2009 janeiro | Hypercool - Part 2
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Arquivo de janeiro, 2009

19/01/2009 - 23:03

O arroz e feijão requentado

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Se você leu o post abaixo, viu que enalteci os méritos que tem a Osklen em propor alguma novidade no universo tão limitado de moda masculina no Brasil. Para entender o título deste, leia o anterior até o fim. No primeiro dia de SPFW, tivemos também o desfile de Mario Queiroz que, não contente em requentar o arroz com feijão, insiste em fazê-lo com seus próprios erros. Depois da temporada anterior, em que proclamei aqui que tinha desistido, me obriguei a dar mais uma chance ( afinal, todo mundo merece 124 chances…) por conta da crítica que tinha que escrever pro site da chefa. Decepção de novo. Abaixo, o texto publicado no site.

“A clássica frase “Eu sou o senhor do meu castelo” e uma recente viagem à Escócia são o ponto de partida para o inverno 2009 de Mario Queiroz. Entre ruínas medievais e construções urbanas, caminha um homem indeciso entre ser um guerreiro highlander ou um dândi contemporâneo. Vêm da segunda possibilidade as melhores idéias da coleção, no bloco iniciado pelo look de sobreposição de cardigã, usado com calça cenoura folgada preta.  A partir daí, fecham o desfile boas propostas em tons de cinza, com shape atual – seco em cima, amplo embaixo – e alfaiataria honesta. O primeiro bloco, com complicadas combinações de marrom e roxo, além de infelizes calças justas merece ser quase que totalmente esquecido. Salvam-se as bermudas cargo, em lã pesada, e os coletes de tricô e em matelassê sobrepostos às camisas bordadas com brasões, logos e dragões. ”

Ou seja, shapes antigos, tecidos paupérrimos e acabamento simplório. Muito pouco pra quem tem tantos anos de estrada. No hope.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
19/01/2009 - 22:45

Osklen reina em terra de cego

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Oi, oi! Tô vivo ( médio…) sim. Sumi, mas foi por motivos de ralação maior, desculpas a quem ficou esperando post sobre o primeiro dia de SPFW, mas a vida tá dura. A prova tá lá no site lilianpacce.com.br, onde tenho publicado minhas críticas desde o Fashion Rio. Por aqui, o papo é homem. E, neste campo, o melhor visto até agora atende pelo nome de Osklen.

A grife de Oskar Metsavaht está tão acima das outras quando se fala de design que conseguiu fazer algo incrível com…moletom. E o mais básico de todos, o cinza mescla! Completado por lindos tênis-botinha, o tecido da nossa infância virou calça oversized, canguru desestruturado, hoodie folgadão e até tricô, num surpreendente e sofisticado jogo de texturas. Todo em cinza e preto, o desfile foi realizado 95% com moletom. Os outros 5% são náilon e tricô de verdade. Quando eu escrevo aquilo ali no título, é porque a Osklen pode ter N poréns ( qualidade discutível da roupa, relação custo benefício duvidosa, ego do Oskar, etc…), mas tem o ENORME mérito de propor algo novo no parco repertório masculino que temos no Brasil. Shapes novos, texturas, formas, atitude…tudo o que a gente não vê em lugar nenhum. Por isso bato palmas e espero que, se não podemos ainda considerar a grife como modelo de moda masculina aqui no País ( discussão do Pense Moda…), que pelo menos ela sirva para fazer acordar quem teima em se valer do arroz e feijão requentado.

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
17/01/2009 - 16:00

Acabou!

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Pronto. Primeira metade da temporada cumprida. Terminou ontem o Fashion Rio, edição de inverno 2009, e lá vem o São Paulo Fashion Week. O último dia programou dois desfiles exclusivamente masculinos em seu line-up, Complexo B e Ivan Aguilar, e até que o saldo é positivo. Nada de excepcional, diga-se de passagem ( até o Ivan Aguilar, muito aguardado por mim, pode fazer melhor, e ele sabe disso, né Ivan? ), mas vimos boas coisas na passarela. Desastre não houve. Vamos a eles ( as seen on lilianpacce.com.br )

 

