2009 janeiro | Hypercool
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Arquivo de janeiro, 2009

29/01/2009 - 16:32

J’aime Paris – end

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Em meu último post sobre a temporada masculina de Paris vou ser bem patriota e dar destaque para duas grifes bem francesas. Mas não gratuitamente, sosseguem. Eu nem gosto tanto assim da coleção de Jean-Paul Gaultier, praticamente toda em preto e branco, explorando a androginia da alfaiataria masculina, com meninas e crianças misturadas no casting. É ok, bem acabada, silhueta boa, com pinceladas punk (The Clash na trilha…), mas não excepcional.

A grande sacada de Gaultier foi ter feito um micro manifesto contra o racismo na moda (e no mundo), ao botar todo mundo de peruca black power escura, morena e até loira. O próprio estilista entrou com a sua ao final do desfile. Vale lembrar que a carreira do enfant terrible francês sempre foi marcada pela democracia de etnias, com referências orientais e africanas mescladas ao melhor do Ocidente. No caso dele, portanto, zero demagogia. Detalhe cuticuti: as crianças que abrem correndo e fecham o desfile, vestidas de gente grande, com trench-coats e smokings, cada qual com sua peruquinha. 

Agora, falando sério, de moda, mesmo: Junto com a Yves Saint Laurent, a Lanvin é a grife que melhor acompanhou as mudanças do homem do novo milênio. A parceria entre Lucas Ossendrijver e o pinguim-man Alber Elbaz é das mais acertadas já há algumas estações. Ninguém misturou melhor (e de maneira mais chic) as referências esportivas das ruas com o fino da alfaiataria. Os irresistíveis tênis viraram febre e a grife mergulhou na fonte da juventude para retomar um lugar de honra no pódio masculino.

A coleção de inverno 2009 vem mais sóbria, com pitadas militares e silhueta Chaplin. Calças amplas, blazers e paletós de um e dois botões ou tipo jaquetão. Muita lã misturada com tecidos leves, femininos, como a seda dos lenços no pescoço. O melhor de tudo é que as propostas são muito usáveis.Teve até Obama cover fechando o desfile. Precioso.

Fotos do Men.Style

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
28/01/2009 - 16:42

J’aime Paris – Part 2

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Tá, eu sei, tô atrasado. Mas antes tarde do que nunca. Vou continuar com minhas impressões sobre a semana masculina de Paris, pois ainda não falei de desfiles importantes, que trataram de aumentar o abismo criativo com Milão. Nesse post, espaço para os japoneses, que são pioneiros nessa coisa de nova alfaiataria e são capazes de produzir maravilhas com dois pedaços de lã. Sem contar os desafios que eles nos impõem em relação à silhueta, instigando-nos a achar belo o que parece tão grotesco e fugindo de padrões hoje globalizados.

YOHJI YAMAMOTO

Roupa de ficar em casa nunca foi tão fashion. Yohji busca referências no conforto dos tricozões de ponto largo, em cuecas samba-canção, nos clássicos pijamas listrados e até em roupões de banho para criar uma silhueta única, desabada, onde o paletó é oversized e onde a skort (skirt + short), a.k.a saia-short é peça-chave. Para os que ainda achavam impossível ser cool usando saia para ir à padaria. Comfort fashion total.

COMME DES GARÇONS

Olha o nível do line-up parisiense…Depois de um gênio, outro. Rei Kawakubo chamou sua coleção de “Fashion Illusion” e deu aula de alfaiataria criativa. Os acessórios são de Stephen Jones. De novo aqui, muitas saias e pantalonas cropped (tendência!), para um resultado novo, muito novo.

JUNYA WATANABE

Apesar de achar que ele às vezes encurta demais suas calças, é olhando para peças como o blazer/jaqueta que me dou conta do quanto Junya é bom. All my respect.

