O homem da Casa, dia 1
Primeiro dia ontem da edição de inverno 2009 da Casa de Criadores e o desfile mais relevante para os meninos foi, sem dúvida, o de João Pimenta. Valem umas linhas sobre a Phergom também, vai, já que, apesar do tema batido, se saiu melhor no campo masculino do que no feminino. Não adiantou o discurso de que quis fugir do óbvio fazendo uma coleção sobre o rock. As cores escuras estavam lá, a silhueta ajustada a la Axl Rose ( influência do natimorto álbum Chinese Democracy? ), com suas leggings de plush, dividiu espaço com algumas formas mais soltas, bem mais interessantes. Ponto para as jaquetas e para as camisetonas amplas, que de rock não tinham nada. Se a preocupação era fugir dos clichês, trabalhando com um tema já tão usado, melhor seria escolher outra cartela, outro fio condutor, outra inspiração, ou se libertar dela e fazer a melhor moda possível. Quem precisa de temas engessados?
Pela primeira vez saí bem impressionado por um desfile de João Pimenta. Explico o porquê da minha resistência a seu trabalho: eu sou super a favor da tentativa de fugir da mesmice na moda masculina e reconheço que João luta bravamente para conseguir isso ao longo de sua carreira. O que me incomoda é a invencionice pura e simples. Quando não há objetivo e quando a experimentação não vai a lugar algum, por mais que se tenha méritos, não há evolução. É mais ou menos como a firula no futebol: um belo drible, uma jogada enfeitada, é muito legal de se ver, como espetáculo, mas se não há objetividade rumo ao gol, ou seja, se o drible não passa de mera fantasia e não resulta em nada, acaba sendo inútil, perdendo o sentido. E eu acho que o evento em si peca nesse aspecto como um todo já há algum tempo, já falei disso aqui no blog. Ah, trata-se de laboratório? Ok, acho válido. Mas pra onde vão esses novos talentos sem uma direção comercial concreta, que os faça alçar vôos mais altos do que improvisar um desfile a cada seis meses no shopping Frei Caneca? E duvideodó que a maioria se contente disso e ache que está tudo bem assim, vendendo pra uma minoria, mas fiel aos seus ideais mais profundos.
Pois bem, ontem João enfeitou rumo ao gol. Primeiro eu adorei a cartela, simples, direta, preto no branco. E haja preto. E um pouquinho de branco. Deu peso à sua ( boa ) alfaiataria, de formas inusitadas mas, que tiradas do contexto circense da apresentação, podem funcionar sim. Bem, nem todas, mas tá valendo. Buscando incorporar formas femininas em suas propostas, João botou a pulga atrás da orelha dos mais céticos com relação ao futuro da moda para homens, meio como faz Miuccia ao fragilizar ao máximo seus meninos a cada coleção desfilada ( aliás, eu vi um tanto de Prada diluída na coleção do Pimenta, pra ser bem sincero ). As anquinhas vêm lá da corte francesa, as transparências e a pele à mostra são mais recentes. Boa mistura. Até os sapatos eram “de menina”. Boa também a idéia das amarrações nas costas, com referência hospitalar, e honra ao mérito para os acessórios. Lindos. Quero o cinto fininho já! João: valeu mesmo. Os inconformados com o marasmo na moda masculina agradecem.
Fotos: Charles Naseh/Chic
Autor: justum - Categoria(s): moda Tags: Casa de Criadores, João Pimenta, Phergom, Prada, Shopping Frei Caneca






Adorei os desfiles da segunda feira. Realmente os meninos se detacaram mais. Em relação ao João Pimenta adorei as calças com volumes no quadril, sabendo que alguns não funcionam mesmo nas ruas, já o Phergom fez uma moda masculina bastante desejável.
[...] a proporção do corpo?). Ponto pra ele. Para uma crítica mais fundamentada, leiam o texto do Sylvain. Enviado por: Maria Prata – Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, vídeo Tags relacionadas: [...]