“Acabou em samba, suor e cerveja a edição de inverno 2009 do Fashion Rio. Ninguém melhor do que a carioquíssima Complexo B poderia ter encerrado a edição mais quente – meteorologicamente falando– da história do evento. Fazendo homenagem à Lapa, a grife de Beto Neves martelou os clichês para gringo ver do Rio de Janeiro como o malandro vestido de branco, o isopor cheio de cerveja dos ambulantes e o mix de sambas clássicos e recentes na trilha. Parece óbvio demais? Talvez, mas no campo da moda – que é o que interessa, no fim-, até que a grife passa no teste. No conceito da Complexo B, uma profusão de xadrezes veste a fauna que povoa a zona boêmia às sextas-feiras, seja na sempre simpática dupla bermuda-jaqueta (ou blazer), seja num costume total look ou até num macacão folgado, street até dizer chega, assim como os diversos crashes de estampas. Estampas que, de quadrinhos, contam histórias sob os arcos, impressas em calças secas e camisas de tricoline, enquanto outras manchadas em tie dye colorem até o top da namoradinha do malandro, vide o simpático look de Guisela, usado com shortinho de veludo. Brilhos, cílios postiços, maquiagem, rendas, meias-calças e acessórios dourados feminizam o macho bling-bling dos trópicos, culminando no vestido paetizado desfilado rebolativamente por um travesti. O ator Milton Gonçalves fecha tudo sambando e preparando a “galera” a avançar nos isopores recheados de cerveja Devassa. Sim, everybody loves Rio, já dizia Nizan.” 

 

“Ivan Aguilar resolveu que era hora de amadurecer seu homem e, para isso, mergulha em vinhos, chocolates e cafés, que emprestam suas tonalidades encorpadas à cartela da coleção. O modelo de elegância é o do homem inglês, que toma chá e ouve Beatles, depois de caminhar pela Savile Row e abastecer o closet com boas calças secas, de shape armadura e comprimento reduzido. As do primeiro bloco, em tons de beges e cáqui, são irresistíveis. Mais must-haves: os cardigãs de tricô, curtos e, principalmente, os longos. Combinados e sobrepostos às jaquetas militares – clássicas de Ivan, que empobrecem, porém, quando feitas no tafetá ou no shantung – são autênticos looks urbanos que todo homem deveria experimentar no inverno. Tente também as bombers, com um quê de college por conta do xadrez e combine-as com as belas camisas em patchwork de Liberty e listras. É tiro certo. Pesaram um pouco as botinhas em vinil preto by Puma, cujo brilho ofuscou a classe de muitas entradas. Em contrapartida, aplausos para o sensacional trabalho no tricô feito à mão por bordadeiras do Espírito Santo, vazado e em shape maxi, por vezes arrematado por pele de coelho. Mais palmas para o macramê em couro da primeira jaqueta. Très chic! Ivan está crescendo a passos largos em seu segmento, mas precisa tomar cuidado com a literalidade nas referências gringas. Não precisa, mesmo.”

Fotos: Charles Naseh/Chic

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
16/01/2009 - 11:43

Fast Fashion al mare

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Muita gente me cobrou um post sobre a Bianca Graham Ferreira, que apresentou sua coleção de inverno em evento off ontem de manhã. Infelizmente, eu tinha gravação com o GNT Fashion ( fomos na casa do Ruy Castro, conversar com ele sobre a Carmem Miranda, homenageada do SPFW. Ruy é o biógrafo da Pequena Notável e o papo foi uma delícia ), portanto não pude comparecer. Ouvi os mais variados elogios a respeito de Bianca, que é filha de Ricardo Ferreira, o Sr. Richard’s, e confio na opinião de feras como a Glorinha Kalil. “O filho do cara que veste Richard’s vestia Osklen. Agora ele tem mais uma ótima opção, no meio do caminho, igualmente simpática e bem feita”, comentou comigo no lobby do hotel. Pelo que vi na net, Bianca veio para ficar. Quem quiser saber mais, recomendo o post do Oliveros no Fora de Moda, bem completo.