Fotos do Men.Style

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
27/01/2009 - 22:32

Interrogação

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Nem tudo em Paris são flores. Dois grandes nomes não convenceram nesta última temporada. Kris Van Assche dividiu a crítica com a coleção de inverno da Dior Homme. Enquanto o WWD acha que o moço esqueceu de todo o glamour que cerca o nome Dior e está perdido fazendo streetwear no quadrado errado, o Men.Style até que é complacente com a nova coleção. Na minha opinião, Mr.Van Assche continua não acertando, mas evolui. Se antes beirava o cafona e retrocedia na imagem criada por seu antecessor, a coleção de inverno mostra avanços. O que o WWD chama de sportswear fora de lugar, eu vejo como frescor e remete ao que fez Hedi Slimane em sua passagem pela maison: olhar em volta, para os jovens, para a música e para as ruas, capturando vontades e informações novas. Não que seja uma coleção brilhante, longe disso (os listrados são sofríveis), mas é interessante o jogo de proporções entre jaquetas e camisetões (a la Henry Holland), o foco nas golas e o acerto da silhueta. A coleção solo de Van Assche ainda é melhor.

Outro estreante da temporada, Gareth Pugh fez sucesso com seu primeiro desfile masculino. Bem, a imprensa amou, como tudo o que o garoto faz atualmente. Ele diz que tentou ao máximo não fazer apenas uma versão para homem de seu universo sci-fi feminino. Quase conseguiu, pois, salvo certas proporções, tudo parece uma continuação do que ele vem fazendo para suas mulheres. Muito vinil, couro e preto, muito preto. O mérito é ter entendido que, no meio dos ciborgues todos, tem que ter umas peças de pegada mais comercial. E isso tem. Não sou muito fã, confesso, prefiro esperar o próximo. Agora, juntem os dois desfiles e terão pista da dança das cadeiras que está no ar em Paris. A seguir…

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , ,
26/01/2009 - 16:28

J’ aime Paris – Part 1

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Antes de abordar o que eu mais tenho gostado e o que de mais relevante vem acontecendo na semana de moda masculina de Paris, queria responder ao Junior Tavares, leitor que me pediu opinião sobre alguns desfiles de Milão. Junior, eu não mencionei a DSquared, a Moschino, a Etro, o Zegna e nem o Ferragamo simplesmente porque eles não apresentaram nada de novo, em suas coleções ultra comerciais e caretas. Os irmãos Caten estão presos a uma fórmula e não desapegam de jeito nenhum, previsíveis; Moschino faz umas graças, mas não acrescenta nada ao nosso repertório; a Z Zegna -que desfila em NY- é muito mais legal do que a linha mãe, clássica e careta demais, e a Etro, bem, essa também não me encanta não. Milão, em geral, é bem boring. Já Paris…

Impressionante o abismo de criatividade de uma capital para a outra. Os desfiles da capital francesa são quase todos bons! O nível de aproveitamento é incomparável. Claro que temos que levar em consideração o momento criativo e econômico global, isso respinga também por lá, mas mesmo assim…cheira a novidade, sabe? A começar pelos castings. De onde sai tanto menino incrível? Tô bem animado com o que vi até agora. Balancinho rápido: muuuuito preto, sobreposições mil, paletós de um e dois botões, calças amplas -tem até versão pantalona cropped na YSL!-, novo olhar sobre a alfaiataria, botas pesadas nos pés. Vamos lá.

YVES SAINT LAURENT

Incrível como Stefano Pilati entendeu as transformações do homem deste novo século. Suas coleções são desafiadoras, frescas, chics. E ainda prova que não parou no tempo aliando o show real a vídeos sensacionais. O novo é assinado por Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin e tem o ator Michael Pitt como único protagonista, reagindo a uma voz feminina muito da sensual que recita um texto em que estão embutidas as principais infos sobre a coleção, como tecidos, cores e shapes. Clica aqui pra ver (é o primeiro videozinho da esquerda). Mestre!

RAF SIMONS

Gênio do corte e da nova alfaiataria, já desafiou nossas percepções sobre a silhueta masculina com sua coleção para a Jil Sander, semana passada -aquela que lembra bem a do João Pimenta. Em sua linha pessoal, começa bem tradicional, quase careta, até explodir em criatividade com suas peças bicolores, com mangas cítricas, sobremangas arredondadas e shape slim. Brilhante!

