Milão e a crise
Com um certo atraso, tendo em vista o tsunami SPFW da última semana, só agora consegui focar na temporada internacional de desfiles masculinos para o inverno 2009/10, que já passou por Milão e continua acontecendo em Paris. O balanço de Milão é chocho, com poucas surpresas, coleções extremamente comerciais, monocromáticas e de fácil consumo. É a crise batendo à porta.



Looks da Gucci, Dolce e Gabbana e Alexander McQueen
Dolce & Gabbana, Gucci, Alexander McQueen, Prada. Grifes fortes com coleções apenas corretas e desprovidas de grandes novidades. Ganha pontos quem experimenta um pouco mais, como Neil Barrett e Vivienne Westwood. Mesmo se nem tudo é bom, esses nomes tem o mérito de propor algo além do trivial. Engraçado notar que o grau de conservadorismo cresce proporcionalmente ao tamanho da maison. Quanto maior a marca, menos riscos se corre. E, vendo as fotos européias, dá pra perceber também que o que acabamos de ver na temporada brasileira está super em sintonia com o que acontece lá fora. Globalização master.


Vivienne Westwood e Bottega Veneta
As cores dominantes são as sóbrias, muito cinza e preto (a coleção da Prada é 90% black, a da Jil ”Pimenta” Sander é boa e passeia por todos os tons de cinza), às vezes intercaladas com uma cor mais acesa. Muito exercício sobre a alfaiataria, alternância de tecidos sóbrios ou com brilho -tipo flamboyant, mesmo-, naturais e sintéticos. O abotoamento dos paletós é o duplo, que funciona melhor no frio inverno europeu do que aqui nos trópicos -é feito para usar fechado-, por isso não deve pegar no Brasil tão cedo. A opção são os dois botões. Calças continuam secas, poucas skinnies, algumas cenouras, dando sinais de folga cada vez maior.

Looks da coleção de Giuliano Fujiwara
Dentro dos que eu gosto mais, a novidade é o Giuliano Fujiwara, japa radicado em Milão que, como todo japonês vai além do básico, sem perder, porém, a consciência comercial. No entanto, meu preferido na temporada milanesa é mesmo o Neil Barrett. Com propostas inteligentes de trompe l’oeil, calcadas em peças clássicas, sugerindo, disfarçando, escondendo, ele mostrou que ter criatividade para se destacar mesmo privilegiando o foco nas vendas é essencial nos tempos bicudos de hoje.
Paris já começou e, pelo que vi, trazendo, como sempre, alguns sopros de criatividade a mais do que Milão. Logo mais falo a respeito.
Fotos do WWD
Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: Alexander McQueen, bottega veneta, Dolce e Gabbana, Gucci, Milão, Neil Barrett, Prada, Vivienne Westwood




Parabéns Sylvain, estava ansioso pelos posts internacionais que por hora estão ótimos.
Porém gostaria de saber o que você achou da Dsquared², Etro, Moschino, Ermenegildo Zegna e Salvatore Ferragamo, que foram os que mais gostei.
Abraços e parabéns novamente, o blog continua impecável.
Gostei da proposta super corajosa da Prada. Sinceramente, a palavra que define esse conceito eh coragem, no bom sentido, lol.
E Gucci sempre aHasa no casting com modelos slim fit [os melhores].
Eu comecei o balanço internacional, mas de modo mais economico que o seu, claro. Amei Raf Simons para Jil Sander, sua silhueta arredondada e cintura marcada são incríveis, mas foi sua coleção pessoal com aquelas interferencias nos ternos que gostei mais. Fico no aguardo de Paris.
O problema é os brasileiros copiarem esta tendência crise e estender a coisa até aqui. O Style.it destaca as cores alegres da cartela brasileira como algo positivo, ou seja, olham pra cá e daí nem precisamos copiar tanto. Não vi novidade, nem em Gucci e nem ninguém…tenho esticado os olhos no oriente…eles são corajosos! =)
e CoSTUME NATIONAL ??? Eu estava estagiando lá, o defile masculino foi ótimo, design bem comercial mas tudo muito chic, vale a pena!
bjs!!