A grande surpresa do evento, para mim, foi a Ausländer, grife local, famosa entre os modernos por suas camisetas irresistíveis e bem humoradas. A gente sempre fica apreensivo quando um camiseteiro se aventura na moda propriamente dita. Os resultados podem ser desastrosos. Neste caso, bingo! Tudo funciona. Reproduzo aqui a minha crítica para o site de Lilian Pacce:

“A carioca Ausländer queria deixar de ser apenas a “grife das camisetas engraçadas”, hype entre os modernos locais. Conseguiu. Para seu primeiro desfile, inventou para si um blog de streetstyle imaginário, em que propõe looks aos personagens fotografados. E o que é que se vê nas ruas? Tendencinhas diluídas, encaixadas em propostas divertidas, jovens e despretensiosas, para ir da faculdade à balada. Daiane Conterato abre o primeiro bloco – todo em preto e branco – com um vestido acima do joelho que causaria sensação em qualquer festa mais chic. Os meninos que vem logo atrás, também alvinegros, ganham ótimas calças, secas e confortáveis, skinnies ou cenouras, mais curtas e usadas com sapatos tipo Oxford ou os docksides do momento. Quer navy? Tem boas jaquetas, com os galões característicos, também estampados em camisetas e moletons. Prefere college? Sem problema. Xadrezes decoram vestidinhos e os paletós já vem com os badges da turma. Tem pitadas de militarismo e rock também, misturadas à boa alfaiataria, de ótimo acabamento e completadas com algumas gravatinhas borboleta, outro hit global. Boa idéia a de brincar com o pied de poule estampando-o em moletons e nos sapatos. Mostra bom humor. Se não revoluciona a moda brasileira, a grife tem o mérito essencial do fashion business, que é criar desejo de consumo. Ou seja, a Ausländer apresentou tudo o que se espera de uma marca de fast fashion e, mesmo que esse não seja o futuro dela, já começou sua nova trajetória com o pé direito. Taí a revelação do evento.”

Teve moda masculina também no Rio Moda Hype, pelas mãos de Alisson Rodrigues, que tem boas idéias e parte sobre boas bases. Tem potencial. A acompanhar.

Fotos do Charles Naseh, do Chic.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
15/01/2009 - 00:46

Eles por elas

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Desde segunda-feira que não acontece um mísero desfile de moda masculina aqui no Rio. Por isso a falta de post, tá pessoal? Hoje foi igual. Amanhã a coisa começa a mudar, que bom. Sem contar a correria louca de gravações, idas e vindas de uma sala de desfile a outra, caminhada até o site da chefa para escrever críticas…os dias têm sido bem longos. Mas uma coisa tem me chamado a atenção nas coleções femininas apresentadas até agora: o recorrente tema da interpretação, desconstrução ou reinvenção da alfaiataria masculina, combinada com os mais delicados looks. O closet dos meninos virou centro de pesquisa para elas, rá!  Assumido pelos estilistas em release, viu? E em muitos casos, tem dado samba, sim. Vou tentar enumerar dia por dia as grifes que, de alguma forma, enveredaram por este caminho. Se eu esquecer de alguém (afinal, são 01:45 e o sono bate à porta…) podem completar, certo?

Domingo: Walter Rodrigues

Segunda-feira: Coven

Terça-feira: Maria Bonita Extra e Cavendish

Quarta-feira: Printing e Marcella Virzi

 

Estamos podendo, hehe…Volto nesse assunto se ele persistir, ok?

 

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
13/01/2009 - 01:06

Do mato ao asfalto

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Gente, tá corrido, mas arrumei um tempinho (curto) pra dar satisfação a vocês. A vida masculina no Fashion Rio de inverno 2009 despertou hoje com mais uma prova de poder da Redley, que realizou, no bucólico Parque da Tijuca, mais um de seus impecáveis desfiles. Cartela de cores sob medida, em tons terrosos e outros tantos derivados do cenário que nos rodeava; tricôs de primeiro mundo (mais para o frio da terra do estilista da marca, o alemão Juergen Oeltjenbruns, do que para o nosso, é bem verdade…), desenvolvidos mineiramente pelos cariocas em Belo Horizonte; bermudas folgadas, num patchwork de cores geometrizadas, de acabamento perfeito, lindas jaquetas e mais um monte de objetos de desejo para o próximo inverno. Poderoso. Quase repetitivo, se pegarmos as coleções recentes da Redley mas, melhor assim. Já pensou se fosse repetição de erros? Em time que está ganhando não se mexe, dizem…