RICK OWENS

É a primeira coleção exclusivamente masculina de Rick Owens. Começou muito bem. Tudo tem a cara dele, um Mad Max moderno, com muito couro, preto na veia, sobreposições delícia. Um look mais poderoso que o outro, difícil até escolher foto. Gosto muito.

NUMBER (N)INE

Japonês é fogo. Takahiro Miyashita vem tirando do anonimato a Number (N)ine com muito talento. Apaixonado por grunge e punk, tirou inspiração para esta coleção de um quarto de hotel no Alaska, onde ficou preso por causa do mau tempo durante uma de suas viagens. Cortinas, sofás, objetos de decoração, tudo serviu de referência. O resultado é de se cortar. Confiram vocês mesmos.

KRIS VAN ASSCHE

Todos que me acompanham sabem do meu bode pelo Kris Van Assche. Acho que ele não substituiu à altura o Slimane na Dior e suas coleções solo sempre beiraram o cafona. Pois bem, paguei a língua. Em seu inverno 2009, o rapaz mesclou muito bem alfaiataria e utilitarismo, brincou com shapes e proporções, trouxe algo novo a seu próprio repertório. As calças amplas funcionam bem e as sobreposições são inteligentes, de bom gosto. Grata surpresa.

Continua no próximo post.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
25/01/2009 - 22:16

Milão e a crise

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Com um certo atraso, tendo em vista o tsunami SPFW da última semana, só agora consegui focar na temporada internacional de desfiles masculinos para o inverno 2009/10, que já passou por Milão e continua acontecendo em Paris. O balanço de Milão é chocho, com poucas surpresas, coleções extremamente comerciais, monocromáticas e de fácil consumo. É a crise batendo à porta.


Looks da Gucci, Dolce e Gabbana e Alexander McQueen

Dolce & Gabbana, Gucci, Alexander McQueen, Prada. Grifes fortes com coleções apenas corretas e desprovidas de grandes novidades. Ganha pontos quem experimenta um pouco mais, como Neil Barrett e Vivienne Westwood. Mesmo se nem tudo é bom, esses nomes tem o mérito de propor algo além do trivial. Engraçado notar que o grau de conservadorismo cresce proporcionalmente ao tamanho da maison. Quanto maior a marca, menos riscos se corre. E, vendo as fotos européias, dá pra perceber também que o que acabamos de ver na temporada brasileira está super em sintonia com o que acontece lá fora. Globalização master.


Vivienne Westwood e Bottega Veneta


Prada e Jil Sander

As cores dominantes são as sóbrias, muito cinza e preto (a coleção da Prada é 90% black, a da Jil ”Pimenta” Sander é boa e passeia por todos os tons de cinza), às vezes intercaladas com uma cor mais acesa. Muito exercício sobre a alfaiataria, alternância de tecidos sóbrios ou com brilho -tipo flamboyant, mesmo-, naturais e sintéticos. O abotoamento dos paletós é o duplo, que funciona melhor no frio inverno europeu do que aqui nos trópicos -é feito para usar fechado-, por isso não deve pegar no Brasil tão cedo. A opção são os dois botões. Calças continuam secas, poucas skinnies, algumas cenouras, dando sinais de folga cada vez maior.


Looks da coleção de Giuliano Fujiwara

Dentro dos que eu gosto mais, a novidade é o Giuliano Fujiwara, japa radicado em Milão que, como todo japonês vai além do básico, sem perder, porém, a consciência comercial. No entanto, meu preferido na temporada milanesa é mesmo o Neil Barrett. Com propostas inteligentes de trompe l’oeil, calcadas em peças clássicas, sugerindo, disfarçando, escondendo, ele mostrou que ter criatividade para se destacar mesmo privilegiando o foco nas vendas é essencial nos tempos bicudos de hoje.


