de algumas horas), tb o desejo de consumir essas propostas precisa ser satisfeito de forma mais imediata, e o sucesso da Net-A-Porter é a prova cabal disso.
Qdo as roupas chegam às lojas, o sentimento geral é de um déjà vu entediante e irritante já que passamos meses sendo bombardeados por imagens inacessíveis.
Será preciso uma revolução nos ateliers e em toda a cadeia produtiva/de distribuição/varejo/fornecedores, LOGÍSTICA tout court e, principalmente, nas equipes de criação que, caso esse état de choses seja mesmo modificado, precisarão encontrar um mecanismo temporal que as ajude a engolir um gap de pelo menos 6 meses.
RUPTURA com tudo aquilo que pareça ter datado e não funcione mais de maneira satisfatória e/mas que, pra mim, não engloba as apresentações tradicionais.
Talvez algo que tenha o impacto, em menor escala é claro, da metamorfose que o varejo sofreu nos anos 50 com o surgimento do prêt-à-porter.
Seria coincidência o fato do site da Vogue Francesa ser o pior/mais decepcionante em termos de cobertura de desfiles na net?
Me parece uma mensagem quase clara de resistência mesmo que eu considere inútil fechar os olhos pro inevitável.
essa observação sobre o site da vogue paris nos deixou a pensar… carine tem fobia de tecnologias, não faz pesquisa online, não deve nem sonhar com twitter. e é por isso que ela consegue fazer com que uma revista que chega no brasil com preço de livro venda e esgote nas bancas. impresso tá cada vez mais dispensável, e é por isso que carine não dá mais notícia, não cobre desfile. ela cria, ela inventa, ela faz moda ali, na pagina da revista.
@ estillo consultoria:
A Carine não cobre desfile?
Não acho que ela tenha fobia de tecnologia tanto que alguns dos tópicos mais interessantes do Vogue.fr são exatamente sobre questões online como qdo, por exemplo, difundiram enormemente a figura de Tavi, a garota americana de 12 anos que gerou/gera muito buzz com um blog na net.
Twitter eu não sei pq não tenho e morro de preguiça (imagine Carine twittando: “Primeira fila de Givenchy PAP. Meu cabelo está molhado”) mas Facebook ela tem sim.
Acho que as figuras de Carine e da Vogue Francesa são idealizadas além da conta.
Abrax.
NESTA REFORMULAÇAO DOS DESFILES, SERA DIMINUIDO O TAMANHO DA PASSARELA,,,,,,, 100METROIS E QUASE UMA ´PONTE AEREA! E PEÇO A VOLTA DAS MANEQUINS ,COM SEUS PLIES ,E SSORISSOS PLEASE”!”.