Fechando o dia, a TNG confirma sua real vocação: jeanswear rápido, direto, pronto pras ruas, sempre com alguma referência esportiva. Podem até questionar o formato datado do desfile, as pirações stylísticas de Regina Guerreiro (que, desta vez até entrou nas palmas, ao final do desfile, junto com o Tito Bessa e convidados…) ou falta de ousadia na alfaiataria, por exemplo, mas ainda considero esta coleção melhor do que a anterior. São boas as camisetas de cores cítricas e referências geométricas, como os patchworks formando triângulos. Ponto também para algumas lavagens do jeans, carro-chefe master da grife, portanto dono de maior atenção. A esbranquiçada é a mais interessante. Só não precisava de tanta jardineira, né? A peça se desdobrou em todos os tons de indigo e de sarja, cada hora com uma cara, mas sem acrescentar muito em termos de informação de moda. Mas…a gente não espera tanto da TNG, não é mesmo? Pelo menos entrega o que se propõe a entregar.

Curiosidade: Pelos corredores, andam chamando esta edição do FR de “edição botânica”, tantos são os desfiles com inspiração em plantas, flores, vegetação…uma coisa Eco total. Té amanhã.

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , ,
09/01/2009 - 18:54

Homem de Ivan Aguilar cresce e aparece

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Vem chegando o Fashion Rio, com ele um ritmo descompensado de trabalho, que já vai se manifestando desde já, como vocês puderam perceber pela minha falta de tempo em postar desde o retorno das férias. Mas faz parte, vamo que vamo! A partir de domingo estarei em terras cariocas, trazendo ( se a conexão do hotel permitir ) o melhor da moda de menino desfilada por lá. E uma das principais expectativas é quanto ao desfile de inverno de Ivan Aguilar.

A coleção promete. Ivan fez a gentileza de me enviar alguns croquis como aperitivo e, lendo o release, dá uma coceira de ver tudo já. Acho que vou gostar ( Ivan também acha, tomara…). Como o título do post indica, os garotos de Ivan entraram na fase adulta. Bem, nem tanto. A referência ao filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate” entrega. Fiel a sua veia de alfaiate, o estilista promete calças ajustadas ao corpo com shape de armadura, paletós sequinhos e mais curtos, os casacos de fundo militar que já vão virando clássico seu, além de jaquetas bomber ( tem uma de couro de avestruz!) e cardigans must-have. Diz que tem perfume setentista no ar ( ele impregnou mesmo…), com direito a peles nas golas e referências Beatlescas. Hmmm…Rock’n'Roll pode ser o tempero certo nessa receita toda. A ver.

Outro objeto de desejo master devem ser as peças em patchwork Liberty, aquele das florzinhas, que tanto sucesso fez na última estação. Xadrezes, cartela sóbria, em tons de vermelho, verde musgo e cinza, veludos e lãs para esquentar o inverno. Como sempre, Ivan guarda toque social em seu trabalho. Desta vez, produziu seus tricôs e crochês ( em lã e couro ) com cooperativas de mulheres do interior do Espírito Santo para dar forma a seus casacos e cardigans. Street touch: botas by Puma nos pés dos meninos e exclusiva linha de óculos Ventura by Ivan Aguilar no rosto. Quero só ver, hein Ivan? Até lá. Em tempo: o desfile de Ivan Aguilar acontece na sexta-feira, dia 16, às 17 horas. Com styling do Thiago Ferraz e trilha de Paulo Bega ( Stop Play Moon )!