Neil Barrett

Paris já começou e, pelo que vi, trazendo, como sempre, alguns sopros de criatividade a mais do que Milão. Logo mais falo a respeito.

Fotos do WWD

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , , ,
24/01/2009 - 15:23

SPFW: c’est fini!

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Ufa! Acabou a insanidade da Bienal e eu finalmente vou poder escrever sobre o desfile engajado da Reserva, sobre o comercial impecável do Alexandre Herchcovitch e sobre a surpresa Amapô. O próximo post já vem gringo, com minhas impressões sobre os desfiles de Milão e Paris ( adianto que não vai ser nada doce…).

Bem, na quinta-feira rolou a apresentação dos garotos do Rio mais paulistas que existem, já que a Reserva escolheu Sampa como passarela desde a última temporada. E o que se viu foi uma coleção mais difícil do que as outras, daquelas pra se olhar com lupa, limpar os excessos ( não curti o styling, carregado demais ) e ver que ela é boa sim. A inspiração nos conflitos entre povos de raças e credos diferentes que teimam em acontecer, principalmente no Oriente, rendeu ótimos tricôs de ponto largo, multicoloridos e com jeitão de esgarçados, boas calças de shape saruel, belas jaquetas matelassadas e ótimos hoodies para o dia-a-dia. Lindas as estampas que lembram grafismos africanos e a da Aurora Borealis. Também gosto bastante das peças em seda com inox – o que dá memória- e das fininhas, quase transparentes. Coleção madura. Acertaram, meninos ( o recado é pra eles mesmo, pois ao encontrá-los no lounge do GNT, me disseram que sempre passam pelo Hypercool. Fiquei lisonjeado. ).

Alexandre mirou no universo marítimo para mandar muito bem também, com uma proposta comercial, sim, mas nem por isso besta. A alfaiataria continua impecável, em cores novas e ousadas como o vermelho chilli do início, as jaquetas são todas must-have, a camisaria é certinha, enfim, tudo correto, pronto para a loja e para a conta do cartão de crédito. Pintaram umas referências  - sutis, bem diluídas – aos marujos, como galões, nós, grandes botões, gorros, capas plastificadas. A de poazinhos brancos é linda. Aliás, Alexandre acerta até quando utiliza materiais pouco convencionais como os plásticos, vinis e lamês. Por que eu gosto dos plastificados do Alê e não dos da V.Rom? Questão de classe e sutileza. O plástico e o vinil do Alexandre são muito fininhos, com corte de alfaiate, delicados, bem-sacados. O agasalho xadrez e a jacket com abotoamento duplo são ótimos. E vai pra loja, é real. Na V.Rom, tudo parece mais grosseiro, exagerado, fora de contexto, irreal e surreal.

A minha grande surpresa do evento foi a Amapô, que amadurece a passos largos em seu feminino, mas arrasa mesmo é nos seus meninos. Com um rebuscado e inteligente trabalho de desconstrução/reconstrução da alfaiataria masculina, criou looks frescos, novos e cheios de informação que encheram os olhos. Palmas para Carô e Pitty.

Fim da temporada brasileira. Volto com os internacionais.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
22/01/2009 - 20:07

Não esqueci não!

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Para todos aqueles que me cobram posts sobre a temporada masculina internacional, venho aqui dizer apenas que estou de olho, sim, mas simplesmente faltam tempo e forças para postar a respeito. Prometo que , assim que terminar a temporada brasileira, monto um especial Milão e Paris. Tô me coçando aqui, acreditem. Até já.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags:
22/01/2009 - 12:13

V.Rom ou não?

