Para pensar enquanto Paris não vem
Descobri hoje, por acaso, graças a uma indicação do estilista Ivan Aguilar, este post assinado e publicado em seu blog pelo Alcino Leite Neto, editor de moda da Folha de S.Paulo. Trata da situação em que se encontra a moda masculina desfilada nos principais eventos do País, sobretudo no Fashion Rio. Por favor, leiam. Diz muita coisa.
OBSERVAÇÃO SOBRE O FASHION RIO E A MODA MASCULINA
O Fashion Rio vinha apresentando um repertório crescentemente rico de moda masculina, como já tivemos oportunidade de ressaltar, Vivian Whiteman e eu. A considerar, porém, os desfiles que exibiram roupas para homens na última edição, exceto por um look ou outro da Redley e da TNG, parece que só existem consumidores adolescentes no país. A falta de grifes que estejam realmente dispostas a criar moda para homens, e não para teenagers, se revelou agora uma das principais carências do Fashion Rio.
Existe ainda no meio da moda brasileira _inclusive entre a crítica_ uma grande ojeriza com a imagem do homem maduro (e falo daquele de 30 anos ou mais), que é associada à caretice e à velhice. Tem gente na plateia dos desfiles que parece ter ânsias de vômito diante da exibição de um terno bem talhado, se este não for na cor laranja e com bordados de toy-art. Com medo de parecerem antiquadas, as marcas que criam para homens traçam um raciocínio simplista, que consiste em associar a moda masculina à roupa para garotos.
O fato de os homens serem menos ousados que as mulheres nas escolhas de seus looks não implica que não haja nada a acrescentar ao design masculino de roupas. Fosse assim, não haveria uma semana de moda masculina em Milão, seguida de outra em Paris. Mirassem apenas os adolescentes, as grandes grifes internacionais voltadas para homens (ou também para homens) quebrariam em dois tempos.
Se isso ocorre no Brasil, é porque têm sido poucas as tentativas, por parte das grifes com efetivo interesse no design, de reformar a imagem masculina madura. Elas praticamente entregaram às marcas de perfil conservador a tarefa de engendrar o look dos homens no país, desprezando um imenso mercado e a possibilidade de introduzir aos poucos novidades a esse público tão desconfiado da moda.
E por que os homens desconfiam da moda? Porque são raras as grifes empenhadas em exibir nas passarelas _sem sensacionalismos e sem propor a eles que cruzem a fronteira dos gêneros sexuais_ novas opções de imagens e roupas para o trabalho, as festas e o lazer.
Para esses homens, os desfiles não passam de coisas para mulheres ou gays. A distância que eles criam da moda _e a moda deles_ promove o que se vê nas ruas brasileiras, particularmente no inverno: os ternos mal feitos, os casacos desengonçados, os jeans em profusão e as camisetas hegemônicas, vorazes, que devoram toda pretenção do estilista ao design e à criação. Sem falar na numerosa quantidade de “homens feitos” que se vestem como rapazinhos indo para o colégio.
Se há um longo caminho para o design de roupas femininas se firmar no Brasil, no campo da moda masculina esse percurso é longuíssimo.
Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: Alcino Leite Neto, Fashion Rio, Folha de São Paulo, Moda Masculina, Última moda

Muito bom o artigo. Eu, particularmente, sou avesso a grandes malabarismos de passarelas, prefiro o mais sóbrio, o mais alinhado, o mais bem-feito; sem ser antiquado, claro!
Chega de pirralhada na moda brasileira, porra! Olha aquela colcci, o auê em trono daquilo, é um absurdo que se permita roupa para adolescente ser chamada de moda nacional!
no alvo, sem rodeios, parabens.
Com certeza, muito bem abordado o tema. A moda masculina no Brasil nao e muito explorada, apenas levada a serio por poucos, mas devido ao preconceito masculino que nao ousa por achar que vai ser rotulado como gay. Viva Londres, Paris, Milao e tantas outras que nao deixa de expressar seu modo de vestir e se sentir bem. Novos estilistas estao sendo lapidados e eu espero que a moda masculina que caminha a passos lentos cresça e amadureça, pra que a semana de moda brasileira seja vista e comentada por todos tambem por sua moda masculina.
Eu tinha visto esse texto.
A mais pura verdade. A escassez de bons looks e desfiles masculinos está muito presente nos eventos de moda no Brasil.
Vemos eventos importatíssimos acontecendo lá fora que visa somente a moda para homens e temos pegar esse tipo de inspiração.
Concordo plenamente com o post acima, porém ele vem validar a temporada de Milão que apesar de não estar tão criativa como escrito no post anterior, preenche todos os requisitos deste.
Belo artigo. Concordo quase completamente, mas não acredito que os desfiles masculinos brasileiros “alegres e adolescentes” sejam motivo pelo desinteresse do público masculino pela moda.
Não é como se os desfiles madrilenhos e parisienses estivessem totalmente fora de contato com o público. Uma pessoa que se interessa por estilo acha 5 anos de desfiles facilmente na internet. O problema é o estigma de que quem se arruma é mulher ou gay.
Há problemas evidentes na moda masculina brasileira. Com os consumidores e com as marcas. E o texto é perfeito nestes pontos.
Olá Sylvain Justum
Amo teu blog e estou sempre visitando-o, pois embora eu seja mulher, também estou rodeada de homens e gosto quando posso opinar sobre moda masculina para eles, afinal a área de moda me fascina muito. Não sei em que setor eu me encaixaria mais, mas sei que amo todos os setores de fotografia de moda ao estilismo! Aliás, amo todo o mundo fashion!!
Quanto ao post, eu sei que embora os desfiles masculinos sejam mais voltados para o público teen, deveria sim ter um maior espaço para homens mais maduros!!
Mas infelizmente acabam fazendo desfiles com o alvo teen só porque geralmente são os maiores consumidores. E acho isso errado.
Beijo
Perfeito o artigo e o puxão de orelha para moda brasileira, não vamos esquecer que o Rio de Janeiro não é apenas bermuda de surfista e camisesta. E que a moda masculina tem que mostrar o que vestir e não uma tendência a mais.
Gostei da observação onde e como valorizar o homem depois dos trinta?
Sem duvida a semana de moda masculina Milão e Paris é uma referência para pretende e sabe vestir. Parabéns, mais uma vez pela observação.
[...] os de Milão. Para o Sylvain Justum do Hypercool nem valia a pena ter visto. Eu discordo, e ele mesmo ao publicar um post do Alcino Leite no blog Última Moda, acabou me dando o mote da análise da moda que foi apresentada na cidade [...]
Achei importantissima a pauta! Concordo com cada palavra… falta no mercado da moda masculina um conceito maduro,para homens maduros. Enquanto se fizer apenas para teens,a alta costura masculina nao se andara muito.Pena…temos tantos novos ou estilista consagrados que poderiam pensar em algo diferente para um homem de 30.