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
07/01/2009 - 19:03

Kilgour: o fino da alfaiataria

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Ah, como eu adoro descobrir boa moda masculina! Lendo a newsletter da Colette, vi que a loja vai começar a vender as criações da britânica Kilgour que, apesar de ter duas lojas na tradicionalérrima Savile Row, em Londres, passa longe dos cortes tradicionais, certinhos e conservadores de muitos alfaiates lá instalados. Como não conhecia a grife, fui fuçar, visitei o site e me apaixonei. Super bem cuidado, tem seções onde se pode ver a coleção de inverno 08/09 em fotos lindas ( conceituais e propositalmente turvas, às vezes mostrando pouca coisa, ou só um pedaço da roupa, criando imagens que deveriam servir de modelo pra maioria das fotografias de alfaiataria feitas no Brasil, sempre tão caretas e engessadas ) e a coleção de verão 09, mostrada no vídeo do desfile. A apresentação é moderna, futurista, em cenário de fundo infinito branco salpicados de poás prateados, por onde passeiam meninos ( casting impressionantemente cool ) vestidos em 99% dos casos de looks minimalistas em preto e branco, secos e bem cortados, a cara da alfaiataria do novo século. Confesso que chega quaaaaase a ser repetitivo ver tanto preto e branco na passarela, mas é tudo tão bem feito e impecavelmente acabado que tá valendo. E diz que o estilista italiano Carlo Brandelli, que assina a marca, se inspira muito no alfaiate-mito Peter Savile ( ah, vá ) e…no fotógrafo Nick Knight. Explica muita coisa. Assistam ao vídeo clicando aqui. Coisa fina.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
05/01/2009 - 12:07

Here we go!

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Ano novo, mesma vida. É, o ano começou na correria, com os preparativos para a maratona fashion que se aproxima. A partir de domingo estarei no Rio de Janeiro, ralando no Fashion Rio e trazendo nas linhas do Hypercool o melhor      ( ou pior, vai saber… ) da moda masculina apresentada por lá. Em seguida, no outro domingo, São Paulo Fashion Week. Ê laiá. Mas a gente gosta. Depois de um réveillon tranquilo ( novas regras de ortografia aboliram o trema, é isso? ), regado a churrasco, piscina, dvds e o tardio início do livro Beautiful People ( título da versão francesa de The Beautiful Fall, de Alicia Drake, aquele do YSL e do Lagerfeld ), eu quero é trabalhar. Que 2009 promete!

Entre clássicos dos anos 80 como Gatinhas e Gatões, Ruas de Fogo, Lua de Fel, Lei do Desejo ( Almodóvar ) e mais outros tantos, o filme que marcou demais meu início de ano foi O Desprezo ( Le Mépris ), de Jean-Luc Godard, que eu nunca tinha visto. Quem não viu, corre já pra locadora! Vou gastar, portanto, mais umas linhas para incentivar vocês a assisti-lo. Porque vale muito a pena. Mesmo. O filme foi rodado em 1964 e conta a história de um casal, Paul e Camille ( Michel Piccoli e Brigitte Bardot, sublime! ), que entra em crise quando Paul, roteirista de cinema e teatro, é chamado pelo produtor de filmes Jeremy Prokosch ( Jack Palance ) para reescrever o roteiro do filme-adaptação da Odisséia, de Homero, dirigido por Fritz Lang, que interpreta a si mesmo. Prokosch se encanta por Camille e começa a arrastar a maior asa para o lado dela. Paul, dividido entre manter a honra e garantir um bom dinheiro para terminar a reforma da casa, faz vista grossa. E é este o elemento-chave para uma DR profunda, interminável, angustiante, que conduz o filme todo. Como pano de fundo, analogias a Dante e à mitologia grega servem para fazer pensar ainda mais sobre as relações humanas.

Godard tem um cuidado estético primoroso, tanto com as locações ( Roma e Capri ), quanto com as tonalidades das cores utilizadas no longa. Azul, laranja e amarelo pontuam, em seus mais diversos tons, o filme inteiro, seja nos móveis da casa de Paul e Camille, nas toalhas de banho, no cenário paradisíaco do sul da Itália ou até mesmo na cor dos filtros sobre a película. Por quê azul, laranja e amarelo? Tem que assistir pra entender, mas adianto que a razão é super poética. Lindo de morrer. Genial. Fiquem com o trailer, narrado pelos atores principais, para ter uma idéia.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
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