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Este post está sendo amadurecido desde ontem, por falta de tempo e porque eu precisei digerir o fato de todo mundo ter gostado muito do desfile de inverno 09 da V.Rom e eu nem tanto. Saí do desfile meio decepcionado, tentando entender o que tinha dado errado, já que eu sempre bati palmas feliz ao final das últimas apresentações da grife, diferente do que aconteceu desta vez. De cara, encontrei o Oliveros, que dizia, animado, que a “V.Rom mandou muito bem!”. No camarim do GNT, nos preparativos para o programa ao vivo, Paulo Martinez e Camila Yahn, convidados de Lilian Pacce, também diziam ter amado a coleção. Maria me ligou pra perguntar o que eu tinha achado e, feliz da vida, também alardeava todo seu entusiasmo. Mas que raios…então eu tinha enlouquecido? O errado era eu? Por que será que eu era o único a pensar diferente? Fiquei com aquilo martelando na cabeça até o final do GNT Fashion especial. Resolvi olhar as fotos na internet.

Primeira conclusão: não, eu não estou louco. Segunda: continuo com minha opinião, cada vez mais forte, aliás. Terceiro: não tem certo e nem errado nesse caso, apenas pontos de vista diferentes. Explico o meu: A V.Rom sempre primou por trazer frescor e novidade à moda masculina, carente de boas idéias e refém do conservadorismo da maioria das grifes. Por isso todos ficamos empolgadíssimos – talvez até demais, beirando o endeusamento do Igor de Barros – com as coleções recentes, que mixavam tudo ao mesmo tempo agora, flor com listra, xadrez com estampa e cor, muita cor. O melhor de tudo: era roupa real, usável, com informação e atitude. Novo. Nem precisamos entrar no mérito da roupa desfilada não chegar à loja e dos preços espaciais que a grife pratica. Fiquemos apenas com o apresentado na passarela do SPFW. 

No desfile de ontem, alguma coisa se perdeu. Gosto muito do início, com uma alfaiataria forte, de padronagem tradicional, mas nem por isso careta. Mudam os shapes, mistura-se bem, as usual. Boas as (onipresentes) calças cenoura e os paletós/blazers mais curtos, bem cortados. É muito simpática a mistura com camisaria de cores acesas, chic o tom clássico das peças em Príncipe de Gales e espinha de peixe. Mas daí em diante a queda é livre, com alguns sopros de inspiração isolados. Como certas jaquetas, apesar de reservadas a um homem de espírito mais show off (combinadas com um short também dourado, com cara de samba-canção).

Sobreposições, xadrezes, misturas de todo tipo. Espírito de aventura, mix de hippie orgânico com roqueiro sintético, atitude cool. Toda a alma da grife está lá, mas algo não encaixa. Experimentar é sempre válido, a moda masculina precisa disso, mas derrapadas como as peças em lamê, os vinis, os looks plastificados, os coletes (?) de veludo e o inexplicável couro caramelo custam caro. No caso, a leveza e identidade que elevaram a V.Rom ao pódio masculino do evento. O tênis/bota é feio e o shape das jaquetas de couro lembram a eterna Julian Marcuir. Vejam as fotos que ilustram meu raciocínio e formem a opinião de vocês. Lembrando que eu não sou o dono da verdade e que o certo e o errado andam lado a lado.

 

 

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , , ,
21/01/2009 - 00:13

2nd Floor acerta o passo

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Não podia deixar de mencionar o salto de sofisticação que deu a 2nd Floor, caçula da Ellus e agora dona do próprio nariz. Um desfile muito bem realizado, com um monte de objeto de desejo, PRINCIPALMENTE para os meninos! Eu mesmo já fiz minha lista de compras.

Um universo de balões brancos, mensagem lúdica de paz e poesia ao som de piano tocando clássicos do tango misturados com Nirvana. Um delicado e feliz cenário para o desfile de inverno da 2nd Floor, filhote street da Ellus, andando com as próprias pernas há algumas estações e dando sinais cada vez maiores de amadurecimento. A pegada é jovem, colorida e cheia de peças desejo, com tendencinhas diluídas e acabamento digno da grife-mãe. As meninas são princesinhas girlie, de laço na cabeça, vestidos curtos e armados à base de camadas e mais camadas de tutus, volta e meia com uma biker jacket de couro sequinha por cima dos paetês. Do namorado emprestam as calças, de barra virada e gancho baixo, além dos maxicardigãs de ponto largo, que aparecem também nos looks deles. Caprichadas, as propostas masculinas são deliciosas, com as calças cenoura pregueadas e muita jaqueta de couro. Até que enfim alguém fez os blazers mais curtos, de dois botões, pra serem usados por cima do jeans bruto, com aspecto sujo e amassado. Nos pés, Oxfords para todo mundo, coturnos para os mais invocados. O styling de Lelê Toniazzo foi, de novo, fundamental para dar a cara da geração paz e amor do século 21.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , ,
20/01/2009 - 23:56

Sommer em dois tempos

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Esse post é todo do Marcelo Sommer. Resolvi juntar o que ele apresentou para os meninos tanto no desfile de sua marca Do Estilista, quanto no da Cavalera, que aconteceu hoje. Bem, na Cavalera, méritos para o Igor de Barros, autor da V.Rom, que passa a integrar o time da grife e a assinar a porção masculina.  O resultado é bom, mostra evolução, mas ainda não conquista. O grande mérito da Cavalera nesta estação é ter se recuperado do fraco desempenho verde na temporada passada (apesar do desfile ter concorrido a melhor do ano…), focando no comercial e assumindo sua veia street, de produto que vai pra loja. Não amo tudo não, mas reconheço a evolução. Crítica do lilianpacce.com:

“A festa de Parintins e seu duelo entre os bois Caprichoso e Garantido serviu de inspiração para um inverno tingido de azul e vermelho, assumidamente comercial e fiel às raízes street da Cavalera. Um folclore tipicamente regional diluído em propostas usáveis, com perfume punk rock e com a assinatura de Marcelo Sommer. Entenda por aí que xadrezes, quadriculados, detalhes kitsch e pitadas de bom humor aparecem tanto no lado vermelho (Garantido), quanto do lado azul (Caprichoso), no desfile dividido em dois blocos, com a torcida adversária assistindo, na penumbra, ao enredo da outra. Muita lã nas jaquetas, de desenho Perfecto, jeans brutos quase sem lavagem – as calças são skinnies ou carrot- tanto para meninas, quanto para eles. O jovem Igor de Barros, da V.Rom, por sinal é quem passa a assinar o masculino, que teve no rebuscado desenho dos casacos seu ponto alto. Elementos da fauna local e alegorias do espetáculo como onças e penas pipocam em estampas, forros e até nos sapatos bico fino, enquanto rendas maliciosamente sexies garantem o tom rock´n´roll do carnaval mais acirrado do Brasil. O quesito de avaliação aqui é o de evolução, e a Cavalera levou nota alta.”


Por outro lado, gostei muito mais da coleção solo de Marcelo, na Do Estilista. Criou desejo, assumiu o gosto (e a necessidade) pelo comercial, sem perder a fantasia que lhe é tão cara. Tradição holandesa revisitada com toda a identidade street de Marcelo Sommer. Funcionou. Depois de inúmeras viagens a Amsterdam, finalmente Marcelo faz virar roupa uma admiração por símbolos tradicionais dos Países Baixos, como os azulejos, os souvenires das lojas para turistas e desenhos de personagens lúdicos. Tudo a ver com o universo da Do Estilista, portanto. E, como a cor dominante de todas essas referências é o azul, a coleção passeia por todas as tonalidades, do Klein ao céu, tingindo xadrezes, estampas de girassóis e do incontornável Van Gogh. Shapes folgados para eles, com calças de gancho baixo e camisas ajustadas, esquentadas por belos tricôs de ponto largo e blazers em patchwork. As meninas ganham formas inusitadas, em um bom repertório de vestidos, como o chemise de Luciana Curtis, cortado em forma circular, mas com caimento de caftã. Nos pés, tênis Nike coloridos, confirmando que tudo está pronto para as ruas. As bicicletas originais viraram ergométricas na cenografia bem humorada da grife e, depois de uma coleção fantasiosa na temporada passada, é gostoso ver Marcelo olhar para seu universo sem perder o passo na esteira comercial.

Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: , , , , ,
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